Política

DITADURA

Relação com golpe de 64 é 'mal resolvida', diz biógrafo de Jango

Relação com golpe de 64 é 'mal resolvida', diz biógrafo de Jango

FOLHAPRESS

15/03/2014 - 14h00
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Ao falar da crise política que resultou na queda do presidente João Goulart, o Jango, em 1964, o historiador Jorge Ferreira, autor de uma biografia do presidente deposto, chamou a atenção para o crescente interesse dos brasileiros sobre o golpe que completará 50 anos no dia 31 de março.

"Parece que a relação da sociedade brasileira com esse golpe é um caso mal resolvido", disse ele, citando a enxurrada de livros que está sendo lançada sobre o tema e a proliferação de debates em universidades e institutos de pesquisa. "Dez anos atrás também ocorreram eventos, mas não como hoje. Em 1994 [quando o golpe fez 30 anos] eu nem lembro de qualquer evento", completou. "Parece que quanto mais longe fica, maior o interesse."

Ao lado da pesquisadora Argelina Figueiredo, Ferreira participou da mesa de estreia do seminário "1964: 50 anos depois", promovido pelo Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) em parceria com o Sesc São Paulo. O evento ocorre no Teatro Anchieta, no centro de São Paulo, com apresentações programadas para hoje, amanhã e o dia 25.

O historiador listou interpretações que ele julga equivocadas sobre o assunto. Uma delas é a de que o golpe de 1964 seria inevitável. "Os personagens daquela época não poderiam saber que o resultado de suas ações gerariam um golpe; muito menos que teria 20 anos e com tanta violência", afirmou.

Outro ponto criticado por ele é a "visão superficial" que se estabeleceu sobre o governo Goulart. "Não era um governo sitiado desde o início [...] Ele teve apoio inclusive das forças conservadoras", explicou, citando a recusa do Congresso Nacional em votar seu impeachment em 1961 e editoriais favoráveis de importantes jornais em 1962 e 1963, inclusive a Folha de S.Paulo. 

Mostrando pesquisas da época que demonstravam forte apoio popular à reforma agrária e outras políticas, Ferreira disse ainda que é errado atribuir a queda de Goulart à sua intenção de implementação das chamadas reformas de base. Para Ferreira, o presidente caiu por uma razão eminentemente política: "Começou no Comício da Central do Brasil [já em 1964], quando mostrou que pretendia governar exclusivamente com as esquerdas; isso a direita não toleraria", disse. "O golpe não foi contra as reformas, mas contra a esquerda."

Em sua fala, Argelina Figueiredo fez uma reconstituição dos principais eventos políticos e sociais que desembocaram no golpe. No final, lembrou dos ataques aos partidos políticos da época, citou que o Legislativo e o sistema partidário são o maior canal de expressão das demandas da sociedade, mas que até hoje "ainda é o principal alvo dos que criticam as instituições".

Na segunda mesa do dia, os pesquisadores Rodrigo Patto Sá Motta (UFMG), Eunice Duham (USP) e Elza Berquó (Cebrap) debatem a intervenção dos militares nas universidades após o golpe.  

Eleições 2026

Domingo de eleição tem risco de temporal em cidades de MS que concentram 51% dos eleitores

Além da Capital, transporte será gratuito em todas as cinco cidades; pleito se inicia às 7h e termina às 16h

23/10/2026 15h00

Foto: Paulo Ribas / Correio do Estado

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As previsões climáticas indicam tempo instável e possibilidade de pancadas de chuva em Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Ponta Porã e Corumbá, os cinco maiores colégios eleitorais de Mato Grosso do Sul.

Em Corumbá, a temperatura mínima para o próximo domingo (25) será de 15°C, com máximas que atingem a casa dos 37°C. Por lá, a previsão indica sol entre nuvens e pancadas de chuva ao longo do dia.

Na Capital, a previsão indica maior chance de chuva, com mínima de 20°C e temperatura máxima de 27°C, com possibilidade de rajadas de vento e trovoadas no início da noite.

Em Três Lagoas, o clima previsto também é de sol entre nuvens e possibilidade de chuva ao longo do dia, com mínima de 15°C no início do dia e máxima de 32°C no período da tarde.

Próximo à fronteira com o Paraguai, o clima será similar em Ponta Porã e Dourados. Em ambos os municípios a previsão para o domingo eleitoral indica temperatura mínima de 11°C e máxima de 27°C. 

De modo geral, Mato Grosso do Sul deve enfrentar mais um fim de semana de instabilidade, com previsão de tempestades, rajadas de vento e possibilidade de granizo.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta amarelo de perigo potencial para parte do Estado, incluindo áreas do centro e leste, com previsão de chuva de até 50 milímetros por dia e ventos de 40 a 60 km/h. 

Geral

As regiões sul, centro e norte estão entre as áreas que podem ser atingidas pelas instabilidades, que aumentam o risco de queda de árvores sobre a rede elétrica, de postes e, consequentemente, interrupções no fornecimento de energia.

Diante do cenário, a Energisa MS, concessionária de energia que administra 74 das 79 cidades do Estado acionou seu plano de contingência para garantir o fornecimento de energia e atuar com maior precisão e agilidade em caso de ocorrências devido as condições climáticas previstas.

De forma antecipada, a empresa monitora as condições climáticas em tempo real e possui estratégias operacionais e administrativas para responder as demandas. “Nosso monitoramento permite antecipar cenários, organizar as equipes e direcionar os recursos necessários para atender a população com agilidade e segurança”, afirma o coordenador de Operação da Energisa MS, Marcelo Santana.

A preparação envolve ainda ações antecipadas coordenadas pelo Centro de Operações Integrado (COI), que funciona 24horas por dia, sete dias por semana. O Plano de Contingência da concessionária, aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), reúne procedimentos para enfrentar eventos climáticos severos.

“Nosso trabalho começa antes de a tempestade chegar. Muitas vezes, essa preparação não aparece para o consumidor final, mas é fundamental para que possamos atuar com segurança e agilidade”, destaca o diretor-presidente da Energisa MS, Paulo Roberto dos Santos.

Para o domingo de votação, a concessionária mantém contato direto com as autoridades eleitorais e está preparada para atender eventuais ocorrências, com equipes espalhadas em pontos estratégicos, próximos às maiores e principais sessões eleitorais. 

Números

Somados, os municípios concentram 1.033.138 eleitores, 51% do total de votantes sul-mato-grossenses que definem entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) o próximo presidente do país.  

Ao todo, o Estado conta com 2.024.884 pessoas aptas a votar neste segundo turno. Deste universo, 640.427 estão em Campo Grande; 166.148 em Dourados;  88.668 em Três Lagoas; 70.104 em Ponta Porã e 67.791 em Corumbá. 

Cabe destacar que além da Capital, o transporte será gratuito em todas as cinco cidades. O pleito se inicia às 7h e termina às 16h. 

* Atualizado às 15h30 para acréscimo de informações 

Eleições 2026

Ministro do TSE proíbe suspensão do canal Exército do Lula

Campanha do PT apresentou mandado de segurança preventivo à Corte

23/10/2026 14h51

Canal Exército do Lula

Canal Exército do Lula Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu nesta sexta-feira (23) que o canal Exército do Lula não poderá ser suspenso ou restringido novamente pela Corte. Segundo o ministro, somente o plenário pode decidir sobre eventual suspensão do canal.

"A partir do momento em que afetada a matéria ao colegiado, toda e qualquer decisão monocrática sobre o mesmo tema, notadamente às de natureza administrativa, padece de grave e incontornável vício de competência", completou Floriano.

O ministro tomou a medida após a campanha do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentar um mandado de segurança preventivo ao TSE.

Ontem (22), o presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, atendeu ao pedido feito pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e determinou um pente-fino nas publicações do canal, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). O canal tem quase 9,6 milhões de inscritos.

Floriano de Azevedo Marques explicou na decisão que a intenção de Flávio é suspender as atividades do canal, embora o pedido não seja expresso na petição em que solicitou o pente-fino.

Segundo o ministro, o presidente do TSE não pode determinar a eventual suspensão do canal ao analisar administrativamente se o acordo de integridade do processo eleitoral está sendo cumprido. As regras foram assinadas pelas plataformas que operam as redes sociais.

"Não há espaço interpretativo para que a atuação administrativa de fiscalização do plano de conformidade resulte em sanções diretas a candidatos, partidos e coligação – e muito menos a pessoas naturais não participantes do pleito", afirmou.

Entenda o caso

No dia 11 de outubro, Kassio Nunes Marques também atendeu à campanha de Flávio e mandou suspender o canal, sob o argumento de que houve replicação de conteúdos que já foram "considerados inverídicos” pelo tribunal, como postagens que indicaram que o candidato do PL seria favorável à retirada do título de Nossa Senhora Aparecida.

Em seguida, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Vilas Bôas Cuêva, derrubou a decisão de Kassio e disse que a liminar foi protocolada na presidência do TSE 41 minutos após sua decisão que rejeitou a suspensão do canal.

Posteriormente, Kassio voltou atrás e liberou o funcionamento após o canal ser registrado oficialmente no TSE.

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