Política

tempus veritatis

Operação contra Bolsonaro chega a MS e deputados defendem o ex-presidente

Na Capital, a PF cumpriu mandado de busca na casa do tenente-coronel do Exército Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros

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A Operação Tempus Veritatis, deflagrada ontem pela Polícia Federal (PF) contra militares do Exército que integraram o governo do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) e que estão envolvidos na tentativa de golpe de Estado para mantê-lo no poder, cumpriu mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul e causou revolta entre os deputados bolsonaristas.

Em Campo Grande, na manhã de ontem, policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão em uma residência no Condomínio Le Charmant, no Bairro Cidade Jardim, onde mora o tenente-coronel do Exército Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros.

Conforme a PF, o militar campo-grandense fazia parte do chamado Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral, grupo responsável pela produção, divulgação e amplificação de notícias falsas quanto à lisura das eleições presidenciais de 2022.

O objetivo do núcleo era estimular seguidores a permanecerem na frente de quartéis 
e instalações das Forças Armadas, no intuito de criar o ambiente propício para um golpe de Estado.

Também faziam parte desse grupo o tenente-coronel do Exército Mauro César Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro; o ex-ministro da Justiça Anderson Torres; o major do Exército Angelo Martins Denicoli; o publicitário argentino Fernando Cerimedo, um dos estrategistas da campanha do presidente argentino Javier Milei; e o empresário Eder Lindsay Magalhães Balbino, que teria ajudado a montar um falso dossiê que apontava fraude nas urnas eletrônicas.

Ainda, o tenente-coronel do Exército Hélio Ferreira Lima, identificado em trocas de mensagens com Mauro Cid; o tenente-coronel do Exército Guilherme Marques Almeida, ex-oficial do Comando de Operações Terrestres; e Tércio Arnaud Tomaz, ex-assessor de Bolsonaro e considerado um dos pilares do chamado “gabinete do ódio”.

PARLAMENTARES

Para os deputados estaduais e federais da direita no Estado, a operação é ataque direto contra o ex-presidente. O presidente estadual do PL, deputado federal Marcos Pollon, classificou a ação da PF como uma perseguição absurda.

“Algo típico de ditaduras. Não há mais respeito às mínimas garantias constitucionais. A ‘coligação STF+PT’ viu que Bolsonaro fará uma ampla maioria de prefeitos, vereadores e, principalmente, senadores e deputados federais em 2026 e estão empenhados em impedir isso a qualquer custo”, declarou o parlamentar à reportagem.

No entendimento do deputado federal Dr. Luiz Ovando (PP), os brasileiros testemunham uma devassa persecutória no Brasil.

“Militares, políticos, evangélicos, padres, enfim, todos que apoiam Bolsonaro, enfrentam uma perseguição implacável sob o pretexto da democracia. A destruição dos valores morais e cristãos avança velozmente. A perseguição sem provas concretas ameaça a estabilidade do nosso país. 
Unidos pela liberdade, é hora de repensar o que realmente importa para o Brasil”, afirmou ao Correio do Estado.

Já o deputado federal Rodolfo Nogueira (PL), o Gordinho do Bolsonaro, ressaltou à reportagem a operação anterior da PF que mirou um dos filhos do ex-presidente.

“Há alguns dias, foi após uma grande live, hoje [ontem], depois de uma grande manifestação. Já passou da hora do Congresso Nacional dar um basta nessas perseguições escancaradas. Minha solidariedade ao presidente Bolsonaro”, disse.

O deputado estadual Coronel David (PL) assegurou ao Correio do Estado que a operação se trata de mais um capítulo da ditadura que se instalou no Brasil.

“As narrativas querem mostrar uma realidade virtual para atender aos desejos de um governo movido pelo ódio. Além de Bolsonaro, os tentáculos da democracia relativa miraram o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. O próximo passo é uma intervenção no PL, para tirar o partido nas próximas eleições. Eles não querem oposição. A democracia que eles querem não admite pensamento contrário. Venezuela é fichinha em relação ao Brasil de hoje”, criticou.

Na avaliação do deputado estadual João Henrique Catan (PL), a cláusula maior de governança está em xeque.

“Ninguém governa sem o povo consentir, permitir e autorizar. A Justiça não pode desconsiderar os milhões de reais saqueados dos cofres públicos, anulando a devolução desses valores. Decisão essa que foi aplaudida pelo senhor supremo, esse sim, o povo! O grande golpe é perseguir aqueles que se opõem a esse sistema e a destruição promovida por ele no País”, pontuou.

“Os mandados de hoje [ontem], expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, são mais uma grande afronta à democracia. Deixo aqui toda a minha solidariedade ao presidente Bolsonaro e a todos os demais que estão sendo acusados e julgados antecipadamente por um crime não cometido”, finalizou o parlamentar.

Postura

ONU: Lula defende multilateralismo e reforma do Conselho de Segurança

Presidente embarca hoje para Nova York e vai discursar na terça-feira

20/09/2026 20h00

Ricardo Stuckert / PR

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (20) para Nova York, nos Estados Unidos (EUA), onde participará da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). 

No tradicional discurso de abertura na seção de alto nível da assembleia, o presidente deve ressaltar a importância do multilateralismo, uma das linhas centrais da política externa brasileira, em um cenário marcado pela multiplicação de conflitos internacionais. 

Lula também deverá defender a negociação como caminho para a solução de disputas, o respeito ao direito internacional humanitário e a não interferência em assuntos internos de outros países. O discurso deve apresentar a visão do Brasil sobre os principais temas da agenda internacional.

A reforma das Nações Unidas, em particular de seu Conselho de Segurança, deve estar entre os temas abordados. O Brasil defende há anos a atualização da composição e do funcionamento do órgão e critica a sua dificuldade de responder aos conflitos internacionais.

Lula terá encontros bilaterais com outros chefes de Estado, que ainda não foram anunciados, além de se reunir com o secretário-geral da ONU, António Guterres, que está em fase final de mandato à frente da entidade internacional. Um dos encontros previstos de Lula será com o prefeito da cidade, o progressista Zohran Mamdani, do Partido Democrata, que governa Nova York desde o início do ano.

A agenda presidencial em Nova York prevê a chegada à cidade ainda na noite de domingo (20), com encontros bilaterais reservados para ocorrer ao longo da segunda-feira (21). Na terça-feira (22) de manhã, o presidente terá encontro com Guterres e depois fará o discurso na Assembleia Geral. Ele retorna ao Brasil no mesmo dia.

Esta será a 11ª participação de Lula na Assembleia Geral das Nações Unidas como presidente da República. Em seus três mandatos, ele só não compareceu em 2010.

Trump
O Palácio Itamaraty não informou sobre a expectativa de um encontro entre Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump, que não tem confirmação de nenhuma das partes.

O presidente norte-americano é o segundo a falar, logo após Lula, e ambos eventualmente poderiam se cruzar nos bastidores do plenário. No ano passado, os dois líderes tiveram um breve contato, quando Lula deixava o palco após seu discurso e Trump se preparava para falar.

Na ocasião, o encontro causou boa impressão nos dois presidentes e Trump posteriormente falou em "química excelente" entre eles. Foi o primeiro de três encontros entre os dois líderes desde então.

Outras agendas
De acordo com o Itamaraty, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecerá em Nova York durante toda a semana e participará de uma série de reuniões e encontros ministeriais, entre eles os do Brics, do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS), do G77, do G4, do L69 e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), além de reuniões da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e do Consenso de Brasília.

O ministro também presidirá duas reuniões ministeriais. No dia 23 de setembro, será realizado o encontro da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada pelo Brasil durante a presidência brasileira do G20. No dia 24, Mauro Vieira presidirá a reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas).

O Brasil ocupa atualmente a presidência da Zopacas, após a realização, em abril deste ano, da 9ª Reunião Ministerial da organização. O país exercerá a presidência pelo período de três anos.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, copresidente da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, também participará de atividades em Nova York entre os dias 21 e 23 de setembro, com agendas relacionadas à segurança alimentar, proteção social, financiamento para o desenvolvimento e cooperação internacional. No dia 23, participará do encontro da Aliança Global.

A delegação brasileira participará de reuniões do Conselho de Segurança das Nações Unidas e de encontros sobre a situação da Palestina e a solução de dois Estados, o combate à desigualdade, a Comissão de Consolidação da Paz e temas relacionados ao direito internacional humanitário.

Comitiva

Além dos ministros Mauro Vieira e Wellington Dias, estão previstas as participações da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; do ministro dos Povos Indígenas, Luiz Eloy Terena; e da ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, em atividades relacionadas às áreas de atuação de cada pasta.

eleições 2026

Coligação de Lula aciona TSE contra Flávio por uso de perfis para impulsionar campanha

Equipe de monitoramento de redes da campanha de Lula mapeou 1.826 publicações no Instagram em coautoria entre 492 perfis

20/09/2026 19h00

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A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em que pede uma investigação judicial eleitoral sobre o suposto uso, pela candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), de collabs nas redes sociais para burlar às regras de recomendação de propaganda eleitoral e monetizar conteúdos.

Segundo a petição, a equipe de monitoramento de redes da campanha de Lula mapeou 1.826 publicações no Instagram em coautoria entre 492 perfis. A maior parte delas ocorreu em um espaço de dez dias e repetiu o mesmo conjunto de coautores.

Parte das páginas utilizaria links para venda de produtos relacionados à campanha. Um dos casos é o de um boné com número 22. Segundo o documento, doze perfis com mais de 10 milhões de seguidores somados direcionam o público a mesma loja na Shoppe com o produto.

A coligação de Lula argumenta que a situação caracteriza uso indevido dos meios de comunicação social e abuso de poder econômico e político. Além de Flávio, a petição cita o deputado federal Alfredo Gaspar (PL), vice na chapa.

A petição pede liminar para que os registros sejam preservados pela Meta e da Shopee e que os responsáveis pelos perfis sejam identificados. Também solicita que os links de vendas sejam suspensos. Requer ainda a cassação do registro da chapa e a inelegibilidade dos investigados por oito anos.

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