Instituição defende a transparência plena e a preservação da credibilidade das instituições da República
Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul (OAB/MS), defendeu, por unanimidade, o afastamento cautelar do Ministro Alexandre de Moraes, durante sessão extraordinária realizada nesta terça-feira (8), na sede da instituição, localizada na avenida Mato Grosso, número 4700, bairro Carandá Bosque, em Campo Grande.
Além disso, se manifestou sobre uma possível falta de imparcialidade do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, para atuação no caso.
O fato em questão se refere a relação entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro.
A posição do Conselho será levada, nesta quarta-feira (9), à reunião do Colégio de Presidentes de Seccionais da OAB com a Diretoria do Conselho Federal, em Brasília (DF).
A instituição defende transparência pela e preservação da credibilidade das instituições da República. Além disso, pede a devida apuração dos fatos.
“A OAB/MS ressalta que a defesa do afastamento cautelar não representa antecipação de juízo de responsabilidade, mas medida destinada a assegurar que os fatos sejam apurados com independência, serenidade e absoluta transparência, resguardados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. A advocacia tem o dever histórico de defender as instituições democráticas. E defender as instituições também significa exigir respostas firmes quando fatos graves colocam em risco a confiança que a sociedade nelas deposita”, afirmou a instituição por meio de nota enviada à imprensa.
ESCÂNDALO
Investigação da Polícia Federal (PF) aponta que o empresário e ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes mantinham contato desde 2023, com encontros intermediados pelo ex-ministro Fábio Faria.
As mensagens também indicam que Vorcaro procurou Moraes em meio ao avanço de investigações envolvendo o Banco Master e teria pedido ajuda para obter informações ou retardar medidas contra ele.
Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam que Vorcaro tentou usar sua proximidade com o ministro para interferir nas investigações da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), às vésperas de ser preso em novembro de 2025.
Vorcaro pediu repetidamente a Moraes que interviesse junto ao diretor da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral Paulo Gonet, para atrasar ou evitar medidas judiciais contra ele. As mensagens sugerem que Moraes informava Vorcaro sobre o andamento da Operação Compliance Zero, incluindo detalhes confidenciais.
Os dados, extraídos do celular de Vorcaro, indicam que ele e Moraes se encontraram pelo menos seis vezes, com trocas de mensagens sobre almoços, jantares e encontros informais.