Política

POLÊMICA

Para Dr. Luiz Ovando, trabalhador rural sem-terra é eufemismo para meliante

Ele falou ainda que estaria acontecendo uma manipulação política porque Lula não foi "paparicado" pelo agronegócio

Continue lendo...

Ao participar, na manhã de ontem, de uma entrevista para uma rádio de Campo Grande, o deputado federal Dr. Luiz Ovando (PP) causou polêmica ao criticar as invasões de terra que estão acontecendo em vários estados, inclusive em Mato Grosso do Sul.

Para o parlamentar sul-mato-grossense, esses invasores fazem parte de um grupo de malfeitores. “Esse pessoal se diz trabalhador sem-terra, trabalhador sem-terra é um eufemismo para meliante, quero deixar isso aqui bem claro”, declarou durante a entrevista.

Ele ainda explicou que, quando se pede a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), é para verificar exatamente quem está instigando, financiando e orientando essas invasões. 

“Porque está havendo uma agressão à Constituição, e, quando falamos em Constituição, estamos falando de um pacto que as pessoas fazem entre elas, tendo seus representantes no sistema político organizado”, detalhou.

Luiz Ovando ressaltou que o ser humano tem sua natureza de liberdade, então, quando esse indivíduo é colocado na natureza, ele fará de tudo para preservar sua integridade e sua vida. 

“Só que o homem percebeu que sozinho não conseguiria sobreviver por muito tempo. Se a gente for ver a perspectiva de vida da época que o indivíduo era sozinho, vivia de 25 a 30 anos no máximo, hoje, ele vive 80. Então, isso mostra que a organização é factível, é benéfica”, exemplificou.

O deputado federal destacou que, quando se faz uma Constituição e se tem representantes escolhidos pelo povo, o homem deixa de lado um pouco da sua liberdade e do seu estado natural. 

“Ele concede para uma organização esse estado de liberdade, para que ele possa ser mantido. A propriedade faz parte disso, ela é a extensão do indivíduo, então, quando alguém vai lá e invade a propriedade, esse alguém está invadindo você, está invadindo a sua dignidade, e isso não é permitido”, reforçou.

Para o parlamentar do Progressistas, quando o governo de esquerda diz que a reforma agrária é um dever social, esquece que o direito à propriedade também é importante. 

“Aquele indivíduo que está ali produzindo na terra, ele emprega, gera riquezas, gera impostos e reverte em benefício social. Então, [vem] essa conversa mole que o pessoal fala que a terra é improdutiva. Não há terra improdutiva”, afirmou.

Ele completou que a Constituição já estabelece a indenização de área de terra improdutiva. “Essa terra pertence a alguém, então, chega lá e fala ‘Carlos, você tem uma terra que não está produzindo, eu vou te pagar x, que é o preço de mercado, vou ficar com essa terra e vou distribuir aos trabalhadores ditos sem-terra que querem trabalhar nela’, mas a gente vê que não é isso que acontece”, lamentou.

De acordo com Luiz Ovando, o que está acontecendo é uma manipulação política de desestabilização porque o atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), “não foi beneficiado ou não foi, pelo menos, paparicado pelo agronegócio, que tem crescido de forma significativa neste país, respondendo por mais ou menos 27,4% do PIB [Produto Interno Bruto]”. 

“Aí vem a outra história, de que a agricultura familiar é responsável por grande parte da alimentação, mentira, ela não é. As agriculturas não podem ser separadas, elas se complementam da mesma forma. Assim como não posso dizer que meu dedo mindinho tem menos valor do que o polegar, os dois são importantes em determinadas situações e se complementam, e nós temos que ter isso muito claro”, analisou.

CPI DAS INVASÕES

Luiz Ovando é coautor do pedido feito à Câmara dos Deputados para a abertura de uma CPI para investigar as invasões de terra em todo o território nacional apresentado pelo deputado federal Ricardo Salles (PL-SP), ex-ministro do Meio Ambiente na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“A CPI será criada com a finalidade de investigar a autoria e o envolvimento de autoridades públicas ante as invasões de terra realizadas por movimentos de sem-terra”, disse o parlamentar sul-mato-grossense.

Ele completou que “as invasões, acentuadas desde o início do governo Lula, desrespeitam a legislação e provocam prejuízos econômicos e sociais, pondo em risco empregos e renda, além da destruição de patrimônio privado e inúmeras outras práticas criminosas”.

O pedido para a criação da CPI foi protocolado na quarta-feira (15), com a assinatura de 172 deputados, uma a mais que o necessário.

Os deputados federais Ricardo Salles (PL-SP), Kim Kataguiri (União Brasil-SP) e tenente-coronel Zucco (Republicanos-RS) chegaram a um acordo e decidiram unificar os pedidos no requerimento.

Luiz Ovando declarou que “não há dúvidas que, com a volta de Lula, a bandidagem agrária voltou com força total”.

“Nesse sentido, gostaria de ressaltar a importância da criação dessa CPI, que vai apurar as possíveis irregularidades envolvendo as invasões de terra que estão ocorrendo de forma amiudada desde que o atual governo tomou o poder”, postou em suas redes sociais.

Para ele, é necessária e urgente a apuração dos fatos e a consequente aplicação da lei.

“O direito à propriedade privada é inegociável e constitucional. O produtor rural deve ser respeitado, é ele quem leva o alimento à mesa de toda população brasileira”, pontuou, completando que serão investigadas as irregularidades e crimes cometidos pelo MST e outros movimentos de sem-terra, quem os financiam e quem os coordenam.

Assine o Correio do Estado

ex-deputada

Zambelli contrata novo advogado para contestar extradição e condenações no STF

Carla Zambelli está solta desde maio, após permanecer presa na Itália em meio ao processo de extradição para o Brasil

18/09/2026 21h00

Ex-deputada federal Carla Zambelli

Ex-deputada federal Carla Zambelli Fotos: Lula Marques/ Agência Brasil

Continue Lendo...

A ex-deputada federal Carla Zambelli contratou o advogado brasileiro Eduardo Maurício para reforçar sua defesa e contestar as condenações impostas a ela pela Justiça brasileira. O novo advogado passou a atuar no caso na quinta-feira, 17, e trabalhará em conjunto com o italiano Pieremilio Sammarco em medidas relacionadas aos processos e ao pedido de extradição de Zambelli.

Em nota, Maurício afirmou que pretende adotar medidas processuais para tentar anular as duas condenações. Segundo o advogado, as decisões seriam resultado de "perseguição política" e teriam sido tomadas em processos nos quais, na avaliação da defesa, não foram respeitados o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e a busca pela verdade dos fatos.

A defesa também pretende contestar o segundo pedido de extradição feito pelo Brasil à Itália. De acordo com Maurício, a estratégia inclui questionar a imparcialidade dos julgadores envolvidos nos processos, citando os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.

"Estão sendo tomadas as medidas processuais para afastar a segunda extradição requerida pelo Brasil à Itália, justamente pelo fato dos julgadores serem os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, ambos envolvidos em polêmicas no STF ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro", afirmou o advogado em nota.

Maurício declarou ainda que, na avaliação da defesa, não haveria garantia de um julgamento justo e imparcial caso Zambelli seja entregue ao Brasil. O advogado afirmou que entregar Zambelli ao Brasil seria o mesmo que "condená-la à morte".

Em 2025, Carla Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal a dez anos de prisão por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela emissão de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes

A ex-deputada também recebeu pena de cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma. O caso ocorreu no segundo turno das eleições de 2022, quando Zambelli perseguiu, com uma arma em punho, o jornalista Luan Araújo pelas ruas da região dos Jardins, em São Paulo.

A situação de Zambelli na Itália

Carla Zambelli está solta desde maio, após permanecer presa na Itália em meio ao processo de extradição para o Brasil. A Justiça italiana havia autorizado, em março deste ano, o envio da ex-deputada ao País para que ela respondesse às condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal.

O processo de extradição, porém, não foi concluído. A instância máxima do Judiciário italiano anulou, em duas ocasiões, as decisões que autorizavam a extradição, o que resultou na soltura de Zambelli. O Brasil voltou a pedir a extradição da ex-deputada, mantendo em aberto o processo para que ela seja enviada ao País e cumpra as penas determinadas pelo STF.

Eleições em MS

Herdeira do Itaú está entre as doadoras da campanha de Soraya Thronicke

Beatriz Bracher também doou recursos para a campanha de Marina Silva e Tábata Amaral

18/09/2026 18h09

Senadora Soraya Thronicke recebeu doação de Beatriz Bracher

Senadora Soraya Thronicke recebeu doação de Beatriz Bracher Divulgação

Continue Lendo...

A escritora e herdeira do Bnaco Itaú, Beatriz Sawaya Botelho Bracher, destinou R$ 65 mil para a campanha à reeleição da senadora Soraya Thronicke em Mato Grosso do Sul. 

Beatriz é filha de Fernão Bracher, fundador do banco BBA — instituição financeira que posteriormente foi vendida ao banco Itaú. Além de autora de livros premiados, a escritora tem forte ligação com causas culturais e atua como conselheira do Instituto Acaia, entidade sem fins lucrativos dedicada à educação. No pleito deste ano, a doadora passou a integrar o grupo dos maiores doadores das eleições, figurando entre os 20 principais nomes do país entre os dias 2 e 3 de setembro.

Apoio estratégico a candidaturas femininas

O repasse de R$ 65 mil a Soraya Thronicke faz parte de uma estratégia focada no financiamento de candidaturas femininas para os cargos de senadora e deputada federal. Ao todo, Beatriz direcionou R$ 905 mil exclusivamente para campanhas de mulheres, somando R$ 1 milhão em doações totais apuradas para a campanha deste ano.

A maior contribuição individual do ciclo foi concedida a Marina Silva (ex-ministra de Lula), que recebeu R$ 150 mil para sua candidatura ao Senado por São Paulo. 

Na sequência dos repasses para a mesma Casa Legislativa, figuram Áurea Carolina (MG), com R$ 140 mil, e Manuela D’Ávila (RS), contemplada com R$ 80 mil. 

Já para a Câmara dos Deputados, a escritora ajudou a financiar as candidaturas paulistas de Marina Helou e Tabata Amaral, repassando R$ 60 mil para cada uma.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).