Política

ELEIÇÕES 2026

Mulheres de políticos traçam candidaturas atrás de protagonismo

Filiadas em partidos da direita e da esquerda, elas vão tentar cadeiras na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional

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De olho em uma possível transferência do capital político dos maridos e para trazer protagonismo às mulheres, as eleições gerais deste ano em Mato Grosso do Sul terão pelo menos quatro esposas de políticos candidatas a cargos na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul e no Congresso Nacional, conforme levantamento feito pelo Correio do Estado.

Trata-se da ex-primeira-dama do Estado Gilda Gomes dos Santos (PT), esposa do deputado estadual Zeca do PT, a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL), esposa do deputado federal Rodolfo Nogueira (PL), a presidente estadual do PL Mulher, Naiane Bittencourt Pollon, esposa do deputado federal Marcos Pollon (PL), e a ex-deputada estadual Dione Hashioka (União Brasil), esposa do deputado estadual Roberto Hashioka (União Brasil).

De acordo com avaliação do diretor do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa, esse fenômeno de as esposas de políticos passarem a disputar cargos eletivos não é casual nem pode ser explicado por um único fator.

“Em Mato Grosso do Sul, onde nomes como Gianni Nogueira, Naiane Pollon, Dona Gilda e Dione Hashioka ganham projeção, o que aparece é a combinação entre contexto institucional, mudanças culturais e estratégias políticas bastante pragmáticas”, analisou.

Para ele, o ponto de partida é a ampliação da representatividade feminina. “Há uma pressão social crescente para que a política reflita melhor a composição da sociedade. Isso cria uma demanda real por mulheres nos espaços de poder”, disse.

Na prática, conforme Aruaque Barbosa, os partidos tendem a responder a essa pressão recorrendo a perfis já “testados” ou próximos do núcleo decisório.

“É aí que entram as esposas de políticos. Elas surgem como candidatas que cumprem o requisito simbólico da inclusão feminina sem romper totalmente com as hierarquias tradicionais”, argumentou.

PREPARADAS

O diretor do IPR assegurou que a influência familiar pesa muito. “Conviver com a política no cotidiano significa entender as regras do jogo, linguagem, bastidores e riscos. Essas mulheres não começam do zero. Elas já têm acesso a redes sociais, assessores, financiadores e, sobretudo, visibilidade”, comentou.

Ele acrescentou que em estados como Mato Grosso do Sul, onde a política ainda é fortemente personalista e baseada em relações, esse capital relacional faz diferença. “A candidatura se torna mais viável, menos arriscada e mais atraente para os partidos”, analisou.

Outro ponto importante apontado por Aruaque Barbosa é que essas mulheres não são, em geral, figuras desprovidas de trajetória própria.

“Muitas têm formação acadêmica, atuação profissional e experiência em áreas como saúde, assistência social, educação ou gestão. Isso ajuda a construir um discurso de legitimidade que vai além do ‘é esposa de fulano’. Em campanhas cada vez mais escrutinadas, esse currículo funciona como proteção contra a acusação de oportunismo puro”, projetou.

O diretor do IPR ressaltou que isso se conecta diretamente às cotas de gênero.

“A exigência legal de pelo menos 30% de candidaturas femininas forçou os partidos a agirem. O problema é que nem todos investiram, ao longo do tempo, na formação de lideranças mulheres. O atalho foi buscar mulheres próximas a políticos já consolidados, capazes de sustentar uma campanha competitiva. Não é o ideal do ponto de vista da renovação, mas é eficiente do ponto de vista eleitoral”, pontuou.

Há também, de acordo com ele, uma mudança interna nos partidos. “A presença feminina nas estruturas partidárias vem crescendo, ainda que lentamente. Isso cria ambientes menos hostis e mais receptivos a candidaturas de mulheres, especialmente aquelas que já circulam nesses espaços por meio da família. O resultado é um empurrão institucional que antes não existia”, assegurou.

Por fim, Aruaque Barbosa lembrou que existe a dimensão cultural. “A política deixou de ser vista por parte do eleitorado como um território exclusivamente masculino. A figura da mulher que ‘entra junto’ com o marido político hoje encontra menos rejeição do que há duas décadas. Soma-se a isso iniciativas de empoderamento feminino, cursos, redes e discursos públicos que reforçam a ideia de que ocupar esses espaços é legítimo”, falou.

Conforme o diretor do IPR, o ponto central é o seguinte: essas candidaturas não são apenas fruto de ambição individual ou herança familiar, elas revelam como a política brasileira, especialmente em contextos estaduais como de Mato Grosso do Sul, responde às demandas por inclusão usando caminhos já conhecidos.

“O protagonismo feminino avança, mas, muitas vezes, ancorado em estruturas antigas. O desafio daqui para a frente é ampliar esse movimento para além dos círculos familiares do poder”, relatou.

PRÉ-CANDIDATAS

Na avaliação da ex-primeira-dama do Estado Dona Gilda, que foi lançada como pré-candidata a vice-governadora na chapa encabeçada pelo ex-deputado federal Fábio Trad, “as mulheres estão se preparando e assumindo o protagonismo, quebrando barreiras, enfrentando desigualdades e mostrando, todos os dias, que são plenamente capazes de liderar”.

“Vivemos um momento histórico para a política e para a sociedade como um todo. Não há democracia forte sem a participação, a presença e a representação efetiva das mulheres nos espaços de poder e de decisão”, afirmou.

Ela disse que se sente honrada e preparada com a possibilidade de ter seu nome indicado para uma eventual disputa eleitoral. “Esse reconhecimento é fruto de uma trajetória construída ao longo do tempo na política sul-mato-grossense, no PT, na sociedade, no magistério e em muitos anos de militância na defesa dos direitos das mulheres”, comentou.

Dona Gilda disse ao Correio do Estado que traz nas suas experiências como gestora pública, entre 1999 e 2006, um compromisso permanente com a igualdade e a inclusão social, econômica e política das mulheres. 

“Com inovação e ousadia, implantei, em 1999, a primeira Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres no governo do Estado, iniciativa que se tornou referência nacional. Posteriormente, no âmbito do Conselho de Gestão Estadual das Políticas Sociais [Cogeps], contribuímos para a implementação de políticas públicas arrojadas, como o Bolsa Escola, garantindo às mulheres não apenas a gestão dos recursos, mas também oportunidades de qualificação, acesso à educação e inserção no mundo do trabalho”, recordou.

A ex-primeira-dama reforçou que, nas eleições deste ano, deseja trazer para o centro do debate um tema fundamental: a inclusão das mulheres no orçamento público.

“Carrego comigo uma grande responsabilidade, mas também a força das mulheres sul-mato-grossenses que, em sua diversidade – nas periferias das cidades, nos territórios indígenas, nas comunidades ribeirinhas, nos assentamentos rurais, nas universidades, nas escolas e no mundo o trabalho –, enfrentam diariamente o desafio de conciliar o trabalho com as tarefas domésticas. São mulheres que clamam por políticas públicas efetivas, capazes de garantir mais igualdade, dignidade, segurança e uma vida livre de violência e discriminação”, argumentou.

Dona Gilda concluiu reforçando que é nessas mulheres que encontra a inspiração para participar da política novamente. “Quero abrir caminhos para a participação política de todas, para que, juntas, possamos contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e humana”, afirmou.

PROPÓSITO

Já a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira, que se lançou pré-candidata a senadora da República, disse à reportagem que não buscou protagonismo por ser esposa de político, mas foi atrás de seu espaço por ter um propósito no desenvolvimento do Estado.

“Meu esposo entrou na política por ter propósito, e isso acabou me chamando também para este lugar. Vivemos dias obscuros no Brasil e é preciso pessoas tementes a Deus na política para serem luz neste lugar sombrio. Sei que posso contribuir com o Brasil e ser uma agente de justiça em Brasília [DF], e essa é a razão de buscar uma candidatura”, garantiu.

O caso de Naiane Pollon, que foi lançada como pré-candidata a deputada federal pela ex-primeira-dama do Brasil Michelle Bolsonaro, presidente nacional do PL Mulher, é um pouco diferente.

“A minha atuação à frente do PL Mulher de Mato Grosso do Sul me credenciou junto a Michele Bolsonaro para ser escolhida para concorrer a um cargo nas eleições deste ano. O meu trabalho se destacou dentro da legenda e agradeço a Michele Bolsonaro pela confiança para disputar o cargo na Câmara dos Deputados”, afirmou.

A ex-deputada estadual Dione Hashioka, que ainda não definiu se tentará uma cadeira na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados, revelou que não foi o seu esposo quem a incentivou a entrar na política.

“Foi o serviço que desenvolvi quando fui a primeira-dama de Nova Andradina. Me senti muito satisfeita em poder ajudar as pessoas e vi que poderia ajudar ainda mais ingressando na política. No meu mandato, graças a Deus, eu pude participar da vida de muitas pessoas e fui útil para essas pessoas, e é dessa forma que eu vejo a política”, pontuou.

Para ela, ingressar na política é uma forma de servir aquele que mais necessita. “Olha, quanto ao cargo que disputarei, isso ficará sob responsabilidade do partido e também das lideranças. Eu preferiria estar no Estado, pois já tenho as lideranças que me apoiam. Porque federal é uma coisa mais ampla e a gente precisa se ausentar do Estado”, analisou.

Dione Hashioka acrescentou que, se tiver a disponibilidade de o partido a lançar como candidata, o objetivo é ser útil.

“Mas útil para vencer, não para ser usada. Porque na última candidatura minha a prefeita de Nova Andradina saí muito fragilizada, por conta de inúmeras ocorrências que tiveram, e a gente vê que, infelizmente, na política não é só você ter o clamor do povo, pois muitas outras coisas falam mais alto”, concluiu.

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CRÉDITO

Lula edita MP com mais R$ 15 bi para programa de ajuda a empresas afetadas pela guerra

As condições, encargos financeiros, prazos e demais normas regulamentadoras das linhas de financiamento serão estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN)

25/03/2026 16h30

Presidente Lula

Presidente Lula Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), editou a Medida Provisória 1.345, que destina R$ 15 bilhões adicionais às linhas de crédito do programa Brasil Soberano, para ajudar micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) cujas exportações foram afetadas pela guerra no Oriente Médio. O texto foi publicado no Diário Oficial da União (DOU).

As condições, encargos financeiros, prazos e demais normas regulamentadoras das linhas de financiamento serão estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) ainda irão definir os critérios de elegibilidade às linhas de financiamento.

Na terça-feira, 24, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, explicou que os valores vêm de recursos que não foram usados no Programa Brasil Soberano, lançado em 2025, para contrabalançar o tarifaço imposto pelos Estados Unidos às exportações brasileiras

De acordo com o Planalto, serão usados o superávit financeiro do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), apurado em 31 de dezembro de 2025, inclusive do principal; o superávit financeiro, apurado em 31 de dezembro de 2025, de fontes supervisionadas por unidades do Ministério da Fazenda; e outras fontes orçamentárias

"O governo do presidente Lula mais uma vez se antecipa para apoiar a indústria brasileira e preservar empregos. Os recursos serão fundamentais para garantir às empresas produtividade e competitividade no mercado internacional", afirmou, em nota, o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin.

Exportações

Lula também sancionou a Lei 15.359, que cria o Sistema Brasileiro de Crédito Oficial à Exportação. De acordo com o Planalto, o texto moderniza o seguro e o financiamento às exportações brasileiras.

A nova lei incorpora uma regra interna do BNDES que estabelecia que países inadimplentes com o Brasil não poderão tomar novos empréstimos com o banco até a regularização da sua situação.

O texto também tem mecanismos para incentivar operações que envolvam economia verde e descarbonização. "A garantia de maior transparência será adotada com a criação de um portal único para centralizar as informações sobre todas as operações aprovadas. Uma vez por ano, o BNDES vai apresentar à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal o portfólio de projetos. A medida permitirá maior interlocução e acompanhamento mais próximo por parte dos congressistas."

NOVO ENDEREÇO

Beto Pereira anuncia amanhã sua filiação ao Republicanos

Em fevereiro deste ano, o deputado federal havia assumido a presidência do PSDB

25/03/2026 08h25

O deputado federal Beto Pereira, que vai para o Republicanos

O deputado federal Beto Pereira, que vai para o Republicanos Divulgação

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O deputado federal Beto Pereira oficializa amanhã a troca do PSDB pelo Republicanos para tentar a reeleição para a Câmara dos Deputados.

A confirmação foi obtida pelo Correio do Estado junto a interlocutores do parlamentar, que deve assumir a presidência estadual do partido em Mato Grosso do Sul no lugar do deputado estadual Antonio Vaz.

A reportagem apurou que a chegada do deputado federal ao Republicanos foi articulada pelo governador Eduardo Riedel (PP) e pelo ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) diretamente com o presidente nacional do partido, deputado federal Marcos Pereira (SP), durante reunião em Brasília (DF).

Beto Pereira vai para o Republicanos com a finalidade de consolidar a aliança da legenda com o grupo político de Riedel e Azambuja, que tinha PL, PP, União Brasil e PSDB, e tem como meta a reeleição do governador e a eleição de dois senadores da República, um deles o ex-governador.

Além de Beto Pereira, o Republicanos também ganhará o reforço do vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, e do deputado estadual Pedro Pedrossian Neto, ambos do PSD, do senador Nelsinho Trad, que informou o apoio à reeleição de Riedel, mesmo que o partido não faça parte dessa ampla aliança.

Com a adesão do grupo governista, o Republicanos projeta montar uma chapa competitiva para a Câmara dos Deputados, com potencial para conquistar ao menos uma vaga, tendo, além de Beto Pereira, a vereadora Isa Marcondes, a Cavala, que foi a mais votada de Dourados nas eleições municipais de 2024.

HISTÓRICO

O deputado federal Beto Pereira, que vai para o RepublicanosO deputado federal Beto Pereira, que vai para o Republicanos - Forto: Divulgação

Nascido em Campo Grande, em 14 de novembro de 1977, Humberto Rezende Pereira, mais conhecido como Beto Pereira, é formado em Direito e iniciou sua carreira política como prefeito de Terenos. Ele é filho do ex-senador Valter Pereira e tataraneto do fundador da Capital, José Antônio Pereira.

Em 2004, foi eleito prefeito do município de Terenos aos 26 anos, tornando-se o gestor mais jovem do Estado na época. No ano de 2008, foi reeleito com mais de 70% dos votos dos eleitores.

Em 2009, assumiu a presidência da Associação Sul-Mato-Grossense de Municípios (Assomasul) e, em 2012, Beto Pereira se tornou vice-presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM) – o primeiro sul-mato-grossense a assumir essa função.

Em 2014, foi eleito deputado estadual, com 27.182 votos, e, em 2017, assumiu a presidência estadual do PSDB de Mato Grosso do Sul, enquanto em 2018 se elegeu deputado federal, com 80.500 votos.

No ano de 2019, foi eleito secretário-geral do PSDB nacional e, em 2022, foi reeleito deputado federal, com 97.872 votos, por Mato Grosso do Sul.

Em fevereiro de 2023, foi eleito para compor a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. Um ano depois, em 2024, foi candidato a prefeito de Campo Grande, mas não conseguiu chegar ao segundo turno.

 

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