Política

ELEIÇÕES 2026

PL tem meta agressiva no Estado e quer "abocanhar" as duas vagas ao Senado

A executiva nacional da sigla calcula conquistar 33 novas cadeiras na Câmara Alta e, dessa forma, alcançar um total de 49 senadores

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A executiva nacional do PL divulgou nesta semana uma meta agressiva para as eleições gerais de outubro deste ano que projeta a conquista de 33 novas cadeiras no Senado e, desta forma, chegar ao número mágico de 49 senadores da República a partir de 2027 já contabilizando os 16 parlamentares da legenda que têm mandato até 2030.

Para tentar atingir esse objetivo, ou seja, obter a maioria absoluta na Câmara Alta brasileira, as lideranças nacionais bolsonaristas já fazem os cálculos na ponta do lápis e, pelas contas da legenda, esses 33 novos senadores alcançados ficando com as duas vagas ao Senado que estão em disputa em Mato Grosso do Sul, Acre, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, São Paulo e Rio de Janeiro.

Ainda vitória total em estados como Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Roraima, Rondônia e Tocantins.

Além disso, para chegar a esse número mágico, a expectativa é “abocanhar” pelo menos uma vaga de senador da República em Alagoas, Amazonas, Amapá, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Sergipe.

As lideranças do PL explicam que a tabela deverá ser atualizada mais duas vezes, e que a primeira seria em abril, após a janela para troca partidária, enquanto a segunda será depois das convenções que baterão o martelo sobre as candidaturas.

Na prática, para que esse projeto político possa vingar, o partido primeiro precisará combinar com os milhões de eleitores das 20 unidades da federação citadas no plano bolsonarista e também a cúpula do partido terá de excluir os partidos aliados, pois, para ficar com as duas vagas, a sigla terá de lançar chapa pura ao Senado.

Em Mato Grosso do Sul, conforme o presidente estadual do PL, o ex-governador Reinaldo Azambuja, que preferiu não comentar os planos da executiva nacional da legenda, a sigla manterá os planos já acertados, ou seja, uma das vagas ao Senado será sua e a segunda será definida por meio de pesquisas de intenções de votos quantitativas e qualitativas entre os atuais postulantes.

Pelos levantamentos divulgados até o ano passado, a segunda vaga deve ficar com o ex-deputado estadual Capitão Contar, pois os outros dois concorrentes do PL, o deputado federal Marcos Pollon e a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira, aparecem bem atrás do ex-parlamentar.

Entretanto, caso Azambuja e Contar tenham os nomes confirmados na convenção do PL de Mato Grosso do Sul para concorrer às duas vagas ao Senado, para a dupla ficar com as duas cadeiras do Estado na Câmara Alta ainda terá de superar a “ameaça” do senador Nelsinho Trad (PSD), que aparece tecnicamente empatado com ambos.

Também terá de assegurar que o PP, da senadora Tereza Cristina, realmente não lance a pré-candidatura do deputado estadual Gerson Claro ao Senado e apostar que as pré-candidaturas do deputado federal Vander Loubet (PT) e da senadora Soraya Thronicke (Podemos) continuem com pontuação baixa nas pesquisas de intenções de votos.

Um ponto positivo para a concretização dos planos do PL em Mato Grosso do Sul é o fato de a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), estar praticamente fora da disputa ao Senado por Mato Grosso do Sul, devendo mesmo concorrer por São Paulo.

Afinal, a continuidade da ex-senadora na disputa pelo Senado no Estado complicaria muito a definição das duas vagas, pois ela vinha pontuando muito bem nos levantamentos.

*Saiba

O Senado brasileiro é composto por 81 senadores, representando os 26 estados e o Distrito Federal, com três senadores por unidade federativa. Os mandatos duram oito anos, com renovação alternada de um terço e dois terços a cada quatro anos. Cada senador é eleito com dois suplentes. A estrutura visa garantir igualdade entre os entes federativos, diferentemente da Câmara dos Deputados, onde a representação é proporcional à população.

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Tempos Modernos

Redes sociais ampliam influência em MS e reduzem peso da TV na hora de votar

Mudança de comportamento do eleitorado leva campanhas a priorizar estratégias digitais, em vez dos meios tradicionais

25/07/2026 08h30

Jovens e idosos recorrem cada vez mais às redes sociais para acompanhar o debate político

Jovens e idosos recorrem cada vez mais às redes sociais para acompanhar o debate político Foto: Arquivo

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As eleições deste ano consolidam uma mudança profunda na forma como os candidatos buscam conquistar o eleitor em Mato Grosso do Sul, embora o horário eleitoral gratuito na televisão e no rádio continue sendo um instrumento importante, especialmente para apresentar propostas ao eleitorado mais velho.

Especialistas ouvidos pelo Correio do Estado avaliam que as redes sociais assumiram papel central na formação da opinião pública e na definição das estratégias de campanha.

O cenário é impulsionado pela popularização de plataformas como Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp e Telegram, que permitem aos candidatos estabelecer comunicação direta com o eleitor, sem a intermediação dos meios tradicionais. 

A velocidade na circulação das informações, a possibilidade de segmentar públicos específicos e o baixo custo de produção de conteúdo transformaram o ambiente digital no principal campo de batalha das campanhas eleitorais.

Em Mato Grosso do Sul, essa realidade se reflete na atuação dos pré-candidatos ao governo, ao Senado e às vagas proporcionais, que intensificaram a produção diária de vídeos curtos, transmissões ao vivo e conteúdos voltados para interação com seguidores. 

Diferentemente da propaganda televisiva, que tem tempo limitado e calendário definido pela Justiça Eleitoral, as redes sociais funcionam de forma permanente, permitindo que os políticos mantenham contato constante com seus eleitores durante todo o ano.

A mudança também acompanha uma transformação no perfil do eleitor, pois os mais jovens, que representam parcela crescente do eleitorado, consomem informações predominantemente pelas plataformas digitais.

Mesmo entre pessoas acima dos 40 anos, aplicativos como WhatsApp e Facebook se tornaram importantes fontes de notícias e de debates políticos, reduzindo a exclusividade que a televisão exerceu durante décadas.

Apesar disso, especialistas alertam que o tempo de TV ainda mantém relevância estratégica. Nas eleições majoritárias, o horário eleitoral gratuito continua oferecendo maior alcance para candidatos menos conhecidos e proporciona um espaço controlado para apresentação de programas de governo. 

Além disso, a televisão ainda tem elevado grau de credibilidade com boa parte do eleitorado, sobretudo nas cidades do interior. Outro diferencial é que o conteúdo televisivo costuma alcançar eleitores que não acompanham política diariamente nas redes. 

Em municípios menores de Mato Grosso do Sul, onde a televisão aberta ainda registra elevada audiência, o horário eleitoral continua sendo considerado um instrumento importante para consolidar a imagem dos candidatos durante a campanha oficial.

Se, por um lado, as redes sociais ampliaram o alcance dos candidatos, por outro, também aumentaram os desafios para a Justiça Eleitoral.

A circulação de notícias falsas, vídeos manipulados, perfis falsos e conteúdos produzidos com inteligência artificial (IA) tornou o ambiente digital mais complexo de fiscalizar. 

Nas eleições deste ano, as regras passaram a exigir que materiais produzidos com IA sejam identificados de forma clara, enquanto o uso de deepfakes permanece proibido.

Outro aspecto que fortalece o ambiente digital é a atuação dos influenciadores, pois, embora possam manifestar apoio político de forma espontânea, a legislação impede que sejam remunerados para promover candidatos ou impulsionar conteúdos eleitorais, prática permitida apenas aos próprios candidatos, partidos e federações, dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

ANÁLISE

Para o cientista político Daniel Miranda, professor e pesquisador do curso de Ciências Sociais da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), as redes sociais e o horário eleitoral gratuito não competem entre si, mas exercem funções complementares durante a disputa eleitoral. 

Conforme ele, a principal diferença está no tempo de exposição do eleitor a cada meio de comunicação.

“O horário eleitoral na TV e no rádio alcança as pessoas apenas durante o período oficial da campanha. Já as redes sociais estão presentes no cotidiano do eleitor 24 horas por dia, dependendo do tempo que cada pessoa permanece conectada”, explicou o professor.

Miranda avalia que, justamente por essa exposição contínua, o impacto de cada conteúdo publicado nas plataformas digitais tende a ser menor de forma isolada, mas ganha força pelo efeito acumulativo ao longo do tempo. 

Em contrapartida, de acordo com o professor, o horário eleitoral gratuito, apesar de concentrar menos tempo de exposição, costuma gerar maior impacto imediato por ser um conteúdo oficial, produzido especificamente para a campanha e exibido em um momento em que o eleitor está mais atento ao debate.

O certo é que a tendência é de que televisão e redes sociais atuem de forma complementar, mas com pesos diferentes.

Enquanto a TV continua sendo importante para conferir legitimidade e ampliar o conhecimento do eleitor sobre os candidatos, as plataformas digitais passaram a definir o ritmo do debate político, influenciar a pauta diária da campanha e mobilizar apoiadores em tempo real.

No Estado, onde cerca de 2 milhões de eleitores irão às urnas em outubro, a expectativa é de que as campanhas invistam simultaneamente nas duas frentes. 

A televisão deverá concentrar a apresentação institucional dos candidatos, enquanto as redes sociais continuarão sendo utilizadas para responder rapidamente aos adversários, divulgar agendas, engajar apoiadores e disputar a atenção de um eleitor cada vez mais conectado.

Na análise do sociólogo Ricardo Luiz Cruz, que também é professor da UFMS, a propaganda eleitoral no rádio e na televisão não foi substituída pelas redes. 

“Na verdade, esses meios se complementam, pois todos recorrem aos mesmos imaginários coletivos sobre partidos, candidaturas e temas que dominam o debate eleitoral. Vivemos hoje sob o domínio da imagem, e a comunicação política é um reflexo dessa realidade, adaptando-se às diferentes plataformas para dialogar com o eleitor”, pontuou.

PESQUISAS

Na avaliação do diretor do Instituto de Pesquisas Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa, o crescimento da presença de pré-candidatos nas redes sociais tem ampliado a visibilidade de nomes que disputarão as eleições deste ano em Mato Grosso do Sul, mas esse desempenho digital ainda não representa vantagem nas urnas. 

Conforme ele, embora diversos pré-candidatos apresentem elevado engajamento nas plataformas digitais, esse alcance não tem se convertido automaticamente em intenção de voto. Para o pesquisador, existe uma diferença importante entre popularidade nas redes e apoio do eleitorado.

“A exposição nas redes sociais aumenta o nível de conhecimento do candidato, mas isso não significa, por si só, que ele receberá votos. Muitas vezes, esse alcance fica restrito a um nicho específico ou a uma bolha de determinado grupo social”, afirmou.

Para Barbosa, as redes sociais exercem papel relevante ao fortalecer candidaturas e manter a comunicação direta com os eleitores, mas dificilmente são suficientes, isoladamente, para eleger um candidato no cenário sul-mato-grossense.

“As redes sociais dão sustentação ao voto. Somente com as redes sociais, em Mato Grosso do Sul, é difícil emplacar um candidato. Basta observar historicamente os candidatos que conseguiram se eleger”, disse.

O diretor do IPR observa que vários pré-candidatos têm investido intensamente em plataformas como Instagram, Facebook, TikTok e outras redes digitais, mas ressalta que a eficácia dessa estratégia somente poderá ser medida no resultado das urnas. “Tem alguns candidatos usando bastante as redes sociais, mas é preciso ver se essa estratégia vai dar certo. O voto precisa chegar à urna”, destacou.

Barbosa também chama atenção para a necessidade de analisar indicadores além do número de seguidores ou curtidas.

Conforme ele, métricas como alcance das publicações, compartilhamentos, volume de visualizações e, principalmente, o sentimento das interações são determinantes para avaliar o impacto da comunicação digital.

“Às vezes há muitos compartilhamentos, mas o sentimento é negativo, e isso acaba sendo prejudicial para a campanha. Todos esses fatores precisam ser considerados”, ponderou.

Para o pesquisador, a presença digital deixou de ser opcional nas campanhas eleitorais modernas. No entanto, ele ressalta que o sucesso eleitoral depende da combinação entre atuação nas redes, trabalho de campo, articulação política e capacidade de transformar visibilidade em votos.

“Na minha opinião, as redes sociais dão uma grande sustentação para o candidato, e ele não pode ficar de fora delas. Agora, acreditar que apenas as redes sociais vão levá-lo ao sucesso é uma visão simplista, porque a realidade é bem mais complexa”, concluiu.

rio de janeiro

Moraes revoga medidas cautelares contra pré-candidato preso com fuzil

Agora, o ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) Márcio Canella (União Brasil) pode participar da convenção que pode escolher seu nome para disputa ao Senado

25/07/2026 07h21

Márcio Canella havia sido preso em meio a investigação sobre esquema de lavagem de dinheiro em postos

Márcio Canella havia sido preso em meio a investigação sobre esquema de lavagem de dinheiro em postos

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a revogação de todas as medidas cautelares impostas ao ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) Márcio Canella (União Brasil), preso em flagrante no último dia 7 de julho durante uma operação da Polícia Federal. Com a decisão, o político deixa de usar tornozeleira eletrônica, recupera o passaporte e fica desobrigado das demais restrições fixadas após a prisão.

A decisão foi proferida nessa quinta-feira, 23, às vésperas das convenções partidárias que vão definir as candidaturas ao governo do Rio de Janeiro. Após a decisão do STF, Canella publicou uma mensagem nas redes sociais em que atribuiu a revogação das medidas à sua fé. Antes de ser preso, ele diz ser pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro

"A minha confiança está em Deus, que nunca falha e sempre cuida de nós. Ele me conhece, conhece meu coração, conhece o meu trabalho, sabe tudo o que eu fiz na vida pública para melhorar a vida das pessoas em defesa do cidadão de bem", escreveu.

O ex-prefeito foi alvo da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um grupo suspeito de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavar recursos provenientes do crime organizado.

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes encontraram um fuzil de uso restrito da Polícia Militar do Rio de Janeiro em um veículo utilizado por Canella. A arma, segundo a investigação, pertencia ao policial Alexandre Paixão da Silva Júnior, responsável pela segurança do ex-prefeito, que também acabou preso.

Além do armamento localizado no carro, a Polícia Federal apreendeu em imóveis ligados a Canella dois revólveres, uma pistola, 13 carregadores, munições e relógios de alto valor.

As investigações são baseadas, entre outros elementos, em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que aponta movimentações de aproximadamente R$ 7,6 bilhões pelo grupo investigado ao longo dos últimos seis anos.

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