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Novo PAC: Lula lança edital de R$ 65,5 bi em recursos para municípios

Presidente pede contratação de trabalhadores locais para tocar obras

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou, nesta quarta-feira (27), o edital Seleções, modalidade do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) voltada para atender os projetos prioritários apresentados por estados e municípios em áreas essenciais como saúde, educação, infraestrutura social e urbana e mobilidade. Na primeira etapa, estão previstos R$ 65,2 bilhões em investimentos.

Em cerimônia no Palácio do Planalto, Lula pediu aos gestores dos projetos que contratem trabalhadores locais para tocar as obras do Novo PAC. Um dos principais objetivos do programa é a geração de emprego e renda.

“Vamos contratar as pessoas da cidade, vamos contratar pessoas da comunidade, porque senão uma empresa vai fazer uma obra numa cidade vizinha, leva trabalhadores de outra cidade, e a cidade que está recebendo a obra não consegue gerar nenhum emprego”, disse.

“Quero pedir a compreensão dos prefeitos, dos governadores, dos empresários. Na medida do possível, na hora de contratar os trabalhadores, vamos saber se na comunidade tem gente para fazer a obra que vocês precisam, porque a gente gera emprego na comunidade, a gente gera desenvolvimento, gera comércio, a gente faz o dinheiro circular na comunidade. E vou dizer mais: a gente diminui a bandidagem na comunidade se a gente gerar emprego, salário e renda”, acrescentou.

Lula disse ainda que ontem (26) teve um “momento de muita felicidade” ao ver o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, durante um piquete de greve de trabalhadores do setor automotivo. Na semana passada, em Nova York, os Lula e Biden lançaram uma iniciativa global pelo trabalho decente.

Para o brasileiro, é importante perceber que existem as mesmas preocupações entre líderes mundiais com relação à questão do mundo do trabalho. “O mundo do trabalho está ficando precarizado. Mesmo a gente discutindo muita inovação, mesmo [com] essa revolução digital, o que a gente percebe é que tem muita gente trabalhando em condições quase sub-humanas. E o que nós queremos é tentar criar condições para que o trabalho dessas pessoas, inclusive que trabalham em plataforma, seja dignificado”, disse.

“A gente não quer exigir que ele tenha carteira profissional assinada se ele não quiser. Ele tem direito de ser um empreendedor, ele tem direito de trabalhar por conta. O que a gente tem é preocupação de garantir para ele um sistema de seguridade social [em] que, quando estiver em uma situação difícil, tenha o Estado para dar a ele um suporte de sobrevivência mínima, que é o que todo trabalhador precisa”, explicou Lula.

O presidente destacou que os projetos de infraestrutura também têm potencial de estimular o esporte e a leitura, por exemplo, com a construção de quadras, equipamentos esportivos e bibliotecas. Segundo Lula, o estímulo à leitura é uma preocupação do seu governo.

“Cada novo projeto do Minha Casa, Minha Vida tem que ter uma salinha, por menor que seja, para iniciação daquela criança numa primeira biblioteca, a biblioteca da vida dele, no bairro dele”, disse. “É muito importante que a gente faça com que a criança não perca o hábito da leitura. Teremos que fazer muito mais coisas que estimulem as crianças a ler, porque senão as crianças ficam o tempo inteiro no celular e terminam aprendendo menos a ler e menos a escrever”, ressaltou.

No discurso, Lula falou ainda sobre a participação direta dos governadores e prefeitos na escolha dos investimentos do Novo PAC. Segundo ele, o governo quer “criar a ideia definitiva” de que “o ente federativo precisa prevalecer”, independente de simpatia e filiação políticas entre os mandatários.

Critérios de seleção

O edital do PAC Seleções estará aberto de 9 de outubro a 10 de novembro para receber as propostas dos governadores e prefeitos.

A segunda etapa do Seleções, com mais R$ 70,8 bilhões, deverá ser lançada no início de 2025, para que os prefeitos que forem eleitos no ano que vem possam participar do Novo PAC. Os projetos serão distribuídos em 27 modalidades e executados pelos ministérios das Cidades, da Saúde, Educação, Cultura, Justiça e Segurança Pública e Esporte.

O PAC Seleções terá critérios predefinidos. Na área de infraestrutura urbana, a seleção será para projetos de urbanização de favelas, regularização fundiária, abastecimento de água, esgotamento sanitário, resíduos sólidos, mobilidade urbana e prevenção a desastres naturais.

Na saúde, serão aceitas propostas para a implantação de policlínicas, unidades básicas de saúde (UBSs), centros de parto normal e centrais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), entre outros. Já na educação, a seleção será para projetos de creches, escolas e ônibus escolares; no esporte, para espaços esportivos comunitários; na cultura, para projetos de patrimônio histórico e centros de artes e esportes unificados (CEUs); e na segurança, para a construção de Centros Comunitários pela Vida (Convive).

A prioridade na seleção será para localidades com vazios assistenciais e onde forem identificados mais carência dentro de casa modalidade. As obras devem ser iniciadas a partir de março do ano que vem, após os processos de escolha dos projetos e licitação.

Total de investimentos

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, durante o lançamento das Seleções do Novo PAC, que abrange a abertura de editais para a seleção de outros projetos prioritários de estados e municípios em diversas áreas. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ministro Rui Costa lembra que, com o Novo PAC, foram retomadas obras que estavam paradas - Marcelo Camargo/Agência Brasil

Com previsão total de R$ 1,7 trilhão em investimentos públicos e privados, o Novo PAC foi lançado no mês passado pelo presidente Lula. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que, além do Seleções, os municípios já estão contemplados com a retomada das obras paradas.

“Todas essas obras, que incluem creches, postos de saúde, obras urbanas, obras viárias, de macrodrenagem, todas elas independentes do município, dos estados brasileiros, elas foram incorporadas automaticamente ao PAC e já estão rodando, com alocação de recurso, com atualização dos valores da obra. E agora entra essa nova fase com novas obras para cada município brasileiro e cada estado, onde nós queremos fazer um processo transparente e amplo”, disse o ministro.

Os principais objetivos do programa são gerar emprego e renda, reduzir desigualdades sociais e regionais e acelerar o crescimento econômico. Segundo o governo, as ações do programa estão comprometidas com a transição ecológica, a neoindustrialização, o crescimento com inclusão social e a sustentabilidade ambiental.

Do total de recursos para o Novo PAC, R$ 371 bilhões virão do Orçamento Geral da União. O setor privado entrará com R$ 612 bilhões, as empresas estatais vão aportar R$ 343 bilhões, especialmente a Petrobras, e mais R$ 362 bilhões virão de financiamentos. A previsão é que R$ 1,4 trilhão sejam aplicados até 2026 e o restante após essa data.

Alternativa

Ministro da Saúde defende tratar bets como problema de saúde pública, como tabaco

Padilha defendeu a limitação da publicidade das bets, inclusive em relação aos horários de veiculação e à exposição de crianças e jovens

03/09/2026 22h00

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o governo deve tratar as apostas online, as chamadas bets, como um grave problema de saúde pública e defendeu medidas de regulação semelhantes às adotadas contra o tabagismo no passado. Segundo ele, o Ministério da Saúde levou essa posição à reunião realizada nos últimos dias com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o tema.

Padilha defendeu a limitação da publicidade das bets, inclusive em relação aos horários de veiculação e à exposição de crianças e jovens, além de restrições à associação entre apostas e esporte. Para o ministro, a experiência brasileira com a publicidade de cigarros mostra que esse tipo de medida pode contribuir para reduzir os impactos da dependência.

Padilha destacou ainda que mais de 1,2 milhão de brasileiros já utilizaram a plataforma de autoexclusão criada pelos Ministérios da Saúde e da Fazenda para deixar as plataformas de apostas. Mais da metade dessas pessoas apontou problemas de saúde mental relacionados ao descontrole com os jogos.

Segundo Padilha, o Ministério também passou a oferecer, por meio da plataforma Meu SUS Digital, um autoteste padronizado para identificar problemas relacionados às apostas e a possibilidade de teleatendimento com psicólogos. O atendimento pode ser buscado tanto por pessoas que identificaram compulsão quanto por familiares afetados pelo problema.

Padilha afirmou que, embora os estudos indiquem maior incidência de compulsão por bets entre homens, a maioria dos pedidos de atendimento psicológico é feita por mulheres. Na avaliação do ministro, isso mostra que os impactos das apostas extrapolam o apostador e atingem a família, inclusive financeiramente e nas relações de cuidado.

"Eu defendo que a gente tenha que tratar esse tema como a gente tratou com o tabaco", afirmou Padilha, ao defender que os dados de saúde sejam utilizados para aprimorar as políticas públicas e a regulação das apostas.

Defensiva

Alcolumbre sobre pressão nas redes por impeachment: desejo do 'cidadão Davi' era falar verdades

Declaração vem após a escalada da pressão de parlamentares bolsonaristas para que ele paute algum pedido de impeachment de Moraes

03/09/2026 21h00

Presidente do Senado, Davi Alcolumbre

Presidente do Senado, Davi Alcolumbre Divulgação/ Agência Brasil

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), voltou a criticar as pressões que tem sofrido nas redes sociais e disse ter a vontade de "falar verdades".

A declaração vem após a escalada da pressão de parlamentares bolsonaristas para que ele paute algum pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

"Escuto agressões e ofensas todos os dias. O desejo do cidadão Davi era ir à tribuna e falar as verdades que essas pessoas que agridem gente mereceriam ouvir", declarou, durante sessão do Senado.

Alcolumbre afirmou que a situação está "impossível". "Vivemos em uma democracia com característica de ditadura de rede social. É muita ofensa", disse.

Sem citar nomes, Alcolumbre disse que não há proposta para educação, numa possível indireta para o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). "Alguém quer ganhar eleição no 4 de outubro ofendendo os outros; gostaria de ouvir uma proposta do que ele pensa para educação", falou. Na quarta-feira, Flávio usou o microfone do Senado para cobrar o impeachment de Moraes.

O senador atribuiu as dificuldades a pessoas que, "à tarde, dizem que vão destruir o mundo, e, à noite, dizem que não vão destruir mais", numa provável referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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