Política

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Olhai aquele prédio amarelo

Olhai aquele prédio amarelo

Redação

08/04/2010 - 20h17
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Saudade é uma palavra que só existe no idioma português. Se outros povos não entendem o seu significado, tento traduzir: É aquela dorzinha gostosa, um não sei quê de melancolia prazerosa de difícil definição. Carrego este sentimento comigo quando recordo minha infância e que me atinge com intensidade maior toda vez que atravesso a Avenida Noroeste vindo do final da Rua Quinze de Novembro, bem ali, após o Mercadão e o Camelódromo, viro o olhar para a esquerda e me deparo com aquele magnífico prédio amarelo que um dia foi o Colégio Osvaldo Cruz.

Minha escola por tantos anos, desde o primário até a conclusão do segundo grau. Ah, eu era menino, eu era menino naquele tempo! Foi ali que soube que Capitu tinha os olhos oblíquos e de ressaca, que Augusto dos Anos publicou apenas um poema, intitulado "Eu", e ainda assim compôs uma obra-prima, que o mesmo se deu com Álvares de Azevedo e sua excepcional "Lira dos vinte anos", onde fui orientado a ler o primeiro livro estrangeiro – "Os meninos da Rua Paulo", do escritor húngaro Ferenc Molnar e com ele aprendi, além do gosto pela leitura, o valor da verdadeira amizade.

No Osvaldo Cruz a modernidade e as inovações eram frequentes: Tive aulas de laboratório e conheci artefatos desconhecidos e de nomes estranhos, bico de bulsen, béquer, pipetas, tubo de ensaio, que eu lá fora contava, todos olhavam surpresos sem saber do que se tratava. E quando nos formamos no segundo grau, o curso se chamava Patologia Clínica, portanto, segundo meu amigo José Patay Neto, éramos patólogos, para risos dos da outra turma que se formavam técnicos em contabilidade. Lembro ainda das aulas de técnicas agrícolas, lá mesmo, no pátio, ao lado do magistral pé de manga, que anda está por lá erguido como se fosse um guardião do lugar.

Às vezes tenho a impressão que me envia uns assovios quando me vê descendo pela rua sem parar sequer um instante. Palco de mestres queridos e dedicados, que tiveram calma, sabedoria e paciência em me ensinar os caminhos da vida, como lhes sou grato, o quanto lhes devo, não poderei descrever. Haverei de guardar os seus rostos para sempre em minha lembrança e com carinho no coração. Aqueles poucos metros quadrados, para mim eram um latifúndio enorme de conhecimento, de sabedoria, local sagrado da formação do meu caráter e de tantos outros alunos, hoje inseridos em nossa sociedade em diversas e importantes atividades.

Foi lá que vi um teatro pela primeira vez, onde dedilhei, tímido e curioso, os teclados de um velho piano que ali estava há tanto tempo, provavelmente antes mesmo de eu nascer. No corredor principal, fixo nas enormes paredes, havia uns quadros contendo as fotos e os nomes de formandos da escola em outros tempos. Meu sonho de então, era ver um dia minha foto também ornando o lugar. A cidade cresceu e engoliu a velha escola, transformando-a em local abandonado, miserável, frequentado por delinquentes, chegando ao ponto de ser conhecida como cracolândia, posto ser assim denominada pelos moradores das redondezas. Quanta tristeza!

E eu me perguntava se o poder público não atuaria, se deixaria prosseguir ocorrendo aquela verdadeira ofensa à história de nossa cidade. Quando é para criticar, juntam-se muitos, mas para elogios são raros os que se oferecem. Faço então minha parte, na condição de ex-aluno do Colégio Osvaldo Cruz, parabenizo a ação da Prefeitura de Campo Grande pela criação no local do projeto "TRAJE" – Travessia Educacional do Jovem Estudante, metodologia inovadora e merecedora de aplausos, pois pretende investir na formação profissional de jovens entre quinze e dezessete anos, que têm distorções de idade e ano de escolaridade, além de propiciar a conclusão do curso fundamental.

Faço apenas uma ressalva, até para que este texto não passe como bajulação, deixo registrado que não gostei da troca do nome. Por mais merecedora que seja a homenageada, e ela certamente merece, creio que o nome da professora poderia compor em uma nova escola ou de um outro projeto, mas não substituir o tradicional Osvaldo Cruz. O prédio faz parte da história da nossa cidade, é patrimônio de Campo Grande, referência conquistada com o antigo nome e considero um erro modificá-lo. Vou continuar chamando-o de Osvaldo Cruz.

Agora a pouco, quando passei em frente ao prédio da escola, vi diversos jovens saindo porta afora, belos, garbosos, orgulhosos, com o olhar voltado para o futuro, portadores do mesmo brilho que dos meus olhos faiscavam tempos atrás, quando eu usava uma calça bordô, camisa branca e o distintivo COC estampado no bolso do lado do coração. Para mim restou a saudade e o agradecimento. Para os jovens do TRAJE, uma vida inteira pela frente, certamente pavimentada e iluminada pelo projeto inovador. E aquele prédio amarelo volta a pulsar, desta vez, espero, para sempre.

ANDRÉ LUIZ ALVEZ, [email protected]

Encaminhado à Câmara

Senado aprova acordo de ciência e tecnologia entre Brasil e Tunísia

Comissão de Relações Exteriores é presidida por Nelsinho Trad

11/03/2026 16h45

Comissão é presidida por Nelsinho Trad (PSD)

Comissão é presidida por Nelsinho Trad (PSD) Foto: Agência Senado

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Documento aprovado na Comissão de Relações Exteriores (CRE) nesta terça-feira (10) aproximou Brasil e Tunísia de um acordo que promove intercâmbio de pesquisadores e de informações científicas “contribuindo para a internacionalização de universidades brasileiras”, disse o presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS).

O texto encaminhado ao plenário da Câmara dos Deputados prevê mecanismos usuais como intercâmbio de pesquisadores e especialistas, troca de informações científicas, realização de seminários e programas conjuntos de trabalho.

Cada país arcará com os custos do envio de seus participantes, exceto se outras condições forem acordadas. 

O acordo estimula a cooperação entre bibliotecas e instituições científicas para intercâmbio de publicações e informações e estabelece que os custos relativos ao intercâmbio de cientistas e especialistas serão, em regra, suportados pela parte que envia pesquisadores, salvo acordo diverso formalizado por escrito. 

Os países assinaram o tratado em Brasília, em abril de 2017. O Congresso Nacional precisa aprovar o texto para permitir ao presidente da República confirmá-lo e inseri-lo na legislação brasileira.

 

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Postura

Debate sobre jornada 6X1 é eleitoreiro, mas teremos que enfrentá-lo, diz Ciro Nogueira

Declarações foram feitas em evento do Brazilian Regional Markets

11/03/2026 13h30

Ciro Nogueira, presidente nacional do PP

Ciro Nogueira, presidente nacional do PP Foto: Agência Senado

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O presidente do PP, Ciro Nogueira, afirmou que a PEC que acaba com a jornada de trabalho 6X1 é "eleitoreira" e que a conta não deve ser repassada "apenas ao empresariado".

"É um debate muito eleitoreiro. Vamos ter que enfrentar essa discussão, tem que existir um apoio popular. Mas vamos ter que ter a responsabilidade de não botar isso só na conta do empresariado. Temos um setor de serviços que é mais do que 70% do nosso peso. Vamos jogar esse custo para o governo que está apresentando essa opção", disse o senador.

As declarações foram feitas em evento do Brazilian Regional Markets (BRM), plataforma de inteligência e relacionamento da Apex dedicada ao desenvolvimento dos mercados regionais brasileiros. O evento também contou com a presença do presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e com os pré-candidatos à Presidência pelo PSD Eduardo Leite e Ronaldo Caiado.

Em sua fala, Rueda defendeu um adiamento da discussão da PEC do 6X1 e que o tema deve ser debatido com "maturidade". Também afirmou desejar que a eleição presidencial de 2026 seja "a última da polarização" e defendeu uma política moderada.

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