Política

PERIGO DIGITAL

OAB-MS e advogados alertam sobre o uso de deepfakes nas eleições

Em 2024, o TSE publicou a Resolução nº 23.732, para regulamentar o uso de tecnologias de inteligência artificial

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Criado para aproximar pessoas e acelerar a comunicação, o ambiente digital também abriu espaço para golpes em escala inédita e alarmante no planeta, com destaque para os deepfakes, que são vídeos e áudios criados por inteligências artificiais (IAs) capazes de reproduzir com precisão rostos e vozes reais.

A perfeição atual dessa ferramenta acabou se tornando um desafio para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) combater ataques políticos e falsas narrativas nas eleições de 2024 e deve se repetir no pleito deste ano, mesmo com a publicação de resolução proibindo o uso desse tipo de manipulação nas campanhas políticas e nas redes sociais.

O alerta partiu da Comissão de Direito Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS) e também de advogados eleitoralistas ouvidos pelo Correio do Estado.

“Ainda nas eleições de 2024, a Justiça Eleitoral passou a tratar de forma direta os riscos do uso de inteligência artificial na propaganda política. A Resolução nº 23.732/2024, editada pelo TSE, teve como objetivo regulamentar o uso de tecnologias de IA, especialmente diante da possibilidade de manipulação de imagens, vídeos e vozes por meio de deepfakes”, explicou a vice-presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-MS, Andressa Nayara Basmage.

Ela completou que a norma estabeleceu limites claros para o uso dessas ferramentas, proibindo a criação e a divulgação de conteúdos manipulados capazes de induzir o eleitor a erro, além de exigir transparência na identificação de materiais produzidos ou alterados com inteligência artificial.

“Também foram reforçados mecanismos de responsabilização e a cooperação com plataformas digitais para a retirada célere de conteúdos irregulares”, acrescentou.

Apesar dessas medidas, Andressa Basmage disse que o uso de deepfakes para ataques políticos cresceu de forma significativa no último ano, evidenciando as dificuldades de acompanhar, por meio da legislação, a rápida evolução das IAs.

“As técnicas de manipulação tornaram-se mais sofisticadas e acessíveis, ampliando o alcance e o impacto da desinformação no ambiente eleitoral”, assegurou.

Para ela, esse fenômeno é potencializado pelo baixo custo de produção e pela velocidade de circulação nas redes sociais, especialmente em um contexto de forte polarização.

“Assim como as publicações apócrifas em eleições anteriores, a inteligência artificial passou a ocupar papel central na disseminação de narrativas falsas, agora com maior grau de realismo e persuasão”, pontuou.

A vice-presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-MS comentou que, com a aproximação das eleições de 2026, o TSE enfrentará desafios ainda maiores de monitoramento, identificação e resposta a conteúdos manipulados.

“A necessidade de atualização constante das resoluções, aliada ao investimento em educação digital do eleitorado e à cooperação com plataformas, é apontada como essencial para mitigar os efeitos dos deepfakes e preservar a integridade do processo eleitoral”, analisou.

TAREFA DIFÍCIL

O advogado eleitoralista Douglas de Oliveira, que é doutor e mestre em Direito Eleitoral, ressaltou que, desde as eleições de 2022, o TSE tem ampliado os mecanismos de enfrentamento à desinformação, que envolvem parcerias com plataformas digitais e resoluções que permitem a remoção célere de conteúdos comprovadamente falsos.

“Para as eleições deste ano, o TSE deverá editar resoluções até março, regulamentando a utilização da inteligência artificial, seus limites e as sanções decorrentes dos excessos. Todavia, a regulamentação do uso da IA para partidos e candidatos não é uma tarefa fácil, pois o dinamismo acelerado das novas tecnologias, que evoluem mais rápido do que a capacidade do legislador de criar normas pela dificuldade em proibir ou controlar que os próprios eleitores façam uso dessas ferramentas”, afirmou.

Douglas de Oliveira argumentou que os cidadãos comuns e eleitores podem utilizar aplicativos de IA para criar e disseminar conteúdos de forma anônima ou descentralizada, seja para apoiar, seja para criticar um candidato, tornando o rastreamento e a punição de excessos um desafio para o Poder Judiciário.

“Também não se pode perder de vista que a regulamentação, por si só, pode trazer efeitos ruins para o processo eleitoral, pode engessar a livre circulação de ideias e deslocar o protagonismo do cidadão”, comentou.

Ele disse que a redução dos impactos negativos da IA nas eleições deste ano depende do emprego de múltiplos fatores: atuação implacável da Justiça Eleitoral; fortalecimento dos mecanismos de fiscalização ágeis; parcerias estratégicas com as big techs; conscientização dos cidadãos; e participação ativa da sociedade civil.

LARGA ESCALA

Já o advogado eleitoralista Valeriano Fontoura, especialista em Direito Eleitoral, reforçou ao Correio do Estado que nas eleições municipais de 2024 foi possível constatar um aumento considerável de divulgação de imagens, áudios e vídeos criados por inteligência artificial com o fim de difundir notícias e fatos sabidamente falsos.

“Acredito que os deepfakes serão mais uma vez utilizados em grande escala nas eleições gerais de 2026. O instrumento normativo de combate a essa prática abusiva foi instituído pelo TSE nas eleições de 2024 e será por certo atualizado nestas eleições: a Resolução nº 23.732/2024, que disciplinou a propaganda eleitoral”, pontuou.

Para ele, essa resolução trouxe em seus artigos formas céleres de processamento de representações para coibir a divulgação e punir os responsáveis pela divulgação dos chamados deepfakes.

“E o que é mais inovador na mencionada norma é a responsabilização não só do criador do conteúdo falso e do candidato beneficiário, como também da plataforma que o divulgou”, afirmou.

Valeriano Fontoura explicou que não basta termos uma norma inovadora se não tivermos na assessoria dos candidatos recursos tecnológicos e pessoal qualificado para identificar nas propagandas divulgadas a criação e edição de fatos sabidamente falsos para a sua imediata retirada, evitando a propagação em grande escala.

“Sem dúvida, os antigos panfletos apócrifos e os jornais criados às vésperas das eleições com informações falsas e ofensivas aos candidatos adversários, o conhecido lixo eleitoral, foi substituído agora pelo lixo virtual, que são os deepfakes, que devem ser combatidos para que não se tornem os protagonistas das eleições em detrimento do debate político. Esse tipo de propaganda negativa, que é possível ser produzida a um custo baixo e com alcance considerável de eleitores, se torna ainda mais popular nas campanhas eleitorais”, relatou o especialista em Direito Eleitoral.

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INVESTIGAÇÃO

Nelsinho celebra saída de Toffoli do caso do Banco Master no STF

Para o parlamentar sul-mato-grossense, a mudança traz um alívio temporário, mas acha que os próximos passos da investigação serão determinantes

14/02/2026 09h20

Nelsinho Trad considerou correto o afastamento do ministro

Nelsinho Trad considerou correto o afastamento do ministro Saulo Cruz/Agência Senado

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A saída do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), da relatoria do caso que investiga fraudes no Banco Master foi a mais acertada e representa uma vitória para a Polícia Federal, após uma série de embates entre as instituições, conforme análise do senador Nelsinho Trad (PSD).

Para o parlamentar sul-mato-grossense, a mudança traz um alívio temporário, mas acha que os próximos passos da investigação serão determinantes.

“O STF precisa ter uma irrestrita transparência, portanto, para mim foi a melhor decisão em função das dúvidas levantadas envolvendo o nome do ministro”, ressaltou.

A investigação, que apura fraudes em torno de R$ 12 bilhões do Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, ganhou novos contornos nas últimas 24 horas, após a revelação de que havia menções ao ministro nas conversas encontradas no celular do banqueiro investigado.

O caso gerou uma nota do STF unido em torno do respeito ao ministro, mas, ao mesmo tempo, resultou no afastamento dele do caso com a decisão de redistribuir a relatoria do processo.

A pressão aumentou quando o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregou pessoalmente um ofício ao presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin, sobre o caso”, concluiu o analista.

CONFLITOS

Os conflitos entre Toffoli e a Polícia Federal foram frequentes durante a condução do caso. Entre os episódios de tensão está o fato de o ministro ter determinado a cariação (medida cautelar) sem que houvesse depoimento, decisão da qual recuou diante da insatisfação da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Outros momentos de atrito incluíram a determinação para que materiais apreendidos ficassem selados no STF, tirando a PF da análise, e a escolha de quatro peritos específicos para acompanhar o caso, ignorando os protocolos da corporação.

Houve ainda uma cobrança pública do ministro acusando a PF de atuar com “falta de empenho e inércia”, o que teria indignado o diretor-geral da Polícia Federal.

A definição do novo relator será fundamental para determinar se o alívio será duradouro e qual será o futuro rumo das investigações.

No entanto, como serão conduzidas as investigações é o que deve apontar se haverá ou não um alívio para o Supremo nesse caso.

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ELEIÇÕES 2026

Walter Carneiro Jr. é cotado para assumir campanha de Riedel

O secretário estadual da Casa Civil já faz a articulação do governo estadual com vereadores, prefeitos e deputados

14/02/2026 08h20

O secretário estadual da Casa Civil, Walter Carneiro Júnior, deve assumir a campanha eleitoral

O secretário estadual da Casa Civil, Walter Carneiro Júnior, deve assumir a campanha eleitoral Max Arantes/Casa Civil

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Responsável pelas articulações políticas da gestão estadual, o secretário da Casa Civil, Walter Carneiro Júnior, está cotado para assumir a coordenação da campanha eleitoral de reeleição do governador Eduardo Riedel (PP).

O Correio do Estado apurou que ele não sairá mais candidato a deputado federal pelo PP, ficando incumbido de planejar, organizar e executar as atividades estratégicas e operacionais da campanha.

Ele também vai gerenciar a equipe e as possíveis crises, articulando alianças, monitorando adversários e tomando decisões administrativas para garantir que a campanha siga o plano definido.

À reportagem, o titular da Secretaria de Estado da Casa Civil declarou que realmente está cotado para assumir a coordenação da campanha de reeleição de Riedel, mas não está definido ainda.

“Estou cotado a ajudar, talvez como coordenador da campanha eleitoral, porém, caso não seja, vou participar sim do processo, afinal, a Casa Civil já faz essa articulação política do governo estadual, portanto, é natural que meu nome seja cotado”, afirmou.

Walter Carneiro Jr., a princípio, estava sendo cotado para disputar as eleições deste ano, pois o comando do PP estaria com dificuldades para formar a chapa para concorrer às oito vagas de deputado federal.

Em razão disso, a legenda não poderia se dar ao luxo de abrir mão do titular da Casa Civil, afinal, nas eleições de 2022, ele obteve quase 40 mil votos (39.860), sendo atual primeiro-suplente de deputado federal do partido.

FAVORITO

Desde que assumiu o cargo no ano passado no lugar de Eduardo Rocha, que saiu para disputar as eleições deste ano a deputado estadual pelo MDB, Walter Carneiro Jr. tem contribuído para construir um ambiente político estável, pautado no diálogo e na cooperação institucional aos prefeitos, vereadores e deputados estaduais e federais, para permitir ao Estado avançar com segurança na aprovação de projetos estratégicos e na execução de investimentos que impactam diretamente a vida da população.

Graças à articulação coordenada pelo secretário, que atua como elo entre os diferentes poderes e esferas da gestão estadual, o governo tem garantido a tramitação tranquila de projetos de lei fundamentais na Assembleia Legislativa para o desenvolvimento do Estado, assegurando respaldo político às ações estruturantes propostas por Riedel.

“Entramos no último ano desta legislatura com a convicção de que as principais entregas do governo só serão possíveis porque construímos uma relação sólida com a Assembleia Legislativa, com a bancada federal e com os prefeitos. Essa parceria é o que garante governabilidade, segurança política e resultados concretos para a população de Mato Grosso do Sul”, ressaltou.

Além do alinhamento com os deputados estaduais, ele mantém uma atuação integrada com a bancada federal, buscando sintonia na destinação das emendas parlamentares e na defesa dos interesses de Mato Grosso do Sul em Brasília (DF).

Essa conexão tem fortalecido a capacidade de investimento do Estado e ampliado os recursos destinados a áreas prioritárias como Infraestrutura, Saúde, Educação e Desenvolvimento Regional.

O diálogo do titular da Casa Civil com os prefeitos também é um dos pilares dessa estratégia. O governo estadual atua de forma municipalista, respeitando as atribuições de cada ente, mas sendo parceiro direto das administrações municipais.

“Por meio dessa cooperação, o Estado tem levado obras, programas e investimentos aos municípios, promovendo desenvolvimento equilibrado e fortalecendo a capacidade de gestão local”, destacou.

Esse modelo de governança compartilhada reflete diretamente nos resultados da gestão, segundo o chefe da Casa Civil, pois, com aproximadamente 88% das metas do plano de governo já cumpridas, a gestão de Eduardo Riedel consolida uma marca baseada na transformação social, na geração de oportunidades e na melhoria da qualidade de vida da população, resultado de uma articulação política madura e responsável.

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