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Novos arquivos de Epstein expõem Trump e poderosos

Ao longo do sábado, o presidente norte-americano não comentou as divulgações

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A divulgação de novos arquivos de Jeffrey Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na sexta-feira, 30, lança nova luz sobre os relacionamentos do financista condenado por crimes sexuais com o presidente dos EUA, Donald Trump, e poderosos como Elon Musk, Bill Gates e o secretário de Comércio Howard Lutnick. O maior lote de arquivos de Epstein divulgado até hoje inclui mais três milhões de páginas de documentos e milhares de vídeos e imagens.

A nova divulgação também contém um número significativo de denúncias não corroboradas feitas às autoridades policiais e mostram o quanto os investigadores sabiam a respeito dos abusos de Epstein contra meninas menores de idade quando decidiram não indiciá-lo por acusações federais há quase duas décadas.

Os arquivos aparentemente continham pelo menos 4,5 mil documentos que mencionavam o presidente Trump. Um deles era um resumo elaborado por autoridades do FBI, a polícia federal americana, com base em mais de uma dúzia de denúncias do público envolvendo Trump e Epstein.

Não está claro por que os investigadores prepararam o resumo, que inclui acusações de abuso sexual contra Epstein e Trump.

Os e-mails não continham nenhuma evidência corroborativa e resumiam as denúncias enviadas ao Centro Nacional de Operações contra Ameaças do FBI na Virgínia Ocidental, que recebe um grande volume de ligações de todo o país e permite que cidadãos enviem informações sobre crimes à agência.

Trump nega qualquer irregularidade em conexão com Epstein. Em resposta a um pedido de comentário do The New York Times, a Casa Branca remeteu a uma declaração pública do Departamento de Justiça, afirmando que os documentos divulgados na sexta-feira "podem incluir imagens, documentos ou vídeos falsos ou obtidos de forma fraudulenta".

Entre os documentos, consta uma denúncia anônima que acusa Trump de abuso sexual. Na denúncia, feita por um contato anônimo ao FBI, uma mulher relatou que uma amiga "de 13 ou 14 anos" foi forçada a fazer sexo oral em Trump.

Todd Blanche, o vice-procurador-geral dos EUA, afirmou na sexta-feira que a Casa Branca não teve envolvimento na revisão dos documentos de Epstein e que não havia material nos arquivos que justificasse acusações formais contra Trump.

Segundo a denunciante, sua amiga relatou ter mordido o pênis de Trump, riu da situação e foi agredida pelo então empresário.

O episódio teria acontecido em New Jersey, mas não há informações sobre quando. A mulher fala que o caso aconteceu "há 35 anos", mas a data da denúncia não está especificada no documento.

Segundo o arquivo, a denúncia foi encaminhada para outras instâncias da investigação, mas não especifica os desdobramentos Outros episódios narrados aos investigadores são elencados pelo documento como "não críveis".

Em outro e-mail das novas divulgações, datado de maio de 2016, quando Trump era pré-candidato à presidência, Epstein conversa com a advogada Kathy Ruemmler, que trabalhou na Casa Branca entre 2011 e 2014 no governo de Barack Obama.

Na conversa, Epstein menciona a ela a acusação de uma das meninas aliciadas por ele e Ghislaine Maxwell, dizendo que teria tido relações com Trump quando era menor de idade, na casa do financista.

A mensagem dá a entender que Trump estaria sendo contatado pela defesa das vítimas. A advogada responde com uma sugestão de declaração, ressaltando a relação profissional do republicano com Epstein.

Posteriormente, o caso não foi levado adiante.

Ao longo do sábado, o presidente norte-americano não comentou as divulgações.

Bill Gates

De acordo com as divulgações de sexta-feira, Epstein redigiu notas para e sobre Bill Gates, o bilionário cofundador da Microsoft, sugerindo que ele mantinha relações sexuais extraconjugais. Epstein enviou os e-mails de julho de 2013 para si mesmo. Não está claro se Epstein chegou a enviá-los para Gates.

Um representante da Fundação Gates afirmou que "as alegações - vindas de um mentiroso comprovadamente ressentido - são absolutamente absurdas e completamente falsas". "A única coisa que esses documentos demonstram é a frustração de Epstein por não ter um relacionamento contínuo com Gates e os extremos a que ele chegaria para armar uma cilada e difamá-lo", disse.

Epstein escreveu as mensagens sobre Gates pouco depois de sua tentativa de intermediar um empreendimento entre a fundação de Gates e o JPMorgan Chase ter fracassado, privando Epstein do que ele esperava ser uma fonte de renda abundante.

Em um dos e-mails de Epstein, escrito no estilo de um diário, o criminoso sexual condenado escreveu que ajudou Gates a adquirir drogas "para lidar com as consequências do sexo com garotas russas" e que facilitou encontros de Gates com mulheres casadas

Em outro e-mail, Epstein criticou duramente Gates por escolher "desconsiderar e descartar nossa amizade construída" ao longo de seis anos. Ele acusou Gates de abandoná-lo para preservar sua reputação.

Em uma entrevista de 2021 com Anderson Cooper, da CNN, Gates chamou seu relacionamento com o financista de "um grande erro". E também tentou minimizar suas interações com o financista, dizendo que jantou com ele diversas vezes na esperança de conseguir doações para a Fundação Gates.

O relacionamento de Gates com Epstein - que começou por volta de 2011, depois que Epstein foi condenado por aliciar uma menor para prostituição - foi um dos fatores que levaram sua ex-mulher, Melinda French Gates, a pedir o divórcio.

Em um e-mail de 2013, repleto de erros de digitação, Epstein escreveu que havia decidido renunciar ao seu cargo na Fundação Gates e no BG3, um think tank também fundado por Gates, por estar "envolvido em grave disputa conjugal entre Melinda e Bill" - e que Gates havia pedido que ele participasse "de coisas que variavam do moralmente inapropriado ao eticamente questionável", que "potencialmente ultrapassavam os limites da ilegalidade".

Britânico

Outra troca de e-mails de 2013, dessa vez entre Richard Branson, o bilionário britânico, e Epstein, sugere que os dois tinham uma relação calorosa e familiar, construída ao menos em parte em torno do interesse por mulheres. Em um e-mail de 11 de setembro de 2013, Branson, fundador do Virgin Group, escreveu a Epstein: "Foi muito bom vê-lo ontem... Sempre que estiver pela região, adoraria vê-lo. Desde que você traga o seu harém!"

Um representante do Virgin Group disse que Branson enviou o e-mail depois de receber Epstein em uma reunião de negócios na ilha particular que o britânico possui. "Richard acredita que as ações de Epstein foram abomináveis e apoia o direito à justiça para suas muitas vítimas." *COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
 

Política

Desembargadores dizem que decisão de Dino poderá impactar salários e estrutura dos Tribunais

Inquietos com eventuais cortes que poderão sofrer, caso comprovados desembolsos sem respaldo legal, os magistrados se mobilizam, por meio de sua entidade de classe, a Andes

16/02/2026 19h00

Wilson Dias / Agência Brasil

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Os desembargadores de todo o País entraram em alerta depois que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou liminarmente que os três poderes revejam supersalários e penduricalhos que engordam holerites em até cinco vezes o teto do funcionalismo, que é de R$ 46,3 mil bruto - valor pago aos ministros do STF.

Inquietos com eventuais cortes que poderão sofrer, caso comprovados desembolsos sem respaldo legal, os magistrados se mobilizam, por meio de sua entidade de classe, a Andes (Associação Nacional dos Desembargadores), que ingressou com pedido de amicus curiae ('amigo da Corte') na ação em que Dino deu prazo de até 60 dias para o Judiciário, o Legislativo e o Executivo ajustarem seus contracheques.

O ministro ordenou, ainda, com fundamento no poder geral de cautela, a imediata suspensão dos pagamentos 'que não estejam expressamente previstos em lei federal, estadual ou municipal, conforme a competência'. Estabeleceu, ainda, a necessidade de edição de 'atos motivados' pelas chefias dos Poderes, discriminando cada verba remuneratória ou indenizatória e seu respectivo fundamento legal.

A origem da decisão de Flávio Dino é uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) perante o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo, com o objetivo de que fosse reconhecido que os honorários de sucumbência pagos aos procuradores municipais de Praia Grande, no litoral paulista, 'possuem natureza remuneratória, devendo ser integralmente destinados aos membros da carreira, observando-se como limite máximo o subsídio mensal dos ministros do Supremo'.

O Tribunal de São Paulo, ao se debruçar sobre a questão, julgou procedente a ação, conferindo, contudo, interpretação conforme ao artigo 28 da Lei Complementar Municipal nº 504/2008, para submeter os procuradores municipais ao subteto correspondente a 90,25% do subsídio dos ministros do STF, 'em consonância com o entendimento firmado no Tema nº 510 da repercussão geral'.

"Em um primeiro momento, a presente controvérsia estava delimitada à alegação de usurpação de competência desta Suprema Corte pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, o que, à princípio, poderia não atrair, de forma direta, o interesse institucional das entidades representativas da magistratura", alegam os desembargadores no pedido ao STF.

Eles avaliam, porém, que 'a controvérsia assumiu inequívoca relevância institucional para a magistratura de segundo grau na medida em que eventual consolidação ou modulação dos efeitos da decisão (de Dino) poderá impactar diretamente o regime remuneratório e a própria estrutura de funcionamento dos Tribunais pátrios'.

A principal entidade da categoria reúne mais de 400 desembargadores de Tribunais de Justiça, Tribunais Regionais do Trabalho, Tribunais Regionais Federais e também conselheiros de Tribunais de Contas dos Estados e Municípios.

No pedido à Corte, subscrito pelo advogado Murilo Matuch de Carvalho, a Andes afirma que sua intervenção como amicus 'contribuirá para a pluralização do debate constitucional, trazendo ao relator e ao Supremo Tribunal Federal a perspectiva institucional dos magistrados que atuam no segundo grau de jurisdição, de modo a enriquecer a análise da controvérsia'.

Os desembargadores pretendem, se admitidos no bojo da ação, entregar memoriais e fazer sustentação oral por ocasião do julgamento.

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CASO MASTER

Tereza lidera racha do PP após nota de Ciro em favor do ministro Dias Toffoli

A revolta da senadora sul-mato-grossense recebeu respaldo da bancada do partido no Senado Federal e de outros parlamentares

16/02/2026 13h39

A senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina é líder do PP no Senado Federal

A senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina é líder do PP no Senado Federal Saulo Cruz/Agência Senado

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A senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina (PP) liderou, no fim de semana, um racha da bancada do partido no Senado Federal contra o presidente nacional da sigla, o senador piauiense Ciro Nogueira, após ele ter assinado nota de apoio da Federação Partidária União Progressista ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
 
Na nota, que também tinha a assinatura do presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, a federação partidária expressava “confiança” no magistrado, fato que provocou revolta de Tereza Cristina, que, em seguida, divulgou carta contestando o posicionamento institucional da própria federação. 
 
Segundo a senadora, que é a líder do partido no Senado Federal, a manifestação que denunciava narrativas que desejavam colocar a população contra o ministro Dias Toffoli “não foi previamente debatida e nem contou com a anuência desta bancada, portanto, não pode ser interpretada como representativa dos senadores do PP”.
 
Divulgada nas redes sociais, a declaração de Tereza Cristina foi assinada juntamente com outros senadores do PP: Hiran Gonçalves (RR), Esperidião Amin (SC), Luis Carlos Heinze (RS) e Margareth Buzetti (MT). 
 
A publicação da senadora repercutiu entre outros parlamentares de oposição, como a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), que ficou feliz com o esclarecimento de Tereza, enquanto o deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) deu parabéns pelo posicionamento da senadora. 
 
O deputado federal Dr. Luiz Ovando (PP-MS), vice-presidente da legenda em Mato Grosso do Sul, também manifestou total apoio e solidariedade à nota à imprensa divulgada por Tereza Cristina. “O Brasil vive um momento que exige coragem, equilíbrio e compromisso com a verdade”, escreveu.
 
Ele ainda acrescentou que “não podemos compactuar com qualquer indício de irregularidade, venha de onde vier”. “Se houver culpa, que haja apuração rigorosa e punição exemplar, seja no Judiciário, no Legislativo ou no Executivo”, pontuou.
 
Para o parlamentar, a “República não se sustenta com corporativismo, blindagens ou dois pesos e duas medidas”. “Não se passa a mão na cabeça de quem afronta a confiança do povo. Atos indignos e vergonhosos precisam ser enfrentados com transparência e responsabilidade”, cobrou.
 
Luiz Ovando concluiu dizendo que passar o Brasil a limpo é um dever moral. “E essa mudança começa pelas urnas, especialmente na escolha dos senadores, que têm a responsabilidade constitucional de fiscalizar e impor limites quando necessário. O futuro do país depende das escolhas que fazemos hoje. Escolha com consciência. Escolha em quem confiar”, finalizou.

MAIS APOIO

O deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB), que lidera a oposição na Câmara, comentou que tem muito respeito pelo PP e pelo União Brasil porque vários parlamentares da federação fazem oposição ao governo Lula, mas ressalva que a nota foi um equívoco.
 
“Neste momento, o clima do Brasil é muito tenso, temos um Poder Judiciário que, por meio da Suprema Corte, vem destruindo toda a credibilidade do próprio Poder. No meu entendimento, não veio em boa hora essa nota”, pontuou o líder.
 
O senador Izalci Lucas (PL-DF) definiu o episódio como "vergonhoso", em que a Federação União Progressista se presta ao papel de "escudo" do ministro Dias Toffoli, "ignorando as decisões monocráticas e arbitrárias que ele tem tomado no maior escândalo de corrupção financeira da história do Brasil".
 
Izalci destacou que o que enfraquece o país não é o questionamento público, mas sim, o ativismo judicial que atropela a Constituição e o equilíbrio entre os Poderes. "Não me calarei diante de blindagens corporativistas que tentam normalizar o que é indefensável", frisou.
 
As críticas também partiram da base do governo Lula na Câmara. À reportagem, o deputado Rogério Correia (PT-MG) disse que a nota em apoio a Toffoli foi "inconsistente e desnecessária".
 
"Primeiro, porque não pode ficar dúvida sobre a apuração de fato tão grave como foi essa falência do Banco Master. E, segundo, porque o Supremo estava ficando em uma posição desconfortável, tudo se concentrava nessa relação do Toffoli com o Vorcaro", disse o petista. 

ENTENDA

O episódio ocorre em meio à repercussão de investigações que mencionam Toffoli em conversas encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no curso de apurações da Polícia Federal. 
 
Diante da exposição, o ministro reconheceu ter participação em uma empresa que negociou a venda de ações de um resort com um parente do banqueiro. Pressionado, o ministro decidiu deixar a relatoria do processo.
 
A nota de apoio da federação União Progressista foi divulgada um dia após o partido Novo protocolar um pedido de impeachment de Toffoli, também assinado por outros parlamentares da oposição.
 
Além da ação do Novo, Dias Toffoli tem mais nove pedidos de impeachment tramitando no Congresso. Quatro apresentaram como justificativa o caso do Banco Master e foram apresentados neste ano. 
 
Os outros pedidos estão vinculados ao fato de o ministro ter sido alvo de sanção dos Estados Unidos ou questionam sua imparcialidade diante de julgamentos de casos que envolvem a empresa JBS, da qual sua ex-esposa era advogada.

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