Política

ELEIÇÕES 2026

Resolução nacional do PL pode impedir aliança política entre Azambuja e Riedel

Valdemar Costa Neto vedou que os filiados na sigla façam manifestação pública de apoio a candidatos de outras legendas

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Resolução administrativa assinada pelo presidente da comissão executiva nacional do PL, Valdemar Costa Neto, a qual o Correio do Estado obteve com exclusividade, pode inviabilizar a provável aliança que está sendo costurada entre o ex-governador Reinaldo Azambuja e o governador Eduardo Riedel para as eleições gerais do próximo ano em Mato Grosso do Sul.

Nos bastidores políticos, já é dada como certa a filiação de Azambuja no PL e a de Riedel no PP para concorrer, respectivamente, no pleito de 2026, aos cargos de senador da República e de governador.

Porém, a Resolução Administrativa nº 10, de 29 de julho de 2025, estabelece normas e diretrizes para os detentores de mandato eletivo eleitos pelo PL em todo território nacional e disciplina o estrito cumprimento das deliberações e diretrizes estabelecidas pelo órgão de execução em nível nacional da sigla.

Conforme o artigo 1º da resolução, “fica vedado a todos os detentores de mandato eletivo, eleitos pelo PL, em todo território nacional, manifestação pública de apoiamento em todas as suas formas, a pré-candidatos (as) de outras agremiações partidárias”, enquanto o artigo 2º estabelece que, nos termos do artigo 48, § 10, inciso III, do Estatuto do PL, quem desrespeitar o artigo 1º estará sujeito às medidas disciplinares previstas no Código de Ética partidário.

Além disso, o parágrafo único da referida resolução administrativa determina que o detentor de mandato eletivo filiado no PL que descumprir o artigo 1º poderá ficar impedido de receber recursos do Fundo Partidário ou do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), por deliberação exclusiva da comissão executiva nacional da legenda, para sua campanha eleitoral ou aporte financeiro, seja a que título for, além de se sujeitar às penalidades previstas no Código de Ética, ou ainda, de outras que vierem a ser estabelecidas pela comissão.

Já o artigo 3° traz que a comissão executiva nacional do PP poderá, a qualquer tempo, no interesse partidário e nos termos do estatuto partidário e da resolução, assim como da legislação vigente que rege a matéria, intervir ou promover a dissolução de comissões executivas estaduais e municipais, podendo ainda revogar a resolução, cancelar candidaturas e anular convenções eleitorais que contrariem as diretrizes estabelecidas pela comissão executiva nacional.

No artigo 4°, a Resolução Administrativa nº 10/2025 traduz-se em diretriz da linha de atuação político-partidária fixada pela executiva nacional do PL no interesse partidário e com fundamento nas diretrizes legitimamente estabelecidas, devendo ser observados pelos detentores de mandato eletivo eleitos pela legenda os artigos citados, sob pena de, não o fazendo, serem expulsos da sigla.

Na análise do advogado eleitoralista Ricardo Grance, a resolução da executiva nacional do PL é rígida. “Quem descumprir pode perder acesso aos recursos dos Fundos Partidário e Eleitoral e até ter a candidatura futura cancelada”, alertou.

De acordo com ele, essa ação reforça uma preocupação legítima da cúpula do PL: “A fidelidade interna deve prevalecer para evitar dispersão de apoio, especialmente em um período pré-eleitoral tão sensível”.

Ricardo Grance lembrou que não é a primeira vez que isso ocorre no PL, pois, nas eleições de 2022 e de 2024, já houve normas semelhantes.

“Em Mato Grosso do Sul, a resolução do PL ganha contornos mais complexos, pois a senadora Tereza Cristina [PP], aliada histórica de Bolsonaro, tem forte influência política e relação próxima com o partido, o que pode gerar tanto articulações estratégicas quanto tensões”, projetou.

Ele acrescentou ainda que o governador Eduardo Riedel, que caminha para se filiar ao partido da senadora, precisará equilibrar alianças locais com a disciplina exigida. 

“Já o ex-governador Reinaldo Azambuja, possível candidato ao Senado pelo PL, terá o desafio de posicionar e apoiar seus aliados sem infringir as normas, em um cenário em que lideranças estaduais costumam ‘espalhar’ candidatos fortes a deputado por diferentes legendas para ampliar sua base – prática que pode ser limitada pela medida”, argumentou.

Nesse sentido, conforme o advogado, “a nova resolução deve, sim, atrapalhar os planos de Azambuja e de suas alianças, reduzindo seu espaço de manobra político-eleitoral”.

“Para Valdemar Costa Neto, a prioridade é aumentar a bancada e manter a coesão, mesmo que isso restrinja a flexibilidade das articulações regionais”, assegurou.

Já para o advogado eleitoralista e mestre em Direito Alexandre Ávalo, a resolução da executiva nacional do PL, além de fundamentar no estatuto partidário, também fundamenta no código de ética as medidas para impedir qualquer manifestação de apoiamento de qualquer forma para pré-candidaturas de outras agremiações. “Trata-se de um ato interna corporis, então, a executiva nacional do partido tem competência para deliberar sobre o tema”, afirmou.

Ele acrescentou que chama atenção as consequências do descumprimento porque todo e qualquer detentor de mandato eletivo pelo PL está impedido de manifestar qualquer forma de apoio a pré-candidaturas em todo o Brasil, inclusive sob pena de sofrer sanções disciplinares e de sofrer sanções que afetem a distribuição do fundo partidário, bem como eventual intervenção nas comissões municipais e estaduais. “Portanto, é uma resolução bastante objetiva e que implica consequências no caso de descumprimento”, concluiu.

*SAIBA

O ex-governador Reinaldo Azambuja, que está de malas prontas para o PL, não enxergou problema na resolução. “Todos os passos que estamos tomando são combinados com o presidente Valdemar Costa Neto, inclusive o apoio do PL à reeleição do governador Eduardo Riedel. Essa resolução não muda nada do que já combinamos com ele”, afirmou.

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ELEIÇÕES 2026

Pesquisa aponta empate triplo em disputa ao Senado

Levantamento do IPR/Correio do Estado foi feito em 17 cidades, que representam 68% do total da população do Estado

12/03/2026 08h00

Montagem

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Pesquisa de intenções de votos para o Senado, registrada sob os números BR-02995/2026 e MS-00334/2026 e realizada pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR) e o Correio do Estado no período de 5 a 9 de março deste ano, apontou empate técnico triplo para as duas vagas ao cargo em Mato Grosso do Sul, considerando a margem de erro de 3,5 pontos porcentuais para mais ou para menos.

Conforme o levantamento estimulado, quando são apresentadas aos entrevistados as opções com os nomes dos candidatos, na média da somatória do primeiro e do segundo votos, estão tecnicamente empatados o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), com 18,2%, o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL), com 17,2%, e o senador Nelsinho Trad (PSD), com 14,6%.

Com a margem de erro de 3,5 pontos porcentuais para mais ou para menos, Azambuja chegaria ao máximo de 21,5% e ao mínimo de 14,7%, enquanto Capitão Contar teria o máximo de 20,7% e o mínimo de 13,7% e Nelsinho obteria o máximo de 18,1% e o mínimo de 11,1%.

SEGUNDO BLOCO

Além disso, ainda de acordo com a pesquisa IPR/Correio do Estado, que tem um intervalo de confiança de 95%, também há empate técnico no segundo bloco, tendo a senadora Soraya Thronicke (Podemos) com 8%, o deputado federal Vander Loubet (PT) com 7% e o deputado federal Marcos Pollon (PL) com 6%.

Ainda considerando a margem de erro de 3,5 pontos porcentuais para mais ou para menos, Soraya chegaria ao máximo de 11,5% e ao mínimo de 4,5%, enquanto Vander teria o máximo de 10% e o mínimo de 3,5% e Pollon obteria o máximo de 9% e o mínimo de 2,5%. Dos entrevistados, 29% estão indecisos.

A pesquisa IPR/Correio do Estado ouviu 784 pessoas com 16 anos ou mais de idade, distribuídas pelos municípios de Amambai, Aquidauana, Campo Grande, Sidrolândia, São Gabriel do Oeste, Corumbá, Coxim, Dourados, Maracaju, Rio Brilhante, Bonito, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.

Essas 17 localidades representam 68% do total de 1,8 milhão de eleitores sul-mato-grossense, ou seja, 1,2 milhão de eleitores.

Ao ser realizado nesses municípios do Estado, o levantamento cobre a maior parte da capacidade eleitoral de Mato Grosso do Sul, isto é, oferece uma fotografia extremamente fiel do cenário real, já que os pequenos municípios têm baixo peso estatístico.

ESPONTÂNEA

Na pesquisa espontânea, quando é feita a pergunta aos entrevistados e não é dada nenhuma alternativa para resposta, a liderança é de Azambuja, com 3,95%, seguido por Nelsinho, com 1,66%, Capitão Contar, com 1,40%, e Tereza Cristina (PP), com 1,28%.

Depois aparecem Pollon, com 0,89%, Simone Tebet (MDB), com 0,64%, Soraya, com 0,38%, Delcídio do Amaral (PRD), com 0,13%, Fábio Trad (PT), com 0,13%, Gianni Nogueira (PL), com 0,13%, Junior Mochi (MDB), com 0,13%, Osvaldo Meza (sem partido), com 0,13%, e Vander, com 0,13%. Dos entrevistados, 89,03% não sabem ou não quiseram responder.

REJEIÇÃO

A pesquisa IPR/Correio do Estado também levantou a rejeição dos pré-candidatos ao Senado em Mato Grosso do Sul, e Soraya aparece na frente, com 15,43%, seguida por Capitão Contar, com 12,37%, Nelsinho, com 7,40%, Azambuja, com 6,89%, Vander, com 6,12%, e Pollon, com 5,48%.

Além disso, 21,94% dos entrevistados não rejeitam ninguém, 15,05% rejeitam todos e 1,53% dos consultados disseram que votariam em branco ou anulariam o voto, enquanto 7,78% não sabem ou não quiseram responder.

ANÁLISE

Segundo o diretor do IPR, Aruaque Fressato Barbosa, a pesquisa eleitoral para o Senado indica, neste momento, um cenário de alta competitividade.

“Com duas vagas em disputa, três pré-candidatos aparecem com desempenho eleitoral relevante e em condições efetivas de disputa. É importante destacar que a pesquisa retrata o sentimento do eleitorado no momento da coleta dos dados, ou seja, apresenta uma fotografia do cenário atual, que pode sofrer alterações até o dia da eleição”, disse.

Ele completou que, por essa razão, o acompanhamento contínuo dos cenários eleitorais é fundamental.

“Mudanças no ambiente político, no posicionamento dos candidatos, na comunicação de campanha e até mesmo em eventuais redefinições de alianças podem influenciar diretamente o comportamento do eleitor e, consequentemente, os índices de intenção de voto”, argumentou.

Aruaque Barbosa explicou que, neste levantamento, Azambuja aparece à frente, com 18,2% das intenções de voto, enquanto na sequência estão Capitão Contar, com 17,2%, e Nelsinho Trad, com 14,6%.

“Considerando a margem de erro de 3,5% pontos porcentuais para mais ou para menos, os três estão em situação de empate técnico. Em termos estatísticos, isso significa que não é possível afirmar, com segurança, uma liderança isolada entre eles”, analisou.

Apesar da proximidade numérica, de acordo com o diretor do IPR, cada nome apresenta características distintas na composição de seu potencial eleitoral.

“Azambuja demonstra maior equilíbrio entre os municípios pesquisados, o que sugere uma base mais regular e distribuída. Capitão Contar concentra melhor desempenho no primeiro voto, mas apresenta menor força no segundo, indicando um eleitorado mais convicto, porém menos complementar. Já Nelsinho Trad registra desempenho equilibrado entre o primeiro e o segundo voto, o que revela maior capacidade de agregação e aceitação como alternativa entre os eleitores”, afirmou.

Para ele, esse comportamento indica que cada pré-candidato deverá adotar estratégias diferentes ao longo da campanha.

“A forma como vão construir seu discurso, consolidar posicionamento político e dialogar com segmentos específicos do eleitorado será decisiva para ampliar competitividade e converter potencial em voto consolidado”, comentou.

Aruaque Barbosa acrescentou que os demais nomes testados, como Soraya, com 8%, Vander, com 7%, e Pollon, com 6%, aparecem em patamar inferior de intenção de voto neste momento.

“Para alterar esse quadro, será necessário intensificar presença pública, fortalecer imagem política e ampliar inserção no debate eleitoral”, falou.

O diretor lembrou que a maior rejeição é de Soraya, com 15,43%, dificultando um possível crescimento em relação aos outros candidatos.

“Logo em seguida vem Capitão Contar, com 12,4%, Nelsinho, com 7,4%, Azambuja, com 6,9%, Vander, com 6,1%, e Pollon, com 5,5%. Também é importante considerar que eventuais mudanças na composição das candidaturas ao Senado podem produzir novos rearranjos no cenário”, alertou.

Aruaque argumentou que, caso haja entrada ou saída de nomes competitivos, será indispensável reavaliar o ambiente eleitoral e medir os impactos sobre a disputa.

“No quadro atual, porém, Azambuja, Capitão Contar e Nelsinho são os pré-candidatos que apresentam vantagem competitiva em relação aos demais”, assegurou.

Outro dado relevante, de acordo com ele, é que, até o momento, nem mesmo a sinalização pública de apoio do ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro (PL) a Pollon foi suficiente para provocar impacto expressivo na dinâmica da disputa.

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Cancelamento

STF cancela suspensão nacional de processos sobre 'revisão da vida toda' do INSS

Revisão foi definitivamente anulada em novembro do ano passado diante da mudança de posição da Corte sobre o tema em 2024

11/03/2026 22h00

Foto: Divulgação / STF

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As ações judiciais que pedem a aplicação da tese da "revisão da vida toda" dos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) voltaram a correr nesta quarta-feira, 11. A tramitação dos processos estava suspensa desde julho de 2023 por decisão do relator, Alexandre de Moraes. Com o julgamento já encerrado e o acórdão publicado na última terça-feira, 10, o Supremo Tribunal Federal (STF) cancelou a suspensão nacional das ações sobre o tema.

A "revisão da vida toda" do INSS foi definitivamente anulada em novembro do ano passado diante da mudança de posição da Corte sobre o tema em 2024.

A tese buscava incluir, no cálculo dos benefícios do INSS, os salários anteriores a julho de 1994, quando foi implantado o Plano Real. O Supremo foi favorável ao pleito dos aposentados em dezembro de 2022. Contudo, em abril de 2024, a Corte afastou a aplicação da tese.

A mudança de posição foi no julgamento de outra ação, que tratava sobre o fator previdenciário. Na ocasião, os ministros decidiram que a regra que conta os salários a partir de 1994 é obrigatória e os aposentados não podem escolher o cálculo mais favorável.

O caso tinha grande relevância para a União, que estimou impacto de até R$ 480 bilhões para as contas públicas caso o Supremo determinasse a revisão dos benefícios.

O Supremo também decidiu que os segurados não deverão devolver benefícios pagos com base na "revisão da vida toda" até 5 de abril de 2024 - data em que o Supremo decidiu derrubar a tese. Os honorários e custas judiciais das ações até aquela data também não poderão ser cobrados. Mas todos os beneficiários da tese terão seus salários reajustados em relação ao futuro.

Até 2024, muitos aposentados conseguiram decisões favoráveis para revisar o benefício. A Corte considerou que eles não podem ser prejudicados porque foram à Justiça com base em entendimento favorável do Supremo que vigorava na época. De acordo com dados citados no julgamento, há cerca de 140 mil ações tramitando no Judiciário sobre o tema.

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