Política

MATEMÁTICA DAS ELEIÇÕES

Vaga para federal requer 172 mil votos e para estadual, 56 mil, revela especialista

O sistema proporcional é baseado no quociente eleitoral e no quociente partidário, favorecendo partidos com mais votos

Continue lendo...

A matemática das eleições envolve sistemas complexos para converter votos em mandatos no Brasil, que se utiliza do sistema proporcional (deputados estaduais e federais) baseado no quociente eleitoral  (QE) – votos válidos/vagas – e no quociente partidário (QP) – favorecendo partidos com mais votos, garantindo apuração rápida por urnas eletrônicas.

Com a janela partidária chegando ao fim nos próximos dias e praticamente definindo o troca-troca de partidos, o Correio do Estado pediu para que o diretor do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa, fizesse os cálculos necessários para apontar quantos votos devem ser necessários para eleger um deputado federal e um deputado estadual em Mato Grosso do Sul.

“Nas eleições proporcionais brasileiras, aquelas que definem deputados estaduais e federais, não basta apenas ter muitos votos individualmente. O sistema leva em conta também o desempenho dos partidos. Por isso, um conceito-chave ajuda a entender como funciona essa disputa: o quociente eleitoral”, explicou.

Ele explicou que o quociente eleitoral é calculado dividindo-se o total de votos válidos (excluindo brancos e nulos) pelo número de vagas disponíveis.

“Em Mato Grosso do Sul, são oito vagas para deputado federal e 24 vagas para deputado estadual, ou seja, o QE federal é igual aos votos válidos divididos pelas oito vagas, enquanto o QE estadual é igual a votos válidos divididos por 24 vagas”, detalhou.

Aruaque Barbosa revelou que, com base na totalização oficial mais recente das eleições de 2022 no Estado, os números  registraram 171.851 votos para eleger um deputado federal e 55.926 votos para eleger um deputado estadual.

“Esses valores representam, na prática, o número de votos necessário para um partido conquistar uma cadeira. Dá para se eleger sozinho? Sim, mas isso é raro. Para um candidato se eleger sozinho, ele precisaria atingir aproximadamente um quociente eleitoral inteiro por conta própria”, pontuou, acrescentando que nesse cenário um candidato sozinho já garantiria uma vaga para o seu partido.

Com base nesses dados, conforme o diretor do IPR, é possível afirmar que nas eleições gerais deste ano em Mato Grosso do Sul os partidos precisarão obter em torno de 172 mil votos para garantir uma vaga das oito vagas na Câmara dos Deputados e 56 mil votos para conseguir uma das 24 cadeiras de deputados estaduais na Assembleia Legislativa.

Aruaque Barbosa argumentou que é possível se eleger ou reeleger com menos votos. “Isso acontece com frequência. Como o sistema brasileiro é proporcional, os votos são somados dentro do partido ou federação. Isso permite que candidatos com votação menor sejam eleitos, desde que a sigla atinja o quociente necessário para conquistar vagas e o candidato tenha pelo menos 10% do quociente eleitoral”, comentou.

Na prática, conforme o especialista, nas eleições gerais de 2022 isso significou que os deputados federais tiveram de fazer no mínimo de aproximadamente 17 mil votos, enquanto os deputados estaduais fizeram o mínimo de cerca de 5,5 mil votos.

“Além disso, existe a distribuição das chamadas sobras, que podem eleger candidatos com base em novas regras após a divisão inicial das vagas”, assegurou.

O diretor do IPR explicou que nas eleições gerais deste ano no Estado os números exatos só serão conhecidos após o encerramento do pleito, porque tudo depende do total de votos válidos.

“Mas, com base no histórico recente, esses valores das eleições de 2022 servem como uma boa referência para entender o tamanho da disputa em Mato Grosso do Sul”, concluiu.

*Saiba

Os candidatos puxadores de votos ajudam a atingir o quociente eleitoral, permitindo que outros candidatos do mesmo partido, com menos votos, sejam eleitos, enquanto o voto de legenda, que é o dado apenas ao número do partido, é contabilizado para o quociente partidário.

Dessa forma, a matemática eleitoral garante que a distribuição de cadeiras reflita, em teoria, a proporção de votos recebidos pelos partidos, mas pode gerar resultados contraintuitivos por conta da força dos partidos sobre os candidatos individuais.

Assine o Correio do Estado

Sob suspeita

MPMS investiga favorecimento político em contratações feitas por Marçal Filho

Apuração envolve contratações temporárias e possível preterição de aprovados em concurso público vigente em Dourados

23/06/2026 08h00

O prefeito de Dourados, Marçal Filho (PSDB), virou alvo de investigação do Ministério Público

O prefeito de Dourados, Marçal Filho (PSDB), virou alvo de investigação do Ministério Público Foto: Divulgação

Continue Lendo...

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou, por meio da 16ª Promotoria de Justiça de Dourados, o Procedimento Preparatório nº 06.2026.00000514-9 para apurar possíveis irregularidades na política de contratação de pessoal da área da saúde em Dourados, sob a gestão do prefeito Marçal Filho (PSDB).

Essa promotoria é a responsável por atuar na área de patrimônio público e social, o que inclui investigações relacionadas com possíveis irregularidades administrativas, contratações de servidores e eventuais violações a princípios da administração pública – exatamente o tipo de apuração descrita no procedimento citado.

Conforme apuração do Correio do Estado, o caso levanta questionamentos sobre a forma de preenchimento de vagas no município e o respeito às regras do concurso público vigente.

A investigação teve origem em denúncia cujo autor não foi identificado publicamente. 

Segundo a prática adotada pelo MPMS em situações semelhantes, o registro pode ter sido feito de forma anônima ou sob regime de sigilo, sem divulgação da identidade do denunciante.

O foco da apuração está na suspeita de que contratações temporárias estariam sendo utilizadas para ocupar funções que poderiam ser preenchidas por candidatos aprovados em concurso público ainda em validade.

Entre os casos citados estão profissionais da área da saúde, incluindo dentistas com remuneração em torno de R$ 11,6 mil.

Se confirmada, a situação pode indicar possível preterição de aprovados, o que contraria o princípio constitucional do concurso público como regra de acesso ao serviço público e levanta dúvidas sobre os critérios adotados pela administração municipal na área da saúde.

O MPMS também busca esclarecer se as contratações temporárias têm sido aplicadas de forma excepcional – como previsto em lei – ou se estariam sendo adotadas de maneira contínua, substituindo gradualmente o chamamento de concursados.

Esse ponto é considerado central para avaliar o planejamento de pessoal da Secretaria Municipal de Saúde.

Como parte das diligências iniciais, o MPMS requisitou à prefeitura de Dourados informações detalhadas sobre o quadro de servidores, a lista de aprovados no concurso em vigor, as justificativas técnicas para as contratações temporárias e o planejamento de futuras nomeações.

Embora ainda esteja em fase preliminar, o procedimento amplia a pressão sobre a gestão municipal em torno da política de recursos humanos na Saúde, área historicamente marcada por alta demanda por serviços e deficit de profissionais.

No âmbito jurídico, apurações dessa natureza costumam avaliar não apenas a existência de contratações temporárias, mas também a eventual justificativa de necessidade excepcional e temporária, prevista na legislação para situações específicas. 

A ausência dessa justificativa pode reforçar a hipótese de irregularidade administrativa.

Outro ponto que pode ser analisado ao longo do procedimento é a eventual existência de impacto direto sobre candidatos aprovados em concurso vigente, especialmente quando há vagas compatíveis com os cargos ocupados temporariamente, o que pode caracterizar desrespeito à ordem de classificação.

Caso o MPMS avance na investigação, o procedimento pode ser convertido em inquérito civil, etapa em que são aprofundadas as diligências e analisados documentos complementares, depoimentos e eventuais esclarecimentos da administração municipal. 

Até o momento, não há conclusão ou recomendação por parte do MPMS, e a investigação segue em andamento.

* Saiba 

Por meio da assessoria de imprensa, a prefeitura de Dourados informou ao Correio do Estado que não responde a procedimentos ou inquéritos do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), do Ministério Público Federal (MPF), do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) ou de qualquer outro órgão de controle pela imprensa.

“As respostas são dadas exclusivamente nos autos do procedimento e dentro do prazo da intimação”, concluiu, completando que, dessa forma, a gestão evita polemizar com os órgãos de fiscalização.

Assine o Correio do Estado

Eleições

Vamos ter compliance com IA no governo e vai ter datacenter soberano, diz Flávio Bolsonaro

Flávio ainda voltou a dizer que pretende diminuir o "custo Brasil" por meio da redução da carga tributária e simplificação da legislação

22/06/2026 21h00

Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro Agência Brasil / Tânia Rêgo

Continue Lendo...

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, disse que, se eleito, seu governo adotará inteligência artificial (IA) na administração pública, aplicando a tecnologia do controle de gastos até a contratação de pessoas.

"No novo governo do Brasil, nós vamos ter uma espécie de compliance para a inteligência artificial de todo o governo. Vai ter um datacenter soberano, inclusive para tratar as necessidades do governo brasileiro", afirmou nesta segunda-feira, 22, no evento "A indústria na agenda dos presidenciáveis", realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.

"Com isso nós vamos cortar gastos absurdamente na casa das dezenas de milhões de reais por mês. Controlando os gastos públicos com parametrização para que não haja excesso em licitações, desde as grandes até as pequenas. É possível você controlar isso centralizando as contas, utilizando inteligência artificial, desde os gastos públicos até a contratação de pessoas", afirmou.

Flávio ainda voltou a dizer que pretende diminuir o "custo Brasil" por meio da redução da carga tributária e simplificação da legislação. "As empresas nacionais vão ficar mais competitivas", prometeu.

Outra promessa feita pelo senador foi subordinar as universidades, hoje vinculadas ao Ministério da Educação (MEC), ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). "Nós vamos fazer com que o ensino superior seja majoritariamente subordinado ao MCTI. Nós vamos ter um ensino superior de qualidade, gratuito, e com investimento em pesquisa, desenvolvimento, inovação, em parceria com grandes empresas", afirmou.

'Privatização de estatais no 1º ano'

Durante o evento, o candidato também afirmou que mudará o modelo dos leilões de petróleo e defendeu a privatização de estatais já no primeiro ano de seu governo, caso seja eleito.

"Temos aqui o pré-sal na margem equatorial. Olha a burocracia demora em se fazer a concessão, e é o que eu pretendo fazer, mudar o método desses leilões de petróleo para voltar a valer a concessão, ao invés da partilha. Temos algumas estatais que podem ser privatizadas, como algumas dentro da própria Petrobras, que podem dar um impacto de algumas centenas de bilhões de reais, de uma forma, talvez, dentro do primeiro ano de governo ainda", afirmou.

Segundo o pré-candidato, o Brasil passa por uma crise de credibilidade entre os investidores. Ele afirmou que se chegar à Presidência, pretende fazer com que o País esteja entre as sete maiores economias do mundo nos próximos cinco anos.

'Congresso eleito deve ter perfil de centro-direita'

O senador também avaliou que o Congresso Nacional que será eleito em outubro terá um perfil de centro-direita. Segundo ele, com essa configuração, seu diálogo com os parlamentares seria mais fácil.

"Porque se hoje o Congresso Nacional foi feito para um presidente como o Bolsonaro, tenho a convicção que a partir do ano que vem, esse Congresso vai ser ainda mais de centro-direita, em especial no Senado Federal. Aí conversar com o Congresso eu sei, é a minha área", afirmou.

Flávio também mencionou que o presidente eleito indicará quatro ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no próximo mandato e defendeu um alinhamento entre todos os Poderes, caso seja ele o vitorioso nas urnas.

"Nós podemos ter um presidente com essa mentalidade, que eu estou colocando aqui para vocês, um Congresso Nacional majoritariamente com esta mentalidade, e uma Suprema Corte que, de uma vez por todas, volte a ser constitucional, que permita que a lei valha para todos de forma igual, sem olhar capa de processo. Que tenhamos ministros que não sejam acusados de fazer advocacia administrativa, deixando familiares ricos usando a sua caneta", projetou.

Também compareceu ao evento o pré-candidato e ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o ex-governador de Goiás e presidenciável Ronaldo Caiado (PSD). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi convidado, mas não participou. O petista cumpre agenda no Rio de Janeiro.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).