Política

eleições 2026

Riedel terá desafio de transformar em votos o apoio de todos os prefeitos de MS

O arco de aliança partidária para reeleger o governador no pleito deste ano administra os 79 municípios de Mato Grosso do Sul

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Líder de todas as pesquisas de intenções de voto já divulgadas até o momento em Mato Grosso do Sul, dono de uma aprovação acima dos 60% pela população sul-mato-grossense e tendo no arco de aliança partidária as siglas que administram as prefeituras dos 79 municípios do Estado, o governador Eduardo Riedel está praticamente reeleito.

No entanto, o grande desafio dele neste ano eleitoral é transformar todo esse apoio em votos, garantindo a reeleição para mais quatro anos como governador do Estado.

Porém, a maior dificuldade é repetir neste ano o que aconteceu em 2022, quando o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) conseguiu colocar para trabalhar, pela então eleição de Riedel, 72 prefeitos da base aliada.

Mesmo tendo o apoio de todos os prefeitos de Mato Grosso do Sul, não é possível cravar uma vitória esmagadora já no primeiro turno das eleições gerais deste ano, pois, com a crescente possibilidade de termos muitos candidatos a governador, pelo menos a princípio, as chances de segundo turno também aumentaram na mesma proporção.

Entretanto, o certo é que os partidos PSDB, PL, PP, MDB, PSD e PSB controlem as 79 prefeituras de Mato Grosso do Sul, sendo que, sem exceção, todos os gestores municipais do Estado já declaram apoio à reeleição do governador, o que pode se dizer que isso é fruto do programa MS Ativo Municipalismo, que foi rascunhado por Azambuja e implantado por Riedel.

MS Ativo

Essa iniciativa é um programa de cooperação do governo de Mato Grosso do Sul com os 79 municípios, focado na descentralização da gestão e eficiência na execução de políticas públicas, tendo investimentos de R$ 3 bilhões, que visam garantir resultados práticos nas áreas de saúde, educação, infraestrutura e assistência social, baseando-se em contratos de gestão e dados com os respectivos gestores municipais.

Na prática, o MS Ativo Municipalismo atua em três frentes estratégicas para alcançar resultados que atendam às necessidades dos moradores dos 79 municípios.

Dessa forma, auxilia as prefeituras no desenvolvimento das competências institucionais em políticas públicas, visando alcançar aqueles que mais precisam.

Assim, o municipalismo do programa está estruturado da seguinte forma: municipalismo baseado em demandas – repasse de recursos para os municípios a partir das demandas individuais (com ou sem contrapartida financeira); municipalismo baseado em programas – repasse de recursos para os municípios via acesso a programas estaduais (com ou sem contrapartida financeira); e municipalismo baseado na cooperação – pactuação de resultados, desenvolvimento de capacidades e compartilhamento de ações (repasse de recursos orientado por resultados).

 Avaliação

Porém, nem tudo são flores para o governador Eduardo Riedel, conforme análise do diretor do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa, dizer que tem o apoio de todos os prefeitos de Mato Grosso do Sul é uma afirmação sensível, porque nem todos os gestores municipais estão bem avaliados.

“Então, vai ter prefeito que vai ajudar em muito ao Riedel obter votos, enquanto outros que podem atrapalhar. Por esse prisma, a equipe de campanha do governador terá de fazer um estudo para ver quais são os prefeitos que será um bom negócio ‘colar’ o nome de Riedel ao dele e quais estratégias podem ser um tiro no pé”, pontuou. 

Sobre a transferência de votos dos prefeitos bem avaliados para o governador, ele explicou que essa já é uma questão mais delicada. 

“Como diretor do IPR, acredito que cabe a realização de uma pesquisa para avaliar quais prefeitos podem ajudar ou atrapalhar a campanha de reeleição de Riedel, pois isso vai depender da aprovação desses gestores em seus municípios”, declarou.

Positivo

Por outro lado, o cientista político Tercio Albuquerque acredita que contar com o apoio dos 79 prefeitos de Mato Grosso do Sul para a reeleição é extremamente positivo para o governador Riedel.

“Na verdade, neste ano existe uma diferença de anos anteriores, não há no páreo de candidaturas a pretensão de governo, não há nenhum candidato que tenha maior relevância que possa representar risco para o Riedel”, assegurou.

Porém, ele reconhece que, obviamente, esse apoio dos prefeitos não vai representar uma conversão de 100% em votos. 

“O apoio do prefeito não quer dizer que toda a população do município vá acompanhar o gestor e votar no governador e é justamente essa dúvida que se for bem explorada pelos pré-candidatos da oposição, como por exemplo o ex-deputado federal Fábio Trad (PT), podem alavancar votos dos eleitores que não comungam com a reeleição do atual governador”, argumentou.

Tercio Albuquerque ressaltou que uma vitória nas eleições não é também simples assim, não é uma coisa matemática. 

“Portanto, diferentemente da matemática, em um pleito é impossível dizer que, mesmo tendo o apoio de todos os prefeitos de um estado, o candidato está eleito ou reeleito. Pois, tudo vai depender muito de como a máquina governamental vai ser usada nesse período, mas, sem dúvida nenhuma que Riedel leva uma vantagem considerável sobre os demais adversários”, comentou.

"É uma situação que precisa ser avaliada no decorrer da campanha, mas, obviamente, ainda que Riedel tenha aí uma margem de perda de votos, não acredito que vá ameaçar a reeleição dele, porque o governador está isolado, até então, na frente, como demonstram todas as pesquisas" - Tercio Albuquerque, analisando a situação atual 
do governador

O cientista político reforçou que participar de uma eleição com a máquina nas mãos e no ano em que começará a investir os recursos bilionários oriundos de empréstimos vai ajudar em muito na campanha eleitoral de Riedel. 

“Ao longo deste ano, o governador deve transformar os 79 municípios do Estado em um verdadeiro canteiro de obras, com investimentos em infraestrutura, saúde e educação, enquanto os demais candidatos não terão essa mesma arma para lutar pelos votos dos sul-mato-grossenses”, pontuou.

Para concluir, ele repetiu que política não é matemática para dizer que o apoio de todos os prefeitos do Estado vai garantir a reeleição do governador. 

“Vai depender muito de como ele vai se apresentar aos eleitores dos municípios e qual é a posição que esses prefeitos têm de respeitabilidade no seu próprio município. É uma situação que precisa ser avaliada no decorrer da campanha, mas, obviamente, ainda que Riedel tenha aí uma margem de perda de votos, não acredito que vá ameaçar a reeleição dele, porque o governador está isolado, até então, na frente, como demonstram todas as pesquisas”, finalizou o especialista.

 

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Apuração

STF cobra explicação de emenda pix enviada para Porto Murtinho por Rose Modesto

Emenda PIX da ex-deputada federal consta em processo sob fiscalização do Supremo; município não prestou contas completas do uso de R$ 250 mil em eventos de turismo

03/06/2026 17h15

Rose Modesto enquanto deputada federal

Rose Modesto enquanto deputada federal Foto: Câmara dos Deputados

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Porto Murtinho está no radar do Supremo Tribunal Federal pelo recebimento de uma emenda pix que não foi completamente justificada. O município da fronteira de Mato Grosso do Sul recebeu R$ 250 mil por meio de emenda parlamentar da então deputada federal Rose Modesto (União Brasil), destinada à realização de eventos turísticos e culturais, em 2022. 

O questionamento faz parte de ação sob escrutínio do ministro Flávio Dino que investiga o uso das “emendas PIX”, repasses diretos de parlamentares a municípios, sem destinação prévia obrigatória.

O plano de ação de código 09032022-014825, registrado em 2022 na Plataforma Transferegov.br, tem como beneficiário o próprio Município de Porto Murtinho e objeto descrito como “Realização e participação de eventos turísticos e culturais para resgatar a tradição e divulgar as potencialidades turísticas locais.” 

Os R$ 250 mil são de custeio, ou seja, não foram destinados a obras, mas a serviços de terceiros. Uma parte do dinheiro teria sido para custear estandes em uma feira realizada no Paraguai e outra para eventos do aniversário de Porto Murtinho, incluindo um rodeio. 

Questionada pelo Correio do Estado, Rose Modesto disse não ter ciência sobre a apuração e falou sobre o trâmite após o repasse do dinheiro ao município. "Uma vez que você envia a emenda, quem paga é o Governo Federal, quem recebe é a prefeitura, a mesma é quem presta contas", disse. 

O plano está formalmente aprovado, mas o relatório de gestão apresentado pelo município é apenas parcial, Porto Murtinho não entregou a prestação de contas completa exigida pelo STF.

Alerta do Ministério do Turismo

Em uma Nota Técnica produzida em 17 de dezembro de 2025, e encaminhada ao STF, o Ministério do Turismo alertou que dos 142 planos de ação analisados com metas relacionadas a eventos, 84 beneficiários permaneceram inertes, sem apresentar as informações complementares exigidas.

O próprio Ministério do Turismo declarou que não consegue mais agir no sistema. Com a classificação dos planos como “Legado ADPF 854 STF / NT-TCU”, nenhum órgão federal consegue solicitar complementações, fixar prazos ou cobrar os municípios inadimplentes diretamente pela plataforma. A responsabilidade, segundo o documento, é exclusiva dos executores, ou seja, dos municípios.

O Ministro Flávio Dino determinou que todos os entes beneficiados pelas emendas PIX apresentassem planos de trabalho e relatórios de execução na Plataforma Transferegov.br. A exigência visa identificar para quem o dinheiro público efetivamente chegou, quais empresas foram contratadas com os recursos dos parlamentares.

Enquanto o relatório de gestão completo não for apresentado, o STF e os órgãos federais não têm acesso aos CNPJs dos fornecedores pagos com o dinheiro da emenda. No caso de Porto Murtinho, o sistema registra “nenhum item encontrado” na lista de anexos do plano de ação.

O prazo de execução do plano foi registrado como 36 meses, com término previsto para março de 2026, data que já passou.

 

Internacional

Flávio diz ter enviado carta a Rubio pedindo que EUA não imponham tarifas de 25% ao Brasil

Flávio expressou ainda "preocupação" com a situação e argumentou que a economia brasileira enfrenta uma "grave deterioração fiscal e econômica"

02/06/2026 21h00

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é pré-candidato à Presidência da República no pleito deste ano

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é pré-candidato à Presidência da República no pleito deste ano Carlos Moura/Agência Senado

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O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pelo PL, afirmou nesta terça-feira, 2, ter enviado uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o país desista de impor novas tarifas ao Brasil.

"A imposição de novas tarifas causaria sérios prejuízos ao povo brasileiro - os mesmos cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo. Portanto, escrevo para reiterar, formalmente, o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil", diz o senador no documento.

Flávio expressou ainda "preocupação" com a situação e argumentou que a economia brasileira enfrenta uma "grave deterioração fiscal e econômica", com parte da população endividada.

A decisão dos EUA de impor novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros foi anunciada ontem pelo país como conclusão de uma investigação sobre supostas práticas desleais do Brasil, com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.

Entre os pontos citados pelo país, está um suposto tratamento preferencial ao Pix, que prejudicaria empresas norte-americanas.

Flávio Bolsonaro ainda agradeceu pela decisão dos Estados Unidos de classificar os grupos criminosos Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.

Na semana passada, Flávio esteve com Rubio em Washington.

Acusações de ter influenciado na decisão sobre tarifas

O deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o senador Flávio Bolsonaro seja investigado por supostamente atuar nos Estados Unidos pela aplicação de um novo tarifaço contra o Brasil.

Também nesta sexta-feira, o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criticou Flávio Bolsonaro e sua família ao comentar a proposta do USTR sobre as tarifas.

"Os filhos do Bolsonaro conseguem ser piores que ele. São traidores", afirmou

Lula afirmou que Flávio Bolsonaro tentou negar apoio à nova taxação contra o Brasil, mas relembrou declarações públicas feitas por ele e sua família após o tarifaço de 2025.

O presidente citou manifestações dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro em agradecimento a Donald Trump após o anúncio das sanções e disse que outro filho - o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro - também teria elogiado o presidente norte-americano e defendido a aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras.

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