Política

ENTREVISTA

"Tenho caminhado ao lado do governador porque acredito neste projeto"

Vice-governador Barbosinha faz balanço da gestão, destaca avanços em educação e segurança e projeta que este ano será de entregas em Mato Grosso do Sul

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No comando do governo de Mato Grosso do Sul durante o período de férias do governador Eduardo Riedel, o vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, faz um balanço de um ano marcado por desafios fiscais, mas também por resultados que, segundo ele, consolidam o rumo da atual gestão.

Na entrevista, Barbosinha destaca a opção do Estado por não aumentar tributos, mesmo em um cenário adverso, e projeta que este ano será de colheita, com obras, investimentos e entregas espalhadas pelos 79 municípios.

Entre os principais avanços, o vice-governador chama atenção para a educação, área que classifica como o maior programa social do governo.

Mato Grosso do Sul figura entre os estados com maior crescimento em alfabetização e lidera o avanço nacional em proficiência de português e matemática, com indicadores transparentes e avaliados de forma uniforme.

Na segurança pública, setor que já comandou, Barbosinha ressalta a modernização das forças policiais, o uso crescente de tecnologia, especialmente no atendimento a mulheres vítimas de violência, e o enfrentamento integrado ao crime organizado em uma extensa faixa de fronteira.

Ao falar sobre o perfil do governador Eduardo Riedel, o vice-governador destaca a capacidade de conciliar desenvolvimento econômico, responsabilidade ambiental e políticas sociais, com redução expressiva da pobreza extrema e forte atração de investimentos.

No campo político, Barbosinha reconhece que este será um ano de articulações, mas reforça que sua atuação segue ancorada no trabalho e nos resultados da gestão. “Tenho caminhado ao lado do governador porque acredito neste projeto”, afirma.

Normalmente, o senhor assume o governo do Estado no início de ano, quando o governador Eduardo Riedel sai de férias. Qual o balanço que faz de sua atuação na atual administração?

Primeiro, gostaria de registrar a satisfação que tenho com essa parceria com o governador Eduardo Riedel e de poder dar a ele a tranquilidade necessária para, mesmo em um ano eleitoral, sair para um merecido descanso com sua família, com o Estado seguindo em ritmo de normalidade.

Temos uma equipe técnica muito competente que toca o Estado, e o papel do vice-governador é justamente passar essa segurança ao governador: de que não haverá pirotecnia e de que o Estado seguirá funcionando normalmente, visitando municípios, entregando obras, vistoriando serviços e cumprindo os despachos corriqueiros.

O ano de 2025 foi desafiador, com muitas dificuldades e desafios imensos, mas conseguimos fechá-lo bem, o que também prenuncia os desafios de 2026.

É importante destacar que o governador Eduardo Riedel fez a opção de não aumentar tributos. No início do governo, enquanto vários estados aumentaram a alíquota modal do ICMS, Mato Grosso do Sul, hoje, com outros quatro estados, tem as menores alíquotas do Brasil.

Em um cenário de dificuldades, com frustração contínua de safra por três anos, redução do bombeamento do gás boliviano – que é uma matriz importante e uma das maiores fontes de arrecadação do Estado – e diminuição do poder de compra da população, o consumo cai, e isso impacta diretamente a arrecadação.

Quando não se aumenta tributo, é preciso cortar gastos. Isso exigiu apoio de todas as estruturas do Estado, de todas as secretarias e dos secretários, sem que houvesse corte de investimentos.

Foi um ano de muito trabalho para que pudéssemos finalizar bem 2025.

E sobre as entregas para este ano?

Eu penso que há tempo de plantar e tempo de colher. No governo, fizemos boas semeaduras, preparando bem o Estado. Inclusive, conversamos muito sobre o legado do governador Eduardo Riedel.

Esse legado não se restringe a uma área específica. Na Saúde, por exemplo, temos indicadores extremamente relevantes na regionalização do atendimento.

Na Educação, somos o segundo estado com maior crescimento em alfabetização no País. Na proficiência em português e matemática, tivemos o maior crescimento do Brasil. Estamos colhendo os frutos desse trabalho.

O que diferencia Mato Grosso do Sul dos demais estados é a transparência dos indicadores. Na educação, por exemplo, o aluno que vai fazer o Enem participa independentemente de ser da escola A ou B. Não há distinções artificiais. Se o Estado quer crescer, precisa crescer como um todo.

Respondendo objetivamente: 2026 será um ano de muitas entregas. Pavimentação, avanços na BR-163, na Rota da Celulose, nas concessões, além dos pacotes de investimento em asfalto e do programa MS Municipalismo, com obras nos 79 municípios. Todas as cidades estão recebendo melhorias.

O governo tem atuado em parceria com as prefeituras de que forma, além, claro, da parceria nas obras?

Reforçamos muito a ação municipalista. Hoje, muitos municípios têm dificuldade para abrir vagas na Educação Infantil, nas Emeis [Escolas Municipais de Educação Infantil]. O que o Estado fez? Passou a receber alunos dos anos iniciais que seriam responsabilidade dos municípios.

Em Campo Grande, por exemplo, são 2.471 alunos, em Dourados, 1.399. Isso permite que os municípios possam abrir mais vagas na Educação Infantil.

Esse esforço custará ao Estado, por ano, R$ 70,3 milhões, sem ressarcimento do Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação]. Esses alunos entram na estatística municipal em 2026 e só passam para a estatística estadual em 2027.

O senhor também já foi secretário de Justiça e Segurança Pública. O que Mato Grosso do Sul entrega hoje nessa área?

No primeiro mandato do Reinaldo Azambuja, quando fui convidado para assumir a Secretaria de Segurança, encontrei um cenário de caos: não havia viaturas, armamentos, munições ou coletes balísticos suficientes. Havia soldado esperando 19 anos para ser promovido a cabo.

Na época, eu disse ao governador: “Segurança pública pode não ajudar a ganhar eleição, mas ajuda a perder”.

A partir dali, iniciamos um processo de mudança, priorizando qualidade em vez de quantidade. Passamos a investir em viaturas maiores, como SUVs, porque segurança também se faz com presença e com a imagem que se transmite à população.

De lá para cá, houve avanços significativos, mas é um trabalho contínuo, que a gestão atual continua fazendo: promoções, entregas e modernização de equipamentos.

As demandas da Segurança Pública também mudaram?

Sim. O próximo grande olhar da segurança pública é o digital. Após o assassinato da jornalista Vanessa Ricarte, no ano passado, mudamos todo o protocolo das delegacias especializadas, especialmente as que atendem mulheres vítimas de violência doméstica.

Saímos do analógico e entramos no digital. Hoje, a vítima chega, o depoimento é gravado, a degravação é feita por inteligência artificial e o caso é encaminhado rapidamente ao Judiciário.

O juiz analisa e, conforme o caso, determina a medida protetiva, que pode ser cumprida imediatamente por oficiais de Justiça ou policiais.

E no combate ao crime organizado?

Mato Grosso do Sul tem 1,6 mil quilômetros de fronteira, o que poderia representar um cenário caótico. No entanto, combatemos o crime na região com um trabalho muito efetivo. O segredo é a integração das forças estaduais e federais.

A sensação de segurança aqui é maior do que em outros estados?

Sem dúvida. Aqui, o policial vai fardado para o trabalho. Em grandes centros do País, muitos policiais precisam esconder a farda por conta de áreas dominadas pelo crime organizado.

Isso não significa que estejamos livres de problemas, mas mostra que a situação é diferente. Somos um corredor de tráfico de drogas e armas, e proteger nossa fronteira é fundamental, não apenas para Mato Grosso do Sul, mas para todo o Brasil.

Mesmo assim, arcamos com custos elevados. Cerca de 40% da nossa população carcerária é composta por presos do tráfico, muitos sem domicílio no Estado. Trata-se de uma atribuição federal, cujo impacto acaba sendo absorvido pelo governo estadual.

Você está no PSD, como o senhor avalia este momento político visando às eleições deste ano?

Estamos vivendo um ano de construção das condições políticas. É o momento em que os partidos começam a se organizar, a fortalecer suas bases e a montar o arco de alianças que vai sustentar o governo.

Agora começam as movimentações, as peças no tabuleiro. O PSD, por exemplo, está focado no fortalecimento do partido dentro desse contexto.

O que pesa mais nesse momento de definição partidária?

É a hora da contabilidade política e da chamada dança das cadeiras, especialmente durante a janela partidária.

Para montar chapas competitivas, seja para deputado estadual e federal, seja para Senado, não basta ter nomes, é preciso ter votos. Sem o apoio do governo, é muito difícil construir chapas fortes.

Por que o apoio do governo é tão decisivo?

Imagine montar uma chapa com 24 candidatos a deputado estadual ou 8 a deputado federal. Não é simples. A chapa precisa ter cabeça e corpo. Não adianta ter apenas lideranças fortes, se o conjunto não se sustenta.

Essa construção exige articulação entre partidos que estejam dispostos a caminhar juntos.

O governador Riedel costuma manter o time quando considera que ele está funcionando. O senhor se vê continuando como vice?

Nós estamos focados em trabalho e entregas. A política que defendemos não é a política pela política, mas a política como resultado de realizações concretas. Tenho caminhado ao lado do governador porque acredito nesse projeto e tenho muito orgulho de servi-lo.

Ele é um homem diferenciado. Tem um olhar de desenvolvimento que projeta Mato Grosso do Sul além das fronteiras do Brasil. Em três anos, foram R$ 141 bilhões de investimentos internalizados no Estado.

Tivemos o segundo maior crescimento do PIB do País, crescemos quatro vezes mais que a média nacional e reduzimos a pobreza extrema em mais de 40%.

A redução da pobreza tem sido uma marca do governo?

Sem dúvida. O governador sempre destaca que precisamos nos indignar com a miséria. Somos um estado rico, mas ainda há pessoas vivendo na linha da pobreza. Desenvolvimento não pode atropelar o social. É preciso equilíbrio e compartilhamento da riqueza.

Qual é, na sua visão, o maior programa social do Estado?

Educação de qualidade. A assistência social é necessária em situações emergenciais, para quem não pode trabalhar, mas o maior programa social é a educação. É ela que resgata o cidadão, gera emprego e qualificação profissional e rompe o ciclo da pobreza.

*Perfil

José Carlos Barbosa

José Carlos Barbosa, o Barbosinha, é advogado. Em sua trajetória político-administrativa, já atuou em vários cargos públicos: foi prefeito de Angélica, presidente da Sanesul (empresa de saneamento), secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública e, atualmente, é vice-governador de Mato Grosso do Sul, filiado no PSD, atuando no governo de Eduardo Riedel.

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Eleições 2026

Azambujismo sai das urnas com controle sobre a direita de MS

Senador eleito emplacou os deputados que levou ao PL, manteve aliados no PSDB e no Republicanos; candidatos do governo ficaram sem se eleger

06/10/2026 17h31

Reinaldo Azambuja (PL) foi eleito senador em Mato Grosso do Sul

Reinaldo Azambuja (PL) foi eleito senador em Mato Grosso do Sul Reprodução

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O governador Eduardo Riedel (PP) foi reeleito com 67% dos votos, mas quem saiu da eleição com bancada foi Reinaldo Azambuja (PL). O senador eleito, o mais votado da história do estado, viu se elegerem os deputados que levou para o PL, os aliados que deixou em outras siglas, seus afilhados, indicados e quem ele determinou. Foi a assunção absoluta do azambujismo em MS, concretizando 16 anos do grupo político no poder. 

Curiosamente, os nomes ligados diretamente ao governador ficaram pelo caminho.

Dos seis auxiliares de Riedel que deixaram o governo para concorrer, seis perderam. O caso mais simbólico é o de Jaime Verruck (Republicanos), ex-secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento, cargo que também ocupou nos governos de Azambuja. Com 49.585 votos e campanha de R$ 2,3 milhões, ficou como primeiro suplente de deputado federal. Segundo apurou a reportagem, a candidatura era um projeto com afinco do governo.

Também não se elegeram Viviane Luiza (PSDB), com 45.083 votos para federal, Marcelo Miranda (PP), Eduardo Rocha (PSDB) e Dione Hashioka (União), candidatos a estadual. Todos foram secretários do governo. 

A exceção é Hélio Peluffo (PP), eleito com 31.435 votos. Ele, porém, não era indicação pessoal de Riedel quando comandou a Infraestrutura e foi exonerado na metade do mandato.

A senadora Tereza Cristina (PP) também não conseguiu transferir votos. Marco Aurélio Santullo, que foi às urnas como "Santullo da Tereza", teve 14.245 e ficou na suplência. O PP, seu partido, teve eleitos candidatos que têm mais ligação a Azambuja do que com a senadora. 

Três partidos, um comando

No PL, que Azambuja preside no estado, a bancada estadual passou a ser a maior da Assembleia, com 9 das 24 cadeiras. Os três deputados que trocaram o PSDB pelo partido na janela de março se elegeram: Zé Teixeira e Paulo Corrêa, os dois mais votados do estado, e Mara Caseiro, que foi para a Câmara com 120.199 votos. Márcio Fernandes, que deixou o MDB no mesmo movimento, também se reelegeu.

A influência não ficou restrita à sigla. Os três deputados federais eleitos pelo PSDB em 2022 concorreram por partidos diferentes: Beto Pereira pelo Republicanos, Dagoberto Nogueira pelo PP e Geraldo Resende pelo União. A distribuição foi definida por Azambuja, segundo aliados. Beto e Dagoberto se reelegeram.

No Republicanos, Beto Pereira assumiu a presidência estadual em abril, por determinação do senador eleito. A sigla elegeu dois federais e dois estaduais. No PSDB, hoje presidido por Pedro Caravina, os três eleitos para a Assembleia (Caravina, Ângelo Guerreiro e Paulo Duarte) são ligados a ele.

Rose Modesto (União), terceira mais votada para a Câmara, fechou acordo com Azambuja depois da eleição municipal de 2024 para disputar a vaga de federal, de acordo com pessoas próximas às negociações. 

Senado

A segunda vaga do Senado também passou por ele. Azambuja costurou a candidatura de Capitão Contar (PL) e, em momentos da campanha, deixou a própria em segundo plano para garantir a do colega de chapa, relatam aliados. Prefeitos que resistiam a apoiar Contar eram cobrados por Azambuja, e não pelo governo. 

O senador Nelsinho Trad desistiu de tentar a reeleição e entrou na chapa como suplente de Azambuja, após sucessivas reuniões com Reinaldo.

O próprio Riedel é parte dessa história: foi secretário de Azambuja e escolhido por ele para a sucessão em 2022.

Próximo teste

A disputa pela presidência da Assembleia tem três nomes, todos do PL. Azambuja cobra unidade. "Quem tem três não tem ninguém. Se você começa dividido dentro de casa, não ganha nada", disse ao Correio do Estado. 

No plano nacional, Azambuja seria o escolhido do PL para o Ministério da Agricultura. Ele tem proximidade com Rogério Marinho, senador que articulou as chapas do PL pelo Brasil e sai fortalecido para presidir a Casa. Sua saída abriria caminho para Nelsinho nem deixar a cadeira, já assume como suplente. 

Também falam, nos bastidores, que a sucessão municipal em Campo Grande está sendo planilhada por Azambuja. É a única eleição onde ele nunca conseguiu emplacar, tendo ele mesmo sido derrotado em 2012. Uma das cláusulas do acordo com Nelsinho Trad seria de apoiar sua candidatura ainda em 2027. Resta saber se a informação que circula desde o início da semana, com o fim da eleição estadual, tem erro de data ou se estão falando, realmente, de 2027. 

Falha?

TSE computa falta para eleitores que votaram no 1° turno

Nas redes sociais, eleitores cobram explicações junto à Justiça Eleitoral

06/10/2026 16h45

Por meio das redes sociais, eleitores reclamaram de falha no sistema nesta terça-feira

Por meio das redes sociais, eleitores reclamaram de falha no sistema nesta terça-feira Foto: Reprodução / X

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Por meio das redes sociais, eleitores relataram nesta terça-feira (6) que embora tenham comparecido às urnas e recebido comprovantes de votação, o sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) os registra como “faltou” no 1º turno das eleições, realizado no domingo (4). Até o momento, não há indicação de que o registro de ausência signifique que o voto não foi computado. 

Por meio das redes sociais, eleitores reclamaram de falha no sistema nesta terça-feira

Uma das publicações mostra um eleitor questionando o TSE após consultar sua situação eleitoral. “Fui conferir meu voto e mostra que eu não fui votar?? Eu fui votar e tenho o comprovante que fui até as urnas”, escreveu. A postagem foi feita nesta terça-feira. 

Nas redes sociais, diversos eleitores compartilharam suas experiências. Uma das postagens tem 12 mil curtidas e mais de 400 comentários. 

A reportagem entrou em contato com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS) a fim de identificar eventuais casos em Mato Grosso do Sul, contudo, até o fechamento desta matéria, nenhum caso havia sido informado pela pasta. 

Ao Correio do Estado, a pasta destacou que a situação ocorre "em razão do processamento dos registros de votação, que estao sendo realizado em todo o país". Todos os votos foram computados normalmente.

Segundo a STI, em breve os registros deverão aparecer como “em processamento” no sistema. A atualização completa dos dados pode levar até 20 dias.

Atualizado às 17h30

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