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STF entra em recesso e decisões de impacto ficam para o segundo semestre

A última sessão do semestre será dedicada à conclusão da análise de modificações feitas pelo Congresso Nacional na Lei de Improbidade Administrativa

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O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta quarta-feira, 1º, a última sessão presencial do semestre. Com o recesso, fica para a segunda parte do ano a retomada de processos de grande repercussão.

É o caso do julgamento sobre o vínculo empregatício entre trabalhadores de aplicativos e plataformas digitais (a chamada "uberização"); as ações que questionam a constitucionalidade da Lei da Dosimetria; a definição sobre a escolha do governador para mandato-tampão do Rio de Janeiro; e a elaboração de um código de ética para os ministros da Corte, que enfrenta resistência de alguns dos magistrados.

A última sessão do semestre será dedicada à conclusão da análise de modificações feitas pelo Congresso Nacional na Lei de Improbidade Administrativa. O tema é analisado desde maio e teve a última sessão encurtada em razão de jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo.

Durante o recesso, as sessões de julgamento ficam suspensas e os prazos processuais são interrompidos. O Supremo permanece funcionando em regime de plantão para analisar habeas corpus, liminares e outros pedidos considerados urgentes.

No processo da "uberização" das relações de trabalho, a Corte vai definir, depois de agosto, se motoristas e entregadores de plataformas como Uber e iFood mantêm vínculo empregatício com as empresas e fixar uma tese que servirá de referência obrigatória para todas as instâncias do Judiciário.

O julgamento foi retirado da pauta na semana passada após pedido da Defensoria Pública da União (DPU), que solicitou mais prazo para incorporar ao processo uma convenção aprovada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Também fica para depois a análise das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) que questionam a constitucionalidade da Lei da Dosimetria, que reduz penas aplicadas a condenados por tentativa de golpe de Estado e pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em maio, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu a aplicação da lei até que o STF decida se ela é compatível com a Constituição. A demora da Procuradoria-Geral da República (PGR) em apresentar parecer e a proximidade do recesso contribuíram para o adiamento do julgamento. No último dia 18, a PGR se posicionou contra a suspensão em regime de urgência, enquanto o mérito dos questionamentos no Supremo não é julgado.

Outra definição aguardada envolve a sucessão temporária no governo do Rio de Janeiro. O Supremo precisa decidir se o governador que ocuparia o cargo até janeiro de 2027 será escolhido por eleição direta ou indireta, pela Assembleia Legislativa do Estado (Alerj). O julgamento está suspenso desde abril por um pedido de vista do ministro Flávio Dino. Até a interrupção, o placar era de quatro votos favoráveis à eleição indireta e um pela realização de voto popular.

O STF também arrasta uma discussão administrativa considerada prioridade pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin: a criação de um código de ética para os ministros. A proposta, cuja relatoria foi atribuída à ministra Cármen Lúcia no início do ano, perdeu força ao longo do semestre diante de divergências internas. Cármen Lúcia afirmou que deve entregar uma primeira versão do projeto antes do fim deste ano.

Ultima Ratio

Desembargador Alexandre Bastos já tem maioria no CNJ para retornar ao TJMS

O relator, João Paulo Schoucair, considerou que a manutenção do afastamento é desproporcional e 7 já acompanharam seu voto

29/06/2026 08h00

O desembargador Alexandre Bastos foi afastado do cargo

O desembargador Alexandre Bastos foi afastado do cargo Arquivo

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O desembargador Alexandre Aguiar Bastos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), já obteve os votos necessários no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para retornar às suas funções judicantes e administrativas na Corte.

Conforme apuração do Correio do Estado, até sexta-feira, o magistrado já contabilizava 8 votos favoráveis, de 14 possíveis, no julgamento virtual do processo administrativo disciplinar (PAD) aberto contra ele.

O primeiro voto favorável ao retorno imediato do desembargador foi do conselheiro João Paulo Santos Schoucair, relator do PAD, decisão acompanhada por mais sete conselheiros do CNJ, restando seis votos para a conclusão. 

No entanto, como um dos seis conselheiros restantes pediu vistas, o julgamento está suspenso e, caso até amanhã o pedido não seja retirado, o resultado ficará para agosto, em razão do período de recesso do CNJ, impedindo o retorno imediato de Alexandre Bastos.

Ele está afastado das funções desde outubro de 2024, quando foi deflagrada a Operação Ultima Ratio, pela Polícia Federal, para investigar supostas infrações disciplinares como desvio funcional, nepotismo e venda de sentenças judiciais no TJMS.

A reportagem constatou que, apesar de se manifestar pela volta do desembargador ao cargo, o relator propôs a prorrogação do prazo de conclusão do PAD por mais 140 dias, visto que ainda restam diligências finais e atos instrutórios pendentes. 

Ainda de acordo com informações obtidas com exclusividade pelo Correio do Estado, pois o julgamento corre em segredo de Justiça, a proposta de revogação da medida cautelar de afastamento foi apresentada ad referendum, o que significou que precisaria ser submetida ao referendo do Plenário do CNJ, que é composto por 15 conselheiros.

Entretanto, também conforme apuração da reportagem, a conselheira Jaceguara Dantas da Silva, que é desembargadora do TJMS, declarou-se impedida e, portanto, não participou da deliberação deste caso específico no Plenário do CNJ.

O regimento interno do CNJ e as regras gerais de Direito Processual estipulam que membros do conselho não votam em processos disciplinares envolvendo magistrados de seu próprio tribunal de origem, para garantir a absoluta imparcialidade e isenção do julgamento. 

ARGUMENTOS

Em seu voto, o conselheiro João Paulo Schoucair destacou que o afastamento preventivo já supera o período de um ano e meio e que a manutenção da medida extrema não se mostrava mais proporcional ou necessária.

Entre os principais fatores que fundamentaram a decisão, o relator destacou a ausência de cautelares criminais vigentes, pois as medidas restritivas impostas anteriormente pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito criminal se tornaram insubsistentes, afinal, atualmente, o afastamento do magistrado se mantém vigente de forma exclusiva pela esfera administrativa do CNJ.

Ele ainda apontou a inexistência de procedimentos na Receita Federal, já que um ofício oficial enviado pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil informou que não há registros de procedimentos fiscais instaurados contra o contribuinte Alexandre Aguiar Bastos, o que enfraqueceu as suspeitas iniciais de ocultação de ativos ou incompatibilidade patrimonial.

O conselheiro também pontuou avanço da instrução processual, pois, como as principais provas (como buscas, apreensões e quebras de sigilo) já foram colhidas, não há riscos contemporâneos ou concretos de que o desembargador possa interferir no andamento das investigações ou ocultar provas.

Por fim, o relator enxergou prejuízo ao jurisdicionado, ao frisar que o prolongado afastamento de um membro do TJMS gera vacância que impacta diretamente a celeridade e a prestação dos serviços públicos da Justiça à população.

BTG/Nexus

Lula tem 47% contra 44% de Flávio Bolsonaro no 2º turno, em empate técnico

Na comparação com a pesquisa anterior, Lula recuou dois pontos e seu principal opontente, Flávio Bolsonaro, cresceu um ponto percentual 

29/06/2026 07h15

Diferença entre Lula e Flávio em um eventual segundo turno recuou três pontos entre o levantamento anterior e o atual

Diferença entre Lula e Flávio em um eventual segundo turno recuou três pontos entre o levantamento anterior e o atual

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera numericamente todos os cenários de segundo turno testados pela pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira, 29, mas a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) diminuiu e os dois estão tecnicamente empatados. Lula tem 47% das intenções de voto, ante 44% de Flávio, diferença dentro da margem de erro de dois pontos porcentuais.

Na comparação com a pesquisa anterior, Lula recuou dois pontos e seu principal oponente, Flávio Bolsonaro, cresceu um ponto percentual em um eventual segundo turno.

Nos demais cenários de segundo turno, Lula aparece à frente do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), por 48% a 38%; do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), por 47% a 39%, e do presidente do partido Missão, Renan Santos, por 48% a 36%.

Os eleitores que afirmam votar em branco, nulo ou nenhum variam entre 8% e 15%, atingindo o menor porcentual na disputa entre o atual presidente e o filho de Jair Bolsonaro. Já os que não sabem ou não responderam variam de 1% a 2%.

No primeiro turno, Lula registra 42% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 34%. Na sequência aparecem Caiado, com 5%, Renan Santos, com 4%, e Zema, com 3%. O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (DC) aparece com 2%. Brancos, nulos ou nenhum somam 5% e não souberam ou não responderam, 3%.

A pesquisa ouviu 2.009 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 26 e 28 de junho. O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-08521/2026.

CASO MASTER

O caso do Banco Master é apontado por 35% dos eleitores como um escândalo ligado tanto ao grupo político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), quanto ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aponta A pesquisa.

A percepção de que o escândalo do Master é mais ligado ao grupo de Flávio é compartilhada por 32% dos entrevistados, enquanto para 23% o caso é mais ligado ao grupo de Lula.

Esta é a primeira pesquisa realizada depois da operação contra o agora ex-líder do governo no Senado Jaques Wagner (PT-BA) e da divulgação da conversa entre Flávio Bolsonaro e o Daniel Vorcaro, dono do Master.

A pesquisa mostrou que 24% dos entrevistados não ouviram falar da operação contra Wagner, realizada no dia 18 de junho. Por outro lado, 17% não ouviram falar da conversa entre Flávio e Vorcaro, divulgada em 13 de maio. Ao todo, 82% ouviram falar do caso de Flávio e 75%, do caso de Wagner.

SEGURANÇA PÚBLICA

A segurança pública segue sendo apontada como o principal problema do País, segundo a pesquisa. A questão, no entanto, perdeu força em relação a meados de junho, enquanto o temor em relação à corrupção cresceu.

Para 29% dos entrevistados, a segurança é um dos principais problemas: 15% a apontaram em primeiro lugar e 14%, em segundo. No caso da corrupção, 19% a apontaram em primeiro lugar e 7%, em segundo, totalizando 26% dos entrevistados colocando-a como principal problema do País.

A saúde pública também é citada como principal problema do Brasil por 26% dos eleitores (para 12%, é o primeiro, e para 14%, o segundo). A classe política (15%), a educação (14%), a inflação e o custo de vida (11%), o desemprego (11%) e a desigualdade social (10%) também são apontados como problemas brasileiros.
 

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