Política

EMENDA PARLAMENTAR

Pollon volta a destinar dinheiro para entidade fora de MS

Entidade sediada em Porto Alegre produz documentário sobre regimes comunistas e também recebeu recursos de outros parlamentares do PL e do fundo partidário

Continue lendo...

O deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) destinou R$ 200 mil em emenda parlamentar à organização não governamental Passos da Liberdade, sediada em Porto Alegre (RS), responsável pela produção do documentário “Nós”, obra que trata de regimes autoritários comunistas.

Segundo a Folha de S.Paulo, o filme, anteriormente chamado de “Genocidas”, recebeu R$ 860 mil em emendas parlamentares indicadas por deputados do PL. Além de Pollon, também aparecem como responsáveis por repasses os deputados Mário Frias (SP) e Eduardo Bolsonaro (SP). A estreia do documentário está prevista para 15 de julho, no Cine Brasília, no Distrito Federal.

A entidade também recebeu R$ 600 mil do diretório nacional do PL, comandado por Valdemar Costa Neto, por meio do fundo partidário. De acordo com nota fiscal obtida pela Folha, o pagamento foi registrado como prestação de serviços de assessoria em comunicação e produção audiovisual no Estado de Minas Gerais.

A Passos da Liberdade foi criada em 2023 e tem como presidente Rodrigo Cassol Lima, pré-candidato a deputado estadual pelo PL no Rio Grande do Sul. Ele também atua como coprodutor e responsável jurídico do documentário. A produção é dirigida por Gustavo Lopes, que ocupou a Secretaria Nacional de Audiovisual em 2022, no último ano do governo Jair Bolsonaro.

Conforme divulgado pelo portal, o documentário realizou gravações em países como Polônia, Alemanha, República Tcheca e Hungria. A proposta da obra é abordar regimes comunistas autoritários que marcaram a Europa após a Segunda Guerra Mundial. A produção, segundo pessoas ligadas ao projeto, não tem ligação direta com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

À Folha, a Passos da Liberdade confirmou a existência de contrato com o PL para prestação de serviços de comunicação institucional, com entrega de produto audiovisual. A entidade afirmou que a contratação não se confunde com pré-campanha, campanha eleitoral, propaganda eleitoral ou promoção pessoal de dirigentes da organização.

A ONG também declarou que o presidente da entidade não recebeu remuneração, honorários ou vantagem pessoal em razão do contrato. Sobre detalhes do serviço prestado ao partido, a organização informou que não poderia comentar o objeto por causa de cláusula de confidencialidade.

Outro caso

Esta não é a primeira vez que o nome de Pollon aparece associado à destinação de emendas para projetos culturais ligados a entidades privadas. Em junho, o Correio do Estado mostrou que o deputado sul-mato-grossense foi citado em apuração envolvendo emendas destinadas a organizações ligadas à empresária Karina Ferreira da Gama.

Ela administra o Instituto Conhecer Brasil (ICB), alvo de operação da Polícia Civil de São Paulo por suspeitas de fraude e possível desvio de recursos públicos em contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação e manutenção de pontos de internet sem fio.

No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Flávio Dino determinou que parlamentares prestassem esclarecimentos sobre emendas destinadas a entidades ligadas à empresária. Entre os projetos citados estava “Heróis Nacionais - Filhos do Brasil que não se rendem”, que, segundo informações encaminhadas ao STF, teria recebido indicação de R$ 1 milhão feita por Pollon.

Contudo, conforme esclarecimentos apresentados pelo parlamentar, a iniciativa não avançou devido ao não cumprimento de requisitos técnicos necessários para sua execução. Diante disso, foi solicitado o redirecionamento dos recursos para o Hospital de Amor de Barretos, em São Paulo. A defesa sustentou ainda que, como não houve execução, não haveria desvio de finalidade nem irregularidade material na aplicação dos recursos.

Sobre o novo repasse de R$ 200 mil à Passos da Liberdade, a reportagem entrou em contato com a assessoria de Marcos Pollon, que encaminhou a seguinte nota:

"A emenda foi destinada, de forma legal e transparente, a uma entidade legalmente apta à produção do documentário, que aborda os regimes genocidas e totalitários que marcaram a Europa e influenciaram a América Latina e que tem lançamento previsto para 15 de Julho deste ano. A escolha decorreu justamente da relevância histórica e cultural do projeto, que trata de um tema frequentemente ignorado pela produção audiovisual brasileira.

A esquerda travou uma guerra cultural durante décadas utilizando recursos públicos para financiar apenas a sua própria narrativa. Quando surge um projeto que apresenta uma visão diferente, tentam transformar um ato absolutamente legal em escândalo. Se fosse mais uma produção alinhada à esquerda, dificilmente essa emenda seria questionada.

A aplicação dos recursos seguirá o plano de trabalho aprovado, e a prestação de contas será realizada pela própria entidade, dentro dos prazos e das exigências legais estabelecidos no instrumento firmado com o Ministério da Cultura."

Supremo Tribunal Federal

STF tem maioria a favor de liberação mais restrita de 'penduricalhos'

Esses benefícios são verbas indenizatórias que não entram no cálculo do teto do funcionalismo público

30/06/2026 21h00

Supremo Tribunal Federal (STF)

Supremo Tribunal Federal (STF) Crédito: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Continue Lendo...

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria favorável à liberação mais restrita dos "penduricalhos" a magistrados e membros do Ministério Público (MP). Esses benefícios são verbas indenizatórias que não entram no cálculo do teto do funcionalismo público. O julgamento será encerrado às 23h59 desta terça-feira, 30, e todos os ministros já votaram.

O último voto foi o da ministra Cármen Lúcia, que seguiu a corrente aberta pelos relatores: Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. Na última sexta-feira, 26, eles apresentaram um voto conjunto para recuar em alguns pontos em relação à decisão de março que limitou os "penduricalhos". Também votou nesse sentido o presidente da Corte, Edson Fachin.

Um dos principais recuos dos ministros foi a autorização para que os tribunais e unidades do MP convertam em dinheiro as horas extras do plantão presencial. No caso de plantão virtual, os magistrados e promotores só poderão receber pelas horas em que foram efetivamente acionados.

Os ministros também deram permissão para que tribunais e unidades do Ministério Público paguem por períodos de férias, licenças-prêmio e plantões judiciais adquiridos antes da data da decisão de março.

A maioria dos ministros estabeleceu que todos esses adicionais precisam respeitar o teto de 35% do teto do funcionalismo - equivalente ao salário de um ministro do STF (R$ 46,3 mil) - que foi estabelecido na decisão de março.

Outro afrouxamento em relação à decisão de março é a possibilidade de pagar a valorização por tempo de antiguidade na carreira (PVTAC) simultaneamente ao Adicional por Tempo de Serviço (ATS), também conhecido como quinquênio.

Os dois têm o mesmo objetivo: conferem um adicional de 5% nos salários a cada cinco anos trabalhados, até o máximo de 35 anos. Os ministros apenas vedaram que os benefícios utilizem o mesmo tempo de atividade para o cálculo.

No sábado, 27, o ministro Luiz Fux divergiu dos colegas no estabelecimento do teto máximo de 35% para as verbas adicionais ao salário. Ele foi acompanhado pelos ministros Dias Toffoli, André Mendonça e Nunes Marques.

Fachin faz ressalvas

Apesar de seguir a maioria para manter o limite de 35% do teto para os adicionais, Fachin fez ressalvas em relação à inclusão das diárias nesse teto. Ele também destacou a competência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para disciplinar a incidência desse limite.

"Submeter o pagamento de rubrica como a das diárias, por exemplo, ao mesmo regime limitador mensal em que se insere o auxílio moradia, poderia esvaziar a possibilidade de que juízes que se encontrem convocados para atuar perante o Conselho Nacional de Justiça e, que, residam necessariamente em Brasília por força dessa convocação, possam tomar parte em projetos como mutirões, Justiça itinerante, inspeções, correições etc", afirmou.

Ex-primeira-dama

Michelle Bolsonaro deixa comando do PL Mulher em meio a crise interna no partido

Ex-primeira-dama anuncia saída para se dedicar à família; decisão ocorre após desgaste público com Flávio Bolsonaro e amplia incertezas sobre seu futuro político

30/06/2026 20h25

Continue Lendo...

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou nesta terça-feira (30) que deixou a presidência do PL Mulher, segmento feminino do Partido Liberal.

Em comunicado divulgado após reunião com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, Michelle afirmou que a decisão foi tomada em conjunto com o ex-presidente Jair Bolsonaro e tem como objetivo permitir que ela se dedique integralmente aos cuidados do marido e da filha.

A saída ocorre poucos dias depois de uma crise pública envolvendo o senador Flávio Bolsonaro. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Michelle afirmou ter sido "humilhada", "desrespeitada" e "maltratada" pelo enteado durante uma ligação telefônica motivada por divergências sobre os rumos políticos do partido no Ceará.

Segundo ela, o episódio representou uma ruptura na relação política entre ambos.

Após a repercussão, Flávio Bolsonaro divulgou um pedido público de desculpas, afirmando que jamais teve a intenção de ofender Michelle.

Apesar da manifestação, o episódio expôs um dos momentos de maior tensão interna já registrados entre integrantes da família Bolsonaro e provocou novos questionamentos sobre a condução da estratégia eleitoral do grupo para as eleições deste ano.

Em nota, Michelle afirmou que deixa o comando do PL Mulher com sentimento de gratidão pelo trabalho desenvolvido ao longo de sua gestão.

Ela destacou que, durante o período em que esteve à frente do segmento, o partido ampliou sua presença entre o eleitorado feminino por meio da criação de diretórios estaduais e municipais e da formação de lideranças locais.

Também agradeceu às dirigentes do movimento e ao presidente do partido pela autonomia concedida durante sua atuação.

Nos bastidores, a decisão é interpretada como um novo capítulo da disputa interna no campo bolsonarista.

Michelle vinha desempenhando papel estratégico na aproximação do partido com o eleitorado feminino e era considerada uma das principais lideranças nacionais da legenda, além de ser apontada como possível candidata ao Senado pelo Distrito Federal.

O comunicado divulgado nesta terça-feira, entretanto, não faz referência ao futuro eleitoral da ex-primeira-dama, mantendo indefinições sobre seus próximos passos políticos.

A saída também representa uma mudança significativa na estrutura do PL às vésperas da campanha eleitoral.

O PL Mulher era uma das principais vitrines políticas de Michelle Bolsonaro e concentrava boa parte de sua agenda pública, com viagens pelo país, encontros com lideranças femininas e articulações partidárias.

Sua atuação era vista por aliados como um dos principais instrumentos para ampliar a participação das mulheres na legenda e fortalecer candidaturas ligadas ao partido.

Embora a nota oficial atribua a decisão exclusivamente à necessidade de dedicar mais tempo à família, o anúncio ocorre em um cenário de forte desgaste interno e amplia as dúvidas sobre o espaço que Michelle ocupará na estratégia política do grupo liderado por Jair Bolsonaro nos próximos meses.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).