Política

Irregular

TSE recebe mais de mil denúncias de propaganda eleitoral irregular desde domingo (16)

Registros contabilizados até esta quarta-feira foram feitos desde o início da campanha eleitoral

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A Justiça Eleitoral já recebeu 1.103 denúncias de suspeita de propaganda eleitoral irregular por meio do Pardal, plataforma criada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para ampliar a fiscalização no período. Os registros contabilizados até esta quarta-feira, 19, foram feitos desde o início da campanha eleitoral no último domingo, 16.

De acordo com o TSE, São Paulo concentra o maior volume de reclamações, com 193 ocorrências. Na sequência aparecem Pernambuco, com 106 registros; Paraná, com 102; Rio Grande do Sul, com 95; e Minas Gerais, com 89. Entre os cargos citados nas denúncias, candidatos a deputado estadual lideram, com 424 registros, seguidos por deputados federais (325), partidos, coligações ou federações (150) e governadores (79).

O impulsionamento de conteúdo é, até agora, o principal motivo das denúncias, responsável por 339 registros, o equivalente a 30,73% do total. As ocorrências relacionadas à internet somam outras 289 reclamações, ou 26,2%, enquanto casos envolvendo bens públicos representam 105 registros. Também há denúncias sobre bens particulares, propaganda antecipada, banners e cartazes, boca de urna, comícios e uso irregular de equipamentos de som, entre outras situações.

Do total recebido pelo Pardal, 596 denúncias, correspondentes a 54%, permanecem em análise. Outras 383 foram baixadas do sistema, enquanto 124 acabaram encaminhadas ao Processo Judicial Eletrônico (PJe). A ferramenta permite que eleitores relatem possíveis infrações e apresentem fotos, vídeos, áudios ou links que possam ajudar na apuração.

Como registrar uma denúncia

Para utilizar o sistema, é necessário se identificar por meio do e-Título ou da plataforma Gov.br. A identidade do denunciante, porém, é preservada sob sigilo. Após o envio, é gerado um protocolo que permite acompanhar o andamento da ocorrência, que passa pela análise da Justiça Eleitoral para a adoção das medidas consideradas cabíveis.

O Pardal possui três módulos. O aplicativo móvel, disponível para celulares e tablets, é utilizado pelos eleitores para fazer os registros; o Pardal ADM é destinado ao gerenciamento interno das denúncias pela Justiça Eleitoral; e o Pardal Web reúne as estatísticas das ocorrências.

Casos que não estão dentro do escopo da ferramenta são direcionados aos canais responsáveis. Denúncias sobre desinformação que possa comprometer a integridade das eleições são encaminhadas ao Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (Siade), enquanto relatos de crimes eleitorais e outros ilícitos podem ser apresentados ao Ministério Público Eleitoral.

ELEIÇÕES 2026

Camila Jara "esconde" Fábio Trad de peças de campanha e alimenta suspeita de boicote

Deputada prioriza campanha própria e, em parte dos materiais, também deixa de fora Lula, Vander e Soraya; irmão do candidato ao governo disputa vaga com candidata

20/08/2026 08h30

A deputada federal Camila Jara (PT), candidata à reeleição, adesiva veículo em Campo Grande, mas peça da campanha eleitoral não traz referência ao candidato a governador pelo mesmo partido, o ex-deputado federal Fábio Trad

A deputada federal Camila Jara (PT), candidata à reeleição, adesiva veículo em Campo Grande, mas peça da campanha eleitoral não traz referência ao candidato a governador pelo mesmo partido, o ex-deputado federal Fábio Trad Reprodução

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A campanha da deputada federal Camila Jara (PT), candidata à reeleição, tem adotado uma estratégia que reduz a presença dos principais nomes da chapa majoritária apoiada pelo partido em Mato Grosso do Sul. 

Em peças que circulam entre os eleitores, o candidato petista ao governo, o ex-deputado federal Fábio Trad (PT), não aparece ou recebe espaço pouco expressivo.

A ausência também alcança, em parte do material, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, o deputado federal Vander Loubet (PT), candidato ao Senado, e a senadora Soraya Thronicke (PSB), que tenta renovar o mandato pela coligação formada em torno da candidatura de Fábio Trad.

Em uma das peças analisadas, Camila divide o material com o ex-governador Zeca do PT, candidato a deputado estadual, sem qualquer referência visível aos principais integrantes da chapa majoritária. 

A deputada federal Camila Jara (PT), candidata à reeleição, adesiva veículo em Campo Grande, mas peça da campanha eleitoral não traz referência ao candidato a governador pelo mesmo partido, o ex-deputado federal Fábio Trad

Outros adesivos e publicações concentram a comunicação no nome, no número e no slogan da própria deputada. A repetição da estratégia produz, na prática, um efeito de boicote de visibilidade. 

Enquanto pede votos para a reeleição de Camila, o material deixa de contribuir para a divulgação e fixação dos nomes escolhidos pela aliança para as disputas pelo governo, Senado e Presidência da República.

A convenção da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, oficializou Fábio Trad para governador, Vander Loubet e Soraya Thronicke para o Senado e Camila Jara para deputada federal. 

A aliança majoritária, denominada “Por um MS do Povo”, reúne a federação e o PSB, conforme a ata registrada na Justiça Eleitoral do Estado.

Disputa interna

Um componente da disputa proporcional pode ajudar a explicar o distanciamento. O vereador campo-grandense Marquinhos Trad (PV), irmão de Fábio Trad, também é candidato a deputado federal e concorre diretamente com Camila dentro da mesma federação.

A convenção colocou Camila e Marquinhos na mesma nominata para a Câmara dos Deputados. Nesse cenário, dar maior visibilidade a Fábio Trad poderia reforçar a marca política da família e, indiretamente, favorecer Marquinhos, adversário de Camila na disputa por uma das oito cadeiras de Mato Grosso do Sul na Casa de Leis. 

Essa possibilidade, porém, permanece como uma interpretação política, já que não há comprovação de que tenha determinado a estratégia de comunicação da deputada.

Omissão

Apesar do impacto político, a ausência dos candidatos majoritários não representa, por si só, irregularidade eleitoral. Não existe uma regra que obrigue candidatos a deputado federal ou estadual a colocar em seus santinhos, adesivos ou publicações os nomes de candidatos a presidente, governador ou senador.

A obrigação prevista na legislação vale dentro da própria chapa majoritária. A propaganda de candidato a presidente ou governador deve apresentar o respectivo vice. No caso de candidato ao Senado, precisam constar os nomes dos suplentes, de maneira clara e legível, em tamanho não inferior a 30% do nome do titular.

A deputada federal Camila Jara (PT), candidata à reeleição, adesiva veículo em Campo Grande, mas peça da campanha eleitoral não traz referência ao candidato a governador pelo mesmo partido, o ex-deputado federal Fábio Trad

A determinação consta do artigo 36, parágrafo 4º, da Lei das Eleições e do artigo 12 da Resolução nº 23.610 do TSE. Quando um impresso promove vários candidatos, ele passa a ser considerado propaganda conjunta, com reflexos na prestação de contas. 

A legislação, contudo, não obriga que essa divulgação conjunta seja realizada.
Dessa forma, Camila tem liberdade legal para concentrar as peças em sua própria candidatura. 

Politicamente, porém, a omissão reiterada enfraquece a imagem de unidade da coligação e amplia a percepção de que a deputada prioriza a própria reeleição, mesmo que isso signifique deixar em segundo plano os candidatos majoritários escolhidos pelo PT e seus aliados.

LEVANTAMENTO

Em MS, eleições já tiveram até agora 18 desistências, renúncias e substituições

Desde o início oficial da campanha, no domingo, três renúncias foram formalizadas, média próxima de quase uma por dia

20/08/2026 08h00

Reprodução / TSE

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A corrida eleitoral deste ano em Mato Grosso do Sul já acumula 18 nomes que deixaram candidaturas ou posições inicialmente previstas nas chapas, entre desistências, renúncias formalizadas na Justiça Eleitoral e substituições promovidas pelos partidos.

O número chama atenção principalmente porque a campanha começou oficialmente no domingo e, desde então, três candidatos tiveram renúncias formalizadas no sistema da Justiça Eleitoral. 

Em quatro dias de campanha, conforme levantamento do Correio do Estado no DivulgaCandContas, isso representa uma média de quase uma renúncia por dia.

Os três casos que aparecem efetivamente como renúncia nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) são do Republicanos e envolvem candidaturas à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul: Tatiane Sobreira Wehner, Luiz Gabriel da Silva Nogueira e Valdenir Machado.

As demais mudanças ocorreram principalmente durante o processo de formação e registro das chapas, antes ou próximo ao encerramento do prazo para apresentação das candidaturas à Justiça Eleitoral.

O maior número de baixas ocorreu no PRD, que registrou a desistência de 10 nomes que haviam sido escolhidos para as eleições proporcionais. 

Para deputado federal, deixaram a disputa Antônio Cesar Santos Sabatel e Giovani Zanata de Oliveira. Já entre os nomes inicialmente previstos para deputado estadual desistiram Aloisio Baeta, Carlos Alexandre Golfeto, Euvaldo Lucindo de Almeida, Thiago Leonardo Miranda, Silverio Alves Ribeiro da Silva, Maria Sirlene de Freitas, Jane Terezinha Lino e Antônio Celso Junior.

Esses 10 nomes não aparecem na relação consolidada dos atuais 419 registros de candidaturas em MS, diferentemente dos três candidatos do Republicanos, cujas renúncias ficaram registradas formalmente no sistema eleitoral. As alterações não ficaram restritas às candidaturas proporcionais. 

No DC, Thiago Martins, inicialmente anunciado como candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Renato Gomes, desistiu da disputa. O partido apresentou Roberto Patzlaff para ocupar a vaga.

MUDANÇA DE PESO

Outra mudança de peso ocorreu com o senador Nelsinho Trad, que desistiu de tentar a reeleição ao Senado.
Depois da decisão, ele passou a integrar a candidatura de Reinaldo Azambuja (PL) ao Senado como primeiro-suplente.

O PRD também promoveu mudanças em posições da chapa majoritária.
Sidney Vargas de Oliveira, inicialmente colocado na disputa pelo Senado, deixou a posição, que passou para Valter Juvenal.

Na chapa para o governo, Francisca Esmeralda Ajala, inicialmente indicada para vice-governadora de Delcídio do Amaral, foi substituída por Mariliana Santos.

SUPLÊNCIA

Também houve alteração na suplência ao Senado. Laurindo Barbosa Carneiro, inicialmente colocado como segundo-suplente de Valter Juvenal, deixou a chapa e a vaga passou a ser ocupada por Adamario de Lana.

Apesar de o levantamento chegar a 18 nomes, as situações são juridicamente diferentes. 
Somente três constam, até agora, como renúncias formais no DivulgaCandContas. 

Outros desistiram antes da consolidação dos pedidos de registro ou foram substituídos pelos respectivos partidos durante a montagem das chapas.

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