Política

eleições 2022

PRE condiciona aprovação de contas de Marquinhos a pagamento de R$ 150 mil

Relatório de diligência do TRE-MS encontrou possível irregularidade na locação de uma aeronave no valor de R$ 80 mil

Continue lendo...

Perecer do procurador regional eleitoral Pedro Gabriel Siqueira Gonçalves condicionou a aprovação das contas da campanha eleitoral do ex-prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad (PSD) a governador de Mato Grosso do Sul nas eleições gerais do ano passado ao pagamento de R$ 150.249,50 aos cofres do Tesouro Nacional.

No parecer, o procurador regional eleitoral destacou que, como os recursos financeiros aplicados na campanha eleitoral de Marquinhos Trad para governador foram majoritariamente de natureza pública e de destinação vinculada, cuja utilização deve se pautar pela máxima transparência e probidade, “conclui-se que não foram suficientemente comprovadas as despesas declaradas no bojo da presente, a atrair o disposto no art. 74, inc. II, da Resolução TSE nº 23.607”.

Por isso, prosseguiu Pedro Gabriel, “diante das irregularidades apontadas, mostra-se necessária a anotação de ressalvas, devendo os prestadores serem condenados ao recolhimento dos recursos irregularmente empregados aos cofres do Tesouro Nacional”. 

RELATÓRIO

O parecer aponta também que o relatório de diligências pela seção de contas eleitorais e anuais do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) solicitou que fossem comprovadas as despesas com a locação de uma aeronave e que o locador seria o proprietário do avião, bem como fossem apresentados os relatórios de viagens, caso tivessem mesmo sido realizadas.

Outra solicitação contida no relatório pediu a contextualização de como, onde e quando foram prestados os serviços de despesas com locações de mobiliários, bem como comprovasse os eventos em que houve a efetiva utilização de 40 mil cadeiras plásticas e 200 caixas térmicas.

Sobre as despesas com combustíveis, o relatório demonstrou que foram identificados cupons fiscais eletrônicos não acobertados pelas notas fiscais. “Após a emissão do relatório, os prestadores foram intimados para esclarecimento das inconsistências, mas o prazo transcorreu in albis [em branco]”, destacou o procurador regional eleitoral, manifestando pela aprovação das contas de campanha de Marquinhos Trad, mas com ressalvas.

DETALHAMENTO

Sobre a despesa com locação de aeronave, no valor de R$ 80 mil, foi solicitado que o prestador apresentasse os relatórios de viagens e que comprovasse que o locador é proprietário do bem.

“Tendo decorrido in albis [em branco] o prazo, tem-se que o prestador alugou uma aeronave, mas não a utilizou, bem como não se sabe se o locador é proprietário do bem. Desta feita, pelos documentos acostados, conclui-se que houve simulação de despesa, posto que o prestador gastou recursos públicos sem contrapartida, impondo-se a devolução dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha [FEFC] utilizados”, explicou Pedro Gabriel.

A respeito das despesas com locações de mobiliários, foi solicitado que o prestador comprovasse a efetiva prestação dos serviços, pois a diligência foi solicitada em razão do alto volume de bens locados, no montante de 40 mil cadeiras e 200 caixas térmicas, no valor total de R$ 70 mil.

“Bastaria, na verdade, o prestador apresentar comprovação [fotos ou vídeos] dos eventos em que fez uso dos materiais. Tendo decorrido in albis o prazo, conclui-se, novamente, que houve simulação de contratação, posto que o prestador gastou recursos públicos sem contrapartida, impondo-se a devolução dos recursos do FEFC utilizados”, reforçou o procurador regional eleitoral.

Já sobre as despesas com combustíveis, foram apontados cupons fiscais que não foram acobertados pelas notas fiscais.

“Não tendo o prestador esclarecido a situação ou providenciado o cancelamento dos documentos, conclui-se pela omissão de gastos, no valor de R$ 249,50, que se caracterizam como doação de pessoa jurídica. Ante o exposto, considerando a natureza e os valores das inconsistências, sugere-se a aprovação com ressalvas das contas, com a devolução de R$ 150.249,50 ao Tesouro Nacional, conforme abordado no tópico 5 deste parecer”, finalizou.

OUTRO LADO

O Correio do Estado entrou em contato com o ex-prefeito Marquinhos Trad, que solicitou à reportagem que procurasse os seus advogados, José Rizkallah Júnior e Letícia Arrais Miranda.

A solicitação foi atendida e o advogado José Rizkallah disse que as irregularidades apontadas pelo parecer do procurador regional eleitoral foram sanadas nos autos. “São questões que outros candidatos já tiveram que se defender”, declarou.

Conforme manifestação feita pela defesa de Marquinhos Trad ao procurador regional eleitoral Pedro Gabriel, os documentos solicitados teriam sido juntados após a sentença que aprovou com ressalvas as contas do candidato para afastar a determinação de devolução de valores ao Tesouro Nacional, evitando o enriquecimento ilícito do ente público.

“A finalidade da prestação de contas foi cumprida dentro do prazo e antes da emissão do parecer conclusivo, e apenas a entrega da mídia restou prejudicada, por disposição do próprio TRE-MS, que não realiza atendimento aos sábados e domingos. Nesse contexto, qualquer condenação do prestador para devolver R$ 150.249,50 para os cofres públicos, sendo que os gastos estão devidamente comprovados, viola os princípios da razoabilidade e proporcionalidade”, pontuou a defesa.

Em razão disso, os advogados requereram a apreciação dos pedidos constantes na manifestação para que sejam consideradas sanadas as exigências pela documentação ora juntada e também via SPCE, não analisadas no parecer conclusivo.

“Subsidiariamente, não sendo o entendimento pela aprovação das contas sem ressalvas, pugna-se pelo conhecimento da documentação juntada para o fim de afastar o enriquecimento ilícito por meio do recolhimento desarrazoado de R$ 150.249,50 ao Tesouro Nacional”, finalizou.

Política

Partidos têm até o dia 15 para registrarem candidaturas nos tribunais

Dos partidos registrados no TSE, 13 indicaram candidatos à Presidência

09/08/2026 19h00

Eleições

Eleições Gerson Oliveira/Correio do Estado

Continue Lendo...

Termina às 19h do dia 15 de agosto o prazo para os partidos registrarem as candidaturas para as eleições deste ano. Com o fim das convenções partidárias, cujo prazo para realização terminou na quarta-feira (5), agora os partidos devem registrar os candidatos nos tribunais eleitorais.

Para candidatos a presidente e a vice-presidente da República, as solicitações serão feitas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE); para senador, deputado federal, governador e vice-governador, deputado distrital e deputado estadual, nos tribunais regionais eleitorais. 

Dos 30 partidos registrados no TSE, 13 têm candidatos à Presidência da República. Os demais anunciaram apoio a candidatos de legendas diferentes à sua ou declararam neutralidade na corrida presidencial.

A decisão pela neutralidade é um sinal de que o partido volta seus esforços para os estados, em um trabalho para ter bancadas significativas nas assembleias legislativas, na Câmara dos Deputados e no Senado.

Candidatos a presidente da República confirmados nas convenções nacionais:

Augusto Cury (Avante)

Clariana Barão (DC)

Edmilson Costa (PCB)

Flávio Bolsonaro (PL)

Hertz Dias (PSTU)

Leonardo Avalanche (PRTB)

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Renan Santos (Missão)

Romeu Zema (Novo)

Ronaldo Caiado (PSD)

Rui Costa Pimenta (PCO)

Samara Martins (UP)

Wilson Grassi Júnior (Democrata)

Essas candidaturas, no entanto, precisam ser confirmadas com o registro junto ao TSE.

Consulta

Após registrado, o candidato aparece no sistema do tribunal eleitoral, que pode ser consultado por qualquer cidadão. No sistema DivulgaCand é possível encontrar informações detalhadas sobre todos os candidatos que pediram registro à Justiça Eleitoral, entre as quais as suas contas eleitorais e as dos partidos políticos.

Eleições 2026

Riedel e adversários podem gastar até R$ 9,3 milhões na corrida pelo Governo

Até o momento, sistema de candidaturas possui registro de apenas três postulantes à governadoria

09/08/2026 15h30

Eduardo Riedel

Eduardo Riedel Marcelo Victor / Correio do Estado

Continue Lendo...

Candidato à reeleição, o governador Eduardo Riedel (PP) e os demais postulantes ao Governo do Estado poderão movimentar até R$ 9,3 milhões de reais durante a campanha eleitoral de 2026.

Riedel registrou candidatura com limite de gastos de R$ 6.226.082,16 no primeiro turno e, caso avance para a segunda etapa, poderá gastar mais R$ 3.113.041,08, métrica que se aplica aos demais candidatos.

O registro de candidatura do atual governador foi o segundo a ser formalizado e consta no sistema da Justiça Eleitoral como “aguardando julgamento”. Antes dele, Lucien Rezende (PSOL) havia registrado a candidatura. Também já aparece no sistema o nome do ex-deputado federal Fábio Trad, candidato do PT ao Executivo estadual.

Além do teto de gastos, os registros eleitorais também permitem visualizar o patrimônio declarado pelos candidatos.

Riedel informou à Justiça Eleitoral possuir R$ 16.147.849,34 em bens, valor 22,16% inferior ao declarado nas eleições de 2022, quando informou patrimônio de R$ 20.744.288,42. A diferença é de aproximadamente R$ 4,6 milhões.

O patrimônio do governador é concentrado principalmente em bens relacionados à atividade rural. Entre os itens de maior valor estão R$ 12,25 milhões em bens vinculados à atividade rural e R$ 2,08 milhões correspondentes a 521 cabeças de gado. Riedel também declarou R$ 624,3 mil em créditos a receber e R$ 439,7 mil mantidos em contas correntes, poupança e investimentos bancários.

Na relação de veículos, aparecem uma Ford Ranger 2024, avaliada em R$ 321,8 mil, uma Ford Edge 2011, de R$ 96 mil, e uma motocicleta BMW 2026, declarada por R$ 113,9 mil. O candidato também informou participações em cooperativas e outras empresas, incluindo uma quota de R$ 95,5 mil no Sicredi Centro Sul MS/BA e outra de R$ 60,7 mil na Cooperativa de Plantadores de Cana de São Paulo.

Adversários 

Primeiro candidato a registrar a candidatura ao Governo de Mato Grosso do Sul em 2026, Lucien Rezende (PSOL) declarou patrimônio de R$ 500 mil. O valor representa crescimento em relação à declaração apresentada nas eleições municipais de 2024, quando disputou a Prefeitura de Ribas do Rio Pardo e informou cerca de R$ 135 mil em bens.

Na declaração deste ano, o patrimônio de Rezende é composto por dois imóveis, cada um avaliado em R$ 250 mil.

Já Fábio Trad, candidato do PT ao Governo do Estado, declarou patrimônio de aproximadamente R$ 3,6 milhões. O ex-deputado federal possui terrenos, veículos e valores aplicados no sistema financeiro, que representam parcela significativa dos bens informados à Justiça Eleitoral. 

Em comparação com o atual governador, Trad aumentou seu patrimônio em 55%, crescimento de R$ 1,2 milhão nos últimos quatro anos. 

O partido tenta retomar o controle sobre a governadora estadual após quase 20 anos. Último governo petista de Mato Grosso do Sul foi de Zeca do PT, líder executivo por dois mandatos entre 1999 e 2007.

Eduardo Riedel Fábio Trad durante a convenção nacional do PT /  Divulgação 

A definição dos registros ainda depende da análise da Justiça Eleitoral. Além dos citados, o deputado estadual João Henrique Catan (Novo) também é considerado nome que pode conquistar número expressivo de votos em 2026, contudo, sua candidatura não consta no sistema eleitoral até o momento de publicação desta matéria.

Além dele, o ex-senador Delcídio do Amaral (PRD) também declarou disputar o controle sobre a governadoria, assim como Daniel Lemes (PCO), Jeferson Bezerra (Agir) e Renato Gomes (DC). 

Cabe destacar que os candidatos devem formalizar sua respectivas candidaturas até o próximo sábado (15). 

*Saiba 

O limite de gastos representa o teto permitido para cada candidatura e não significa que os candidatos necessariamente utilizarão todo o valor autorizado.

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).