Política

Campo de Batalha

Caso de Flávio Bolsonaro acirra disputa entre direita e esquerda

Enquanto bolsonaristas falam em perseguição, parlamentares do PT cobram investigação sobre financiamento milionário ligado ao Banco Master

Continue lendo...

A divulgação de diálogos entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, sobre o suposto financiamento do filme “Dark Horse”, obra documental que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tornou-se o novo epicentro do embate político entre direita e esquerda em Mato Grosso do Sul. 

De um lado, parlamentares da base aliada ao ex-presidente Jair Bolsonaro denunciam uma “perseguição seletiva”, enquanto do outro, lideranças da esquerda apontam indícios de crimes financeiros e cobram investigações rigorosas.

Parlamentares do PL e do PP saíram em defesa da legalidade das transações, classificando o episódio como uma tentativa de desgaste político em ano eleitoral, enquanto para os deputados do PT o caso é um desdobramento de um histórico de irregularidades, devendo ser tratado como um escândalo de corrupção sistêmica.

O ex-governador Reinaldo Azambuja, presidente estadual do PL, emitiu nota oficial reforçando o apoio ao senador Flávio Bolsonaro. 

No documento, ele classifica as explicações do senador como “claras e consistentes” e pede foco na investigação de instituições financeiras. 

“Manifestamos nossa confiança e apoio ao nosso pré-candidato à Presidência da República, certos da correção de sua conduta e da necessidade de respeito à verdade dos fatos”, disse.

Já o deputado federal Marcos Pollon (PL) utilizou suas redes sociais e pronunciamentos recentes para manifestar apoio irrestrito ao senador Flávio Bolsonaro.

Em tom combativo, o parlamentar sul-mato-grossense classificou as recentes notícias envolvendo o senador como uma “tentativa de assassinato de reputação” articulada pela oposição.

“Isso não passa de uma tentativa, mais uma, de assassinar a reputação. É isso que a esquerda faz e vai fazer com todos os candidatos e pré-candidatos do Bolsonaro”, afirmou.

O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL) criticou o que chama de construção de narrativas políticas em ano eleitoral. Ele afirmou que as suspeitas levantadas contra o filho do ex-presidente não têm sustentação legal e servem apenas como estratégia de desgaste contra o campo conservador.

Para Nogueira, o foco dado à relação entre o senador e o empresário Daniel Vorcaro é desproporcional. O deputado destacou que o empresário já financiou projetos ligados a figuras de diferentes espectros políticos, como o ex-presidente Michel Temer e o presidente Lula. 

“Não há qualquer ilegalidade comprovada. O próprio Flávio defende a investigação para separar o joio do trigo, porque quem não deve não teme”, completou.

O deputado federal Dr. Luiz Ovando (PP) quebrou o silêncio e manifestou-se oficialmente sobre as recentes denúncias que conectam o senador Flávio Bolsonaro ao controlador do Banco Master. 

Em nota pautada pelo tom de cautela, mas com cobranças incisivas, o parlamentar sul-mato-grossense defendeu que o momento exige “serenidade, transparência e responsabilidade”. 

Um dos pontos mais marcantes do posicionamento de Dr. Luiz Ovando foi o chamado à coerência dentro do espectro político da direita. 

Para o deputado, a preservação dos valores morais deve estar acima de alianças partidárias ou conveniências ideológicas.

“Quem não deve, não teme investigação séria. E quem acusa, precisa apresentar provas consistentes”, afirmou.

O deputado estadual Coronel David (PL) manifestou-se de forma contundente contra a repercussão de um áudio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro.

Em sua análise, Coronel David destacou que, até o momento, a narrativa apresentada à opinião pública não contém provas de irregularidades com a máquina pública. 

“Acusações graves exigem provas concretas, e não manchetes construídas com base em vazamentos seletivos e interpretações políticas”, afirmou o deputado.

ESQUERDA

Para os representantes do PT, o caso é um desdobramento de um histórico de irregularidades e deve ser tratado como um escândalo de corrupção sistêmica.

O deputado federal e presidente estadual do PT, Vander Loubet, reagiu com dureza à divulgação de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. 
 

Loubet citou o caso das “rachadinhas” – investigação sobre desvio de salários de assessores com recursos públicos – como um fator que agrava a suspeição sobre os novos fatos.

“Isso precisa ser apurado pelas autoridades competentes, doa a quem doer”, concluiu o deputado, reforçando a cobrança por transparência no esclarecimento das transações e conversas reveladas.

A deputada federal Camila Jara (PT) subiu o tom das críticas contra o senador Flávio Bolsonaro. Para ela, as gravações confirmam um “vínculo forte” da família Bolsonaro com operações financeiras irregulares que teriam atingido diretamente a economia popular e fundos de previdência de servidores públicos.

“O Master foi uma operação criminosa estruturada para tirar dinheiro de investidores e, o mais grave, de servidores que confiavam em fundos de previdência geridos por municípios e estados – como foi o caso de Campo Grande”, disparou.

Camila Jara destacou que o escândalo só não tomou proporções ainda mais catastróficas em razão da intervenção de órgãos de controle. 

Na avaliação do deputado estadual Zeca do PT, o conteúdo das conversas não é um fato isolado, mas o desdobramento de uma série de supostas irregularidades que conectariam a família Bolsonaro a esquemas em diversas esferas públicas.

“Primeiro, que todos os fatos que antecederam isso já levavam à conclusão do envolvimento direto do Vorcaro com a família Bolsonaro. Esquema no Banco Central, esquema no BRB, esquema no governo do Rio, um monte de esquemas”, pontuou.

Segundo ele, a punição de atos dessa natureza é fundamental para a manutenção da saúde institucional do Brasil.

“É uma coisa absolutamente promíscua, que depõe contra a atividade pública. Esse esquema tem que ser fortemente investigado e reprimido do ponto de vista da aplicação da lei, principalmente se queremos um país na plenitude da democracia e do funcionamento das instituições”, concluiu.

Por sua vez, o ex-deputado federal e pré-candidato a governador Fábio Trad manifestou-se de forma incisiva sobre as recentes revelações envolvendo o financiamento de projetos audiovisuais ligados à imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Trad destacou o que classificou como uma “ironia quase cínica” por parte de grupos que, historicamente, atacaram os mecanismos de fomento à cultura no Brasil.

Segundo ele, há um silêncio seletivo diante de aportes milionários quando o objetivo é a promoção política de seus aliados.

Para Fábio Trad, a magnitude das contradições exige que as instituições ajam com rigor. “Em qualquer democracia, essa operação exigiria esclarecimentos rigorosos, porque transparência é princípio constitucionalizado. Caso contrário, combate à corrupção vira apenas slogan eleitoral e moralidade pública vira peça de marketing”, concluiu.

Assine o Correio do Estado

Apuração

Tebet pede investigação e questiona se R$ 134 milhões de Vorcaro a Flávio seriam para filme

Ex-ministra disse que caso envolvendo senador e banqueiro deve ser encaminhado ao conselho de ética

14/05/2026 16h30

Foto: Reprodução / Redes Sociais

Continue Lendo...

Na contramão da ala bolsonarista de Mato Grosso do Sul, que saiu em defesa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a polêmica em torno do nome do senador e presidenciável, junto do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, Simone Tebet, ex-ministra do governo Lula, pediu investigações sobre o caso, além de cobrar indiretamente uma postura do Conselho de Ética do Senado acerca do caso. 

As alegações foram publicadas nas redes sociais de Tebet na tarde desta quinta-feira (14). No vídeo, a três-lagoense solicitou que a Casa de Leis apure o ocorrido e pôs em xeque as alegações de Flávio, que em entrevista nesta quarta-feira (13), disse que a verba foi especificamente utilizada para a produção do documentário "Dark Horse", que conta a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador. 

 

"Esse dinheiro ia realmente para esse filme? Uma parte dele seria para lavar dinheiro? Uma parte seria para financiar autoridades ou ex-autoridades que estão lá nos Estados Unidos falando mal do nosso país, do Brasil? Esse dinheiro era para embolsar?", declara Tebet. 

Virtual candidata ao Senado pelo PSB-SP, Simone destacou que além do caso ser encaminhado ao Senado, é inadimicível que "ter um presidenciável com essa suspeita nas urnas em outubro", disse.

Em defesa de Flávio

Os deputados federais Rodolfo Nogueira (PL) e Marcos Pollon (PL) saíram em defesa de Flávio Bolsonaro após o escândalo que envolve conversas entre o senador e pré candidato à presidência com o banqueiro preso Daniel Vorcaro.

No conteúdo divulgado pelo site Intercept Brasil, na tarde desta quarta-feira, Flávio pede dinheiro para Vorcaro, para este ajudar a bancar a produção de um filme sobre a vida do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

 Em sua rede social, Rodolfo Nogueira, mais conhecido como "Gordinho do Bolsonaro", publicou um vídeo para defender Flávio Bolsonaro e disse que este apoia uma CPI para investigar o Banco Master, além de atacar a oposição.

"Diferente da esquerda e do PT, ele [Flávio Bolsonaro] não foge da investigação, porque quem não deve não teme. Enquanto muitos tentam enterrar a CPI para defender os seus, ele pede apuração completa", disse o deputado Federal.

O deputado conclui a postagem com uma explicação, na visão dele, sobre a conversa entre o senador e o banqueiro do Master. Ele também afirma que o PT "segue mamando" verba pública através da Lei Rouanet, principal mecanismo do Governo Federal para apoiar a produções culturais, através da opção de investir parte do imposto de renda em projetos.

"Em 2024, o Flávio buscou um investidor privado para o projeto e esse investidor era o Vorcaro. Na época, não existia escândalo nenhum e nem qualquer condenação judicial ligada ao nome dele. Enquanto isso, o PT segue mamando bilhões pela Lei Rouanet com dinheiro seu, do povo brasileiro. Ai fica fácil fazer filme sem precisar correr atrás de investidor privado, né Lula"

Já Marcos Pollon apenas publicou em sua rede social o vídeo de Flávio Bolsonaro, que pede a CPI do Banco Master e explica a situação. O deputado federal por Mato Grosso do Sul, também ajudou a financiar o filme “Dark Horse”, porém  usou dinheiro público, de emenda parlamentar, na iniciativa.

"Vamos separar os bandidos dos inocentes. Toda essa história que está sendo veiculada agora, nada mais é do que um filho procurando investidores privados para fazer um filme privado sobre a história do seu próprio pai. Zero de dinheiro público, zero de Lei Rouanet, como esse governo gosta de fazer, gastar dinheiro público para fazer propaganda dele mesmo", disse Flávio na sua publicação.

No vídeo, ainda, Flávio conta que conheceu Vorcaro no final de 2024 e que o banqueiro deixou de pagar as parcelas para financiar o filme sobre o pai. Por fim, o senador afirma que a obra ficou pronta e que será veiculada ainda neste ano.

"Eu conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, não tinha mais governo Bolsonaro, não tinha absolutamente nenhuma acusação contra ele. Acontece que com o passar do tempo, ele parou de honrar com as parcelas do contrato. Tinha um contrato que, ao ele não pagar essas parcelas, tinha uma grande chance do filme sequer ser veiculado, sequer ser concluído. Em função disso, inclusive procuramos outros investidores para concluir este filme"

O pôster do filme Dark Horse foi divulgado em abril e tem data de estreia marcada: 11 de setembro deste ano, em meio ao calendário eleitoral brasileiro.

Assine o Correio do Estado

Investigação

PF apura se dinheiro de Vorcaro bancou Eduardo Bolsonaro nos EUA

Investigação vai rastrear destino de US$ 10 milhões pagos por Daniel Vorcaro após suspeitas de que parte dos recursos tenha sido usada para custear Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos

14/05/2026 15h03

Flávio Bolsonaro e o irmão, Eduardo, nos Estados Unidos

Flávio Bolsonaro e o irmão, Eduardo, nos Estados Unidos Reprodução

Continue Lendo...

A Polícia Federal (PF) deve abrir uma investigação para apurar os pagamentos feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao senador Flávio Bolsonaro e verificar se parte dos recursos teria sido destinada ao custeio da permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

A apuração ganhou força após representações apresentadas por parlamentares à PF. Uma das principais linhas investigativas será rastrear o destino dos recursos negociados entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro, incluindo suspeitas de envio de dinheiro para um fundo sediado no Texas ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.

A suspeita foi levantada pelo deputado Lindbergh Farias, autor de uma das representações encaminhadas à Polícia Federal. Segundo ele, os valores poderiam ter sido usados para custear a estadia de Eduardo Bolsonaro nos EUA, após decisões do Supremo Tribunal Federal dificultarem o acesso a recursos financeiros no exterior.

As informações vieram à tona após reportagem publicada pelo site Intercept e confirmada pelo jornal Estadão. De acordo com as mensagens obtidas pela PF no celular de Vorcaro, Flávio Bolsonaro teria solicitado uma contribuição equivalente a US$ 24 milhões sob o argumento de financiar a produção do filme “Dark Horse”, obra sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os diálogos indicam que pagamentos efetivos de cerca de US$ 10,6 milhões teriam sido realizados entre fevereiro e maio de 2025. Agora, a PF pretende investigar o caminho percorrido pelo dinheiro e confirmar se os valores foram realmente empregados na produção cinematográfica.

Ao ser questionado por jornalistas, Flávio Bolsonaro negou irregularidades e afirmou ser “mentira” que o filme tenha sido financiado por Daniel Vorcaro. Em seguida, em nota, o senador defendeu a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master e alegou que os recursos buscados seriam privados.

“No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet”, afirmou o senador.

O deputado Mário Frias, produtor-executivo do filme "Dark Horse", e a produtora Goup Entertainment divulgaram notas negando que qualquer valor de Vorcaro tenha chegado ao projeto.

“A Goup Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem "Dark Horse", não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário”, afirmou a empresa.

Apesar das negativas, o Intercept informou que ao menos US$ 2 milhões teriam sido transferidos pela empresa Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas. O fundo tem como agente legal o escritório Law Offices of Paulo Calixto PLLC, ligado ao advogado Paulo Calixto, apontado como próximo de Eduardo Bolsonaro.

O Grupo Entre afirmou ao Intercept que não possui vínculo societário nem relação de controle com Daniel Vorcaro. Ainda assim, mensagens divulgadas mostram Vorcaro sugerindo realizar pagamentos “via Entre” após dificuldades operacionais envolvendo operações de câmbio do Banco Master.

Além disso, segundo informações do jornal O Globo, declarações de Imposto de Renda do Banco Master indicam pagamentos de R$ 2,329 milhões à Entre Investimentos.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).