Política

BALANÇO DE GESTÃO

Riedel chega ao último ano de governo ainda com muitas promessas a cumprir

Pré-candidato à reeleição, o governador cumpriu 8 promessas totalmente e mais 8 parcialmente de um total de 31

Continue lendo...

O governador Eduardo Riedel (PP) entra no último ano da sua administração estadual sem ter cumprido totalmente as 31 promessas do seu plano de governo registrado no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) nas eleições de 2022, conforme consulta feita pelo Correio do Estado.

De 31 promessas, 8 foram cumpridas totalmente e outras 8 foram parcialmente cumpridas, enquanto 15 promessas ainda não foram cumpridas.

Algumas delas ainda podem ser colocadas em prática até o fim do mandato, mas outras dificilmente sairão do papel.

Entre as 15 promessas não cumpridas estão o projeto para intensificar o combate ao feminicídio e o de incentivar investimentos em novas cadeias produtivas, como a indústria da defesa e empresas de logística e equipamentos.

As outras são: elaborar o plano estadual de ciclovias, implantar centros regionais de esporte para atendimento de crianças, adolescentes, pessoas com deficiência e idosos, e manter e requalificar espaços culturais buscando o uso de prédios em desuso ou subutilizados.

Também fazem parte as promessas de oferecer capacitação e qualificação aos trabalhadores dos segmentos artísticos e culturais, universalizar a pavimentação asfáltica das ruas e avenidas nos municípios, e intensificar o uso da tecnologia para o combate à criminalidade.

Ainda constam entre as não cumpridas: atender com qualidade o cidadão que procura o posto de saúde, implantar internet rápida e de qualidade em todos os municípios de Mato Grosso do Sul a partir da infovia e promover políticas de estímulo à adoção de agricultura inteligente (agricultura de precisão).

Não foram cumpridas as promessas de apoio aos municípios na implantação de projetos de cidades inteligentes e busca de eficiência e eficácia das políticas públicas com o uso de ferramentas, como o Big Data, internet das coisas e inteligência artificial.

O plano trouxe o objetivo de intensificar a inclusão digital, com atenção especial aos idosos, e apoiar fortemente ações de estímulo ao empreendedorismo, em especial o apoio aos microempreendedores individuais como alternativa à necessidade de geração de emprego.

CUMPRIDAS

Por outro lado, entre as promessas cumpridas na gestão de Riedel estão: ampliar o valor do programa Mais Social de R$ 300 para R$ 450, prorrogação do benefício da Conta de Luz Zero, prorrogação da CNH MS Social, implantação do Voucher Qualificação para ampliar as oportunidades de conexão das pessoas com o mercado de trabalho e a ampliação do uso da telemedicina.

Além disso, também foram cumpridas a implantação do Programa Acolhe MS, visando o atendimento de população LGBTQI+, sistema prisional, população indígena, quilombolas, ribeirinhos, moradores em situação de rua, ciganos, moradores do campo e população negra, promover integração digital dos serviços públicos e promover políticas de estímulos verdes e ampliação de negócios sustentáveis.

Já entre as promessas parcialmente cumpridas estão: ampliar as escolas de tempo integral, criação de policlínicas nas quatro regiões do Estado, melhoria das pistas e estruturas de aeroportos, consolidar projetos de infraestrutura, transporte e logística na Rota Bioceânica e rever a legislação de pesca no Estado.

Também foram parcialmente cumpridas: incentivar a produção e a utilização de energia solar, de biocombustíveis e outras fontes de energias renováveis, reduzir o deficit habitacional e consolidar Mato Grosso do Sul como o primeiro estado a ser carbono neutro da Federação.

DESAFIO

No plano de governo registrado na Justiça Eleitoral, Riedel destacou que governar um estado não deveria ser um simples exercício de poder, mas um ato de se administrar verdadeiramente para as pessoas, para o cidadão que depositou sua confiança em uma proposta de trabalho e em um modelo de gestão que se propõe a cumprir compromissos com a sociedade.

Agora, faltando menos de nove meses para o primeiro turno das eleições deste ano – 4 de outubro – e menos de 11 meses para o fim do ano, ele terá de agilizar sua gestão para aumentar o número de promessas cumpridas e, ao mesmo tempo, fazer novas para garantir a reeleição sob o risco de não conseguir mais quatro anos de mandato.

Como o próprio governador Eduardo Riedel escreveu no seu plano de governo, o desafio está posto e ele precisa demonstrar determinação de enfrentá-lo para que Mato Grosso do Sul continue no caminho da transformação.

Portanto, do que era apenas promessa em 2022, muita coisa virou realidade, enquanto outras estão próximas de serem concretizadas e algumas estão praticamente fora dos planos, podendo ser novamente sugeridas durante a campanha eleitoral deste ano ou descartadas de uma vez por todas.

ONU

Na elaboração do plano de governo, a equipe de Riedel se alinhou com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), por entender que eles expressam um esforço global para criar uma sociedade em que as pessoas possam viver dignamente, com qualidade de vida e meio ambiente conservado.

O programa destaca parcerias, como o setor privado, para que esses objetivos possam ser alcançados.

“Em 2015, a ONU propôs aos seus países membros uma nova agenda de desenvolvimento sustentável para os próximos 15 anos, a Agenda 2030, composta pelos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Esse é um esforço conjunto de países, empresas, instituições e sociedade civil. Os ODS buscam assegurar os direitos humanos, acabar com a pobreza, lutar contra a desigualdade e a injustiça, alcançar a igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas, agir contra as mudanças climáticas, bem como enfrentar outros dos maiores desafios de nossos tempos. O setor privado tem um papel essencial nesse processo como grande detentor do poder econômico, propulsor de inovações e tecnologias, influenciador e engajador dos mais diversos públicos – governos, fornecedores, colaboradores e consumidores”, consta no Pacto Global Rede Brasil.

Assine o Correio do Estado

Suspensão

Moraes suspende aplicação da Lei da Dosimetria até decisão do STF

Ministro é relator de ações contra a legislação que tramitam na Corte

09/05/2026 15h00

Ministro do STF, Alexandre de Moraes

Ministro do STF, Alexandre de Moraes Divulgação

Continue Lendo...

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, suspendeu neste sábado (9) a aplicação da Lei da Dosimetria em pedidos relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

O ministro, que foi sorteado para ser relator de ações que questionam a validade da Lei da Dosimetria, decidiu que a suspensão terá validade até que a Corte julgue as ações contrárias à legislação.

Moraes firmou o entendimento ao analisar o caso de Nara Faustino de Menezes, condenada por participação nos atos de 8 de janeiro e que queria a aplicação da Lei 15.402/2026 promulgada ontem (8), após o Congresso derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A legislação tornada válida pelos congressistas estabelece a redução das penas de condenados pelo 8 de janeiro.

Moraes argumentou que não poderia começar a julgar os pedidos de redução das penas com base na nova lei, uma vez que existem ações tramitando no STF que questionam a validade do texto.

A pena menor para os condenados é questionada por duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs): a 7966 e 7967, que foram ajuizadas na sexta-feira (8) pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e pela federação partidária PSOL-Rede.

“A superveniência de interposição de ação direta de inconstitucionalidade e, consequentemente a pendência de julgamento em controle concentrado de constitucionalidade, configura fato processual novo e relevante, que poderá influenciar no julgamento dos pedidos realizados pela Defesa, recomendando a suspensão da aplicação da lei, por segurança jurídica, até definição da controvérsia pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL”, escreveu.

O ministro determinou ainda que a execução penal deverá prosseguir integralmente, mantidas todas as medidas anteriormente determinadas.

Na sexta-feira, Moraes concedeu o prazo de cinco dias para que a Presidência da República e o Congresso Nacional se manifestem sobre a Lei da Dosimetria.

Assine o Correio do Estado

Compliance Zero

Direita do Estado evita comentar escândalo que liga Ciro a Vorcaro

Presidente nacional do PP, o senador teria recebido pagamentos mensais de R$ 500 mil do banqueiro proprietário do Master

09/05/2026 08h00

O senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, está no olho do furacão, após operação da PF

O senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, está no olho do furacão, após operação da PF Waldemir Barreto/Agência Senado

Continue Lendo...

A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na quinta-feira, colocou o senador piauiense Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, no centro de um escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, provocou silêncio entre os principais nomes da direita de Mato Grosso do Sul.

O Correio do Estado procurou os parlamentares da bancada federal sul-mato-grossense da direita e lideranças ligadas ao campo conservador no Estado para comentar o caso, mas nenhum quis se manifestar publicamente sobre as investigações e a repercussão política do episódio.

Foram procurados os deputados federais dr. Luiz Ovando (PP), Dagoberto Nogueira (PP) e Geraldo Resende (União Brasil), que fazem parte da Federação Partidária União Progressista, e os deputados federais Beto Pereira (Republicanos), Rodolfo Nogueira (PL) e Marcos Pollon (PL), porém, nenhum deles comentou o assunto até a publicação desta reportagem.

Também foram procurados a senadora Tereza Cristina, presidente estadual do PP e responsável pelo comando da União Progressista no Estado, e o governador Eduardo Riedel (PP), entretanto, eles não retornaram até o fechamento da matéria. 

No dia em que a operação foi deflagrada pela PF, Tereza Cristina, que também é líder do PP no Senado, chegou a afirmar que “tudo precisa ser investigado” e defendeu o direito à ampla defesa dos envolvidos.

Já no dia seguinte à ação policial, a direita estadual preferiu se calar. Esse silêncio chama a atenção, porque parte da bancada costuma se posicionar rapidamente em episódios envolvendo denúncias de corrupção ou operações policiais contra adversários políticos. 

Desta vez, porém, correligionários e integrantes de legendas próximas ou da mesma federação partidária de Ciro Nogueira evitaram declarações públicas. 

Na prática, a bancada federal da direita de Mato Grosso do Sul adotou o mesmo discurso defendido pelo líder do PP na Câmara dos Deputados, o carioca dr. Luizinho.

Em declaração ao Correio do Estado, o deputado federal afirmou que há apoio integral da legenda ao senador e confiança de que ele esclarecerá as acusações.

“A bancada apoia de forma unânime o presidente Ciro Nogueira com a certeza de que ele provará que nada fez de ilegal”, declarou dr. Luizinho.

O posicionamento serviu de referência para integrantes da direita sul-mato-grossense, que evitam críticas públicas ao comando nacional do partido e preferem aguardar o desenrolar das investigações antes de comentar possíveis consequências políticas.

Sobre eventuais reflexos da crise na federação entre PP e União Brasil, dr. Luizinho adotou cautela e afirmou que o tema ainda será debatido internamente pelas lideranças partidárias. “Durante a semana, conversando com parlamentares da nossa federação, poderemos avaliar melhor os possíveis impactos”, disse.

ENTENDA O CASO

A quinta fase da Operação Compliance Zero cumpriu mandados de busca e apreensão sobre supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

Segundo as investigações, Ciro Nogueira recebia pagamentos mensais recorrentes do banqueiro no valor de R$ 500 mil em um esquema que incluía a utilização do mandato parlamentar para beneficiar interesses de Vorcaro.

Além de Ciro, a operação teve como alvo Felipe Vorcaro, primo do banqueiro, que acabou preso durante a ofensiva policial. 

As apurações apontam que a empresa BRGD S.A., ligada à família Vorcaro, realizava transferências para a CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., apontada como veículo patrimonial do senador. 

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).