Política

CPI das BETS

PF diz que Hugo Motta e Ciro Nogueira voaram em avião de empresário suspeito de contrabando

A aeronave pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, que é sócio de uma empresa de apostas online. Ele estava presente no voo com os parlamentares, que ocorreu em abril de 2025, período em que a CPI das Bets estava ativa no Senado

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A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar suspeitas de descaminho ou contrabando em um voo realizado em uma aeronave particular de um empresário investigado na CPI das Bets do Senado.

Esse inquérito, entretanto, foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) depois que a PF constatou que quatro parlamentares acompanharam o empresário no voo: o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL). Os parlamentares ainda não se manifestaram.

A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo. O Estadão teve acesso ao relatório da PF produzido na investigação. Os parlamentares foram procurados pela reportagem, mas ainda não se manifestaram. O espaço segue aberto.

A aeronave pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, que é sócio de uma empresa de apostas online. Ele estava presente no voo com os parlamentares, que ocorreu em abril de 2025, período em que a CPI das Bets estava ativa no Senado, com a participação de Ciro Nogueira. Lima foi procurado pela reportagem, mas não se manifestou.

O voo saiu da ilha de Saint Martin, um paraíso fiscal do Caribe, e pousou na noite do dia 20 de abril do ano passado no aeroporto de Catarina, em São Roque (SP), usado para aviação executiva. As suspeitas da PF surgiram a partir de uma investigação sobre a corrupção de um auditor fiscal, Marco Canella, indiciado em um outro inquérito por facilitação de contrabando ou descaminho. O auditor foi procurado, mas também não se posicionou.

No caso do voo dos parlamentares, Canella permitiu que um funcionário do empresário desembarcasse no aeroporto e passasse com sete volumes de bagagem por fora do raio-X. O procedimento irregular foi gravado pelas câmeras de segurança.

Ainda não foram identificados os donos das bagagens que passaram ilegalmente pelo raio-X. Como o voo era proveniente de um paraíso fiscal e o auditor já tinha sido indiciado por crimes de facilitação ao contrabando e descaminho, a PF suspeita que o conteúdo das bagagens possa ser ilegal.

Durante a apuração, porém, foi constatado que parlamentares também estavam a bordo do voo. Eles passaram suas malas pelo procedimento normal de raio-X, mas não é possível saber até o momento se as bagagens que foram transportadas por fora do raio-X tinham itens pertencentes aos parlamentares.

Em um relatório parcial, a PF escreveu que a continuidade das investigações pode indicar o envolvimento de algum dos parlamentares nos crimes apurados e, por isso, seria necessário o envio do caso ao STF.

"Considerando que, caso as investigações tenham continuidade e indiquem que, além da conduta do Auditor Fiscal MARCO ANTÔNIO CANELLA, haja outras condutas ilícitas, bem como que uma das pessoas mencionadas no "item 9" supra tenham envolvimento, os autos devem tramitar pela CINQ/CGRC/DICOR/PF, e o Processo junto ao Supremo Tribunal Federal, motivo pelo qual, salvo melhor juízo, entendo ser temerária a continuidade das investigações sem a apreciação de tal situação pelo Poder Judiciário", diz o despacho.

Em suas redes sociais, o empresário registrou fotos da viagem, mas os parlamentares não aparecem. As imagens mostram o interior da aeronave com refeições e um mapa de bordo a destino de Saint Martin, a aeronave chegando a uma praia com mar azul claro e diversos momentos na praia.

O inquérito chegou nesta semana ao STF e foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes. Ele enviou o caso para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), que deve opinar se há indícios de crimes para que os fatos sejam investigados perante o Supremo.

SUCESSÃO

Adjunto da Educação deixa cargo para coordenar campanha de Riedel

Sérgio Luiz Gonçalves, que desde setembro de 2024 estava no cargo, deverá dividir a coordenação da campanha com outras duas pessoas

27/04/2026 14h41

Sérgio Luiz Gonçalves trabalha com Eduardo Riedel desde a gestão passada e aos poucos foi conquistando espaço na administração

Sérgio Luiz Gonçalves trabalha com Eduardo Riedel desde a gestão passada e aos poucos foi conquistando espaço na administração

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O governador Eduardo Riedel exonerou, nesta segunda-feira (27), o secretário-adjunto da Secretaria de Estado de Educação, Sérgio Luiz Gonçalves. Ele deixa o cargo, o segundo de maior importância na hierarquia da Educação, para atuar  na coordenação da campanha de reeleição do governador, que oficialmente começa somente em 16 de agosto.

Sérgio Gonçalves assumiu o cargo de secretário-adjunto da Educação, secretaria com o  maior orçamento entre todas as pastas, da ordem de R$ 4 bilhões em 2026, em setembro de 2024, no lugar de Dione Hashioka.  

Esta, por sua vez, havia sido nomeada para o lugar de Édio Antônio Resende de Castro, demitido do cargo após a operação Turn Off, realizada pelo Ministério Público do Estado em 30 de novembro de 2023. Ele foi demitido após descoberta de um susposto esquema de superfaturamento em contrados no setor educacional.

Antes de ser nomeado na Educação, Sérgio Gonçalves ocupava o cargo de assessor especial na Secretaria de Fazenda, trabalhando ao lado do secretário Flávio César. Nos bastidores, seu nome conquistou espaço de aliados e críticos pela habilidade de aliar um foco técnico nos objetivos de gestão com sensibilidade política

Mas, a proximidade de Educardo Riedel com Sérgio Gonçalves começou bem antes da vitória de Riedel ao Governo do Estado. 

“Tive a honra de trabalhar no seu gabinete na Secretaria de Governo onde fui abençoado pela sua sabedoria, inteligência e educação, e agradeço aos ensinamentos que levarei para toda minha vida. Riedel é um ser humano admirável, justo e um homem do bem. Como nosso Governador, não posso esperar menos que a continuidade de sua dedicação, aliado a todo seu conhecimento, no crescimento e desenvolvimento de nosso Estado”, afirmou Sérgio nesta segunda-feira, depois da confirmação de sua indicação para ser um dos coordenadores da campanha eleitoral. 

“Conheço Eduardo Riedel das estradas da vida, que por onde ele passa deixa um rastro de admiração pelo que é e representa, com a família maravilhosa e um homem de princípios”, continuou.

Para assumir o lugar de Sérgio na Educação foi nomeada Mary Nilce Peixoto dos Santos, que já atuava no cargo de superintendenet na mesma Pasta. 
 

PRIVATIZAÇÃO DOS HOSPITAIS

Riedel apoia gestão terceirizada em unidades de saúde de Campo Grande

Governador defende a busca por alternativas e questiona a profundidade das críticas em relação ao tema

27/04/2026 12h15

Governador Riedel entende que mudanças devem acontecer já que as medidas tradicionais não geram resultados positivos

Governador Riedel entende que mudanças devem acontecer já que as medidas tradicionais não geram resultados positivos Foto: Marcelo Vitor / Correio do Estado

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O governador Eduardo Riedel (PP) expressou apoio em relação à iniciativa privada na gestão de duas unidades de saúde, proposta pela Prefeitura de Campo Grande. Caso ocorra, o projeto piloto da terceirização de gestão através de Organizações Sociais de Saúde (OSSs) será nos Centros Regionais de Saúde (CRSs) do Aero Rancho e do Tiradentes.

Em busca de melhores resultados, Riedel defende a busca por alternativas e questiona a profundidade das críticas em relação ao tema. Além disso, também incentiva a sociedade a acompanhar e participar do experimento.

"A gente quer mudar? Vai mudar fazendo da mesma maneira? Não. Eles estão tentando fazer diferente. E aí a crítica vem por quê? Quem está por trás da crítica? Qual é a crítica? Eu apoio a medida porque o secretário Marcelo Vilela, com aval da prefeita (Adriane Lopes), está falando o seguinte: "olha, eu vou pegar duas unidades e vou fazer diferente. Topam experimentar, ver o que vai acontecer?" Cadê a sociedade acompanhando ou experimentando juntos? Então, eu avalizo a iniciativa por ser uma busca de criar uma alternativa para fazer diferente e gerar um melhor resultado. E é isso que a gente tem que fazer".

A prefeita Adriane Lopes disse que, apesar da repercussão negativa, a medida será aplicada em um "ano de experiência" para testar a eficiência e a aplicabilidade do recurso público. Ela argumenta que busca respostas para a população e que os métodos tradicionais se mostram insuficientes.

"Acredito que é um ano de experiência para ter eficiência e aplicabilidade do recurso público trazendo respostas para a população. Então fazendo do mesmo jeito, talvez a gente não tenha resultado. A mudança é difícil porque as pessoas estão numa zona de conforto há muito tempo, há décadas. Quando você propõe algo novo, sempre é complexo, porque as pessoas não querem algo novo, elas querem fazer como é feito até hoje.

Na mesma linha de pensamento do governador, a prefeita criticou a forma como as coisas são feitas e que não têm resultados positivos, então acredita que uma mudança na forma de gestão pode ser uma alternativa para melhorar a situação.

"Mas como é feito até hoje, os resultados não são suficientes e nem satisfatórios. É esse o ponto onde nós estamos entrando com essa proposta, é uma análise, é um estudo de um ano pra ver eficiência. E aí quem vai dizer (se está bom ou não) serão as pessoas, a população. Quem é atendido lá na ponta é quem vai dizer para gestão se esse é o caminho ou não". 

Sobre o avanço dessa proposta, Adriane não deu muitos detalhes, mas comentou que o secretário municipal de saúde, Marcelo Vilela, está trabalhando para implementar esta medida.

Sobre a audiência pública realizada na Câmara Municipal, a prefeita disse que houve "ataques desrespeitosos ao secretário.

"Acredito que nós temos uma democracia e tudo se discute. A gente levou para a sociedade civil para uma discussão, para uma escuta, mas não houve essa escuta. E eu acredito que esse seja um caminho para que a gente possa trazer eficiência na saúde, propondo a mudança que há muitos anos a população espera".

Entenda

O secretário de Saúde do município, Marcelo Vilela, defendeu a proposta de instalar duas OSSs nos CRSs. Ele argumenta que a medida é para conter gastos, avaliados em R$ 4,3 milhões mensais nas unidades.

Ele justificou que a gestão direta enfrenta desafios, como rigidez nas contratações e processos burocráticos nas licitações. Citou ainda problemas enfrentados pelos usuários, como tempo de espera superior a uma hora e alto índice de reclamações na Ouvidoria.

"Já temos resultados em outros lugares, indicadores mensais de produtividade, diminuição do tempo de permanência", disse ao mencionar "cases de sucesso" em outros municípios.

O secretário afirmou que o contrato de gestão preserva 100% do atendimento gratuito pelo SUS (Sistema Único de Saúde), com gestão orientada por metas e resultados. Ele citou que servidores efetivos, conforme a proposta, devem ser remanejados para outras unidades e que os funcionários das OSs terão direitos trabalhistas assegurados.

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