Política

MENSALÃO

Presos falam em regalias para condenados

Presos falam em regalias para condenados

FOLHAPRESS

14/04/2014 - 00h00
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Depoimento de dois presos dado à Justiça do Distrito Federal fala em regalias a condenados do processo do mensalão durante o café da manhã. Segundo os detentos, em vez de um "todão com leite em pó e água", o "café do mensalão" contava com "café e leite puro", além de frutas. Os depoimentos foram prestados mês passado por Leandro Marques Domingues e Renato Cesar Reis. Ambos são acusados de tráfico de drogas dentro do presídio.
Responsáveis por entregar cafés da manhã em algumas celas, os dois alegam que não traficaram drogas durante a entrega das refeições, e que estão sendo perseguidos desde que um deles pegou parte da suposta alimentação diferenciada servida aos presos do mensalão.

"Os agentes já tinham problemas com Renato, em razão do café do 'mensalão"; que Renato, como não tinha visita pegava um pouco do café do 'mensalão"; que o café dos internos é um 'todão com leite em pó e água" e o café do 'mensalão" é café e leite puro, com uma fruta; que os demais internos não têm fruta", diz Leandro em seu depoimento. Renato, por sua vez, diz que "foi chamado atenção quando pagava o café para as pessoas do mensalão (...) que os presos do mensalão são os únicos que recebem café puro, além de duas frutas; que o interrogando alegou que como preso também teria direito a café; que depois desse fato, acredita que pode ter sido perseguido em razão desse problema".

Como os dois são acusados de tráfico de drogas, os depoimentos foram prestados numa Vara de Entorpecentes de Brasília e serão remetidos à Vara de Execuções Penais do Distrito Federal para apuração das supostas regalias concedidas aos presos do mensalão.
Apesar do depoimento dos presos ter sido tomado no mês passado, os fatos relatados dizem respeito ao início de janeiro. À época, estavam no semiaberto do presídio da Papuda o ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o ex-deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), o ex-deputado Bispo Rodrigues e o ex-tesoureiro do PL, atual PR, Jacinto Lamas.

Além do café da manhã citado pelos detentos, a Vara de Execuções apura se Valdemar infringiu regras do semiaberto quando foi flagrado pela reportagemrecebendo políticos no restaurante onde obteve autorização para trabalhar durante o dia. Além disso, desde a prisão dos condenados do mensalão, denúncias sobre alimentação diferenciada e estacionamento privativo na unidade destinada a presos com autorização para trabalhar fora do presídio já chegaram à Vara de Execuções Penais. Devido a elas, Delúbio Soares chegou a ter suspensa sua autorização para o trabalho externo. Ele recuperou o benefício no último dia 19. Desde as primeiras denúncias os advogados dos condenados negam qualquer tipo de regalia oferecida a seus clientes no presídio.

O advogado de Dirceu, José Luis Oliveira Lima, voltou a negar regalias e disse que os presos podem complementar sua alimentação comprando itens no presídio. "Em primeiro lugar, não há regalias. Em segundo, todo preso pode complementar suas refeições desde que compre formalmente na cantina do presídio", disse. O diretor do presídio onde o café diferenciado estaria sendo servido, Márcory Mohn, disse que não iria comentar a denúncia dos presos. A secretaria de Segurança do Distrito Federal não respondeu aos questionamentos até a conclusão desta reportagem.
 

abstenção

Mais de 480 mil eleitores de MS que faltaram no 1º turno podem votar normalmente no segundo

Cada turno de votação é uma eleição independente e, caso o eleitor não compareça a nenhum, deve apresentar duas justificativas

05/10/2026 16h15

Cada turno é considerado eleição independente e eleitor faltante no 1º pode votar no segundo

Cada turno é considerado eleição independente e eleitor faltante no 1º pode votar no segundo Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Os 482.860 eleitores que deixaram de votar em Mato Grosso do Sul nesse domingo (4), o que representou uma abstenção de 23,88%. Com um segundo turno confirmado para o dia 25 de outubro, mesmo não tendo comparecido às urnas no primeiro turno, estes eleitores poderão vorar normalmente no segundo, desde que estejam com o título regular.

Em todo o Brasil, a abstenção foi de 21,08%, com 33.469.244 eleitores faltantes.

De acordo com Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cada turno de votação é uma eleição independente e, por este motivo, basta comparecer a seção no dia do segundo turno.

No entanto, os eleitores que não foram às urnas no primeiro turno, ainda são obrigados regularizar a situação eleitoral, mesmo que votem no segundo turno. 

A justificativa é necessária para cada turno em que a pessoa deixar de votar. Assim, quem não compareceu no 1º turno e também não puder votar no 2º deverá apresentar uma justificativa para cada ausência, dentro dos respectivos prazos. 

O prazo para quem não votou no primeiro turno vai até 3 de dezembro e a justificativa pode ser apresentada pelo e-Título, pelo serviço de autoatendimento do site do TSE ou presencialmente em qualquer cartório eleitoral.

É obrigatória a apresentação de um documento que comprove o motivo da ausência, como um atestado médico ou bilhete aéreo, entre outros. O pedido será analisado pela autoridade judiciária eleitoral competente. 

Eleitores em viagem no exterior têm até 30 dias após o retorno ao Brasil para apresentar a justificativa. Caso more em outro país e vote em uma zona eleitoral do exterior, só é necessário justificar ausência em eleições presidenciais.

Caso não justifique no prazo, além de regularizar a situação, o eleitor também terá que pagar multa de R$ 3,51 por turno.

O valor poderá ser pago pelo autoatendimento no site do TSE, pelo aplicativo e-Título ou no cartório eleitoral, por meio de Guia de Recolhimento da União (GRU), do Pix ou de cartão de crédito.

Enquanto não regularizar a situação, o eleitor fica com o título eleitoral em situação irregular sujeito a restrições previstas na legislação eleitoral.

Dentre as medidas, estão a impossibilidade de obter certidão de quitação eleitoral e, enquanto não estiver quite, de inscrever-se em concurso ou prova para cargo ou função pública, tomar posse em cargo público, renovar matrícula em estabelecimento de ensino oficial ou fiscalizado pelo governo e praticar atos que dependam da quitação eleitoral. 

A legislação também prevê restrições relacionadas à obtenção de passaporte ou carteira de identidade.

O título eleitoral é cancelado em caso de ausência sem justificativa e regularização em turnos consecutivos.

Poder Político

De Zeca a Riedel, todos os governadores de MS desde 1999 vencem nas urnas

Resultado das Eleições 2026 mantém no poder os quatro políticos que comandaram Mato Grosso do Sul nas últimas quase três décadas; dois estarão na Assembleia, um no Senado e outro seguirá no Governo.

05/10/2026 16h02

Da esquerda para a direita e de cima para baixo, Zeca do PT, Eduardo Riedel, André Puccinelli e Reinaldo Azambuja: os quatro governadores que comandaram Mato Grosso do Sul desde 1999 venceram nas urnas em 2026.

Da esquerda para a direita e de cima para baixo, Zeca do PT, Eduardo Riedel, André Puccinelli e Reinaldo Azambuja: os quatro governadores que comandaram Mato Grosso do Sul desde 1999 venceram nas urnas em 2026. Foto: Reprodução/Instagram/Alems/Montagem: Correio do Estado

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As urnas deste domingo (4) produziram uma fotografia incomum da política de Mato Grosso do Sul. Os quatro políticos que ocuparam, de forma consecutiva, o comando do Estado desde 1999 saíram vitoriosos das Eleições 2026 e continuarão ocupando cargos eletivos a partir do próximo ano.

Zeca do PT, André Puccinelli (MDB), Reinaldo Azambuja (PL) e Eduardo Riedel (PP) representam, juntos, praticamente três décadas da história recente do Governo de Mato Grosso do Sul. Agora, estarão distribuídos entre Assembleia Legislativa, Senado Federal e o próprio Executivo estadual.

O resultado evidencia a capacidade de sobrevivência eleitoral de nomes que atravessaram diferentes momentos políticos, mudanças partidárias, disputas acirradas e transformações no eleitorado sul-mato-grossense.

Mesmo depois de deixarem o Parque dos Poderes, os ex-governadores mantiveram força suficiente para voltar, ou permanecer, no centro das decisões políticas do Estado.

Quatro governadores, quatro vitórias

O primeiro dessa sequência é José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, que governou Mato Grosso do Sul por dois mandatos consecutivos, entre 1999 e 2006.

Neste domingo, ele garantiu novamente uma cadeira na Assembleia Legislativa ao receber 42.714 votos, ficando entre os deputados estaduais mais votados do Estado.

Zeca chegou ao Governo após construir trajetória iniciada no Legislativo. Antes de assumir o Executivo, foi vereador em Campo Grande, deputado estadual e deputado federal.

Depois de deixar o governo, também voltou a ocupar cargos legislativos e, em 2026, assegurou a continuidade de sua presença na Assembleia.

Quem sucedeu Zeca no comando estadual também venceu nas urnas. André Puccinelli (MDB), governador entre 2007 e 2014, foi eleito deputado estadual com 40.602 votos e retornará à Assembleia Legislativa a partir de 2027.

Médico, Puccinelli construiu uma das trajetórias políticas mais extensas do Estado. Foi deputado estadual, deputado federal, prefeito de Campo Grande por dois mandatos e, posteriormente, governador de Mato Grosso do Sul por oito anos.

A eleição deste domingo recoloca o emedebista em um cargo eletivo estadual depois de anos em que seu nome continuou presente nas articulações e disputas políticas.

Com Zeca e Puccinelli eleitos, a Assembleia Legislativa terá, portanto, dois ex-governadores dividindo o plenário durante a próxima legislatura, dois políticos que estiveram em lados diferentes de importantes disputas estaduais e que, juntos, comandaram Mato Grosso do Sul durante 16 anos consecutivos.

Azambuja troca Governo pelo Senado

O terceiro nome da sequência é Reinaldo Azambuja (PL). Sucessor de Puccinelli, ele governou Mato Grosso do Sul entre 2015 e 2022 e voltou às urnas neste ano para disputar uma das duas vagas destinadas ao Estado no Senado Federal.

Azambuja terminou a eleição como o candidato ao Senado mais votado em Mato Grosso do Sul, com 903.554 votos, o equivalente a 34,64% dos votos válidos, e garantiu mandato de oito anos em Brasília. A segunda vaga ficou com Capitão Contar, também do PL.

Antes de chegar ao Governo, Azambuja já havia passado pela Prefeitura de Maracaju, Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados. Agora, acrescentará o Senado à trajetória política e passará a representar Mato Grosso do Sul no Congresso Nacional a partir de fevereiro de 2027.

A vitória mantém Azambuja em posição de influência direta sobre a política estadual, mas agora a partir de Brasília, onde terá participação nas discussões sobre projetos nacionais, orçamento federal e articulação de recursos destinados a Mato Grosso do Sul.

Riedel completa sequência com reeleição

Atual ocupante do cargo, Eduardo Riedel (PP) fechou a sequência de vitórias ao conquistar mais quatro anos à frente do Governo estadual.

Com 100% das urnas apuradas, Riedel recebeu 914.323 votos, ou 67,07% dos votos válidos, e resolveu a disputa já no primeiro turno. Fábio Trad (PT), segundo colocado, terminou com 23,68%.

Riedel assumiu o Governo em janeiro de 2023 depois de vencer as eleições de 2022 no segundo turno. Antes disso, havia ocupado postos estratégicos na administração de Reinaldo Azambuja, entre eles as secretarias estaduais de Governo e de Infraestrutura.

A vitória deste domingo garante sua permanência no Parque dos Poderes até o fim de 2030 e completa um cenário no qual nenhum dos quatro políticos responsáveis pelo comando do Estado desde 1999 saiu derrotado das urnas em 2026.

Quase três décadas ainda presentes no poder

O resultado cria uma configuração simbólica na política de Mato Grosso do Sul. Entre janeiro de 1999 e dezembro de 2026, o Governo do Estado terá sido comandado apenas por Zeca do PT, André Puccinelli, Reinaldo Azambuja e Eduardo Riedel.

A partir de 2027, todos eles continuarão formalmente inseridos na estrutura política: Zeca e Puccinelli na Assembleia Legislativa, Azambuja no Senado e Riedel no Governo do Estado.

Ao mesmo tempo em que as eleições renovaram parte das bancadas estadual e federal, o desempenho dos ex-governadores mostra a permanência de lideranças já conhecidas pelo eleitorado e capazes de conservar capital político mesmo depois de anos e, em alguns casos, décadas, desde a primeira chegada aos principais cargos do Estado.

A composição que sairá das urnas também deverá colocar antigos aliados e adversários em novas posições a partir do próximo ano.

Enquanto Riedel inicia um segundo mandato no Executivo, precisará se relacionar com uma Assembleia que terá dois de seus antecessores e com uma bancada federal que contará com Azambuja no Senado.

Mais do que definir os ocupantes dos cargos pelos próximos anos, portanto, a eleição de 2026 mostrou que os nomes que comandaram Mato Grosso do Sul desde o fim da década de 1990 continuam encontrando espaço nas urnas.

Mudam os cargos, as siglas e as alianças, mas os quatro últimos governadores seguem no centro do poder político sul-mato-grossense.

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