Política

CARTA

Projeto de deputada federal de MS pode 'alterar' a Lei do Pantanal, sancionada nesta 2ª feira

Parlamentar juntou emendas renegadas durante aprovação da nova regra e fez a proposta, entregue à Marina Silva

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Justo no dia do evento que sancionou a Lei do Pantanal, em Campo Grande (MS), nesta segunda-feira (18), professores doutores e pesquisadores de universidades entregaram à ministra Marina Silva (Meio Ambiente), que prestigiou a celebração da Lei do Pantanal, aprovada semana passada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, uma carta em que propuseram “mais ideias” a serem incluídas na regra criada com intuito de preservar a maior área úmida continental do planeta. 

O propósito é mostrar à ministra que o Pantanal seria melhor amparado caso as emendas rejeitadas por parlamentares que abonaram a regra sancionada hoje fossem aceitas. 

A entrega do documento ocorreu por meio de uma parceirada que envolveu a deputada federal campo-grandense Camila Jara, do PT, e o Movimento Juristas pela Democracia de Mato Grosso do Sul.

A congressista juntou as emendas renegadas e criou um projeto de lei que deve ser apresentado até sexta-feira (22), na Câmara dos Deputados. Consta no documento entregue à ministra trechos da proposta. 

As emendas em questão, recusadas pelos deputados de MS, foram produzidas por movimentos sociais, ambientalistas, pesquisadores e também o Ministério Público Estadual. A parlamentar concordou com a proposta que ancorou seu projeto de lei. 

Diz o texto da carta entregue à ministra, logo no início: 

“Em que pese a excelente iniciativa de articular com o governo do estado de Mato Grosso do Sul uma lei que regula a exploração ecologicamente sustentável do Pantanal, há algumas questões que merecem a intervenção urgente do Ministério do Meio Ambiente, pois foram objeto de emendas apresentadas pelo Ministério Público Estadual, por professores universitários e pesquisadores, organizações não governamentais e representações dos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, mas não foram aprovadas pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul”. 

A carta pede à ministra a suspensão, por dois anos, das  autorizações de desmatamento da vegetação nativa na “AUR (Área de Uso Restrito) – Pantanal, período necessário para que seja efetivado o Fundo Clima Pantanal e implementada no âmbito do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), proposta adequada a fim de que os produtores rurais tenham a opção de ser remunerados com recursos do PSA para preservar a vegetação, como alternativa viável em relação à supressão vegetal para o exercício de outras atividades econômicas”. 

Pelo propósito do projeto da deputada federal, “o pagamento por serviços ambientais deverá priorizar a remuneração dos serviços ecossistêmicos prestados pelas comunidades tradicionais ribeirinhas, povos indígenas e quilombolas residentes no Pantanal”. 

Diz ainda a carta que “é importante garantir que o Comitê Gestor do Fundo Clima Pantanal seja composto de forma paritária entre representantes dos governos estadual e federal, da sociedade civil organizada, sendo obrigatória a representação dos povos indígenas, das comunidades tradicionais e não apenas do setor privado pantaneiro”. 

Pesquisadores do Pantanal acham também importante “a proibição da pulverização aérea de agrotóxicos, agroquímicos e pesticidas no Pantanal”. 

O pedido entregue à ministra por Giselle Marques, a coordenadora do Movimento Juristas pela Democracia MS, sustenta também que “é importante garantir, ainda, o respeito às políticas públicas federais e os acordos com instituições e Convenções internacionais como UNESCO - Reserva da Biosfera, Convenção Ramsar - Recomendações CNZU e Convenção da Diversidade Biológica - Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade. 

A carta assim encerra o assunto: 

“No intuito de contemplar essas e outras propostas que foram objeto das emendas aqui mencionadas, estão sendo elas incluídas no projeto de Lei Federal a ser protocolado nesta semana por Camila Jara na Câmara Federal. Pedimos a aprovação da senhora, ministra Marina Silva, que tem sido nossa esperança na conservação ambiental do Pantanal. 

Até agora, a ministra ainda não se manifestou sobre o assunto. 

Saiba aqui mais sobre a cerimônia que marcou a sanção do projeto da Lei do Pantanal

A carta foi assinada por 24 pessoas ligadas à questão:

  1. Giselle Marques – Coordenadora do Movimento Juristas pela Democracia MS/ Pós-Doutora em Meio Ambiente/Doutora em Direito UVA-RJ 

  1. Deputada Federal Camila Jara/PT MS  

  1. Débora Calheiros - Embrapa/MPF 

  1. Alexandra Penedo de Pinho - UFMS / Aliança pela Alimentação adequada e saudável 

  1. Douglas Alves Lopes/Doutorando em Biodiversidade UNESP/Pesquidador associado UFMS/Sociedade Brasileira de Ictiologia 

  1. Geraldo Damasceno Jr/UFMS 

  1. Mauricio de Almeida Gomes/UFMS 

  1. Carlos Gentil Vasconcelos-Biólogo/Diretor do site PLANEWS 

  1. Professor André Luís- Vereador em Campo Grande pela REDE/UFMS 

  1. Vereadora Luíza Ribeiro-PT Campo Grande/ Advogada e Professora Universitária 

  1. Maria Helena Andrade - UFMS 

  1. José Sabino- Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos 

  1. Professora Doutora Eugênia Portela de Siqueira Marques- UFMS/Coordenadora do Setorial de Educação do PT 

  1. Agamenon Rodrigues do Prado-Presidente do Diretório Municipal do PT/Coordenador do Setorial de Meio Ambiente do PT 

  1. Simone Leite Bulhões - Empresária, Administradora e Produtora Cultural - Tribo's Pantanal e Tribo's MS 

  1. Professor Doutor Ariel Ortiz/UFMS 

  1. Deputada Estadual Gleice Jane Barbosa- MS/PT 

  1. Nelson Araújo Filho Instituto AGWA 

  1. Neyla Ferreira Mendes - Defensora Pública 

  1. Maria Cristina Ataide / Advogada 

  1. Ilisyane do Rocio Kmitta - GT História Ambiental/ANPUH NACIONAL 

  1. Cláudio Ribeiro Lopes – UFMS 

  1. Ana Paula Ramaldes/Advogada 

  1. Professora Doutora Silvia Helena Andrade de Brito – Grupo de Estudos sobre Cultura, Educação e Meio Ambiente/CEDAM 

  1. Dra. Natália Marques – Advogada/Mestranda em Meio Ambiente pela UNIDERP/Anhanguera 

 

Articulação

De olho na direita radical, Azambuja busca trazer prefeitos para campanha de Contar

Ex-governador articula transferir ao candidato do PL a base municipal que trabalhava pela reeleição do senador Nelsinho

11/08/2026 07h35

Os candidatos ao Senado Capitão Contar e Reinaldo Azambuja

Os candidatos ao Senado Capitão Contar e Reinaldo Azambuja Reprodução

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O ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) já começou a trabalhar nos bastidores para levar prefeitos que estavam comprometidos com a reeleição do senador Nelsinho Trad (PSD) para a campanha do ex-deputado estadual Capitão Contar (PL) ao Senado.

Conforme apuração do Correio do Estado, Azambuja iniciou conversas com lideranças municipais para consolidar nos municípios a chapa Eduardo Riedel (PP) para a reeleição ao governo e Reinaldo Azambuja e Capitão Contar para as duas vagas ao Senado.

A movimentação ocorre depois de Nelsinho desistir da própria candidatura à reeleição e acertar sua participação como primeiro suplente de Azambuja.

Com a nova composição definida, o esforço agora é direcionado para evitar a dispersão do segundo voto ao Senado entre os prefeitos e as lideranças que estavam comprometidos com Nelsinho.

Azambuja assumiu a missão de aproximar Contar desse grupo e tentar fazer com que os prefeitos incorporem o ex-deputado estadual quando forem pedir votos nos seus municípios.

A estratégia também passa pela tentativa de ampliar a presença dos nomes de Azambuja e Riedel entre os eleitores identificados como a direita mais radical. 

Contar construiu sua trajetória eleitoral ligado ao bolsonarismo e pode funcionar como uma ponte entre a ampla estrutura política reunida em torno de Riedel e Azambuja e de uma parcela do eleitorado mais ideologicamente alinhada à direita.

Ao mesmo tempo, o desafio está no caminho inverso: fazer com que Contar avance entre prefeitos e lideranças políticas que estavam ligados a Nelsinho e que não necessariamente mantinham relação política próxima com o ex-deputado estadual.

Com Nelsinho agora integrado à chapa de Azambuja, a avaliação entre interlocutores do ex-governador é de que existe espaço para que a estrutura municipal que apoiava o senador seja incorporada à campanha dos dois candidatos do PL ao Senado.

A operação é considerada importante porque Nelsinho mantinha uma extensa rede de prefeitos e lideranças municipais comprometidos com sua tentativa de conquistar um novo mandato. 

Com sua saída da disputa, abriu-se uma concorrência pelo destino desse segundo voto. É justamente nesse espaço que Azambuja pretende avançar com o nome de Contar.

A orientação trabalhada nos bastidores é para que os prefeitos da base façam campanha pelo conjunto da chapa, apresentando ao eleitor Riedel para governador e Azambuja e Contar como os dois candidatos ao Senado.

O movimento representa uma nova etapa da reorganização eleitoral provocada pela desistência de Nelsinho.

Se inicialmente o acordo resolveu a composição da chapa de Azambuja, com o senador ocupando a primeira suplência, agora começa o trabalho para transferir aos candidatos que permaneceram na disputa a estrutura política que estava organizada em torno da reeleição do senador.

Para Contar, a articulação pode representar acesso a uma capilaridade municipal que sua candidatura, isoladamente, teria maior dificuldade para construir. 

Os prefeitos são considerados peças importantes nas campanhas majoritárias pela capacidade de mobilização de vereadores, lideranças comunitárias e cabos eleitorais.

Para Azambuja, fechar a base em torno de Contar também reduz o risco de prefeitos aliados a Riedel e ao próprio ex-governador utilizarem o segundo voto para fortalecer candidatos adversários ao Senado.

A estratégia procura, portanto, unir duas forças diferentes dentro da mesma chapa: de um lado, a identificação de Contar com o eleitorado mais radical da direita e, de outro, a estrutura política e municipal construída por Nelsinho.

* Saiba 

Nas eleições deste ano, Mato Grosso do Sul terá duas das três cadeiras do Estado no Senado em disputa. Isso ocorre porque o mandato de senador dura oito anos e a renovação da Casa é feita alternadamente por um terço e dois terços das 81 vagas.

Cada eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes ao Senado. Serão eleitos os dois mais votados no Estado, independentemente de partido ou coligação.

surto

Há crise de sarampo porque a turma do Tarcísio fala mal de vacina, diz Haddad

Declarações foram dadas durante a chamada Sabatina CNN, na noite desta segunda-feira. SP está fazendo mutirão de vacinação contra o sarampo

11/08/2026 07h08

Segundo Haddad,

Segundo Haddad, "inventaram que um cientista americano mentiu sobre a vacina. Distorceram a fala do cara".

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O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira, 10, que integrantes do grupo político do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) difundem críticas às vacinas nas redes sociais, o que contribui para a queda da cobertura vacinal no Estado.

"Estamos tendo crise de sarampo em São Paulo porque essa turma do Tarcísio fica na internet falando mal da vacina", disse o petista durante sabatina da CNN Brasil. Haddad não citou nomes nem indicou publicações específicas.

Segundo o candidato, aliados do governador distorceram recentemente a declaração de um cientista americano para questionar a segurança dos imunizantes. "Agora inventaram que um cientista americano mentiu sobre a vacina. Distorceram a fala do cara. E a cobertura vacinal está caindo", afirmou.

Na semana passada, o Estado de São Paulo confirmou 23 casos de sarampo. Apesar de críticas de bolsonaristas à obrigatoriedade da imunização, Tarcísio disse que a vacina contra o sarampo é "consagrada e segura", antes do debate promovido pela Band TV no domingo, 9.

Haddad acusou ainda a extrema direita de construir um "universo paralelo" e de não lidar com a realidade. "Tem a ver com detergente, tem a ver com vacina, tem a ver com coisas incompreensíveis para uma pessoa de boa-fé", disse.

Nunes e o bolsonarismo

Na sabatina, Haddad também disse que o prefeito da capital paulista e aliado do governador Tarcísio de Freitas, Ricardo Nunes (MDB), integrava a base aliada de sua gestão municipal e passou por uma "transição para o bolsonarismo" nos últimos anos

Nunes e Haddad protagonizaram uma série de atritos recentes. Durante a convenção de Tarcísio, no dia 1º, o prefeito chamou o petista de "professorzinho de nariz empinado". Já no domingo, 9, após o debate promovido pela Band TV, Nunes abordou Haddad no estúdio e o segurou pelo braço para contestar acusações sobre as investigações envolvendo um contrato de R$ 108 milhões para a instalação de pontos de wi-fi na periferia da capital.

Durante sabatina da CNN Brasil, Haddad descreveu Nunes como um vereador "pacato" que liderava o MDB na Câmara Municipal e apoiava os projetos encaminhados pelo Executivo. O petista comandou a Prefeitura de São Paulo entre 2013 e 2016.

"Ele nunca votou contra um projeto de lei do Executivo enquanto fui prefeito. Para mim, essa é uma faceta nova do Ricardo, essa transição para o bolsonarismo", declarou.

Haddad citou como exemplos de propostas aprovadas com o apoio de Nunes a renegociação da dívida municipal, o Plano Diretor, o Código de Obras e a Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo

O candidato também contestou críticas do prefeito à atuação do governo federal e afirmou que, quando comandava o Ministério da Fazenda, autorizou empréstimos para a capital paulista às vésperas da eleição municipal de 2024. "Ele me ligou agradecendo os empréstimos que liberei na Fazenda. Deve estar registrado no telefone dele", disse.

Nunes possui a missão de atuar em prol da campanha de Tarcísio na capital, onde o atual governador perdeu para o petista em 2022.

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