Política

SIDROLÂNDIA

MP pediu prisão de 11 implicados com corrupção em prefeitura, mas Justiça rejeitou apelo

Com a quebra de sigilo bancário, investigadores do Gaeco notaram somas depositadas em contas de servidores municipais

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Operação conduzida semana passada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, que cumpriu 16 mandatos de busca e apreensão contra uma quadrilha, segundo os investigadores do caso, que fraudava licitações para arrecadar dinheiro da prefeitura de Sidrolândia, poderia ter mandado para a cadeia ao menos 11 pessoas, entre as quais empresários e servidores municipais. 

Isso não ocorreu porque a Justiça rejeitou a ideia das prisões pleiteadas pelo MP. Foram efetuados somente os mandados de busca e apreensão.

Relatório da 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia, de 62 páginas, as quais o Correio do Estado teve acesso, direcionada à 1ª Vara Criminal da cidade narra que o esquema de fraude ocorria desde 2017. 

A trama teria recaído sobre a gestão municipal passada.

Trecho do relatório do MP sustenta que "... ficou demonstrato a partir das inspeções relizadas e dos documentos juntados, os quais demonstram que os alvos, unidos com servidores públicos, ajustam previamente os interesses para não só conseguir algum contrato com a prefeitura, como também para burlar a execução contratual".

Ainda conforme o MP, "foram analisadas decorrentes da quebra de sigilo bancário e os dados oriundos da nuvem e e-mails dos implicados" as provas de que havia o esquema de fraude.

CONSPIRAÇÃO

Também segundo o MP, "a conclusão, segundo o relatório de análise telemática, foi de que os documentos encontrados demonstram o vínculo entre os investigados, ante o compartilhamento de informações entre eles, que deveriam ser confidenciais, como, por exemplo, proposta de preço, documentos pessoais, carimbos das empresas, enfim, elementos indicativos da existência de conspirações e acordos ilegais entre os envolvidos".

O MP pediu à Justiça a incriminação dos denunciados por peculato, falsidade ideológica, fraude às licitações, associação criminosa e sonegação fiscal.

Entre os envolvidos, segundo o MP, tinha servidores, um deles com cargo de chefia e que, com a quebra do sigilo bancário, descobriu-se depósitos em suas contas de empresas do esquema que alternavam de R$ 2 a R$ 7 mil. Três empresas aparecem na lista dos denunciados.

ASSIM AGIAM

Para dar legitimidade ao esquema fraudulento e aos processos de licitação, onde promoviam o desvio de recursos públicos reservados para a execução dos contratos, os investigados, segundo o MP, "viabilizavam a abertura de empresas e o registro junto ao Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) ou se aproveitavam da existência de cadastramento preexistente para incrementar o objeto social sem que o estabelecimento comercial apresentasse experiência, estrutura ou capacidade técnica para a execução do serviço contratado ou fornecimento do material adquirido pelo município".

Há A suspeitas de que as empresas que agiram no esquema arrecadaram da prefeitura em torno de R$ 4 milhões.

COMUNICADO DA PREFEITURA

Em nota, divulgada no dia do cumprimento dos mandados de buscas e apreensão, semana passada, a prefeita de Sidrolândia, Vanda Camilo (PP), disse que está acompanhando o desdobramento da operação e que seu dever é "zelar pela integridade", "transparência e legalidade de todas as ações realizadas em sua gestão.

"Por essa razão, vamos aguardar o deslinde da operação para adotar as providências e prestar os esclarecimentos necessários à população, de forma responsável e imparcial", disse a prefeita na nota.

Ainda conforme Vanda, a rotina de trabalho administrativa em todas as secretarias segue normal.

TROMPER

O nome da operação do Gaeco, foi batizada como Tromper, que tem esse significado no idioma francês: "enganar".

O MP, ao menos no relatório em que pediu as prisões, prppôs ao juiz que a questão fosse tratada em segredo segredo de justiça.

(COLABOROU - GLAUCEA VACCARI)

 


 

Declaração

Presidente do PL quer Tereza Cristina como vice de Flávio Bolsonaro

Senadora diz que é cedo para discutir composição de chapa e reforça que decisão cabe ao candidato e aos partidos da coligação

26/02/2026 13h45

Fotos: Divulgação / Marcelo Victor

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"As mulheres são muito melhores do que os homens. E a Tereza Cristina tem um carisma que ninguém tem", destacou Valdemar Costa Neto, presidente do PL, frisando que a senadora sul-mato-grossense possui lastro para ser vice de Flávio Bolsonaro no pleito deste ano. 

"Não tenho dúvida de como ela pode ajudar a fazer um bom governo, caso seja pré-candidata a vice-presidente", destacou em seu perfil das redes socias. 

Na última quarta-feira (25), a senadora afirmou que ainda é cedo para tratar da possibilidade de integrar como vice uma eventual chapa presidencial encabeçada pelo senador Flávio.

Apesar de ser apontada como uma das principais cotadas por Valdemar Costa Neto, a parlamentar negou ter recebido convite até o momento.

“Lá na frente, se isso estiver à mesa [ser vice], nós vamos sentar e examinar com muito bons olhos”, declarou a senadora em entrevista ao Valor Econômico nesta semana.

Questionada após o lançamento do Instituto Diálogos, em Brasília, grupo idealizado por ela e que reúne parlamentares, empresários e acadêmicos para discutir propostas de desenvolvimento, Tereza Cristina reforçou que a definição de vice é uma das últimas etapas na construção de uma candidatura.

“Eu já cansei até de dizer esse assunto. Vice não é candidato, é uma escolha do candidato, e é uma das últimas escolhas. Faz parte dos partidos que vão coligar. Tem uma série de fatores que são colocados à mesa para a escolha, mas eu tenho certeza de que o Flávio vai escolher o melhor vice, para que ele tenha sucesso nas eleições”, destacou. 

Tereza também destacou que a discussão precisa passar pelo seu partido, o PP, antes de qualquer definição. Segundo ela, a associação de seu nome à possível chapa se deve ao perfil político e à proximidade com o grupo bolsonarista.

“Nunca foi convidada (para compor a chapa). Eu tenho isso na imprensa porque, talvez, sendo mulher, sendo uma pessoa do agro, eu tenho proximidade, fui ministra do pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por isso o meu nome vem aí na mesa. Mas nunca fui convidada”, afirmou.

Na segunda-feira (23), durante evento do Grupo Esfera, em São Paulo, Valdemar Costa Neto elogiou Tereza Cristina publicamente e disse que ela seria uma boa opção para a vice. Outro nome citado nos bastidores é o do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).

O dirigente do PL também mencionou levantamento da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg que aponta empate técnico entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno, com 46,3% e 46,2% das intenções de voto, respectivamente.

“O Flávio sozinho já mostrou que tem musculatura, né? Já está mostrando a que veio. Olha só a pesquisa de hoje”, frisou.

Cabe destacar que Tereza e Valdemar se reuniram em setembro último em evento de filiação de Reinaldo Azambuja ao PL, realizado em Campo Grande. 

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Operação Camuflagem

Cinco são presos por escândalo de corrupção em Sidrolândia

Empresário condenado na Operação Tromper está entre os presos por suspeita de ocultar recursos por meio de laranjas

26/02/2026 11h58

Divulgação MPMS / Reprodução

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O Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) cumpriu cinco mandados de prisão nesta quinta-feira (26). Entre os alvos está o empresário Ueverton da Silva Macedo, o “Frescura”, e a esposa Juliana Paula da Silva, suspeitos de lavagem de dinheiro em Sidrolândia.

Também está entre os presos o empresário Gledielson Cabral Nobre, apontado como sócio da Prestadora de Serviços Nobre. A estrutura estaria beneficiando o investigado e sua família, inclusive no período em que ele esteve preso.

O esquema utilizava contas bancárias de terceiros, empresas registradas em nome de comparsas e a interposição de pessoas para a realização de pagamentos e movimentações financeiras em benefício do investigado e de sua família, inclusive enquanto ele seguia sob medida cautelar.

Frescura foi condenado, em 2025, a 37 anos e 10 meses de prisão por corrupção passiva e ativa, peculato, organização criminosa e fraudes em licitações que desviaram dinheiro dos cofres públicos da Prefeitura de Sidrolândia, após desdobramentos da Operação Tromper.

Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão, todos expedidos pelo Poder Judiciário após representação do Ministério Público.

Operação Tromper: 1ª fase

Em maio de 2023, foi deflagrada a Operação Tromper, que teve como alvo grupo criminoso que participava de esquema de corrupção e fraudes em licitações, com busca e apreensão em casas de servidores municipais de Sidrolândia. Ao todo, 16 mandados foram cumpridos na ação, com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar.

Ainda segundo apurou a investigação, o esquema de corrupção funcionava, pelo menos, desde 2017, e era destinado à obtenção de vantagens ilícitas.

Tais vantagens vinham por meio da prática de crimes de peculato, falsidade ideológica, fraude às licitações, associação criminosa e sonegação fiscal. 

Após a divulgação da Operação contra os servidores, a atual prefeita, Vanda Camilo, publicou uma nota dizendo que estava acompanhando o desdobramento da operação e que seu dever é "zelar pela integridade", "transparência e legalidade de todas as ações realizadas em sua gestão".

Operação Tromper: 2ª fase

Em julho de 2023, no segundo desdobramento da Operação, o MPE cumpriu quatro mandados de prisão e cinco de busca e apreensão, realizada por meio da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público de Sidrolândia, do Grupo Especial de Combate à Corrupção (GECOC) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO).

Foram detidos dois empresários e dois servidores municipais. Um dos servidores é Tiago Basso da Silva, ex-chefe do setor de execução e fiscalização de contratos do município, e outro o comissionado César Bertoldo, que atua na área de licitação da prefeitura. 

Os empresários investigados foram Uevertom da Silva Macedo, candidato do Partido Social Democrático (PSD) na última eleição, e Roberto da Conceição Valençuela, dono da R&C Comércio e Serviços.

Operação Tromper: 3ª fase

Quase um ano depois da primeira fase, em abril de 2024, os agentes do GECOC e do GAECO cumpriram oito mandados de prisão - sendo um dos alvos o vereador Claudinho Serra (PSDB), genro da atual prefeita de Sidrolândia - e 28 de busca e apreensão, em 3ª fase de operação que apura corrupção envolvendo o executivo municipal de Sidrolândia durante a manhã desta quarta-feira (03).

Ao Correio do Estado, fontes repassaram que ao menos sete policiais compareceram à residência do vereador Claudinho Serra, que fica localizada no residencial de luxo Damha III em Campo Grande. 

Também, o Ministério Público apontou que os contratos identificados e objetos da investigação alcançavam o montante aproximado de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais à época)

Ainda em outubro de 2024, Claudinho seguia como vereador na Câmara Municipal de Campo Grande, do qual não compareceu desde abril, usando frequentes atestados médicos de 30 dias para se afastar do cargo após a polêmica.

 
**Colaboraram Glaucea Vaccari e Leo Ribeiro

 

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