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Oposição protocola requerimento de CPMI do Banco Master

O requerimento tem o apoio de 238 deputados e 42 senadores, majoritariamente da oposição

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A oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou nesta terça-feira, 3, um requerimento de instauração de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master, que reúne deputados e senadores.

Esse requerimento, de autoria do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), tem o apoio de 238 deputados e 42 senadores, majoritariamente da oposição. Apenas um petista, o senador Fabiano Contarato (ES), é subscritor do requerimento.

A CPI tem como foco, aponta Jordy, apurar fraudes financeiras atribuídas ao Banco Master, estimadas em mais de R$ 12,2 bilhões, a constituição de fundos e ativos supostamente inexistentes, a falsificação de contratos e manipulação contábil, bem como a tentativa de transferência de passivos a instituição financeira estatal, caso do Banco de Brasília (BRB), com potenciais danos ao patrimônio público.

"Esse caso deixa a Lava Jato no chinelo. Temos esposa de ministro, que tem contrato milionário de R$ 129 milhões sem ter nenhum registro de sua atuação no Banco Central desse banco fraudulento, irmão de ministro dono de resort ligado a fundo ligado ao Banco Master", disse Jordy.

O deputado se refere a Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A advogada manteve contrato de prestação de serviços advocatícios de elevado valor econômico com o Banco Master, conforme informações do jornal O Globo.

A outra referência é ao ministro do STF Dias Toffoli, cujos irmãos foram sócios de um resort no Paraná. O pastor e empresário Fabiano Zettel - cunhado do banqueiro dono do Master, Daniel Vorcaro - é o dono dos fundos de investimento que compraram parte da participação dos irmãos do ministro Toffoli, que é relator do caso no Supremo.

A CPI Mista também quer apurar omissão ou interferência de agentes públicos, autoridades e terceiros, inclusive no âmbito da regulação, supervisão e decisões do Banco Central, e demais conexões político-institucionais relacionadas aos fatos investigados.

"Esperamos que o presidente Davi Alcolumbre assuma o seu papel e faça a instalação da CPMI do Banco Master", disse o deputado, sobre o presidente do Congresso. Jordy também pede a quantia de R$ 200 mil para o funcionamento dos trabalhos da comissão.

O colegiado vem sendo o recurso usado pela oposição para garantir a instauração de comissões investigativas no Congresso Nacional. Isso porque uma CPI Mista dribla a fila de outros requerimentos de CPI na Câmara dos Deputados e no Senado. Esse argumento é tradicionalmente usado por governistas, lideranças partidárias do Centrão e pelos presidentes das duas Casa para barrar a instaurações de CPIs.

Esse caminho foi usado, por exemplo, para a formação da CPI do 8 de Janeiro e da CPI do INSS.

Como mostrou o Estadão, o governo se antecipou e protocolou sua própria CPI antes da oposição. Esse requerimento, de autoria do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), foi feito na Câmara, e teve menos assinaturas: foram 201 deputados nesse caso

O requerimento de Rollemberg também tem como foco os R$ 12,2 bilhões pagos pelo BRB ao Master entre janeiro a junho de 2025, sendo R$ 6,7 bilhões pelas carteiras falsas e mais R$ 5,5 bilhões de prêmio.

Veja a lista de quem assinou:

Deputados

Carlos Jordy (PL-RJ)

Luiz Carlos Motta (PL-SP)

Marcos Pollon (PL-MS)

Daniel Agrobom (PL-GO)

Nikolas Ferreira (PL-MG)

Ricardo Guidi (PL-SC)

Jefferson Campos (PL-SP)

Nelson Barbudo (PL-MT)

Giacobo (PL-PR)

Rosângela Reis (PL-MG)

Matheus Noronha (PL-CE)

Miguel Lombardi (PL-SP)

Fernando Rodolfo (PL-PE)

Soraya Santos (PL-RJ)

General Pazuello (PL-RJ)

Roberto Monteiro Pai (PL-RJ)

Adilson Barroso (PL-SP)

André Ferreira (PL-PE)

Paulo Freire Costa (PL-SP)

Missionário José Olimpio (PL-SP)

Mauricio Marcon (PL-RS)

Giovani Cherini (PL-RS)

Zé Trovão (PL-SC)

Zucco (PL-RS)

Any Ortiz (Cidadania-RS)

Luiz Lima (Novo-RJ)

Coronel Chrisóstomo (PL-RO)

Rosangela Moro (União-SP)

Pastor Eurico (PL-PE)

Kim Kataguiri (União-SP)

Coronel Fernanda (PL-MT)

Filipe Barros (PL-PR)

Marcio Alvino (PL-SP)

Adriana Ventura (Novo-SP)

Delegado Caveira (PL-PA)

Capitão Alden (PL-BA)

Sargento Fahur (PSD-PR)

Junio Amaral (PL-MG)

Cabo Gilberto Silva (PL-PB)

Carla Dickson (União-RN)

Pr. Marco Feliciano (PL-SP)

Daniel Freitas (PL-SC)

Alfredo Gaspar (União-AL)

Marcel van Hattem (Novo-RS)

Luisa Canziani (PSD-PR)

Rodolfo Nogueira (PL-MS)

Gilson Marques (Novo-SC)

Bia Kicis (PL-DF)

Dilceu Sperafico (PP-PR)

Sargento Gonçalves (PL-RN)

Felipe Becari (União-SP)

Evair Vieira de Melo (PP-ES)

Gustavo Gayer (PL-GO)

Osmar Terra (PL-RS)

Coronel Ulysses (União-AC)

Helio Lopes (PL-RJ)

José Medeiros (PL-MT)

Capitão Augusto (PL-SP)

Dr. Frederico (PRD-MG)

Rodrigo da Zaeli (PL-MT)

Gilvan da Federal (PL-ES)

Vermelho (PP-PR)

Danilo Forte (União-CE)

Domingos Sávio (PL-MG)

Zé Vitor (PL-MG)

Eli Borges (PL-TO)

Coronel Meira (PL-PE)

Joaquim Passarinho (PL-PA)

Pezenti (MDB-SC)

Diego Garcia (Republicanos-PR)

Pastor Diniz (União-RR)

Dr. Zacharias Calil (União-GO)

Aluisio Mendes (Republicanos-MA)

Coronel Assis (União-MT)

Bibo Nunes (PL-RS)

Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP)

Alberto Fraga (PL-DF)

Sanderson (PL-RS)

Capitão Alberto Neto (PL-AM)

Caroline de Toni (PL-SC)

Dr. Jaziel (PL-CE)

Reinhold Stephanes (PSD-PR)

Padovani (União-PR)

Filipe Martins (PL-TO)

Julia Zanatta (PL-SC)

Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP)

Rosana Valle (PL-SP)

Allan Garcês (PP-MA)

Mendonça Filho (União-PE)

General Girão (PL-RN)

Emidinho Madeira (PL-MG)

Daniela Reinehr (PL-SC)

Messias Donato (Republicanos-ES)

Thiago Flores (Republicanos-RO)

Rodrigo Valadares (PL-SE)

André Fernandes (PL-CE)

Mauricio do Vôlei (PL-MG)

Mario Frias (PL-SP)

Pedro Lupion (Republicanos-PR)

Rodrigo Estacho (PSD-PR)

Eros Biondini (PL-MG)

Dr. Ismael Alexandrino (PSD-GO)

Delegado Palumbo (MDB-SP)

Sargento Portugal (Podemos-RJ)

Marcelo Álvaro Antônio (PL-MG)

Delegado Éder Mauro (PL-PA)

Nicoletti (União-RR)

Clarissa Tércio (PP-PE)

Delegado Fabio Costa (PP-AL)

Geovania de Sá (PSDB-SC)

Franciane Bayer (Republicanos-RS)

Magda Mofatto (PRD-GO)

Guilherme Derrite (PP-SP)

Cobalchini (MDB-SC)

Amom Mandel (Cidadania-AM)

Rafael Fera (Podemos-RO)

Ana Paula Leão (PP-MG)

Tião Medeiros (PP-PR)

Fausto Jr. (União-AM)

Felipe Francischini (União-PR)

Gisela Simona (União-MT)

Pedro Westphalen (PP-RS)

Diego Andrade (PSD-MG)

Chris Tonietto (PL-RJ)

Paulo Litro (PSD-PR)

Duarte Jr. (PSB-MA)

Dayany Bittencourt (União-CE)

Vicentinho Júnior (PP-TO)

Daniel Trzeciak (PSDB-RS)

Marussa Boldrin (MDB-GO)

Amaro Neto (Republicanos-ES)

Pinheirinho (PP-MG)

Afonso Hamm (PP-RS)

Delegado Matheus Laiola (União-PR)

Alexandre Guimarães (MDB-TO)

Pauderney Avelino (União-AM)

Lucas Redecker (PSDB-RS)

Marcelo Moraes (PL-RS)

Luiz Fernando Vampiro (MDB-SC)

Luiz Nishimori (PSD-PR)

Delegada Ione (Avante-MG)

Raimundo Santos (PSD-PA)

Thiago de Joaldo (PP-SE)

Cristiane Lopes (União-RO)

Vitor Lippi (PSDB-SP)

Silvye Alves (União-GO)

Lêda Borges (PSDB-GO)

Fabio Schiochet (União-SC)

Delegado Marcelo Freitas (União-MG)

Ismael (PSD-SC)

Silvia Cristina (PP-RO)

Dr. Fernando Máximo (União-RO)

Roberto Duarte (Republicanos-AC)

Geraldo Mendes (União-PR)

Fábio Teruel (MDB-SP)

Ronaldo Nogueira (Republicanos-RS)

Carlos Sampaio (PSD-SP)

Célio Silveira (MDB-GO)

Weliton Prado (Solidariedade-MG)

Lucio Mosquini (MDB-RO)

Saulo Pedroso (PSD-SP)

Hercílio Coelho Diniz (MDB-MG)

Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)

Alceu Moreira (MDB-RS)

Marcos Tavares (PDT-RJ)

Delegado Bruno Lima (PP-SP)

Professor Alcides (PL-GO)

Dr. Luiz Ovando (PP-MS)

Célio Studart (PSD-CE)

Laura Carneiro (PSD-RJ)

Rafael Simões (União-MG)

Maurício Carvalho (União-RO)

Danrlei de Deus Hinterholz (PSD-RS)

Hugo Leal (PSD-RJ)

Glaustin da Fokus (Podemos-GO)

Sergio Souza (MDB-PR)

Márcio Honaiser (PDT-MA)

Arnaldo Jardim (Cidadania-SP)

David Soares (União-SP)

Juarez Costa (MDB-MT)

Stefano Aguiar (PSD-MG)

Carlos Henrique Gaguim (União-TO)

Pompeo de Mattos (PDT-MS)

Josivaldo Jp (PSD-MA)

Jeferson Rodrigues (Republicanos-GO)

Samuel Viana (Republicanos-MG)

Eduardo Velloso (União-AC)

Greyce Elias (Avante-MG)

Tabata Amaral (PSB-SP)

Heitor Schuch (PSB-RS)

Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR)

Luciano Alves (PSD-PR)

Keniston Braga (MDB-PA)

Toninho Wandscheer (PP-PR)

Ricardo Barros (PP-PR)

Paulo Alexandre Barbosa (PSDB-SP)

Lincoln Portela (PL-MG)

Renata Abreu (Podemos-SP)

Luciano Ducci (PSB-PR)

Sidney Leite (PSD-AM)

José Nelto (União-GO)

Ricardo Ayres (Republicanos-TO)

Lafayette de Andrada (Republicanos-MG)

Tiago Dimas (Podemos-TO)

Hildo Rocha (MDB-MA)

Beto Pereira (PSDB-MS)

Covatti Filho (PP-RS)

Antonio Andrade (Republicanos-TO)

Olival Marques (MDB-PA)

João Cury (MDB-SP)

Dr Flávio (PL-RJ)

Felipe Carreras (PSB-PE)

Júnior Ferrari (PSD-PA)

Maria Rosas (Republicanos-SP)

Alex Manente (Cidadania-SP)

Luiz Gastão (PSD-CE)

Rodrigo Gambale (Podemos-SP)

Paulo Folletto (PSB-ES)

Gabriel Mota (Republicanos-RR)

Zé Haroldo Cathedral (PSD-RR)

Otoni de Paula (MDB-RJ)

Gilson Daniel (Podemos-ES)

Jonas Donizette (PSB-SP)

Fausto Pinato (PP-SP)

Túlio Gadêlha (Rede-PE)

Duda Salabert (PDT-MG)

Ricardo Abrão (União-RJ)

Da Vitoria (PP-ES)

Mauricio Neves (PP-SP)

Rodrigo Rollemberg (PSB-DF)

Celso Russomanno (Republicanos-SP)

Rodrigo de Castro (União-RJ)

Pedro Paulo (PSD-RJ)

Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ)

Átila Lins (PSD-AM)

Caio Vianna (PSD-RJ)

Enfermeira Ana Paula (Podemos-CE)

Flávia Morais (PDT-GO)

Newton Cardoso Jr. (MDB-MG)

Senadores

Rogério Marinho (PL-RN)

Eduardo Girão (Novo-CE)

Cleitinho (Republicanos-MG)

Jorge Seif (PL-SC)

Damares Alves (Republicanos-DF)

Astronauta Marcos Pontes (PL-SP)

Carlos Portinho (PL-RJ)

Luis Carlos Heinze (PP-RS)

Marcos do Val (Podemos-ES)

Magno Malta (PL-ES)

Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

Marcio Bittar (PL-AC)

Izalci Lucas (PL-DF)

Jaime Bagattoli (PL-RO)

Plínio Valério (PSDB-AM)

Tereza Cristina (PP-MS)

Wellington Fagundes (PL-MT)

Esperidião Amin (PP-SC)

Ivete da Silveira (MDB-SC)

Alan Rick (União-AC)

Marcos Rogério (PL-RO)

Dr. Hiran (PP-RR)

Jayme Campos (União-MT)

Carlos Viana (Podemos-MG)

Wilder Morais (PL-GO)

Flávio Arns (PSB-PR)

Lucas Barreto (PSD-AP)

Hamilton Mourão (Republicanos-RS)

Sergio Moro (União-PR)

Alessandro Vieira (MDB-SE)

Eduardo Gomes (PL-TO)

Styvenson Valentim (PSDB-RN)

Zequinha Marinho (Podemos-PA)

Nelsinho Trad (PSD-MS)

Oriovisto Guimarães (Podemos-PR)

Mecias de Jesus (Republicanos-RR)

Leila Barros (PDT-DF)

Eduardo Braga (MDB-AM)

Mara Gabrilli (PSD-SP)

Fabiano Contarato (PT-ES)

Fernando Dueire (MDB-PE)

Efraim Filho (União-PB)

Raio-x das eleições

Onde Lula mais perdeu votos em MS? Estudo revela virada inédita no eleitorado

Levantamento exclusivo mostra que o PT recuou justamente nos locais de menor escolaridade, onde era mais forte em 2022; veja a radiografia por bairros e cidades

14/10/2026 18h30

Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno; veja como o sul-mato-grossense votou no primeiro turno

Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno; veja como o sul-mato-grossense votou no primeiro turno Fotomontagem

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A perda de votos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Mato Grosso do Sul não foi igual em todo o Estado. Ela se concentrou nos locais de votação onde há menos eleitores com curso superior, justamente onde o petista era mais forte em 2022.

A constatação é de levantamento exclusivo do Correio do Estado, que cruzou o perfil de escolaridade do eleitorado local com os dados informados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para cada seção, com os resultados dos primeiros turnos de 2022 e de 2026 em 916 locais de votação espalhados por Mato Grosso do Sul: 1,9 milhão de eleitores e aproximadamente 1,42 milhão de votos válidos. 

Nestes locais, Lula teve 549.847 votos em 2022 e 485.648 neste ano, 64.199 a menos.

Os locais foram divididos em cinco grupos de mesmo tamanho, do menos para o mais escolarizado.

No grupo com menor proporção de eleitores com curso superior (até 4,8%), Lula caiu de 53% para 46,4% dos votos válidos, recuo de 6,6 pontos porcentuais. Em números absolutos, passou de 94.538 para 81.997 votos, 12.541 a menos. Ali, o petista vencia com folga em 2022 e agora ficou atrás: o candidato bolsonarista passou de 40,8% (72.752 votos), com Jair Bolsonaro (PL), para 48,4% (85.594), com o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Diploma e sem diploma

No grupo mais escolarizado, em que ao menos 19% dos eleitores têm diploma, a queda de Lula foi de apenas 1,5 ponto, de 28,1% para 26,6%, ou de 89.415 para 85.463 votos (−3.952). Nesses locais, o voto bolsonarista já era majoritário e subiu menos: de 61,5% para 65,3%, de 195.836 para 209.760 votos.

O padrão se repete quando se olha para a outra ponta da escolaridade. Nos locais onde mais da metade dos eleitores não concluiu o ensino fundamental, Lula perdeu 6,7 pontos e 12.342 votos (de 77.373 para 65.031). Onde esse grupo é minoria, a perda foi de 1,4 ponto e 3.619 votos.

Em votos, os 40% de locais menos escolarizados responderam por 28.523 dos 64.199 votos que Lula perdeu nos locais analisados, ou 44% do total.

Capital

Em Campo Grande, onde Lula teve uma das menores quedas do Estado (−2,2 pontos), a diferença entre bairros é ainda mais nítida.

Nos locais de votação com maior proporção de eleitores com curso superior (acima de 34,6%), o voto no petista ficou estável em porcentual: 24% em 2022 e 24,1% agora. Em números absolutos, Lula até ganhou votos nesse grupo: de 17.603 para 18.646, 1.043 a mais. 

Na Chácara Cachoeira, Lula passou de 19,3% para 18,4% (de 1.109 para 1.058 votos); no Jardim dos Estados, de 17,7% para 17,4%; no Centro, manteve exatamente 26,3%. Na escola que concentra a maior proporção de diplomados da cidade, o Colégio Marista, no Jardim Autonomista, o petista até cresceu, de 18,7% para 20,7% (de 325 para 404 votos).

Nas regiões de menor escolaridade da Capital, o movimento foi outro. Nos locais com até 8,4% de eleitores com diploma, Lula caiu 4,3 pontos, de 46.900 para 40.710 votos (−6.190). Na Moreninha III, recuou de 47,4% para 41,3% (de 2.033 para 1.713 votos). No Jardim Anache, de 43,7% para 38,8% (de 2.238 para 1.897). No Jardim Noroeste, onde vencia em 2022, terminou com 44,2% (2.778 votos), atrás de Flávio, que fez 48,6% (3.054).

Em 2022, Lula foi o mais votado em 19 dos 221 locais de votação de Campo Grande. Neste ano, venceu em apenas três. Os 16 locais que mudaram de lado têm, em média, 5,4% de eleitores com curso superior, menos de um terço da média da Capital, de 20,2%. Neles, o petista caiu de 18.671 para 15.956 votos, enquanto o voto bolsonarista subiu de 17.357 para 18.387.

Um dos três redutos que restaram é a Escola Municipal Padre Thomaz Ghirardelli, no Dom Antônio Barbosa, maior local de votação entre os que o petista manteve. Mesmo ali, Lula caiu de 51,8% para 47,1%, de 3.274 para 2.809 votos. Flávio fez 2.654.

Análise

Procurado pelo Correio do Estado para comentar essa mudança do perfil da votação dos candidatos a presidente, o cientista político e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Daniel Miranda, analisa que o diploma é um “indicador a mais de dois fenômenos, observados em outros municípios em que “Lula tem mais força ou perdeu menos votos nos extremos das classes sociais (A/B e E), enquanto a classe média (C/D) se distanciou dele. Nesse caso, o diploma pode ser um indicador desse fenômeno”, explica.

“Há hipóteses defendidas por alguns pesquisadores que afirmam o seguinte: pessoas escolarizadas tem expectativas maiores de renda/emprego/nível de renda. E esse sempre foi um discurso petista forte (‘colocar o filho do trabalhador na universidade’). Com a expansão do ensino superior nos últimos anos, aumentou o número de diplomados, mas provavelmente várias dessas pessoas não tiveram uma melhora de vida forte o suficiente, pelo menos do ponto de vista de suas expectativas, é óbvio. E, geralmente, pessoas insatisfeitas se inclinam para a mudança, no caso desta eleição, para a oposição representada pelo Flávio Bolsonaro”, explicou.

Partidos

O Correio do Estado procurou as lideranças regionais dos dois partidos para comentar o cruzamento dos resultados das eleições. Reinaldo Azambuja, senador eleito pelo PL, e presidente regional do partido, não quis comentar. 

O deputado federal Vander Loubet, presidente estadual do PT, atribuiu a queda de desempenho de Lula a grande abstenção no Brasil todo. “Isso certamente teve impacto nos números do Lula. Aqui mesmo no Mato Grosso do Sul vimos isso, nosso público dos assentamentos rurais e das aldeias indígenas teve dificuldade para ir votar em função das fortes chuvas daquele fim de semana. Eu vejo que os eleitores de menor escolaridade seguem fortemente ligados ao Lula e ao PT”, disse.

Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno; veja como o sul-mato-grossense votou no primeiro turno

Religião não explica

O levantamento também cruzou o resultado com dados do Censo 2022 do IBGE sobre religião nos 79 municípios. O porcentual de evangélicos praticamente não tem relação com o voto em Flávio Bolsonaro. À primeira vista, Lula perdeu mais nas cidades mais católicas, mas o efeito desaparece quando se considera o porte do município: as cidades com maior proporção de católicos em MS são, em geral, as pequenas do interior, onde a queda do petista foi maior.

Nas cidades com até 5 mil eleitores, Lula perdeu 7,2 pontos. Nos cinco maiores municípios (Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Ponta Porã e Corumbá), a queda média foi de 2,9 pontos. Em votos, porém, o peso está nas grandes cidades: as cinco respondem por 30.703 dos 71.468 votos que o petista perdeu no Estado, 43% do total. As 11 cidades com até 5 mil eleitores somam 1.905 votos a menos.

Como foi feito?

O Correio do Estado somou, para cada local de votação, o perfil do eleitorado divulgado pelo TSE por seção eleitoral em 2026 e o comparou com a votação por seção do 1º turno de 2022 e de 2026, também do TSE. Entraram na comparação os 916 locais que existem nos dois anos com o mesmo código.

Escolas em aldeias indígenas ficaram de fora do recorte estadual, por terem padrão de voto próprio. Os percentuais consideram os votos válidos. Por isso, a perda de Lula nos locais analisados (64.199 votos) é menor que a do Estado inteiro (71.468).

A escolaridade é a declarada pelo eleitor no cadastro da Justiça Eleitoral e pode estar desatualizada para quem tirou o título há muitos anos. Como o voto é secreto, a análise compara regiões, e não indivíduos: mostra onde Lula perdeu votos, não quem deixou de votar nele.
 

Divisão

Disputa entre Lula e Flávio divide petistas e bolsonaristas na Alems

Embate durante a sessão se deu entre Pedro Kemp, Gleice Jane, Coronel David e Zé Teixeira

14/10/2026 15h15

Zé Teixeira, Pedro Kemp, Coronel David e Gleice Jane

Zé Teixeira, Pedro Kemp, Coronel David e Gleice Jane Fotos: Reprodução Alems, Marcelo Victor / Correio do Estado

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O acirramento da disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro dividiu ala petista e ala bolsonarista na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) nesta quarta-feira (14).

Ao lado do presidente Lula, os petistas Pedro Kemp e Gleice Jane destacaram a importância das políticas públicas promovidas pelo governo federal às vésperas do 2° turno, ao passo que Zé Teixeira e Coronel David (PL), mesmo partido de Flávio Bolsonaro, teceram críticas à gestão federal e simultaneamente saíram em defesa do senador bolsonarista. 

Ao se manifestar sobre o segundo turno, Pedro Kemp classificou o momento como decisivo para o futuro do país e direcionou críticas à trajetória política de Flávio Bolsonaro. O parlamentar mencionou suspeitas e denúncias que, segundo ele, precisam ser consideradas pelos eleitores na escolha do próximo presidente da República.

“Eu acho que a nação brasileira está diante de uma decisão importante para a história do país”, afirmou Kemp, ao relacionar a disputa eleitoral à continuidade de políticas sociais e à manutenção dos direitos trabalhistas.

Kemp também questionou o posicionamento do candidato do PL em relação à jornada de trabalho e às propostas para o país.

“Está em jogo a continuidade do governo que implantou no Brasil política voltada a beneficiar o trabalhador. Estão em jogo os direitos trabalhistas”, declarou. Ao abordar questões religiosas e episódios de violência, sustentou que a intolerância e a radicalização ideológica precisam integrar a discussão sobre o futuro do país.

Durante a manifestação de Kemp, o deputado Coronel David (PL) contestou os argumentos apresentados e afirmou que a oposição ao presidente Lula não conseguiria convencer o eleitorado com esse tipo de discurso.

“Costumo dizer que só ganha eleição com voto na urna e tudo caminha para que Flávio seja o próximo presidente”, afirmou David, que também questionou as acusações dirigidas ao candidato do PL.

A deputada Gleice Jane por sua vez, ampliou o debate para questões relacionadas à intolerância religiosa, à violência e aos ataques a instituições de ensino. Ela mencionou episódios envolvendo terreiros, casas de reza indígenas e igrejas, além de defender a reflexão condizente aos efeitos da polarização política e ideológica.

“Que momento é esse que estamos vivendo, em que pessoas deixaram de ter direito à sua liberdade religiosa?”, questionou.

Em resposta aos apartes e ao conjunto de críticas, Kemp reiterou a defesa da democracia e das políticas sociais. O deputado também rebateu acusações contra o presidente Lula e questionou os resultados de governos anteriores, destacando programas de acesso à educação e de assistência à população.

Na sequência, Zé Teixeira contestou as declarações de Kemp e criticou o que considerou acusações generalizadas contra apoiadores do PL.

O parlamentar defendeu o direito de escolha política e religiosa dos eleitores e apresentou críticas à gestão federal, especialmente nas áreas de economia, infraestrutura e segurança pública. “Como cristão, apoio ele”, declarou, ao justificar seu posicionamento favorável a Flávio Bolsonaro.

O deputado também questionou a interpretação apresentada por Kemp sobre os processos judiciais envolvendo Lula e mencionou denúncias e investigações relacionadas a governos petistas. Ao tratar de questões econômicas, criticou a carga tributária, os gastos públicos e a situação de serviços e obras de infraestrutura.

Para Zé Teixeira, o país precisa avançar na segurança pública e criar condições para que a população trabalhe e produza. O parlamentar citou o combate à criminalidade e defendeu medidas mais rigorosas contra organizações criminosas. “Povo brasileiro não entende que, para trabalhar e produzir, tem que ter paz de espírito”, afirmou.

Durante a fala do deputado, Coronel David manifestou apoio ao posicionamento apresentado e elogiou a atuação de Zé Teixeira no debate.

A deputada Gleice Jane voltou a participar do debate durante a manifestação de Zé Teixeira, contrapondo argumentos sobre segurança pública e conflitos envolvendo povos indígenas. A parlamentar destacou diferenças nas condições de proteção e responsabilização de indígenas e não indígenas e defendeu a análise dos episódios de violência a partir de seu contexto.

Gleice Jane também criticou propostas de reforma administrativa e medidas que, em sua avaliação, podem ampliar a privatização e a terceirização de serviços públicos, com possíveis impactos sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e outras políticas de atendimento à população.

Ao retomar a palavra, Zé Teixeira manteve as críticas ao governo federal e defendeu o fortalecimento da iniciativa privada. O deputado também abordou questões relacionadas à segurança, situação econômica e atuação das instituições públicas.

Nas explicações pessoais, Kemp voltou a rebater declarações feitas durante o debate, incluindo a atribuição dos atos de vandalismo de 8 de janeiro de 2023 ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O parlamentar contestou essa afirmação e criticou a apresentação de informações sem contextualização.

Kemp também citou indicadores econômicos e sociais para defender a atuação do governo Lula, mencionando o mercado de trabalho, a renda da população e a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, conforme sua manifestação. O segundo turno presidencial acontece no próximo dia 25 de outubro. 

Cabe destacar que o embate entre ambas às frentes deve se acirrar ainda mais em 2027, uma vez que a ala petista contará com quatro deputados, principal oposição à bancada bolsonarista, que ocupará nove cadeiras no próximo ano.

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