Política

Mato Grosso do Sul

Riedel anuncia governo com metas que vão do social a asfalto em todas as cidades

Durante posse, o governador eleito pregou conciliação, desenvolvimento sustentável e universalização do ensino integral

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Em seu discurso de posse, o governador Eduardo Riedel (PSDB) deu a diretriz de como será seu mandato nos próximos quatro anos.

Além da continuidade de muitos dos programas da gestão de Reinaldo Azambuja (PSDB), seu aliado e antecessor, Riedel pregou o fim do acirramento visto durante a campanha política, estabeleceu metas agressivas na infraestrutura e na educação, fez o compromisso de manter programas sociais e, ainda, disse que a conciliação entre desenvolvimento e preservação do meio ambiente, que para muitos é um problema, é uma vantagem para o Estado. 

Sobre a pacificação social, Riedel lembrou do período de campanha acirrada, em que derrotou o deputado estadual Capitão Contar (PRTB), da extrema-direita: “A campanha sempre traz acirramento, acusações e apontamentos que nem sempre são reais.

Quando estive em uma situação dessas, sempre dizia que cada um procurasse conhecer a história das pessoas, porque as pessoas são o produto de sua história, de sua vida, de sua formação, de sua família, daquilo que elas construíram ao longo de sua existência”, disse o governador de Mato Grosso do Sul. 

“Uma pessoa não é o que ela falou em um debate, não é uma fala solta”, complementou Riedel, ainda sobre o que ele pensa sobre como o contexto para julgar um personagem político deve ser mais profundo. 

Social

Apesar de ter declarado apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante o processo eleitoral, Eduardo Riedel demonstrou sintonia com o discurso apresentado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em sua posse em Brasília.

O novo governador defendeu programas sociais: “Programas sociais têm de ser autênticas boias lançadas no mar da desigualdade e da fome”, disse, afirmando que cobrará de seu secretariado ações mais transversais neste setor.

Responsabilidade

Ao mesmo tempo, em seu discurso após dar posse aos secretários e dar a linha de seu governo, Riedel lembrou que a administração sempre deverá explicações aos cidadãos.

“Temos um patrão [o contribuinte] que todo dia paga a conta. Devemos a ele a obrigação básica de entregar serviços. É nosso dever devolver esses recursos na forma de investimentos”, afirmou.

Desenvolvimento sustentável

Eduardo Riedel também cobrou de seu secretariado obediência a um projeto de governo “sustentado e sustentável”.

Falou da importância de se preservar o meio ambiente, das riquezas naturais do Estado e do dever de cuidar dos mananciais de água. “Temos de crescer aproveitando as oportunidades geradas pelo rápido modelo de desenvolvimento global. Poucos estados reúnem tantos potenciais e ativos.

O que é problemas para muitos, para nós, é nossa maior oportunidade”, afirmou o governador, que tomou posse neste domingo. 

Infraestrutura

Na infraestrutura, Riedel lembrou dos projetos que tiveram início na gestão de Reinaldo Azambuja, da qual ele participou ativamente, e que trarão resultados durante sua gestão.

“Uma grande mudança na qualidade de vida nos próximos anos virá com a universalização do saneamento básico”, disse. 

Eduardo Riedel ainda estabeleceu um ousado plano para asfaltar todos os municípios de Mato Grosso do Sul.

“Não queremos mais cidades e periferias dessas cidades sem pavimentação asfáltica”, revelou. 
Renovou sua fé nas parcerias público-privadas (PPPs) e deu a entender que em seu governo muitas outras virão. Ressaltou a mais recente, que vai garantir uma rede de 7,5 mil quilômetros de fibra ótica em todo o Estado.

No que diz respeito à logística, citou os grandes projetos ferroviários a serem concedidos ao falar das PPPs, além do Corredor Bioceânico, projeto que está em andamento desde a década passada. 

Educação e saúde

Na educação, Riedel revelou uma de suas mais agressivas metas administrativas: a de que, até 2026, os quase 300 mil alunos da Rede Estadual de Ensino (REE) tenham à disposição escolas em tempo integral. 

Na saúde, Riedel quer finalizar o processo de regionalização, reforçando a descentralização: “Esse é o grande desafio”, afirmou. 

Família

Ao lado da esposa Mônica, Riedel recebeu familiares de todo o Brasil. Ao fim de seu discurso, emocionou-se muito ao lembrar de seu avô, a quem dedicou o momento que estava vivendo. 

Mais cedo, na Assembleia Legislativa, quando recebeu a faixa de Reinaldo Azambuja, disse que ser governador de MS é o “maior desafio de sua vida”. 

Por fim, deu mais um recado a seus secretários: “Fazer bem feito, fazer dar certo”. 

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REFLEXOS

Direita de MS comemora classificação do CV e PCC como terroristas

Enquanto Comissão de Relações Exteriores pede "cautela", o próprio governador do Mato Grosso do Sul celebrou a medida estadunidense que disse inclusive ser "bem-vinda"

29/05/2026 13h30

Medida de Trump que deve ser efetivada em 05 de junho teria sido tomada

Medida de Trump que deve ser efetivada em 05 de junho teria sido tomada "sem conhecimento/ consentimento" (à revelia) do governo de Luiz Inácio "Lula" da Silva, Fotomontagem

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Como reflexo local, a decisão da Secretaria de Estado do governo dos Estados Unidos de designar diversos grupos criminosos como organizações terroristas internacionais, entre eles o Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), gerou um cenário de celebração entre a extrema-direita e figuras ligadas a esse espectro em Mato Grosso do Sul. 

Essa medida que deve ser efetivada em 05 de junho teria sido tomada "sem conhecimento/ consentimento" (à revelia) do governo de Luiz Inácio "Lula" da Silva, após a fala do senador Flávio Bolsonaro (Partido Liberal PL-RJ) de que teria pedido inclusão dos facções na lista de organizações terroristas internacionais durante sua visita a Donald Trump na última terça-feira (26). 

Justamente por isso, figuras locais como o próprio parlamentar que se autointitula como "Gordinho do Bolsonaro", Rodolfo Nogueira, usaram as redes sociais para "engrandecer" o feito que, segundo eles, seria reflexo das ações do senador presidenciável. 

A própria Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, na figura do presidente Luiz Philippe de Orleans e Bragança, emitiu uma nota que exalta as medidas norte-americanas. Confira na íntegra:

"Na qualidade de presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, saúdo a decisão do governo dos EUA de designar como organizações terroristas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), na data de hoje.

A decisão, tomada após encontro do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o presidente Donald Trump, o vice-presidente JD Vance e o Secretário de Estado, Marco Rubio, demonstra a assertividade da missão e do diálogo objetivo promovido pelo parlamentar brasileiro em Washington.

De acordo com o Departamento de Estado dos EUA, as medidas adotadas nesta quinta-feira, 28, estão em conformidade com a seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade e com a Ordem Executiva 13224 e as designações de Organizações de Transporte Estrangeiro entram em vigor após a publicação no Diário Oficial Federal (Federal Register).

Desta forma, PCC e CV passam a ser tratados pelos EUA como organizações Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) com vigência a partir de 5 de junho de 2026.

Trata-se de uma vitória de todos aqueles que buscam um combate efetivo da criminalidade organizada transnacional, em benefício da paz e segurança de nossas nações.

Enquanto o governo brasileiro relativiza e protege essas organizações, que tantos males causam ao nosso povo, nós defendemos a adoção de medidas como essa para pôr um fim definitivo na criminalidade e no sofrimento de milhares de famílias que são reféns do banditismo.

Como bem lembrou o Secretário Rubio, “PCC e CV são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntas, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, funcionários públicos e civis brasileiros. Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e por todo o país”.

Direita comemora

Rodolfo publicou um vídeo em que coloca Trump e Lula frente a frente, abaixo de uma publicação do próprio "Gordinho", onde Nogueira afirma que "em apenas uma viagem, Flávio Bolsonaro fez mais pelo Brasil do que Lula em todo esse tempo". 

"Não deu, né, Lula? Dia triste para a bandidagem, dia triste para o Lula. Para quem não tinha nem agenda, a ida de Flávio aos Estados Unidos rendeu grande", comentou o Gordinho do Bolsonaro sobre a classificação feita. 

Para ele, a medida trata-se de um grande avanço no combate ao crime organizado, no que considera uma “vitória para aqueles que não aguentam mais viver refém da criminalidade”. 

Nas palavras de Rodolfo Nogueira, Lula teria ido aos Estados Unidos "implorar para que Donald Trump não classificasse essas facções como grupos terroristas". 

Além dele, o parlamentar conhecido por ser defensor do voto impresso, Luiz Ovando, do Partido Progressistas (PP), também celebrou a colocação do CV e do PCC na mira dos Estados Unidos, em uma publicação explicando "o que muda?" com a nova classificação. 

"Enquanto parte da esquerda vê uma ameaça à soberania, nós da direita enxergamos algo diferente: mais pressão contra organizações que há décadas espalham medo, violência e destruição pelo Brasil", diz ele. 

Luiz Ovando cita que o aumento da pressão internacional contra esses grupos não seria uma abertura para livre intervenção norte-americana em território brasileiro, no que ele diz que seria apenas um fortalecimento às investigações, ao bloqueio de contas e congelamento de recursos, que para o deputado federal não passa de um "sufocamento do dinheiro das facções". 

De forma semelhante, o também deputado federal, Marcos Pollon (PL-MS), afirmou que Flávio "fez história" na segurança pública, comemorando em vídeo nas redes sociais o que classificou como uma vitória do pré-candidato a presidente. 

“Meu amigo Flávio nem tomou posse como presidente e já está mudando a história da segurança pública no Brasil. Ainda em pré-campanha fez uma agenda com o presidente Donald Trump, tendo como pauta principal declarar Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas. Mal ele chegou no Brasil e boa notícia já veio, é oficial. Foram declarados  organizações terroristas”, disse.

Para ele, esse é um passo fundamental para o enfrentamento eficaz contra a lavagem de dinheiro das facções criminosas, uma vez que os EUA seria o "mais eficiente do mundo" para detectar esquemas de lavagem de dinheiro. 

"Isso já foi identificado nas Operações Carbono Oculto. Com a decisão será mais fácil o dinheiro ser bloqueado e encontrado pelo Governo Americano. Também significa uma repressão muito mais forte contra essas organizações criminonsas”, disse.

Cautela

Ainda na mesma linha de defesa da classificação, o próprio governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP) reforçou o enfrentamento ao crime organizado, que ele disse alcançar onde o Estado não chega, o que disse não haver em MS, mas também celebrou a medida estadunidense que disse inclusive ser "bem-vinda". 

"A gente não têm isso no Estado. Em qualquer lugar do Estado, em territórios sul-mato-grossenses, nós temos domínio. Nós não vamos perder esse domínio para a facção criminosa.Temos uma situação muito específica que é o tráfico internacional, uma fronteira com Paraguai e Bolívia. O PCC e o Comando Vermelho já são organizações internacionais. Eu acredito que a ação americana em cima de outros países, também para combater essas organizações criminosas daqui, são bem-vindas", pontuou na manhã de hoje. 

Mesmo que, para o governador do Mato Grosso do Sul, não haja qualquer sinal a curto prazo de ameaça a soberania nacional, o presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado Federal, Nelsinho Trad (PSD/MS), fez questão de pedir "cautela". 

Para a Comissão, essas organizações como CV e PCC desafiam o Estado diante do avanço sobre as fronteiras e a movimentação de recursos ilícitos, bem como através do medo que impõem à população. 

Nelsinho Trad defende o diálogo com os Estados Unidos da América (EUA) e com os países vizinhos, como foco em ampliar a cooperação em inteligência, controle de fronteiras, para melhor combater o tráfico de armas, drogas, lavagem de dinheiro e contrabando. 

"O que o Brasil precisa é de um governo que trate segurança pública como prioridade, que não deixe espaços serem ocupados por facções e que dê às forças de segurança condições reais de proteger a população", cita trecho da nota. 

 

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Judiciário

OAB-MS define lista sêxtupla para desembargador no TJMS; procuradora é a mais votada

Ana Carolina Ali Garcia foi a mais votada pelo Conselho Seccional da OAB-MS; lista sêxtupla tem outras duas advogadas e três advogados

29/05/2026 13h03

Procuradora do Estado, Ana Carolina Ali Garcia

Procuradora do Estado, Ana Carolina Ali Garcia Divulgação

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A procuradora do Estado de Mato Grosso do Sul, Ana Carolina Ali Garcia, foi a mais votada na disputa da vaga da Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul (OAB-MS) pela vaga de desembargador pelo Quinto Constitucional no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. 

Ela é o primeiro nome da lista sêxtupla que deve ser encaminhada para a TJMS pelo presidente da OAB-MS, Bitto Pereira, na semana que vem. Também integram a lista as advogadas Regina Iara Ayub, Silmara Salamaia Gonçaves, José Eduardo Chemin Cury (também conhecido como Dadinho Cury), Ewerton Araújo de Brito, e José Roberto Rodrigues da Rosa. 

A lista é composta por três mulheres e três homens porque está alinhada ao princípio da paridade de gênero, obrigação das escolhas das listas de Quinto Constitucional da OAB-MS desde o início desta década. 

Ana Carolina Ali Garcia, que até abril último atuava como Procuradora-Geral do Estado de Mato Grosso do Sul foi a mais votada pelo Conselho Seccional da OAB-MS, com 43 votos. 

A votação foi a seguinte: 

  • - Ana Carolina Ali Garcia: 43 votos
  • - Regina Iara Ayub: 42 votos
  • - Silmara Salamaia Gonçalves: 42 votos
  • - José Eduardo Chemin Cury: 41 votos
  • - Ewerton Araújo de Brito: 39 votos
  • - José Roberto Rodrigues da Rosa: 35 votos

A expectativa é que, em até 60 dias, talvez antes, o TJMS escolha a lista tríplice e a envie para o governador Eduardo Riedle, que escolherá três dos seis nomes propostos pela OAB-MS nesta primeira fase. 

O novo desembargador ocupará a vaga que foi do advogado Ari Raghiant, que ocupou o posto por 3 anos e meio e deixou o caro em março último, para voltar à advocacia. 

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