Política

CAMPO GRANDE

Papy vai propor adiar para o 2º semestre o início da CPI do Consórcio Guaicurus

O presidente da Câmara entende que se faz necessário esperar resultado da perícia sobre o serviço para ter mais subsídios

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Com a crescente pressão da maioria dos vereadores novatos para que a Câmara Municipal abra de imediato uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Consórcio Guaicurus, grupo de empresas responsável pelo transporte coletivo urbano de Campo Grande, o presidente da Casa de Leis, vereador Epaminondas Vicente Silva Neto (PSDB), o Papy, pretende propor adiar essa possibilidade para o segundo semestre deste ano.

Em entrevista exclusiva ao Correio do Estado, o parlamentar disse que, apesar de ser favorável à intensificação da fiscalização sobre o serviço prestado pelo Consórcio Guaicurus, que tem sido alvo de críticas dos usuários desde o fim da pandemia da Covid-19, não haveria como iniciar os trabalhos da 12ª legislatura da Câmara Municipal da Capital, cuja primeira sessão ordinária deste ano está marcada para terça-feira, já com uma CPI.

“Nós temos de seguir um rito no primeiro semestre e, também, esperar a perícia judicial, encomendada no ano passado pelo Poder Judiciário, sobre essa questão. A partir dos dados reais dos balancetes do Consórcio Guaicurus e das informações que serão apontados pela perícia judicial, seremos capazes de averiguada melhor todos os elementos coletados para ter um fato específico para poder investigar, tanto em relação ao consórcio quanto [em relação] àquilo que a prefeitura municipal também descumpre”, detalhou.

Papy reforçou que se trata de um contrato em que as duas partes que assinaram – administração municipal e empresas de transporte coletivo urbano – descumpriram o que estava estabelecido. 

“Temos informações de que o Executivo municipal teria descumprindo mais de 10 cláusulas do contrato, e o Consórcio Guaicurus, 3, sendo a principal a não renovação da frota de cinco em cinco anos”, pontuou.

O presidente da Câmara Municipal defende que “a CPI do Consórcio Guaicurus precisa ser criada com o objetivo de pôr luz sobre o contrato de um modo geral”. 

“Então, eu penso que, pelo pouco tempo, os vereadores vão estar mais preparados, tecnicamente falando, e abastecidos de boas e concretas informações lá pelo segundo semestre deste ano”, analisou, acrescentando que, até lá, a Casa de Leis tem de fazer uma fiscalização permanente, mês a mês, para criar uma CPI que chegará aos resultados esperados pela população de Campo Grande.

O ex-presidente da Câmara Municipal e atual primeiro-secretário da Casa de Leis, vereador Carlos Augusto Borges (PSB), o Carlão, também é favorável a que se espere o resultado da perícia.

“E eu não estou por dentro dessa articulação de criação de uma CPI do Consórcio Guaicurus, mas já adianto que a Casa tem por obrigação esperar o resultado da perícia encomendada no ano passado pelo Poder Judiciário sobre essa questão”, salientou, aconselhando os mais afoitos a aguardarem o resultado.

Ele reforçou que, se a Justiça pediu uma perícia, não é aconselhável começar uma investigação sem o resultado desse levantamento.

“Enquanto não sair essa perícia, qualquer investigação aí vai ser precipitada. Por isso, sou da posição de que é preciso aguardar até março ou abril para depois [começar a] pensar sobre uma CPI”, argumentou.

O primeiro-secretário da Casa disse à reportagem que não é contra a abertura de uma CPI, porém, é mais aconselhável fazer isso a partir da posse dos resultados da perícia.

“Essa perícia trará informações importantes e alguns balancetes do Consórcio Guaicurus. Aí, com isso em mãos, a Comissão Permanente de Transporte e Trânsito da Câmara assume”, ponderou.

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JULGADO

STF condena Eduardo Bolsonaro por difamar deputada Tábata Amaral

Pena inclui um ano de detenção e multa de R$ 80 mil

26/09/2026 19h00

Ex-deputado, e agora ex-escrivão da Polícia Federal, Eduardo Bolsonaro

Ex-deputado, e agora ex-escrivão da Polícia Federal, Eduardo Bolsonaro Arquivo

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O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu condenar, por 7 votos a 3, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a um ano de detenção, mais multa de R$ 80 mil, por ter difamado a deputada Tabata Amaral (PSB-SP).

O julgamento foi realizado em plenário virtual, prevalecendo ao final o entendimento do relator, ministro Alexandre de Moraes.

O caso está relacionado a publicações nas redes sociais feitas por Eduardo em outubro de 2021, quando ele afirmou que Tábata atendia aos interesses do empresário Jorge Paulo Lehmann, sócio de uma marca de produtos de higiene, ao defender um programa de distribuição de absorventes.

Moraes acatou os argumentos dos advogados da deputada, entendendo que as manifestações de Eduardo, feitas quando ele também era deputado, foram além do simples debate político e não poderiam estar protegidas pela imunidade parlamentar, pois feriram a honra de Tabata.

O relator foi acompanhado por Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Edson Fachin, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Ficaram vencidos os ministros Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça, que votaram pela absolvição.

Desde fevereiro de 2025, Eduardo Bolsonaro encontra-se nos Estados Unidos, para onde diz ter ido para se proteger do que chama de “perseguição” jurídica no Brasil. O ex-deputado teve concedido um greencard (permissão de residência) pelo governo norte-americano. Ele acabou sendo cassado pela Câmara por excesso de faltas.

Sob suspeita

PF acha R$ 250 mil na casa do deputado Marcio Fernandes, em MS

Marcio Fernandes foi alvo da Operação Jogo Limpo, deflagrada para apurar possível corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral. O deputado afirma ser R$ 100 mil.

26/09/2026 09h30

Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado

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A Polícia Federal (PF) apreendeu mais de R$ 250 mil em espécie, três aparelhos celulares, um pen drive, dois HDs externos, dois notebooks e material gráfico de campanha durante buscas realizadas na sexta-feira em dois endereços ligados ao deputado estadual Marcio Fernandes (PL), candidato à reeleição.

A ação faz parte da Operação Jogo Limpo, que investiga a possível prática de corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral nas Eleições deste ano. 

Os policiais cumpriram dois mandados de busca e apreensão, um no comitê eleitoral do parlamentar, no Bairro Chácara Cachoeira, e outro no apartamento dele, no Royal Park, ambos em Campo Grande.

Entre o material recolhido estavam dezenas de cédulas, principalmente notas de R$ 50 e R$ 100. A estimativa inicial da PF era de que o montante em dinheiro ultrapassasse os R$ 250 mil.

Em nota sobre a operação, a PF informou que os valores apreendidos seriam contabilizados e que a investigação vai apurar tanto a origem quanto a eventual destinação do dinheiro.

O inquérito apura movimentações financeiras que, segundo a PF, poderiam estar relacionadas a financiamento irregular de campanha e ao aliciamento de eleitores. 

A corporação ressalta que as investigações ainda estão em andamento para esclarecer os fatos e identificar eventuais responsabilidades.

Na imagem o dinheiro que foi apreendido no comitê - Foto: Divulgação

VENDA DE GADO

Em entrevista ao Correio do Estado, Marcio Fernandes afirmou que foram apreendidos apenas R$ 100 mil sacados por ele mesmo pouco antes da abordagem policial e teriam origem da venda de gado bovino.

“Eu estava no Banco do Brasil, em frente ao Shopping Campo Grande. Tinha um saque provisionado de R$ 100 mil, referente a gado que vendi em leilão. Saquei o dinheiro para usar na fazenda, principalmente para pagar peões, porque muitos deles não querem receber por Pix”, declarou.

Ainda de acordo com o parlamentar, a abordagem da Polícia Federal ocorreu logo depois que ele deixou a agência bancária. 

“Eles me informaram que receberam uma denúncia de crime eleitoral e pediram para me acompanhar até minha casa. Lá, não havia nada irregular. No comitê também não encontraram nada, apenas um saco com santinhos da campanha”, afirmou.

Marcio Fernandes disse ainda ter questionado os policiais sobre uma eventual suspeita de que o saque estivesse relacionado à compra de votos. 

“Vocês estão deduzindo que eu saquei esse dinheiro para comprar votos? Eu tenho despesas da fazenda e despesas pessoais que precisam ser pagas”, relatou.

De acordo com o deputado, os agentes apreenderam o seu aparelho celular e os R$ 100 mil retirados do banco.

Ele afirmou que pretende comprovar a origem dos recursos e solicitar a devolução do valor, bem como do seu aparelho celular. 

“Eles levaram os R$ 100 mil que saquei, mas me informaram que posso pedir a devolução se estiver tudo correto. Não é um dinheiro sem origem. Há como comprovar de onde ele veio”, completou.

Procurado pelo Correio do Estado, o advogado Assahd Milan, responsável pela defesa do parlamentar, informou que estava retornando de São Paulo (SP) e ainda não havia tido acesso aos autos da investigação. “Não tive acesso aos autos do processo, mas eu asseguro que o deputado não está detido”, afirmou.

Inicialmente, a assessoria do parlamentar informou que não havia ocorrido nenhuma intercorrência além das buscas realizadas pelos agentes e tratou a ação como uma diligência policial. A equipe também afirmou que a PF teria realizado ações em outros comitês na Capital, o que foi negado pela Polícia Federal.

A operação ocorreu a nove dias do primeiro turno das eleições, marcado para o dia 4 de outubro. Desde o dia 19, candidatos não podem ser presos ou detidos, salvo em caso de flagrante delito. 

A regra prevista no Código Eleitoral começa 15 dias antes da eleição e permanece válida por até 48 horas após o encerramento da votação.

Caso haja prisão em flagrante nesse período, o detido deve ser imediatamente levado à presença de um juiz, que avaliará a legalidade da medida. 

A PF informou que as investigações da Operação Jogo Limpo prosseguem para esclarecer a origem e a possível destinação dos recursos apreendidos, além de apurar eventuais responsabilidades.

* Saiba 

NOTA OFICIAL

O deputado estadual e candidato à reeleição pelo Partido Liberal (PL), Marcio Fernandes, esclarece os fatos relacionados à ação da Polícia Federal nesta sexta-feira (25). Por volta das 11h, o deputado realizou, em uma agência do Banco do Brasil, o saque de R$ 100 mil de sua conta pessoal.

O valor havia sido previamente provisionado junto ao banco e seria usado em despesas relacionadas às suas propriedades rurais. Ao deixar a agência, ele foi abordado por agentes da Polícia Federal e acompanhou o cumprimento de mandado eleitoral em sua residência e em seu comitê de campanha.

Além do valor sacado e do aparelho celular do deputado, foram recolhidos em sua residência um pen drive com arquivos da campanha eleitoral de 2020.

No comitê, as equipes levaram dois HDs externos com imagens, dois notebooks e material gráfico de campanha. Itens de uso regular de qualquer campanha eleitoral, e nada de irregular foi encontrado nos locais.

O deputado Marcio Fernandes reitera seu compromisso com a verdade e se coloca à inteira disposição das autoridades para prestar qualquer esclarecimento. Reafirma também a lisura de sua conduta, que sempre pautou sua vida pessoal e sua trajetória profissional e pública.

Campo Grande (MS), 25 de setembro de 2026.
Assessoria de Comunicação do deputado estadual Marcio Fernandes.

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