Durante quase três horas de depoimento à CPI mista da Petrobras, o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa repetiu 18 vezes “nada a declarar” (ou frases equivalentes) e se recusou a responder a todos os questionamentos formulados pelos parlamentares da comissão. Por ordem da Justiça, ele foi trazido por policiais federais de Curitiba, onde está preso, para atender à convocação da CPI.
Costa firmou com o Ministério Público do Paraná e com a Justiça Federal um acordo de delação premiada pelo qual teria apontado deputados, senadores, governadores e um ministro como beneficiários de um esquema de pagamento de propina com dinheiro de contratos da Petrobras. Ele foi preso em março durante a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Se confirmadas as informações que der a policiais e procuradores com base na delação premiada, o ex-diretor poderá ter a pena reduzida.
Diante do silêncio de Paulo Roberto Costa, parlamentares da oposição cobraram do Judiciário acesso aos depoimentos prestados pelo ex-diretor durante a delação premiada. Segundo reportagem da revista “Veja”, ele teria delatado três governadores, seis senadores, um ministro e, pelo menos, 25 deputados federais supostamente beneficiados com pagamentos de propinas oriundas de contratos com fornecedores da estatal.
Na semana passada, a comissão enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma petição na qual reivindica o acesso automático a todo o conteúdo dos depoimentos. O ministro encarregado do caso, Teori Zavascki, informou que poderá compartilhar os documentos assim que eles chegarem à corte. O magistrado alega que ainda não teve acesso às oitivas de Costa.
O presidente Vital do Rêgo anunciou durante a sessão que entrou em contato por telefone com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, para marcar uma reunião com integrantes da CPMI.
Diante do silêncio de Costa, os parlamentares querem cobrar do Judiciário acesso aos depoimentos prestados por ele durante a delação premiada. O pedido já foi enviado ao ministro responsável pelo caso no STF, Teori Zavascki, mas os documentos ainda não chegaram ao Congresso.


