Política

Posicionamento

Riedel apoia anistia, acena para a direita e se distancia do PT

Governador anunciou apoio a projeto que perdoa pessoas presas por depredarem o Congresso, o STF e o Palácio do Planalto

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O casamento político do governador Eduardo Riedel (PSDB) com o PT em Mato Grosso do Sul parece que entrou no caminho do divórcio e com sinais claros de que a relação harmoniosa de ambos chegou ao fim em definitivo.

Tudo porque o governador Eduardo Riedel (PSDB) fez uma publicação nas suas redes sociais, defendendo a anistia irrestrita aos presos do 8 de janeiro de 2023, que provocaram um quebra-quebra na sede do Superior Tribunal Federal (STF), no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto, em Brasília (DF).

Tal posicionamento do chefe do Executivo estadual provocou a revolta dos deputados federais e estaduais do PT, que são as principais lideranças do partido no Estado e contrários à concessão de anistia para esses presos, os quais a esquerda classifica de autores de atos antidemocráticos contra a posse do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

Na prática, no entanto, ficou claríssimo que Riedel virou às costas para os petistas, que ocupam centenas de cargos dentro do seu governo e até o comando de uma secretaria de Estado (Cidadania), e deu um aceno para a direita, afinal, para ilustrar o post, ele colocou fotos com a senadora Tereza Cristina (PP) e com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), bolsonaristas e de centro-direita.

O Correio do Estado obteve a informação de que, na semana passada, o governador teria recebido um ultimato da direita para que descesse do muro e tomasse partido com relação à questão da anistia, bem como sobre de que lado pretende estar nas eleições do ano que vem. A postagem mostrou que Riedel escolheu um lado – e o foi o da direita.

A POSTAGEM

Na postagem, o governador revelou que tem conversado recentemente com o governador Tarcísio de Freitas e com a senadora Tereza Cristina, além de outros líderes políticos brasileiros, para defender uma revisão da dosimetria de penalizações sobre os presos do 8/1.

“Considero necessário aprovar uma anistia, que em muitos casos também tem caráter humanitário. Do meu ponto de vista, não dá para julgar e penalizar com a mesma régua o que é completamente diferente!”, ressaltou.

Riedel completou ainda que, do ponto de vista político, “acredito que o Congresso Nacional tem obrigação de votar a matéria, considerando-a inclusive como um passo imprescindível para a pacificação do País”.

“Não dá pra errar de novo e no mesmo lugar: tentar reparar eventuais excessos cometidos naquele momento com excessos do atual”, disse.

Para ele, é preciso olhar para a frente e se afastar “da guerra política e dos confrontos ideológicos para reunir forças e fazer o verdadeiro enfrentamento dos problemas nacionais gigantescos, que estão à espera de novas ideias, agenda mais realista e com coragem para fazer o que precisa ser feito”.

Na avaliação do governador de Mato Grosso do Sul, chegou a hora de cuidar da agenda do Brasil real, do Brasil verdadeiro. “É nisso que eu acredito. E percebo que esse é o sentimento de todo o nosso país”, disse.

CRÍTICAS

Após a postagem de Riedel, feita na tarde de sábado, os deputados federais e estaduais do PT saíram em defesa do partido, que já se posicionou contra a anistia para os presos do 8/1.

Para o deputado federal Vander Loubet (PT), é crucial a defesa da democracia como um valor inegociável. “Nesse sentido, discordamos inteiramente do apoio do governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, à anistia dos envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, algo que é vergonhoso”, criticou.

Ainda conforme ele, o PT defende que cada envolvido seja processado e julgado de acordo com a gravidade dos seus atos, tendo direito à ampla defesa prevista no Estado Democrático de Direito. “E penso que assim deve, no fundo, defender o governador”, falou.

No entendimento de Loubet, conceder anistia ampla e geral como alguns defendem seria um retrocesso inaceitável, enfraquecendo a democracia e criando precedentes perigosos para futuras ameaças. “A impunidade não pode ser tolerada”, concluiu.

Já a deputada federal Camila Jara (PT) declarou que, imagina se alguém dá um golpe, que alguém faça um plano para assassiná-lo, e as pessoas próximas a você ou planeje tirar a sua liberdade de escolher o que quer fazer, de escolher seu emprego e de escolher seu representante.

“E o que o governador pede é que a pessoa que planejou tudo isso e a pessoa que incentivou as outras pessoas a apoiarem isso saiam impunes. Então, eu fico decepcionada que o governador, que foi eleito democraticamente, peça para que quem queria tirar a liberdade de cada cidadão sul-mato-grossense de escolher seu representante”, argumentou. 

INCOERÊNCIA

A parlamentar falou que vê certa incoerência da parte de Riedel, porque alguém que comemora que o Brasil ganhou o Oscar com o filme “Ainda Estou Aqui”, que revela os horrores da ditadura militar no País e o processo de tortura que sofreu a esposa de Rubens Paiva, mostra uma completa incompreensão sobre o que fez um período em que não se tinha liberdade de escolha.

“O que o governador revela é que ele topa romper o Estado Democrático de Direito para que o ex-presidente da República Jair Bolsonaro [PL] e a alta cúpula do Exército possam juntos planejar o atentado contra um presidente da República eleito pelo povo. Gostaria de lembrá-lo que esse planejamento poderia ser contra ele”, avisou.

No entendimento de Camila, quando Riedel se diz defensor da liberdade e que não apoia alguns atos dos povos indígenas que vão às rodovias bloqueá-las para reivindicar água potável, porque não é assim que se dialoga na democracia, e que também não apoia alguns atos do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) porque dentro da democracia não se pode invadir propriedade dos outros, ele se mostra incoerente ao dizer que, quando é do interesse dele, as pessoas podem agir dessa forma.

“Então, isso mostra uma completa incoerência por parte do governador Eduardo Riedel e, da minha parte, avalio que algumas posições são separadas e são intransponíveis. O PT vai ter uma reunião amanhã [hoje] para decidir a permanência ou não do governo de Riedel. Mas eu entendo que, diante da posição do governador, pedindo anistia, não da cabeleireira que já está em casa, mas do Bolsonaro e da alta cúpula do Exército, não faz mais sentido permanecer”, avisou.

ANISTIAR BOLSONARO

O deputado estadual Zeca do PT, que já foi governador por dois mandatos, também saiu em defesa do posicionamento do partido de ser contra a anistia para os presos do 8/1. “Respeitando a liberdade de expressão de todos, indistintamente, permito-me discordar publicamente da posição manifestada pelo governador Eduardo Riedel”, declarou.

Ele completou que ficou claro que “Ridel quer anistia para o inelegível e inominável ex-presidente e esconde sua intenção, falando das pessoas que foram devidamente julgadas e estão presas”. 

“Importante lembrar que as pessoas presas não são velhinhas inocentes como tentam passar. São pessoas adultas, a maioria homens, que atentaram contra a democracia e que tiveram a oportunidade de aceitar acordo de não persecução penal para evitar a prisão, o que recusaram”, salientou.

Para Zeca do PT, “que o governador e seus aliados conservadores, como a senadora Tereza Cristina e outros que sequer merecem ser citados, continuem articulando projetos para disputar com Lula e o PT”. “Trata-se de prerrogativa deles. Porém, ser porta-voz do atraso e da infâmia é demais e me envergonha”, argumentou.

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NOVO ENDEREÇO

Beto Pereira anuncia amanhã sua filiação ao Republicanos

Em fevereiro deste ano, o deputado federal havia assumido a presidência do PSDB

25/03/2026 08h25

O deputado federal Beto Pereira, que vai para o Republicanos

O deputado federal Beto Pereira, que vai para o Republicanos Divulgação

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O deputado federal Beto Pereira oficializa amanhã a troca do PSDB pelo Republicanos para tentar a reeleição para a Câmara dos Deputados.

A confirmação foi obtida pelo Correio do Estado junto a interlocutores do parlamentar, que deve assumir a presidência estadual do partido em Mato Grosso do Sul no lugar do deputado estadual Antonio Vaz.

A reportagem apurou que a chegada do deputado federal ao Republicanos foi articulada pelo governador Eduardo Riedel (PP) e pelo ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) diretamente com o presidente nacional do partido, deputado federal Marcos Pereira (SP), durante reunião em Brasília (DF).

Beto Pereira vai para o Republicanos com a finalidade de consolidar a aliança da legenda com o grupo político de Riedel e Azambuja, que tinha PL, PP, União Brasil e PSDB, e tem como meta a reeleição do governador e a eleição de dois senadores da República, um deles o ex-governador.

Além de Beto Pereira, o Republicanos também ganhará o reforço do vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, e do deputado estadual Pedro Pedrossian Neto, ambos do PSD, do senador Nelsinho Trad, que informou o apoio à reeleição de Riedel, mesmo que o partido não faça parte dessa ampla aliança.

Com a adesão do grupo governista, o Republicanos projeta montar uma chapa competitiva para a Câmara dos Deputados, com potencial para conquistar ao menos uma vaga, tendo, além de Beto Pereira, a vereadora Isa Marcondes, a Cavala, que foi a mais votada de Dourados nas eleições municipais de 2024.

HISTÓRICO

O deputado federal Beto Pereira, que vai para o RepublicanosO deputado federal Beto Pereira, que vai para o Republicanos - Forto: Divulgação

Nascido em Campo Grande, em 14 de novembro de 1977, Humberto Rezende Pereira, mais conhecido como Beto Pereira, é formado em Direito e iniciou sua carreira política como prefeito de Terenos. Ele é filho do ex-senador Valter Pereira e tataraneto do fundador da Capital, José Antônio Pereira.

Em 2004, foi eleito prefeito do município de Terenos aos 26 anos, tornando-se o gestor mais jovem do Estado na época. No ano de 2008, foi reeleito com mais de 70% dos votos dos eleitores.

Em 2009, assumiu a presidência da Associação Sul-Mato-Grossense de Municípios (Assomasul) e, em 2012, Beto Pereira se tornou vice-presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM) – o primeiro sul-mato-grossense a assumir essa função.

Em 2014, foi eleito deputado estadual, com 27.182 votos, e, em 2017, assumiu a presidência estadual do PSDB de Mato Grosso do Sul, enquanto em 2018 se elegeu deputado federal, com 80.500 votos.

No ano de 2019, foi eleito secretário-geral do PSDB nacional e, em 2022, foi reeleito deputado federal, com 97.872 votos, por Mato Grosso do Sul.

Em fevereiro de 2023, foi eleito para compor a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. Um ano depois, em 2024, foi candidato a prefeito de Campo Grande, mas não conseguiu chegar ao segundo turno.

 

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ELEIÇÕES 2026

Vereadores do PSDB se recusam a servir de escada para deputados estaduais

Os parlamentares municipais da Capital querem na chapa tucana somente um entre Jamilson Name e Pedro Caravina

25/03/2026 08h20

Os deputados estaduais Marcio, Jamilson, Caravina, Lidio e Paulo durante a sessão de ontem

Os deputados estaduais Marcio, Jamilson, Caravina, Lidio e Paulo durante a sessão de ontem Luciana Nassar/Alems

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A formação da chapa para deputados estaduais pelo PSDB em Mato Grosso do Sul deixou de ser uma negociação tranquila para virar o estopim para um motim por parte dos vereadores do partido em Campo Grande que têm pretensões de concorrer a vagas na Assembleia Legislativa do Estado no pleito deste ano.

O Correio do Estado apurou que os vereadores Pitu, Flávio Cabo Almi e Dr. Victor Rocha deram um ultimato ao partido depois que foram informados que os deputados estaduais Jamilson Name e Pedro Caravina vão continuar no ninho tucano para tentar a reeleição, inviabilizando que, pelo menos, um parlamentar municipal tenha chance real de ser eleito.

Na semana passada, conforme fontes ouvidas pela reportagem, estava tudo certo para que o deputado estadual Pedro Caravina fosse para o PP, ficando apenas Jamilson Name no partido, com a deputada estadual Lia Nogueira, o que permitiria que os três vereadores tivessem a oportunidade de disputar as cadeiras na Casa de Leis.

Porém, nesta semana, Caravina refez a conta de votos necessários para ser reeleito e constatou que, com os três vereadores na chapa, seria muito mais fácil garantir o retorno à Assembleia Legislativa se continuasse no PSDB do que tentando a sorte no PP, da senadora Tereza Cristina.

CAMPEÕES DE VOTOS

Entretanto, a permanência dele, de acordo com apuração do Correio do Estado, fará com que a chapa fique com dois deputados estaduais campeões de votos, tornando a campanha eleitoral de Pitu, Flávio Cabo Almi e Dr. Victor Rocha muito mais difícil, pois dificilmente a chapa fará mais do que três parlamentares na eleição deste ano.

Portanto, com essa matemática, será mais fácil que Jamilson e Caravina sejam reeleitos, restando apenas uma possível cadeira na Assembleia Legislativa para o ninho tucano, que seria disputada pelos três vereadores e ainda pelos deputados estaduais Lia Nogueira e Paulo Duarte, que deve trocar o PSB pelo PSDB.

Por isso, os três vereadores avisaram que não pretendem ser “escada” para os deputados estaduais no pleito deste ano e, caso Jamilson ou Caravina resolvam bater o pé sobre ficar no PSDB, Pitu, Flávio Cabo Almi e Dr. Victor Rocha não serão mais candidatos neste ano, enfraquecendo a chapa.

Para complicar ainda mais a situação, além da chegada de Paulo Duarte, também é cogitada a pré-candidatura do ex-prefeito de Três Lagoas Ângelo Guerreiro como deputado estadual pelo PSDB, outro nome com muitos votos, principalmente, na região da Costa Leste de Mato Grosso do Sul.

OUTRO LADO

Procurados pelo Correio do Estado, os três vereadores não consideraram comentar, mesmo posicionamento do deputado estadual Jamilson Name, enquanto o deputado estadual Pedro Caravina disse que não estava sabendo do ultimato.

“Eu entendo que a chapa desenhada pelo PSDB tem total condição de eleger de quatro a cinco deputados estaduais. Com quatro deputados estaduais de mandato, os três vereadores da Capital e com outras lideranças filiadas, teremos uma chapa muito competitiva”, projetou.

No entanto, ainda conforme Caravina, a decisão de sair candidato não é para agora, mas somente nas convenções. “Agora é filiação, e todos estão filiados”, analisou, prevendo que tudo deve ser resolvido.

Agora, a definição final sobre a formação da chapa para deputados estaduais terá de passar pelas mãos do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) e do atual governador Eduardo Riedel (PP), que estão à frente das negociações dos partidos da ampla aliança formada para a reeleição de Riedel e eleição de Azambuja ao Senado.

 

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