Política

Política

TRE do Paraná afasta 'abuso de poder econômico' e livra Moro de cassação

No TSE, a vida de Moro deve ficar mais complicada. Nessa instância, por exemplo, foi cassado o ex-deputado e ex-chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato Deltan Dallagnol, aliado do senador

Continue lendo...

O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná formou maioria nesta terça-feira, 9, para rejeitar o pedido de cassação do senador Sérgio Moro (União Brasil) por suposto abuso de poder econômico e caixa dois nas eleições de 2022. O placar está em 4 a 2 para rechaçar as ações movidas pelo PL e o PT contra o ex-juiz da Operação Lava Jato. O julgamento deve ser concluído com o voto do presidente da Corte Sigurd Roberto Bengtsson. Mesmo que o presidente vote contra Moro, ele já está livre da cassação, pelo menos no TRE-PR.

O caso ainda deve aportar no Tribunal Superior Eleitoral, em grau de recurso. O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná estima que, em tal hipótese, os autos sejam remetidos à Corte superior em maio. No TSE, a vida de Moro deve ficar mais complicada. Nessa instância, por exemplo, foi cassado o ex-deputado e ex-chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato Deltan Dallagnol, aliado do senador.

O dia D de Moro começou com o voto do desembargador Julio Jacob Junior. Sua avaliação é a de que o precedente da senadora Selma Arruda (cassada), sobre a moderação do uso de recursos na pré-campanha, pode ser aplicado ao caso do ex-juiz da Lava Jato

O magistrado considerou que o caso envolve gastos 'muito longe' dos dispendidos pelo chamado 'candidato médio'. Em seu avaliação, Moro teve acesso 'indistinto' a recursos para recuperar sua imagem 'abalada' perante os eleitores do Paraná, considerando a pré-candidatura ao Senado por São Paulo - que acabou frustrada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Estado.

"A quebra da igualdade advinda do abuso do poder econômico se mostra gravosa a ponto de se configurar razão para a procedência da ação não apenas pelo uso de recursos, mas pela impossibilidade de acesso dos demais pré-candidatos a verbas idênticas", anotou.

Na avaliação do desembargador, o 'vultuoso volume de gastos' pelo União Brasil, após o indeferimento do domicílio eleitoral de Moro em São Paulo, é suficiente para a configuração do abuso de poder econômico já que as cifras ultrapassam o limite para as candidaturas ao Paraná. "O senador Sergio Moro é o cidadão que mais gastou dinheiro para a campanha do Senado. Ninguém chegou próximo ao gasto dele".

Segundo Junior, o uso de recursos foi tamanho que apenas a consideração dos gastos, nos 70 dias de pré-campanha de Moro, é capaz de configurar os requisitos de abuso de poder econômico, eis que superou a casa dos R$ 915 mil - mais de 20% dos gastos permitidos na campanha ao Senado.

Para o desembargador, os gastos anteriores 'a pré-campanha de Moro ao Senado pelo Paraná chegam a ser 'irrelevantes eleitorais', umas vez que as despesas que se seguiram, relativas à 'terceira alternativa de candidatura', são 'suficientemente graves para preencher os requisitos da cassação'.

Há provas robustas que os gastos beneficiaram Moro e devem ser levados em consideração. "Se ele era tão conhecido, por que a necessidade de gastar? Com tanta fama, por que era necessário profissionalizar as redes dele? [...] Ser conhecido como ex-juiz e ex-ministro não significa ser conhecido como candidato", indicou.

O desembargador deu ênfase às despesas de Moro com segurança. "Foram gastos R$ 591 mil com segurança, para viabilizar sua candidatura. Isso nunca antes aconteceu na história. Dinheiro público. De pessoa que não tinha poder, não tinha cargo público, não estava no exercício de qualquer direito nesse sentido", anotou.

O segundo a se manifestar na sessão desta terça, 9, foi o desembargador Anderson Ricardo Fogaça. Ele anotou que todo o período de pré-campanha de Moro deve ser considerado para o cálculo do eventual abuso de poder econômico, exceto as despesas não direcionadas ao senador e aquelas sem provas de conversão em ganho para o parlamentar.

"A análise do abuso não deve se restringir ao cargo ocupado vez que há a possibilidade de que partidos políticos e candidatos se utilizem desse posicionamento como subterfúgio para o uso excessivo de recursos na pré-campanha, blindando-os de eventual abuso de poder econômico", ponderou.

Segundo o desembargador, há um 'seguro quadro probatório' de que o Podemos e União Brasil gastaram mais de R$ 1,2 milhão em benefício da pré-campanha de Moro. A avaliação é a de que as despesas não conduzem ao desequilíbrio do pleito. Para o magistrado, não se pode concluir que os valores foram hábeis a desequilibrar o pleito.

Assim, Anderson Ricardo Fogaça entendeu que não restou configurado abuso de poder econômico no caso de Moro. Com seu voto, o TRE formou o placar de 4 a 2 a favor de Moro - maioria no sentido de rechaçar as ações movidas pelo PT e pelo PL contra o senador.

"Concluo assim que os valores despendidos pelos partidos políticos à pré-candidatura de Sérgio Moro não configuram abuso de poder econômico, vez que não transbordaram os limites do razoável com o potencial de causar desequilíbrio entre os candidatos para a lisura do pleito", registrou.
 

Os três votos a favor de Moro


Na primeira sessão de julgamento, o relator do caso, desembargador Luciano Carrasco Falavinha, votou contra a cassação de Moro, com críticas ao 'julgamento midiático'. O posicionamento foi acompanhado pela desembargadora Cláudia Cristina Cristofani e pelo desembargador Guilherme Frederico Hernandes Denz na sessão desta segunda, 8.

A avaliação de Falavinha é a de que as alegações dos partidos não restaram evidenciadas e que as despesas de pré-campanha de Moro são 'compatíveis'. Na avaliação do magistrado, não há prova robusta sobre a acusação de abuso de poder econômico e não restaram configurados ilícitos.

"Não houve abuso de poder econômico, não houve prova de caixa dois, muito menos abuso nos meios de comunicação. Não se provou corrupção, compra de apoio ou mesmo uso indevido dos meios de comunicação, considerando que o investigado Sergio Moro tinha, já de muito tempo, ampla exposição midiática pela sua atuação na operação Lava-Jato que, repito, não está em julgamento aqui. Nem seus acertos, nem seus erros", ponderou Falavinha.

O desembargador entendeu que não há prova de que Moro, quando lançou sua pré-candidatura à Presidência, visava a candidatura ao Senado. O magistrado avaliou como a agenda de Moro só se voltou ao Paraná depois da decisão que inviabilizou a candidatura do ex-juiz da Lava Jato ao Senado por São Paulo. Para o relator, os autores das ações contra Moro, o PT e o PL, 'simplesmente somaram' todas os valores gerais das despesas das três pré-campanhas, sem discriminação, e, 'pelo resultado apontaram ilícito eleitoral'.

"Considerando-se os gastos efetivamente direcionados ao Paraná, tem-se que a pré-campanha dos investigados ao Senado custou R$ 224.778,01, representando 5,05% do teto de gastos de campanha ao Senado do Paraná e 11,51% da média de gastos de campanha considerando todas as candidaturas lançadas ao Senado do PR (gasto de campanha do "candidato médio"). Circunstâncias que não justificam eventual cassação", frisou.
 

O voto contra Moro


Segundo a votar no julgamento, o desembargador José Rodrigo Sade entendeu que houve 'patente abuso' no caso, com a 'quebra da isonomia do pleito, comprometendo sua lisura', votando pela cassação do mandato de Moro.

Sade entendeu que Moro assumiu risco em começar a gastar como pré-candidato a Presidência expondo-se a impugnação de sua candidatura. Para o desembargador, no caso concreto, Moro investiu mais recursos que os demais candidatos, porque, até determinado ponto, sua base para o teto era maior, gerando 'completo desequilíbrio' para o pleito.

O magistrado ressaltou que não é possível apagar os caminhos que o pré-candidato percorreu. "Tentando participar de três eleições diferentes, desequilibrou Moro, a seu favor, a última, ao Senado pelo Paraná. E o desequilíbrio decorre da constatação incontroversa de que os demais candidatos não tiveram as mesmas oportunidades de exposição, o que fez toda a diferença".

"A existência do abuso é patente e verificável de per si, independentemente de considerações sobre o efetivo impacto e resultado do pleito. Basta a comprovação dos fatos abusivos, no caso, o uso excessivo de recursos financeiros, para que reste configurado o ilícito eleitoral. Houve a quebra da isonomia do pleito, comprometendo sua lisura e legitimidade, de modo que deve ser reconhecida a prática de abuso de poder econômico, uma vez que foram comprovadamente realizadas condutas aptas a caracterizá-lo", frisou.

Assine o Correio do Estado

Raio-x das urnas

Direita leva 7 das 8 vagas de MS na Câmara, mas vota em dois blocos

Mapa dos 79 municípios mostra um eleitorado que segue Flávio Bolsonaro e Contar e outro que segue Riedel e Azambuja; PT cresce, mas perde cadeira

05/10/2026 15h58

Deputados federais eleitos por Mato Grosso do Sul em 2026

Deputados federais eleitos por Mato Grosso do Sul em 2026 Fotomontagem

Continue Lendo...

A direita de Mato Grosso do Sul saiu das urnas neste domingo (4) com o governo, as duas vagas do Senado e sete das oito cadeiras do estado na Câmara dos Deputados. O resultado, porém, não veio de um voto único de cima a baixo na cédula.

Os números são próximos. Eduardo Riedel (PP) foi reeleito governador com 914 mil votos. Reinaldo Azambuja (PL) chegou ao Senado com 904 mil, e Capitão Contar (PL), com 856 mil. Flávio Bolsonaro (PL) teve 873 mil para presidente no estado.

A distribuição desses votos pelo território conta outra história. Nos 79 municípios, o desempenho de Flávio praticamente repete o de Contar: onde um foi bem, o outro também foi. O mesmo ocorre entre Riedel e Azambuja.

Entre os dois pares, a semelhança é fraca. Cidades que deram votação alta a Riedel não foram, necessariamente, as que mais votaram em Flávio. O mesmo vale para Azambuja e Contar, embora estejam no mesmo partido e tenham sido eleitos juntos.

Lula e Riedel na mesma urna

O sinal mais claro de voto dividido está nos seis municípios em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou à frente de Flávio: Japorã, Tacuru, Dois Irmãos do Buriti, Miranda, Paranhos e Vicentina.

Em todos eles, Riedel venceu com folga, com 64% a 80% dos votos. Em Japorã, Lula teve 67% e o governador, 80%.

No estado, Riedel superou a votação de Flávio em 76 dos 79 municípios. Na média das cidades, a vantagem do governador sobre o candidato do PL foi de 13 pontos percentuais.

Do outro lado, a esquerda encolheu em várias urnas. Lula teve 517 mil votos em Mato Grosso do Sul. Fábio Trad (PT), candidato ao governo, ficou com 323 mil. Quase 200 mil eleitores do presidente não repetiram o voto no nome do partido para o Palácio.

Na disputa para a Câmara, o voto nas chapas de direita acompanhou mais o mapa de Riedel e Azambuja do que o de Flávio e Contar.

Somados, PL, PP, União Brasil, Republicanos e PSDB tiveram 1,11 milhão de votos para deputado federal, 78% do total de votos dos sul-mato-grossenses. Há quatro anos, as mesmas siglas haviam feito 799 mil, o equivalente a 59%.

Para a Assembleia, o grupo ficou com cerca de 72% dos votos. Nesse caso, o resultado não segue nenhum dos candidatos de cima da cédula, o que indica uma escolha mais ligada a nomes locais.

PL, berço do azambujismo 

A troca de sigla do ex-governador e senador eleito Reinaldo Azambuja trouxe efeito meramente de nomenclatura e de viés político, refletindo a politizacao atual brasileira. Deixou o partido da social democracia, fundado por intelectuais oriundos do PMDB e outras siglas no final dos anos 1980, e foi para o PL, uma agremiação por anos do Centrão brasileiro e que hoje abriga a família Bolsonaro, ícone da extrema direita. 

O PSDB, que liderava a disputa para a Câmara em 2022 com 317 mil votos e três deputados, despencou para 98 mil e ficou sem nenhum.

O PL fez o caminho inverso. Passou de 197 mil para 460 mil votos e elegeu Marcos Pollon, Mara Caseiro e Rodolfo Nogueira.

A legenda dele teve 143 mil votos a mais do que tinha quatro anos atrás, mas o número de cadeiras ficou igual: três.

Tucanos se espalham

Os três deputados federais eleitos pelo PSDB em 2022 disputaram por outros partidos. Beto Pereira foi para o Republicanos e se reelegeu com 77,485 mil votos. Dagoberto Nogueira migrou para o PP e voltou à Câmara com 56 mil. Geraldo Resende, no União Brasil, caiu de 97 mil para 32 mil e ficou como suplente.

O Republicanos saiu de 75 mil votos e nenhuma cadeira para 257 mil e duas. Além de Beto Pereira, elegeu Isa Marcondes, com 76,956 mil votos. Na federação com o PP, o União Brasil elegeu Rose Modesto, com 124 mil.

Por que o PT perdeu a vaga

A federação do PT com PC do B e PV cresceu de 205 mil para 249 mil votos, mas elegeu apenas Camila Jara. Em 2022, havia feito dois deputados.

O “preço” da última cadeira subiu. Naquele ano, ela saiu por uma média de 98 mil votos. Agora, custou 128 mil. A federação chegou a 125 mil e ficou de fora por cerca de 7.300 votos.
Pesou também a concentração. Camila Jara recebeu 154 mil votos, 62% do total da chapa. O segundo nome, Marquinhos Trad (PV), teve 31,4 mil, abaixo dos 35,5 mil exigidos para disputar a sobra.

DEMOCRACIA

Azambuja ficou em 1º em 66 municípios na disputa ao Senado em MS

Nos oputros 13, inclusive em Campo Grande, o primeiro colocado na disputa foi o Capitão Contar, também do PL

05/10/2026 13h28

O ex-governador Reinaldo Azambuja ficou em iprimeiro inclusive em municípios nos quais o presidente Lula superou Flávio Bolsonaro

O ex-governador Reinaldo Azambuja ficou em iprimeiro inclusive em municípios nos quais o presidente Lula superou Flávio Bolsonaro

Continue Lendo...

Com o discurso municipalista desde o primeiro mandato como governador e com apoio da maior parte dos prefeitos na disputa ao Senado neste ano, Reinaldo Azambuja (PL) foi o primeiro colocado em 66 dos 79 municípios neste domingo (34). Ele obteve 903.554, o que represanta 34,64% dos votos válidos.

Nos demais municípios, o vencedor foi o Capitão Contar, que recebeu 32,82% dos voto, ou 856.042. Preferido entre os “bolsonaristas raiz”, o militar aposentado venceu em municípios que estão entre os primeiros na produção agrícola, como Chapadão do Sul, São Gabriel do Oeste e Sidrolândia.

Campo Grande foi outro município que deu a maioria dos votos ao ex-militar. Foram 281.204 (32,76%). Azambuja, que é do mesmo partido, ficou perto disso, 272.817 (31,78%).

Desempenho semelhante ele obteve em Três Lagoas, cidade que está em terceiro lugar no ranking dos municípios com o maior número de eleitores. A diferença foi de apenas 586 votos. Foram 35.921 (34,44%) para o Capitão Contar e 35.335 (33,88%) para o ex-governador.

Entre as 13 cidades nas quais o chamado “bolsonarista raiz” se saiu melhor foi em Ivinhema, cidade comanda pelo prefeito youtuber Juliano Ferro, tradicional aliado de Reinaldo Azambuja e um dos poucos prefeitos que declaradamente disse estar apoiando o petista Vander Lubet para o Senado.

Os números das urnas mostraram que prestígio nas redes sociais está longe de ser sinônimo de transferência de votos. Ele tem mais de dois milhões de seguidores nas redes sociais, mas o deputado federal Vander Loubet conseguiu apenas 13,03% dos votos, ou 3.368. O percentual ficou abaixo, inclusive, à média estadual do petista, que fechou com 13,88% dos votos, um total 361.920.

E, mesmo sendo preterido pelo prefeito Juliano Ferro, Contar ficou em primeiro lugar em Ivinhema, conseguindo 34,63% dos votos, ou 8.949.  São 147 votos a mair que o ex-governador, que ficou com 34,06% dos votos válidos, 8.802  

Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL) foram eleitos senadores por Mato Grosso do Sul neste domingo (4). Com 100% das seções apuradas, Azambuja teve 903.554 votos, sendo 34,64%, e 856.045, 32,82%.

O município no qual Reinaldo Azambuja teve o melhor desempenho foi em Aral Moreira, na fronteira com o Paraguai. Dos votos válidos, recebeu 42,9% dos votos, o que equivale a 4.986. A vantagem sobre o colega de partido por de 1.222 votos.

Azambuja venceu até mesmo em Japorã, município onde o presidente Lula superou Flávio Bolsonaro na disputa à presidência, com 67,26% (3.273) contra 29,84% (1.452 ). Umas principais explicações é que em torno da metade do eleitorado é composto por indígenas e por conta disso o deputado Vander Lubet ficou em segundo lugar para o Senado, superando Contar.

Em outras cidades com vitória de Lula no primeiro turno também deixaram o Capital Contar para trás. Em Miranda, ele ficou em terceiro, mas com Azambuja em Primeiro. Em Dois Irmãos do Buriti, o mais bem votado foi Azambuja, seguido por Soraya Tronicke, Vander Loubet e Capital Contar.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).