Política

Eleições 2026

Tema central da campanha ao governo, Saúde gera divergência em candidatos

Mapeamento das propostas para a área mostra diferenças sobre administração de hospitais, regionalização e fim das longas filas

Continue lendo...

Tema central de preocupação da população de Mato Grosso do Sul, conforme apontou o diretor do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa, a saúde pública ganhou espaço de destaque nos programas apresentados pelos oito candidatos ao governo do Estado nas eleições de 4 de outubro.

Filas para consultas, exames e cirurgias, falta de especialistas no interior e necessidade de percorrer longas distâncias em busca de atendimento estão entre os problemas que as candidaturas prometem enfrentar a partir de 2027.

Diante dessa preocupação, levantamento feito pelo Correio do Estado nos planos registrados pelos candidatos mostra como principal ponto de convergência a proposta de levar mais serviços especializados para o interior e reduzir a dependência de Campo Grande, enquanto as divergências aparecem, principalmente, na maneira como cada candidato pretende alcançar esse objetivo.

O governador Eduardo Riedel (PP) pretende ampliar o modelo de regionalização e saúde digital adotado na atual gestão, enquanto o ex-deputado federal Fábio Trad (PT) e o ex-senador Delcídio do Amaral (PRD) defendem maior participação direta do Estado na administração dos hospitais.

Já o deputado estadual João Henrique Catan (Novo) estabelece prazo para zerar filas críticas, enquanto o economista Renato Gomes (DC) promete aumentar significativamente a fatia do orçamento destinada à área.

Os outros três candidatos – Daniel Lemes (PCO), Jeferson Bezerra (Agir) e Lucien Rezende (Psol) – concentram suas propostas na ampliação do Sistema Único de Saúde (SUS), na telemedicina, na contratação de profissionais e na expansão da estrutura pública de atendimento.

Se os caminhos propostos são diferentes, os programas convergem em um diagnóstico: a concentração de especialidades e procedimentos de maior complexidade obriga moradores do interior a se deslocarem para grandes centros e aumenta a pressão sobre os hospitais da Capital.

A questão que deverá marcar o debate eleitoral, portanto, não é somente a necessidade de regionalizar o atendimento. Os candidatos terão de convencer o eleitor sobre como reduzir as filas, garantir médicos e especialistas no interior, ampliar a capacidade dos hospitais e financiar uma área que aparece no topo das preocupações da população estadual.

PROPOSTAS

Riedel pretende consolidar a regionalização da Saúde, fortalecer hospitais de média complexidade e colocar em funcionamento o Hospital Regional do Pantanal.

O plano também aposta na ampliação da telemedicina, na regulação integrada com os municípios e no atendimento regionalizado a pessoas com deficiência e autismo.

Fábio propõe retomar para o Estado a gestão dos hospitais regionais atualmente administrados por entidades privadas e construir três novas unidades, em Corumbá, Naviraí e Jardim.

Também prevê fortalecer hospitais já existentes, criar centros de especialidades e instituir uma carreira estadual do SUS para ajudar a fixar profissionais no interior.
 

Catan estabelece como principal meta zerar, nos primeiros 12 meses, as filas críticas de consultas, exames e cirurgias, enquanto Delcídio pretende fortalecer a gestão pública direta da Saúde e rever contratos com organizações sociais e parcerias público-privadas (PPPs).

Entre as propostas estão ampliar o programa Saúde da Família e os serviços de média e alta complexidade, criar centros especializados nos hospitais regionais e estabelecer planos de carreira aos profissionais.

Renato propõe aumentar gradualmente a aplicação estadual na Saúde para entre 18% e 20% do orçamento ao fim do mandato. Lucien defende ampliar os investimentos no SUS e o programa Mais Médicos, principalmente no interior e em áreas de maior vulnerabilidade.
 

Jeferson apresenta uma proposta mais enxuta, baseada na regionalização da rede hospitalar e na ampliação da telemedicina para reduzir as viagens de moradores do interior até Campo Grande, enquanto Daniel defende ampliar os recursos para o SUS e lançar um plano emergencial para a construção de hospitais e postos de saúde.

Revogação

Ministério Público Eleitoral pede impugnação de candidatura de Jamilson Name, réu na Omertà

Deputado foi condenado a oito anos de prisão; sentença está sob recurso

17/08/2026 16h00

Deputado Jamilson Name

Continue Lendo...

O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu a impugnação do registro de candidatura do deputado estadual Jamilson Name (PP), alvo da Operação Omertà e condenado em primeira instância a oito anos de prisão pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A sentença, proferida em janeiro de 2025 e está sob recurso.

A impugnação foi apresentada neste domingo (16) pelo procurador regional eleitoral Silvio Pettengil Filho e distribuída ao desembargador Sérgio Fernandes Martins, vice-presidente e corregedor-geral do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS). Name busca reeleição em 2026. 

O MPE sustenta que, embora a condenação não seja definitiva, as provas reunidas durante a Operação Omertà seriam suficientes, para fins eleitorais, para demonstrar sua vinculação com uma organização criminosa e justificar o impedimento de sua candidatura.

Jamilson foi alvo da sexta fase da Operação Omertà, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul em dezembro de 2020. Segundo a acusação, ele teria exercido papel de liderança na estrutura ligada à exploração ilegal do jogo do bicho, especialmente na administração financeira da organização.

À época, Jamilson Name foi apontado como líder da organização com atividades ligadas à empresa Pantanal Cap, apontada pela acusação como instrumento utilizado para misturar recursos de origem lícita com valores provenientes do jogo do bicho. O MPE também sustenta que ele passou a exercer maior autonomia e influência após a prisão do pai, Jamil Name, e do irmão, Jamil Name Filho.

O patriarca morreu em 2021, vítima da Covid-19, enquanto cumpria pena no presídio federal de Mossoró (RN), prisão onde Jamil Name Filho, que também foi preso no âmbito das investigações da Omertà, segue detido.

Na ação eleitoral, o procurador adota como fundamento a necessidade de preservar a legitimidade do processo eleitoral diante de possíveis vínculos com organizações criminosas. Pettengil ressalva que o pedido não representa antecipação de uma condenação criminal.

“Necessário ressalvar que não se busca, no caso, antecipar o juízo de condenação criminal ou afastar a garantia constitucional da presunção de inocência.”

Na sequência, o procurador sustenta que o precedente utilizado pelo Ministério Público Eleitoral não exige uma condenação criminal definitiva, mas considera a “necessidade de proteção do processo eleitoral contra a influência de organizações criminosas.”

A acusação aponta ainda que, após as prisões de Jamil Name e Jamil Name Filho, ele teria ampliado sua atuação dentro da organização.

Jamilson foi condenado em primeira instância pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Como a decisão está sob recurso, não houve trânsito em julgado da condenação.

Para o Ministério Público Eleitoral, a análise do pedido de impugnação ocorre em âmbito eleitoral e, por isso, as provas produzidas na Operação Omertà poderiam ser consideradas suficientes para avaliar os riscos à legitimidade do processo eleitoral, independentemente da conclusão definitiva da ação penal.

O pedido será analisado pela Justiça Eleitoral de Mato Grosso do Sul, sob relatoria do desembargador Sérgio Fernandes Martins. Até a publicação desta matéria, a candidatura de Name segue em vigor.

A reportagem entrou em contato com o deputado estadual e não obteve retorno até o fechamento. O espaço segue aberto. 

Congresso

Disputa por vaga na bancada federal é a menor dos últimos 12 anos em MS

Em 2026, disputa é de aproximadamente 15 candidatos por vaga

17/08/2026 14h45

Foto: Montagem Correio do Estado

Continue Lendo...

Encerrado o prazo de registro de candidaturas, a disputa por uma vaga na bancada federal por Mato Grosso do Sul é a menor dos últimos 12 anos. 

Neste ano, 122 candidatos disputam as oito cadeiras sul-mato-grossenses no Congresso Nacional, queda de quase 22% ante 156 nomes da última disputa. A concorrência passou de aproximadamente 19 para 15 candidatos por vaga.

Em 2014 e 2018, foram registradas respectivamente 130 candidaturas, ao passo que em 2010, apenas 74 nomes disputaram o pleito geral, menor índice da série histórica.

Vander Loubet, Reinaldo Azambuja, Mandetta, Giroto, Geraldo Resende, Biffi, Fábio Trad e Marçal Filho em 2010 /  Fotos: Divulgacand

Na ocasião se elegeram: Edson Giroto (PR), Reinaldo Azambuja (PSDB), Vander Loubet (PT), Fábio Trad (PMDB), Geraldo Resende (PMDB), Luiz Henrique Mandetta (DEM), Marçal Filho (PMDB) e Antônio Carlos Biffi (PT). 

Passados 16 anos, apenas Geraldo Resende e Giroto disputam uma cadeira no Congresso. À época, após dois anos de mandato, Giroto venceu a disputa pela prefeitura de Campo Grande e deixou o Congresso, ao passo que Geraldo Resende cumpriu o mandato e foi reconduzido ao cargo em 2014. 

Eleição     Candidatos        Candidatos por vaga
2026           122                   15,25
2022           156                   19,50
2018           130                   16,25
2014           130                   16,25
2010            74                    9,25

Dois anos mais tarde, foi derrotado na disputa pela prefeitura de Dourados. Em 2018, buscou novamente a recondução, contudo não se elegeu e assumiu pelos três anos seguintes a Secretaria Estadual de Saúde (2019-2022) durante o segundo mandato de Azambuja como governador. Há quatro anos voltou ao Congresso. 

Antecessor de Riedel no Governo do Estado, Azambuja disputa uma vaga no Senado em 2026, disputa dividida com Vander Loubet, atualmente titular no Congresso. 

Sem mandato atualmente, Fábio Trad disputa a sede da governadoria estadual pela 1ª vez. Luiz Henrique Mandetta e e Antônio Carlos Biffi não disputam as eleições gerais deste ano, assim como Marçal Filho, atualmente prefeito de Dourados. 

Além de Geraldo Resende, Beto Pereira (Republicanos); Camila Jara (PT); Dagoberto Nogueira (PP)
Dr. Luiz Ovando (PP), Rodolfo Nogueira (PL) e Marcos Pollon buscam a reeleição.

 

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).