Política

EMENDAS PARLAMENTARES

Seis deputados federais de MS enviaram R$ 81,6 milhões do "orçamento secreto"

Cada parlamentar do Estado ainda dispôs de R$ 37,8 milhões para emendas individuais, visando atender às suas bases

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Seis dos oito deputados federais de Mato Grosso do Sul foram autores de R$ 81,6 milhões em emendas no “orçamento secreto” de 2024, conforme consulta realizada pelo Correio do Estado por meio de relatório divulgado pela Controladoria-Geral da União (CGU).

Trata-se dos parlamentares Beto Pereira (PSDB), Camila Jara (PT), Dagoberto Nogueira (PSDB), Dr. Luiz Ovando (PP), Geraldo Resende (PSDB) e Vander Loubet (PT), ficando de fora os deputados federais Marcos Pollon (PL) e Rodolfo Nogueira (PL).

O montante dessas emendas é oriundo de cinco comissões temáticas da Câmara dos Deputados que deveriam atender a projetos regionais ou estruturantes, mas que foram usadas para atender à base eleitoral desses parlamentares sem que estivessem especificadas no Orçamento Geral da União, o que dificulta o controle.

Ainda conforme o relatório da CGU, além dessas emendas das cinco comissões, cada deputado federal dispôs de R$ 37,87 milhões para emendas individuais para atender às bases.

Os dados e os documentos sobre as emendas parlamentares do Congresso Nacional, que estão no Portal Transparência, foram disponibilizados para cumprir a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) de dar visibilidade e capacidade de rastreamento de dados.

Dessa forma, a CGU passou a dispor de informações como documentos, planilhas e links enviados pelo Congresso dentro das seções de emenda de comissão (RP8) e de relator (RP9).

A divulgação desses documentos no Portal da Transparência foi no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 854, que trata sobre o “orçamento secreto”, de acordo com o órgão público.

Esse procedimento atende à determinação do ministro Flávio Dino, do STF, que suspendeu o pagamento de 5.449 emendas de comissão, que somam R$ 4,2 bilhões do Orçamento da União.

A suspensão valeria até que a Câmara apresentasse as atas das sessões das comissões permanentes da Casa de Leis nas quais teriam sido aprovadas as destinações das emendas.

Na semana retrasada, a CGU divulgou a relação de emendas de cinco comissões temáticas da Câmara, mas ainda faltam outras 25, uma vez que ao todo são 30 colegiados permanentes que indicaram emendas ao Orçamento.

Os seis deputados federais de MS que destinaram os R$ 81,6 milhões em emendas do “orçamento secreto” fazem parte desses colegiados.

Na Comissão de Desenvolvimento Urbano, foram apresentadas 10 emendas por parlamentares federais do Estado, as quais foram executadas por meio do Ministério das Cidades, totalizando R$ 5,137 milhões.

Pereira destinou R$ 1,039 milhão para a prefeitura de Novo Horizonte do Sul, enquanto Camila mandou R$ 905 mil para prefeitura de Bonito e Dagoberto enviou R$ 1 milhão para o governo do Estado. Já Ovando encaminhou R$ 1,2 milhão para o Executivo da Capital e Loubet direcionou R$ 905 mil para a prefeitura de Porto Murtinho.

Na Comissão de Indústria, Comércio e Serviços, os mesmos parlamentares, mais Resende, despacharam R$ 9,230 milhões, distribuídos em nove emendas sob responsabilidade do Ministério da Integração Nacional para as prefeituras de Rio Negro, Sidrolândia, Chapadão do Sul, Bonito, Glória de Dourados, Rio Verde e Itaporã, à Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) e à Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul).

Na Comissão de Saúde, foram R$ 51,120 milhões em emendas para atender aos redutos eleitorais dos parlamentares em MS. Foram apresentadas 31 emendas, tendo Loubet e Camila, do partido do governo federal, como os que mais protocolaram – nove e sete, respectivamente.

O maior valor foi para o Fundo Estadual de Saúde e para a Secretaria de Estado de Saúde (SES), totalizando R$ 28,1 milhões, enquanto outros R$ 5,6 milhões foram direcionados para Aquidauana e R$ 4,3 milhões à Capital.

Na Comissão do Esporte, foram R$ 7,868 milhões distribuídos em 15 emendas. Já na Comissão de Turismo, o montante destinado chegou a R$ 8,304 milhões, divididos em sete emendas.

SAIBA

Em fevereiro, Dino homologou o plano de trabalho apresentado pelo Senado, em conjunto com a Câmara e o Executivo, com medidas para aumentar a transparência e a rastreabilidade na execução das emendas, a fim de destravar a aprovação do Orçamento.

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Comemoração em Campo Grande

Apoiadores atribuem vitória de Lula à mobilização nas ruas

Centenas de pessoas foram à Rua 14 de Julho, na Capital, para comemorar a reeleição

25/10/2026 22h17

Comemoração da virada de Lula, na 14 de Julho

Comemoração da virada de Lula, na 14 de Julho Gerson Oliveira

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Centenas de pessoas tomaram a Rua 14 de Julho, em Campo Grande, na noite deste domingo (25), para comemorar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela Presidência da República. Entre buzinaços, trânsito congestionado e manifestações de apoio, eleitores apontaram a mobilização popular, as conversas nas ruas e a articulação nas redes sociais como fatores que contribuíram para o resultado.

Para o ator Marcelo Lopes, de 32 anos, a vitória representa a força da escolha da maioria e a defesa de pautas sociais. “A mobilização, a escolha da maioria fez-se valer. As pessoas foram às ruas pensando no coletivo, nos direitos trabalhistas, nos direitos humanos, na segurança jurídica, na economia, em tudo que é melhor para esse país”, afirmou.

Marcelo também avaliou que a movimentação durante o segundo turno surpreendeu eleitores que consideravam a disputa definida após a primeira votação. Na avaliação dele, a mudança de cenário estimulou apoiadores a intensificarem a campanha nas ruas e nas redes sociais. “O segundo turno chacoalhou todo mundo, especialmente as pessoas que deixaram de votar. A tática de virar o voto valeu a pena. A galera se esforçou nas ruas, nas redes, deu certo”, disse o artista em entrevista ao Correoio do Estado. 

A estudante Maria Vitória, de 20 anos, também destacou a importância do contato direto entre eleitores. Para ela, a mobilização nas ruas ajudou a ampliar a visibilidade da campanha e permitiu que as pessoas conversassem sobre as propostas dos candidatos.

Comemoração da virada de Lula, na 14 de Julho

“Eu acreditava, mas era difícil imaginar que realmente acontecesse. Ver o povo saindo às ruas fez acreditar que isso poderia acontecer”, relatou. “O que mais foi fundamental foi o povo sair na rua de novo, esse corpo a corpo que uniu de novo e até as pessoas conversarem entre si", completou. 

O autônomo Otávio Nunes, de 22 anos, atribuiu parte da mudança de cenário à circulação de informações nas redes sociais e à busca dos eleitores por dados sobre os candidatos. Para ele, a estratégia de estimular as pessoas a pesquisar e conferir informações ajudou a ampliar o apoio a Lula, especialmente entre quem não havia participado da votação no primeiro turno.

“O canal no WhatsApp fomentou muito mais os votos e as pessoas começaram de fato a pesquisar no Google.Vamos pesquisar, então vamos ver de verdade quais são os fatos, o que a mídia está falando”, concluiu o jovem. 

Crescimento dos votos eem Campo Grande e em MS

Os dados da apuração mostram que Lula ampliou sua votação entre os dois turnos, embora Flávio Bolsonaro (PL) tenha terminado à frente em Mato Grosso do Sul.

Em Campo Grande, Lula passou de 159.856 votos no primeiro turno para 199.121 no segundo, aumento de 39.265 votos. Flávio Bolsonaro também cresceu na Capital, de 289.672 para 312.867 votos, acréscimo de 23.195.

No Estado, Lula recebeu 628.973 votos no segundo turno, ante 516.855 no primeiro, crescimento de 112.118 votos. Flávio passou de 873.351 para 927.892 votos, somando mais 54.541.

Apesar do avanço da votação de Lula, Flávio venceu em Mato Grosso do Sul, com 59,60% dos votos válidos, enquanto o petista obteve 40,40%. No resultado nacional, Lula foi reeleito presidente da República.

Eleições 2026

Nunes Marques: Não houve nenhuma alteração advinda de decisão do STF

Presidente do TSE destacou que tem "absoluta segurança de todo o processo eleitoral"

25/10/2026 22h00

Ministro Kassio Nunes Marques

Ministro Kassio Nunes Marques Foto: Divulgação / X

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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, sustentou que a Corte adotou todas as providências necessárias para cumprir a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou o encerramento da votação em segundo turno em todo o País neste domingo, 25. Ele também destacou que tem "absoluta segurança de todo o processo eleitoral". Por decisão do ministro Cristiano Zanin, proferida às 17h01, o fechamento das urnas foi adiado de 17h para 19h.

"Mesmo diante de todas essas circunstâncias, adotamos todas as providências que se fizeram necessárias e fomos absolutamente exitosos. Não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Houve prorrogação na forma em que foi decidida. O TSE cumpriu a decisão nos estritos termos em que ela foi proferida e logo após demos fluência à totalização e à disponibilização. Então, temos absoluta segurança de todo o processo eleitoral", afirmou.

Judicialização da política traz consequências para tempo de resposta

Em declaração na noite deste domingo, Nunes Marques, afirmou que as eleições brasileiras experimentaram "um grau elevado de judicialização". Segundo ele, foram submetidos ao Tribunal Superior Eleitoral um total de 2.265 processos referentes às eleições de 2026, dentre esse número foram 827 representações e 446 direitos de resposta.

O presidente da Corte eleitoral deu uma declaração na sede do TSE, em Brasília, após a Corte confirmar a reeleição do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 51,78% dos votos válidos, ante 48,22% do adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Nunes Marques não respondeu a perguntas de jornalistas, diferentemente do que ocorreu após a declaração dos resultados no primeiro turno, em 4 de outubro. Estavam presentes na mesa o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e os ministros André Mendonça e Dias Toffoli, além dos demais ministros do TSE, mas nenhum deles se manifestou.

"A hiperjudicialização da disputa política produz consequências inevitáveis para o tempo de resposta jurisdicional. Cada processo exige exame, contraditório, análise técnica, fundamentação e, quando cabível, apreciação colegiada", criticou Nunes Marques.

"A celeridade é indispensável em matéria eleitoral, mas celeridade não pode se sobrepor à adequada prestação jurisdicional. Nosso desafio para os próximos ciclos será, portanto, continuar aperfeiçoando procedimentos, racionalizar fluxos e encontrar mecanismos que permitam oferecer respostas ainda mais céleres sem abrir mão das garantias que caracterizam o devido processo legal", completou.

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