Política

reforma tributária

OAB-MS articula com senadores para alterar trecho que penaliza advogados

Bitto Pereira está agendando encontros com Nelsinho Trad (PSD), Soraya Thronicke (Podemos) e Tereza Cristina (PP)

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O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS), Bitto Pereira, iniciou ontem uma articulação política com três senadores sul-mato-grossenses, Nelsinho Trad (PSD), Soraya Thronicke (Podemos) e Tereza Cristina (PP), para retirar do texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Reforma Tributária, aprovada pela Câmara dos Deputados, um trecho que penaliza os advogados.

Ao Correio do Estado, ele explicou que hoje os advogados pagam 5% de Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) mais Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

Com a reforma tributária, porém, a tributação subirá para 25%, ou seja, cinco vezes mais.

“O texto-base da reforma tributária aprovado na Câmara dos Deputados penaliza duramente a advocacia brasileira, jogando sobre o setor de serviços a compensação com as perdas de benefícios para outros setores da economia nacional”, reclamou.

Bitto Pereira ressaltou que a advocacia é imprescindível para o Estado Democrático de Direito e já está inserida há mais de 50 anos em diversas legislações que contemplam uma diferenciação no tratamento tributário, inclusive com temas pacificados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), como é o caso do ISS, em razão do caráter específico e diferenciado da atuação da advocacia.

AGENDA INTENSA

“A reforma é necessária, mas sem retrocessos e arrochos sobre o setor de serviços, que é o setor que mais emprega e que mais gera renda nesse país. Por isso, iniciei nesta semana uma agenda intensa. A principal delas se refere ao tema mais importante para a advocacia brasileira nesse momento, que é a reforma tributária”, reforçou.

O presidente da OAB-MS acrescentou que, como agora o texto-base da PEC da Reforma Tributária começa a tramitar no Senado, é extremamente necessário demonstrar aos três senadores de MS que, da forma como foi aprovado, o documento tem impactos desastrosos sobre a advocacia brasileira.

“Em resumo, a carga tributária que incide sobre as sociedades de advocacia mais que dobrará em relação ao modelo atual. Então, o momento é de ações concretas, e nós já começamos a fazer isso. Estou agendando reuniões institucionais com os nossos representantes no Senado para esta semana”, salientou.

Bitto Pereira informou à reportagem que se encontraria no fim da tarde de ontem com Nelsinho Trad, em Campo Grande, para tratar do tema. Ao longo desta semana, falará com as senadoras Tereza Cristina e Soraya Thronicke para apresentar a posição da OAB-MS.

“Essa articulação também está sendo tomada pelas demais seccionais da OAB em todo o Brasil, pois, da forma como foi aprovado o texto-base da reforma tributária, o impacto às sociedades de advocacia será devastador. Consequentemente, terá um impacto para a cidadania. Afinal, nós, advogadas e advogados, somos a voz constitucional do cidadão brasileiro. Tudo que tem impacto sobre a advocacia tem impacto ao acesso à Justiça”, alertou.

DEBATE

O presidente da OAB-MS reforçou que o objetivo da Ordem é conscientizar os senadores a promoverem um amplo debate como esse trecho do texto-base da reforma tributária vai onerar a advocacia brasileira.

“A advocacia é a única classe que representa em juízo os cidadãos brasileiros. Quando se onera os advogados, está penalizando a sociedade brasileira de uma maneira geral”, destacou.

Bitto Pereira complementa que não se trata de uma luta classista, mas “uma luta da cidadania, pois, quando penaliza a classe, prejudica o acesso das pessoas à Justiça, que é uma garantia constitucional”.

“Queremos explicar aos nossos senadores que se trata de um debate nacional, e não só dos advogados de Mato Grosso do Sul. Nosso objetivo é mostrar a eles que os impactos da continuidade desse aumento da carga tributária afetarão toda a sociedade brasileira”, finalizou.

OAB NACIONAL

O Conselho Federal da OAB considera a manutenção do regime tributário adequado para o fortalecimento advocatício, para a continuidade dos serviços jurídicos de qualidade e para a promoção do acesso à Justiça em todo o País.

Para a entidade, o regime diferenciado para sociedades profissionais se justifica pois, como as pessoas físicas tomadoras de serviços não poderão descontar créditos de Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), não haverá nenhum incentivo para a emissão de notas fiscais (a chamada fiscalização cruzada), com igual prejuízo de arrecadação no imposto sobre a renda.

Em razão disso, a OAB propõe um regime diferenciado para essa categoria, com a fixação de um escalonamento de alíquotas conforme a essencialidade do serviço.

Já no aspecto dos repasses compulsórios, a OAB entende ser necessário que haja uma previsão expressa obrigando o destaque e o repasse compulsório do IBS para o contratante. 

Tal medida também permitiria aos contribuintes repassar o ônus do IBS para o consumidor final, para que o imposto não se torne cumulativo.

Além disso, é fundamental que a PEC nº 45 disponha que o IBS será obrigatoriamente adicionado ao preço dos contratos firmados anteriormente à entrada em vigor da nova contribuição, como forma de garantir que o aumento da carga tributária seja efetivamente repassado ao consumidor final e a não-cumulatividade plena seja respeitada – evitando-se, assim, que a emenda origine disputas contratuais entre as partes.

Postura

ONU: Lula defende multilateralismo e reforma do Conselho de Segurança

Presidente embarca hoje para Nova York e vai discursar na terça-feira

20/09/2026 20h00

Ricardo Stuckert / PR

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (20) para Nova York, nos Estados Unidos (EUA), onde participará da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). 

No tradicional discurso de abertura na seção de alto nível da assembleia, o presidente deve ressaltar a importância do multilateralismo, uma das linhas centrais da política externa brasileira, em um cenário marcado pela multiplicação de conflitos internacionais. 

Lula também deverá defender a negociação como caminho para a solução de disputas, o respeito ao direito internacional humanitário e a não interferência em assuntos internos de outros países. O discurso deve apresentar a visão do Brasil sobre os principais temas da agenda internacional.

A reforma das Nações Unidas, em particular de seu Conselho de Segurança, deve estar entre os temas abordados. O Brasil defende há anos a atualização da composição e do funcionamento do órgão e critica a sua dificuldade de responder aos conflitos internacionais.

Lula terá encontros bilaterais com outros chefes de Estado, que ainda não foram anunciados, além de se reunir com o secretário-geral da ONU, António Guterres, que está em fase final de mandato à frente da entidade internacional. Um dos encontros previstos de Lula será com o prefeito da cidade, o progressista Zohran Mamdani, do Partido Democrata, que governa Nova York desde o início do ano.

A agenda presidencial em Nova York prevê a chegada à cidade ainda na noite de domingo (20), com encontros bilaterais reservados para ocorrer ao longo da segunda-feira (21). Na terça-feira (22) de manhã, o presidente terá encontro com Guterres e depois fará o discurso na Assembleia Geral. Ele retorna ao Brasil no mesmo dia.

Esta será a 11ª participação de Lula na Assembleia Geral das Nações Unidas como presidente da República. Em seus três mandatos, ele só não compareceu em 2010.

Trump
O Palácio Itamaraty não informou sobre a expectativa de um encontro entre Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump, que não tem confirmação de nenhuma das partes.

O presidente norte-americano é o segundo a falar, logo após Lula, e ambos eventualmente poderiam se cruzar nos bastidores do plenário. No ano passado, os dois líderes tiveram um breve contato, quando Lula deixava o palco após seu discurso e Trump se preparava para falar.

Na ocasião, o encontro causou boa impressão nos dois presidentes e Trump posteriormente falou em "química excelente" entre eles. Foi o primeiro de três encontros entre os dois líderes desde então.

Outras agendas
De acordo com o Itamaraty, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecerá em Nova York durante toda a semana e participará de uma série de reuniões e encontros ministeriais, entre eles os do Brics, do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS), do G77, do G4, do L69 e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), além de reuniões da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e do Consenso de Brasília.

O ministro também presidirá duas reuniões ministeriais. No dia 23 de setembro, será realizado o encontro da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada pelo Brasil durante a presidência brasileira do G20. No dia 24, Mauro Vieira presidirá a reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas).

O Brasil ocupa atualmente a presidência da Zopacas, após a realização, em abril deste ano, da 9ª Reunião Ministerial da organização. O país exercerá a presidência pelo período de três anos.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, copresidente da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, também participará de atividades em Nova York entre os dias 21 e 23 de setembro, com agendas relacionadas à segurança alimentar, proteção social, financiamento para o desenvolvimento e cooperação internacional. No dia 23, participará do encontro da Aliança Global.

A delegação brasileira participará de reuniões do Conselho de Segurança das Nações Unidas e de encontros sobre a situação da Palestina e a solução de dois Estados, o combate à desigualdade, a Comissão de Consolidação da Paz e temas relacionados ao direito internacional humanitário.

Comitiva

Além dos ministros Mauro Vieira e Wellington Dias, estão previstas as participações da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; do ministro dos Povos Indígenas, Luiz Eloy Terena; e da ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, em atividades relacionadas às áreas de atuação de cada pasta.

eleições 2026

Coligação de Lula aciona TSE contra Flávio por uso de perfis para impulsionar campanha

Equipe de monitoramento de redes da campanha de Lula mapeou 1.826 publicações no Instagram em coautoria entre 492 perfis

20/09/2026 19h00

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A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em que pede uma investigação judicial eleitoral sobre o suposto uso, pela candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), de collabs nas redes sociais para burlar às regras de recomendação de propaganda eleitoral e monetizar conteúdos.

Segundo a petição, a equipe de monitoramento de redes da campanha de Lula mapeou 1.826 publicações no Instagram em coautoria entre 492 perfis. A maior parte delas ocorreu em um espaço de dez dias e repetiu o mesmo conjunto de coautores.

Parte das páginas utilizaria links para venda de produtos relacionados à campanha. Um dos casos é o de um boné com número 22. Segundo o documento, doze perfis com mais de 10 milhões de seguidores somados direcionam o público a mesma loja na Shoppe com o produto.

A coligação de Lula argumenta que a situação caracteriza uso indevido dos meios de comunicação social e abuso de poder econômico e político. Além de Flávio, a petição cita o deputado federal Alfredo Gaspar (PL), vice na chapa.

A petição pede liminar para que os registros sejam preservados pela Meta e da Shopee e que os responsáveis pelos perfis sejam identificados. Também solicita que os links de vendas sejam suspensos. Requer ainda a cassação do registro da chapa e a inelegibilidade dos investigados por oito anos.

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