Política

BASTIDORES

Nelsinho teria aberto mão da reeleição com a promessa de retorno ao Senado em 2031

Decisão do senador estaria inserida em uma estratégia política de longo prazo para preservar espaço no grupo de Azambuja

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A desistência do senador Nelsinho Trad (PSD) de disputar a reeleição ao Senado nas eleições deste ano vai além do discurso público de fortalecimento da unidade política no Estado.

Conforme apurou o Correio do Estado, a decisão faria parte de um projeto de longo prazo que poderia recolocá-lo no cargo em 2031.

A estratégia teria como ponto central a possibilidade de o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), candidato ao Senado neste ano, disputar novamente o governo do Estado em 2030. 

Caso seja eleito governador, Azambuja deixaria a cadeira no Senado, abrindo espaço para que o primeiro-suplente, Nelsinho Trad, assumisse o mandato pelos quatro anos restantes.

Nos bastidores, interlocutores afirmam que esse cenário foi considerado durante as negociações que culminaram na retirada da candidatura de Nelsinho.

Embora a composição também contemple o compromisso político de apoio à eventual candidatura do senador à Prefeitura de Campo Grande em 2028, fontes ouvidas pela reportagem afirmam que esse não teria sido o principal fator.

“O foco sempre foi a unidade do grupo e a perspectiva de continuidade no Senado. A eleição municipal pode acontecer ou não, mas o projeto principal é político e de longo prazo”, afirmou uma fonte com conhecimento das tratativas.

Outra liderança próxima às negociações ressaltou que a renúncia à disputa deste ano reduz riscos eleitorais e preserva o protagonismo de Nelsinho dentro da principal aliança governista do Estado.

“Ele abriu mão de uma candidatura competitiva para fortalecer o grupo. Em contrapartida, permanece inserido em um projeto que pode devolvê-lo ao Senado em 2031”, disse.

Há ainda avaliações de bastidores de que o acordo amplia as possibilidades políticas do senador antes mesmo desse cenário.

Entre as hipóteses discutidas reservadamente está uma eventual indicação para uma futura vaga no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), caso surja oportunidade decorrente de indicação do governador ou da Assembleia Legislativa.

Essa possibilidade, contudo, é tratada apenas como uma alternativa política e não integra oficialmente o entendimento firmado entre as lideranças. Na avaliação de integrantes da base aliada, a decisão demonstra que Nelsinho optou por priorizar a coesão do grupo em detrimento de um projeto pessoal imediato.

A leitura é de que uma eventual candidatura própria ao Senado poderia provocar divisão entre aliados e comprometer a estratégia eleitoral da coligação liderada pelo governador Eduardo Riedel (PP).

O rearranjo consolidou Reinaldo Azambuja e o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL) como candidatos da aliança às duas vagas ao Senado, enquanto Nelsinho passou a ocupar a primeira-suplência da chapa.

Procurado pelo Correio do Estado, o senador se limitou a reforçar o que falou na convenção, ou seja, que a decisão foi tomada após uma reflexão pessoal e teve como principal objetivo preservar a unidade do grupo político que sustenta a candidatura de Riedel.

“Esse grupo político formado em torno do ex-governador Azambuja permanece unido desde 2014, nunca se desfez, sempre estivemos juntos. A única vez que nos separamos, em 2012, perdemos a eleição. Compreendi isso e, por mais difícil que tenha sido, precisei agir com a razão”, reafirmou.

Já Azambuja disse à reportagem que essa hipótese não foi cogitada. “Isso não foi cogitado em momento algum. Ele desistiu para unificar o nosso lado”, declarou.

Por sua vez, Riedel classificou a desistência como um dos maiores exemplos de desprendimento político que presenciou. “Jamais na minha curta vida pública eu vi tamanho respeito, tamanho desprendimento e tamanho pensamento no coletivo”, afirmou.

eleições 2026

Coligação de Lula aciona TSE contra Flávio por uso de perfis para impulsionar campanha

Equipe de monitoramento de redes da campanha de Lula mapeou 1.826 publicações no Instagram em coautoria entre 492 perfis

20/09/2026 19h00

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A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em que pede uma investigação judicial eleitoral sobre o suposto uso, pela candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), de collabs nas redes sociais para burlar às regras de recomendação de propaganda eleitoral e monetizar conteúdos.

Segundo a petição, a equipe de monitoramento de redes da campanha de Lula mapeou 1.826 publicações no Instagram em coautoria entre 492 perfis. A maior parte delas ocorreu em um espaço de dez dias e repetiu o mesmo conjunto de coautores.

Parte das páginas utilizaria links para venda de produtos relacionados à campanha. Um dos casos é o de um boné com número 22. Segundo o documento, doze perfis com mais de 10 milhões de seguidores somados direcionam o público a mesma loja na Shoppe com o produto.

A coligação de Lula argumenta que a situação caracteriza uso indevido dos meios de comunicação social e abuso de poder econômico e político. Além de Flávio, a petição cita o deputado federal Alfredo Gaspar (PL), vice na chapa.

A petição pede liminar para que os registros sejam preservados pela Meta e da Shopee e que os responsáveis pelos perfis sejam identificados. Também solicita que os links de vendas sejam suspensos. Requer ainda a cassação do registro da chapa e a inelegibilidade dos investigados por oito anos.

Caixinha gorda

Lucas de Lima, Dione Hashioka e Gleice Jane lideram arrecadação de campanha por vaga na Alems

Grande parte da verba dos candidatos foi destinada pelo fundo eleitoral de seus respectivos partidos

20/09/2026 17h00

Lucas de Lima, Gleice Jane e Dione Hashioka

Lucas de Lima, Gleice Jane e Dione Hashioka Fotos: Alems

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Lucas de Lima (PL), Dione Hashioka (União Brasil) e Gleice Jane (PT) concentram as maiores arrecadações entre os candidatos a deputado estadual de Mato Grosso do Sul nas eleições de 2026.

Conforme a Justiça eleitoral, o trio é quem mais recebeu dinheiro para gastar na corrida pelas 24 cadeiras na Assembleia Legislativa do Estado.

Lucas declarou R$ 1.102.830,00 em recursos para a campanha, seguido por Dione, com R$ 1.093.660,00, e Gleice, que soma R$ 1.081.986,33.

Candidatos que mais receberam dinheiro para campanha deste ano

Lucas de Lima do Amor Sem Fim: R$ 1.102.830,00 PL
Dione Hashioka: R$ 1.093.660,00 UNIÃO
Professora Gleice Jane: R$ 1.081.986,33 PT
Barbara Resende: R$ 1.063.260,00 UNIÃO
Professor Marcelo Miranda: R$ 1.050.000,00 PP
Zé Teixeira: R$ 1.027.720,00 PL
Coronel David: R$ 1.007.120,00 PL
Marcio Fernandes: R$ 1.000.620,00 PL
Renato Câmara: R$ 986.079,29 Republicanos
Pedrossian Neto: R$ 979.400,00 Republicanos

Cabe destacar que os valores correspondem aos recursos declarados pelas campanhas neste domingo (4) e podem sofrer alterações conforme novas prestações de contas, ou doações sejam informadas à Justiça Eleitoral.

Lucas de Lima disputa a reeleição para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) e está em seu segundo mandato. Em 2022, foi eleito com 26.575 votos, mais que o dobro dos 12.391 votos obtidos na eleição de 2018.

Do total arrecadado por Lucas, R$ 1 milhão foi destinado pelo fundo de campanha do PL. O restante corresponde a doações de campanha. 

Dione Hashioka também retorna à disputa pela Alems após já ter exercido dois mandatos como deputada estadual. Em janeiro de 2023, reassumiu uma cadeira na Assembleia após a saída de Barbosinha, que deixou o Legislativo para assumir o cargo de vice-governador de Mato Grosso do Sul.

Dos recursos declarados por Dione, R$ 1,063 milhão é proveniente do fundo de campanha destinado pelo União Brasil.

Terceira colocada no levantamento, Gleice Jane foi eleita como primeira suplente do PT e assumiu uma cadeira na Assembleia em 2023, após o falecimento do deputado estadual Amarildo Cruz.

No caso de Gleice, R$ 1,035 milhão da arrecadação declarada é oriundo do fundo partidário destinado à campanha.

Barbara Resende, quarta colocada entre as maiores arrecadações, é filha do deputado federal Geraldo Resende. Os dois se filiaram ao União Brasil em março deste ano, após deixarem o PSDB. Assim como a filha, Geraldo Resende compõe o top-3 dos candidatos a deputado federal que mais receberam verba para utilizar na campanha deste ano. 

Ao todo, foram registradas 253 candidaturas para deputado estadual em Mato Grosso do Sul. Desse total, 31 candidatos disputam a eleição sem qualquer valor arrecadado, enquanto outros 104 declararam até R$ 50 mil em recursos para a campanha.

Cada candidato a deputado estadual pode gastar até R$ 1.270.629,01, conforme o limite informado para o cargo. O prazo para a realização da votação é 4 de outubro.

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