Política

Eleições municipais

PP e MDB disputarão posto de "segundo maior" em aliança comandada pelo PSDB

Enquanto o PP cresce ao filiar a prefeita da Capital, MDB renova confiança no governo Riedel e monta estratégia para 2024

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Depois de garantir a filiação da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, o Progressistas (PP) chegará a 22 prefeitos no Estado e deve protagonizar, nas próximas eleições, uma grande disputa com o MDB pelo posto de segundo partido mais importante na aliança capitaneada pelo PSDB. 

Apesar de o MDB ter uma quantidade bem inferior de prefeitos que o PP, a expectativa na direção dos emedebistas é de que o partido tenha um maior número de prefeitos nas próximas eleições municipais. A meta até setembro, conforme informou o presidente do partido, o deputado estadual Junior Mochi, é de que a legenda faça pelo menos 15 prefeitos nas próximas eleições. 
]As próximas eleições, por sinal, também servirão para que os partidos estabeleçam os seus tamanhos exatos e até podem ir dentro da aliança, que deverá alcançar os três partidos. O PSDB, no momento, tem 40 prefeitos; o PP terá 22 com a filiação de Adriane; e o MDB tem 9. Juntos, os três partidos somam 71 prefeitos e governam a esmagadora maioria da população de MS, que tem, ao todo, 79 municípios. 

O Correio do Estado apurou que a acomodação dos interesses de cada um desses três partidos não será nada fácil para planejar as próximas eleições municipais e que a chance é que eles acabem se enfrentando em algumas cidades. Em Campo Grande, por exemplo, um enfrentamento entre Adriane Lopes (PP) e o deputado federal Beto Pereira (PSDB) é totalmente plausível.

E até mesmo dentro do MDB uma última tentativa de André Puccinelli se candidatar a um cargo do Executivo não é completamente descartada. 

Em Dourados, cidade governada por Alan Guedes (PP), também não estão descartadas as possibilidades de enfrentamento entre um dos três partidos da aliança. Apesar de esta chance ser mais remota do que na Capital, ainda há a necessidade de uma composição entre as alianças. 

Nos bastidores, por ser o segundo maior partido da aliança, o PP é o que mais tem desconfianças dos dois lados. Recentemente, sua cúpula dentro do governo de Eduardo Riedel foi toda remanejada, e o presidente estadual do partido, Marco Aurélio Santullo, deixou o governo. Oficialmente, os motivos são administrativos, mas o fato é que o presidente do partido, que tem a senadora Tereza Cristina como sua maior liderança, deixou o governo em meio às trocas. 

Na semana passada, outro sinal de alerta foi aceso na cúpula do PP: o temor de o MDB crescer à sua sombra, ao firmar aliança para a reeleição de Eduardo Riedel (PSDB) antes mesmo de o atual governador completar seis meses no cargo. Na executiva do MDB, interlocutores já afirmam que não pouparão conversas e articulação para ter os prefeitos que perderam para o PP nos últimos quatro anos de volta. 

O acordo entre tucanos e emedebistas fez até mesmo a cúpula do PSDB recuar após sinais enviados pelas lideranças do PP, que pediram para confirmar se o partido ainda seria o braço direito tucano da aliança. É bom frisar que, além da senadora Tereza Cristina, o vice-governador Barbosinha também é do PP (apesar de na década passada, quando André Puccinelli era governador, já ter sido filiado ao MDB e ter dirigido a Sanesul). 

A disputa entre PP e MDB também é claramente visível na Prefeitura de Campo Grande. Depois do anúncio de que Adriane Lopes se filiaria ao PP, a prefeita da Capital convidou o vereador João Rocha (PP, mas ex-tucano) para assumir a Secretaria de Governo, que era ocupada pelo ex-vereador Mário César, filiado ao MDB e muito ligado a André Puccinelli.

A distância, conforme apurou o Correio do Estado, o PSDB, patrono da aliança, administra a disputa por espaço entre os dois partidos. 

71 prefeitos 

Juntos, PSDB, PP e MDB têm a esmagadora maioria dos prefeitos de Mato Grosso do Sul. Os tucanos têm o maior número de prefeituras sob seu comando: 40 ao todo, mas os filiados ao PP se destacam por comandar as duas maiores cidades do Estado: Campo Grande (a prefeita Adriane Lopes se filiará em breve) e Dourados.

Já o MDB, que já foi o maior partido de Mato Grosso do Sul, tem nove prefeitos e pretende crescer ao renovar a sua aliança com o PSDB visando 2024. 

ELEIÇÕES 2026

Augusto Cury omitiu empresas nos Estados Unidos e no Brasil em declaração ao TSE

O candidato à presidente declarou um patrimônio de R$ 242,2 milhões à Justiça Eleitoral, mas não informou suas participações em três empresas sediadas na Flórida, além de duas firmas no Brasil

06/09/2026 17h00

Augusto Cury, escritor e candidato à Presidência da República

Augusto Cury, escritor e candidato à Presidência da República Foto: Felipe Machado/Correio do Estado

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O presidenciável Augusto Cury (Avante) omitiu empresas das quais é sócio na autodeclaração de bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O candidato a presidente declarou um patrimônio de R$ 242,2 milhões à Justiça Eleitoral, mas não informou suas participações em três empresas sediadas na Flórida, nos Estados Unidos, além de duas firmas no Brasil. A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estadão.

Em nota, a campanha de Cury informou que as participações omitidas são "inexpressivas" no patrimônio do candidato, que foi construído "de forma lícita". A equipe do empresário também disse que "eventuais inconsistências" serão corrigidas. O pedido de retificação não havia sido enviado até a manhã deste domingo, 6.

Ao TSE, Cury declarou ter participações societárias de sete empresas, entre firmas sediadas no Brasil e no exterior. Segundo a Folha, cinco companhias das quais ele é sócio ficaram de fora da declaração. Três delas estão sediadas na Flórida: a Cury Academia Comportamental, a Contemplare Investments e a Free Mind Publish.

No Brasil, Cury não declarou a sociedade na Contemplare e na Academia de Pensar e Brincar, ambas sediadas em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Escritor de livros de autoajuda, Cury aparece em terceiro lugar na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, 2. Com 10% das intenções de voto nos dois cenários avaliados pelo levantamento, o candidato cresceu oito pontos em relação à rodada anterior da pesquisa. Apesar da guinada, ele ainda está distante dos candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que polarizam a disputa.

Cury tem tido um reforço em suas redes sociais: o apoio de um exército de microinfluenciadores que não costumam publicar conteúdo sobre política nem demonstrar interesse pelo tema, além de profissionais ligados ao coach Pablo Marçal, também presidenciável pelo PRTB.

Postura

Senado não pode se omitir diante dos fatos que envolvem STF, diz Tereza Cristina

Ex-ministra de Bolsonaro é tida como uma das principais líderes da oposição no Legislativo

06/09/2026 13h45

Tereza Cristina

Tereza Cristina Andressa Anholete/Agência Senado

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Líder do PP, a senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina defendeu que o Senado não se omita diante do fatos que envolvem o Supremo Tribunal Federal.

"O Senado Federal tem responsabilidades constitucionais e não pode se omitir. A ampla defesa deve ser garantida a todos, mas não podemos ignorar suspeitas gravíssimas. Temos de buscar a verdade. Sempre com independência, transparência e respeito à Constituição", escreveu a senadora em publicação no Instagram.

Sem mencionar diretamente as revelações da última semana em que a Polícia Federal (PF) mostrou diálogos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro do STF Alexandre de Moraes, Tereza Cristina disse que a população está "estarrecida".

"A população brasileira está estarrecida com os fatos que envolvem hoje o STF. E com razão. A sociedade não pode perder a confiança nas nossas instituições. Nenhuma autoridade está acima da lei", continuou a senadora que também é vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária no Senado.

Após a revelação da PF, senadores protocolaram novos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes e pressionam a presidência da Casa pela abertura dos processos.

Segundo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), há 109 solicitações no Congresso de impeachment dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal. O Senado tem a competência constitucional de processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade.

Lider da oposição

Tereza Cristina foi contra a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que põe fim à escala 6x1, aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na última quarta-feira (2).

Além dela, os senadores Jaime Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Rogerio Marinho (PL-RN) também foram contrários ao texto aprovado. 

Em sua justificativa, destacou não ser contrária à redução trabalhista e sim a pressa sobre a aprovação do texto sem a construção do debate necessário por parte dos senadores. 

"Eu acho muito complicada a definição de um texto constitucional de uma escala fixa, para que todos os tipos de atividades, sem considerar as diversas realidades do mercado de trabalho. Seria preciso uma nova Pec. O tema é de extrema importancia, mas a pressa da votação é o que me traz preocupação, ninguem pode fazer uma lei para um pais tão continental quanto o nosso, tão diverso quanto o nosso, tantas cadeias produtivas quanto o nosso sem uma discussão aprofundada", declarou a senadora. 

Na sequência, destacou que o papel dos senadores acerca da proposta não deveria ser somente de "carimbar" proposições advindas da Câmara dos Deputados. O nome da senadora é especulado para presidir o Senado no próximo ciclo, substituindo Davi Alcolumbre (União-AP)

Encaminhamento

Caso o texto seja aprovado pelos senadores sem alterações, poderá seguir para promulgação. Se houver mudanças no conteúdo aprovado pela Câmara, a proposta terá de retornar aos deputados para nova análise.

Se a PEC for aprovada pelo Plenário e posteriormente promulgada, a jornada máxima semanal será reduzida de 44 para 40 horas, mantido o limite de oito horas diárias.

A Constituição também passará a garantir dois dias de repouso semanal remunerado, com preferência para que um deles seja aos domingos.

A redução da jornada não poderá resultar em diminuição dos salários, o que inclui os pisos das categorias.

A mudança será implantada em duas etapas. Dois meses após a promulgação, a jornada máxima cairá para 42 horas semanais. Um ano depois do encerramento dessa primeira etapa, o limite passará para 40 horas.

A negociação coletiva continuará permitida para definir mecanismos de compensação de horários e regimes de descanso, desde que sejam respeitados os novos limites constitucionais.

Com informações de Estadão Conteúdo 

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