Política

Eleições presidenciais

PT aciona STF contra Flávio Bolsonaro por suposta ajuda dos EUA na campanha

Partido pede à Polícia Federal buscas na sede do PL e apuração de apoio financeiro estrangeiro campanha eleitoral

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O PT entrou com uma ação pedindo que o Supremo Tribunal Federal (STF) investigue supostas interferências estrangeiras nas eleições presidenciais. A solicitação, encaminhada ao ministro Flávio Dino, afirma que “pressões políticas, econômicas e digitais” estariam favorecendo a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto.

O partido pediu que Dino amplie a proteção das eleições contra interferências estrangeiras e proíba financiamento estrangeiro direto ou indireto. Também foi solicitada a abertura de investigação por parte da Polícia Federal, a abertura de depoimentos e até mesmo mandados de busca e apreensão contra o comitê de campanha de Flávio e a sede nacional do PL.

“O PT solicita apreciação urgente diante da proximidade da votação, do risco de continuidade das operações e da necessidade de preservar as provas indispensáveis à investigação”, disse o partido, em nota.

O PT denuncia suspeitas de apoio financeiro ligado à Rockbridge Network, que teria como um dos fundadores o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance. A acusação é a mesma feita pelo candidato do Missão à Presidência, Renan Santos.

Já outra denúncia envolve o fornecimento de documentários e cursos das empresas Brasil Paralelo e do Estúdio Quinto Elemento à Academia da Direita. Segundo o PT, teriam sido oferecidos oito documentários “sem registro correspondente de contratação, despesa ou pagamento nas prestações de contas examinadas”.

O PT argumenta que ao menos 11 perfis do X divulgaram publicidade favorável a Flávio, entre os dias 18 e 21, sem identificarem os financiadores. Segundo o partido, as publicações mencionaram cotações do mercado de previsão Polymarket como se fossem percepções de favoritismo do candidato do PL na campanha.

sem destino

Em 30 dias, candidatos de MS gastaram mais de R$ 3 milhões nas redes sociais

Levantamento feito pela reportagem identificou esse montante em páginas de 35 candidatos no Facebook e também no Instagram

24/09/2026 07h45

Foto: Montagem

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Candidatos de Mato Grosso do Sul movimentaram pelo menos R$ 3,05 milhões em anúncios nas redes sociais no período de 30 dias encerrado no domingo, conforme levantamento realizado pelo Correio do Estado com base na Biblioteca de Anúncios das plataformas Facebook e Instagram, ambas da Meta.

O valor resulta da soma dos gastos registrados em páginas de 35 candidatos identificados no relatório da Biblioteca de Anúncios da empresa. Ao todo, o levantamento contabilizou R$ 3.055.735 em publicidade vinculada às candidaturas ao governo do Estado, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Entre os valores registrados no período estão R$ 711.588 na página do governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição; R$ 313.974 na do ex-deputado estadual Capitão Contar (PL), candidato ao Senado; R$ 285.239 na do deputado federal Marcos Pollon (PL), candidato à reeleição; R$ 195.410 na do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), candidato ao Senado; e R$ 182.081 na do ex-secretário Jaime Verruck (Republicanos), candidato a deputado federal.

Também aparecem no levantamento a deputada estadual Mara Caseiro (PL), candidata a deputada federal, com R$ 112.806; o deputado federal Rodolfo Nogueira (PL), candidato à reeleição, com R$ 84.581; a advogada Luana Ruiz (PL), candidata a deputada federal, com R$ 77.379; o deputado federal Vander Loubet (PT), candidato ao Senado, com R$ 69.503; a deputada federal Camila Jara (PT), candidata à reeleição, com R$ 60.875; o deputado federal Beto Pereira (Republicanos), candidato à reeleição, com R$ 59.754; e o vereador campo-grandense André Salineiro (PL), candidato a deputado estadual, com R$ 57.929.

Na disputa pelo governo, além de Riedel, aparecem o ex-deputado federal Fábio Trad (PT), com R$ 27.134; o deputado estadual João Henrique Catan (Novo), com R$ 23.524; o ex-senador Delcídio do Amaral (PRD), com R$ 6.207; e Lucien Rezende (Psol), com R$ 969. Entre as candidaturas ao Senado, identificadas no arquivo, está ainda o advogado Roberto Oshiro (Novo), com R$ 15.813.

A Biblioteca de Anúncios da Meta reúne dados sobre publicidade relacionada à política e às eleições e permite consultar gastos por anunciante e por período, como 1 dia, 7 dias, 30 dias e 90 dias.

Segundo a empresa, os anúncios políticos veiculados no Facebook e no Instagram ficam disponíveis para consulta pública, acompanhados de informações sobre o responsável pelo pagamento.

O arquivo usado no levantamento corresponde aos 30 dias encerrados no dia 20. A propaganda eleitoral na internet foi autorizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a partir do dia 16 de agosto.

Os dados também não devem ser confundidos com a prestação de contas apresentada pelos candidatos à Justiça Eleitoral. O relatório da Meta registra a publicidade vinculada às páginas e aos responsáveis pelos anúncios. 

Dessa forma, despesas pagas por partidos ou outras estruturas autorizadas podem aparecer associadas à divulgação de determinada candidatura. Além disso, o arquivo não detalha quanto do dinheiro foi aplicado especificamente no Facebook e quanto foi destinado ao Instagram.

Política

Procuradoria-Geral Eleitoral pede ao TSE que barre candidatura de Jerson Domingos

Parecer diz que o ex-conselheiro do TCE-MS atuou como "conselheiro estratégico" da família Name. O TRE-MS havia liberado o registro por maioria, e a defesa aponta que os corréus foram absolvidos no caso do suposto plano de atentado.

23/09/2026 19h37

Jerson Domingos teve o registro de candidatura a deputado estadual mantido pelo TRE-MS, mas decisão é contestada pela Procuradoria-Geral Eleitoral no TSE.

Jerson Domingos teve o registro de candidatura a deputado estadual mantido pelo TRE-MS, mas decisão é contestada pela Procuradoria-Geral Eleitoral no TSE. Foto: Divulgação.

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A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que indefira o registro de candidatura de Jerson Domingos (União Brasil) a deputado estadual em Mato Grosso do Sul. O parecer, assinado em 17 de setembro pelo vice-procurador-geral eleitoral Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, defende que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS) errou ao manter o candidato na disputa.

O caso é relatado pelo ministro Floriano de Azevedo Marques. Até que o TSE julgue o recurso, o registro de Jerson segue deferido.

A PGE se baseia no artigo 17, parágrafo 4º, da Constituição, que proíbe os partidos de utilizar organização paramilitar.

A Procuradoria sustenta que essa vedação pode ser aplicada independentemente de condenação criminal, desde que demonstrada a vinculação do candidato a organização paramilitar ou de natureza congênere.

O documento cita as investigações da Operação Omertà, conduzida pelo Gaeco do Ministério Público de MS. De acordo com as denúncias, Jerson, cunhado de Jamil Name e tio de Jamil Name Filho, atuaria como consigliere do grupo.

Ele teria usado o prestígio do cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado para "solucionar conflitos" da organização. Depois da prisão dos líderes, em 2019, teria feito a ponte entre os presos e os integrantes em liberdade.

Para a PGE, o conjunto desses elementos, incluindo o papel de destaque atribuído a Jerson, o uso de sua posição política e a apreensão de armas em imóveis ligados a ele, é suficiente para justificar o indeferimento do registro.

TRE-MS liberou

Por maioria, o TRE-MS entendeu que o processo reúne apenas material de acusação, sem nenhuma decisão judicial sobre Jerson. Para a Corte, não houve demonstração de domínio territorial armado nem de atos do grupo ligados à campanha de 2026, como financiamento, logística, coação de eleitores ou interferência partidária.

O acórdão destacou que, em 27 de abril deste ano, a 1ª Vara Criminal de Campo Grande absolveu Jamil Name Filho, Marcelo Rios e outros dois réus no caso do suposto plano para matar um promotor, um delegado e um defensor público ligados à Omertà.

O juiz concluiu que as anotações não saíram do presídio e não passaram de atos preparatórios.

O TRE também registrou que as armas encontradas nos imóveis de Jerson eram de uso permitido, do tipo usado em propriedades rurais.

A única ação com desfecho terminou em condenação por posse irregular, com a punibilidade extinta por prescrição. Já o arsenal de guerra apreendido em 2019 estava com Marcelo Rios, e o tribunal entendeu que não pode ser atribuído ao candidato.

Defesa

Nas contrarrazões, Jerson sustenta que não tem condenação por organização criminosa e que a acusação em andamento no STJ se limita a suposto embaraço à investigação. Para a defesa, parentesco e prestígio político não provam participação em estrutura armada.

A Federação União Progressista também pediu a manutenção do registro. O partido nega qualquer contexto de milícia ou organização paramilitar.

Os autos estão conclusos para decisão, ainda sem data para o julgamento.

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