Uma sul-mato-grossense pode terminar este domingo (4) eleita para comandar um estado a mais de 3 mil quilômetros de sua terra natal. Atual governadora do Acre e candidata à reeleição, Mailza Assis (PP) nasceu em Mundo Novo, no extremo sul de Mato Grosso do Sul, onde viveu até os 20 anos antes de se mudar para a Região Norte e construir uma trajetória que a levou do interior acreano ao Senado Federal e, posteriormente, ao Palácio Rio Branco.
A ligação de Mailza com Mato Grosso do Sul não se resume ao local de nascimento. Ela nasceu em 10 dezembro de 1976, em Mundo Novo, município localizado na fronteira com o Paraguai, e permaneceu na cidade durante a infância, adolescência e início da vida adulta. Em 1996, aos 20 anos, deixou o Estado e mudou-se para o Acre.
Três décadas depois da mudança, Mailza chega às urnas como governadora e candidata a permanecer no cargo pelos próximos quatro anos. O registro de candidatura dela ao Governo do Acre pelo Progressistas foi deferido pela Justiça Eleitoral.
A sul-mato-grossense entrou neste primeiro turno em posição de destaque na corrida eleitoral. Pesquisa Quaest divulgada na reta final da campanha apontou Mailza na liderança, com 36% das intenções de voto, cenário que colocou a atual governadora entre os nomes competitivos para vencer a disputa.
De Mundo Novo para o Acre
Foi no Acre que Mailza estabeleceu a vida familiar, profissional e política. Formada em Pedagogia e com MBA em Políticas Públicas, passou a ter atuação especialmente ligada ao município de Senador Guiomard, na região metropolitana de Rio Branco.
A carreira ganhou projeção nacional a partir das eleições de 2018. Mailza era suplente de Gladson VameGladson Cameli, então senador que deixou o mandato após ser eleito governador do Acre. Com isso, ela assumiu uma cadeira no Senado Federal em 2019 e permaneceu na Casa até 2022.
Durante a passagem pelo Senado, ocupou espaços de liderança partidária e chegou a comandar o bloco parlamentar Unidos pelo Brasil. O período em Brasília consolidou o nome de Mailza no cenário político acreano antes de uma nova mudança de função.
Nas eleições de 2022, ela integrou como candidata a vice a chapa de Gladson Cameli, que conquistou a reeleição para o Governo do Acre ainda no primeiro turno, com 242.100 votos.
Como vice-governadora, Mailza também esteve à frente da área de assistência social e direitos humanos do governo estadual, ampliando sua presença administrativa antes de chegar definitivamente ao principal cargo do Executivo.
SUL-MATO-GROSSENSE ASSUME O GOVERNO
O passo seguinte ocorreu em 2 de abril de 2026. Gladson Cameli deixou o Governo do Acre dentro do prazo de desincompatibilização eleitoral para disputar uma vaga no Senado, e Mailza assumiu definitivamente o comando do Estado.
A posse também teve significado histórico. Mailza tornou-se a segunda mulher a governar o Acre, quase quatro décadas depois de Iolanda Fleming, que assumiu o Executivo acreano em 1986 e entrou para a história como a primeira mulher a governar um estado brasileiro.
Dessa forma, a jovem que deixou Mundo Novo aos 20 anos passou a ocupar, 30 anos depois, o cargo máximo do Executivo acreano.
Agora, porém, enfrenta um desafio diferente. Ao contrário de abril, quando chegou ao posto pela linha sucessória após ter sido eleita vice-governadora, Mailza busca neste domingo conquistar diretamente nas urnas um mandato próprio à frente do Estado.
Caso vença a eleição, Mato Grosso do Sul terá uma conterrânea escolhida pela população acreana para governar o Acre pelos próximos quatro anos.
Liderança nas pesquisas
As pesquisas mais recentes indicam uma disputa apertada pelo Governo do Acre, mas com Mailza Assis na liderança. Levantamento Quaest realizado nos dias 2 e 3 de outubro mostra a governadora com 36% das intenções de voto, contra 33% de Alan Rick (Republicanos) e 16% de Tião Bocalom (PSDB).
Considerando apenas os votos válidos, Mailza aparece com 41%, enquanto Alan Rick tem 37%, cenário que aponta para a possibilidade de a eleição seguir para o segundo turno. A pesquisa ouviu 1.800 eleitores, tem margem de erro de dois pontos percentuais e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número AC-02370/2026.


