Política

ELEIÇÕES 2026

Vander convida Nelsinho para "dobradinha" ao Senado

Presidente do PT estadual, o deputado federal reforça que os dois irmãos do senador já estão no arco de aliança da esquerda

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Com a aproximação do momento de a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), disputar as eleições deste ano pelo estado de São Paulo ao Senado ou ao governo, o deputado federal Vander Loubet, presidente estadual do PT e pré-candidato a senador pelo partido, decidiu tomar uma decisão ousada e que pode provocar uma reviravolta na disputa em Mato Grosso do Sul.

Em entrevista exclusiva concedida ontem ao Correio do Estado, o parlamentar petista revelou que pretende convidar o senador Nelsinho Trad (PSD), pré-candidato à reeleição, para fazer uma “dobradinha” com ele no pleito deste ano, para que, juntos, concorram às duas vagas ao Senado.

“O Valdemar Costa Neto [presidente nacional do PL], que opera em nosso estado de acordo com os interesses do Reinaldo Azambuja [ex-governador e presidente estadual do PL], já deixou claro que não haverá espaço para o Nelsinho no palanque deles com o Fábio Trad [PT] sendo o nosso candidato a governador. Na verdade, a pré-candidatura do Fábio era a desculpa que o PL estava esperando para escantear o Nelsinho”, afirmou.

Conforme Vander Loubet, nesse cenário, o senador Nelsinho só teria dois caminhos a tomar: poderia lançar um candidato a governador pelo PSD, para ancorar a própria candidatura ao Senado, ou comporia com o PT em uma frente democrática.

“Inclusive, ele caminharia com os irmãos Fábio, para governador pelo PT, e Marquinhos Trad, para deputado estadual pelo PDT. Impossível? Improvável? Eu diria que não. Para mim, ele precisa fazer uma autocrítica da postura e das decisões que adotou e tomou nos últimos anos”, argumentou.

O deputado federal lembrou que foi muito próximo de Nelsinho quando ele foi prefeito de Campo Grande.

“Nós trabalhamos juntos para viabilizar o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] na Capital na época do segundo governo do presidente Lula”, recordou.

Ele completou que, de 2018 em diante, o senador acabou tendo um comportamento mais extremista em várias pautas, mas ainda acredita que ele seja um democrata. “Se ele tiver a disposição de reavaliar sua linha política, o PSD poderia caminhar com a frente ampla e democrática que estamos construindo no Estado”, assegurou.

O presidente estadual do PT pontuou que o PSD deve fazer alianças com partidos da esquerda em outros estados e, portanto, nada impediria a legenda de adotar a mesma estratégia em Mato Grosso do Sul.

“De novo, é impossível? É improvável? Eu acredito que não. Até porque temos dialogado muito em torno da pré-candidatura do Fábio e estamos aglutinando nomes de centro e de direita em apoio a ele”, garantiu.

Segundo Vander Loubet, o foco do PT este ano é novamente construir – como foi feito em 2022 – uma frente ampla no Estado e no Brasil para fazer frente às forças extremistas e antidemocráticas. “E, nesse sentido, não podemos ser sectários. As palavras de ordem devem ser diálogo e compromisso”, disse.

O parlamentar lembrou que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já reforçou que o Senado é o principal objetivo na campanha eleitoral deste ano, diante da movimentação intensa da direita para obter maioria na Casa a partir de 2027.

Ele informou que Lula e aliados apostam em nomes competitivos para tentar impedir que a direita consiga mais de 41 cadeiras no Senado. Isso porque essa maioria facilitaria a aprovação, por exemplo, de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Alexandre de Moraes – o maior alvo dos bolsonaristas – e a derrubada de decisões de Lula.

No pleito deste ano, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras, dois terços do total, com duas vagas por unidade da Federação. Embora as articulações ainda estejam em andamento, sem candidaturas confirmadas, já circulam nomes que podem ser apoiados pelo presidente Lula em boa parte dos estados.

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Na papuda

Comissão aprova requerimento de informações sobre saúde de Bolsonaro na Papudinha

A Comissão aprovou o envio de oito perguntas para o Ministério da Justiça

10/02/2026 19h00

Bolsonaro está preso na Papudinha, em Brasília

Bolsonaro está preso na Papudinha, em Brasília Divulgação/Sérgio Lima-UOL

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A Comissão de Segurança da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira, 10, dois requerimentos para ter informações sobre os protocolos de saúde e segurança disponíveis ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso na Papudinha, em Brasília.

Os textos aprovados, de autoria do deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES), pedem informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre os procedimentos para a saúde e segurança de Bolsonaro.

A Comissão aprovou o envio de oito perguntas para o Ministério da Justiça responder. São estas:

  1. Quais são os protocolos formais adotados para o armazenamento, controle, fracionamento e distribuição de medicamentos na referida unidade prisional?;
  2. A atividade de apoio à distribuição de medicamentos por custodiado do regime semiaberto está formalmente regulamentada? Em caso positivo, encaminhar cópia da norma interna ou ato administrativo correspondente;
  3. Quais critérios técnicos e de segurança fundamentaram a designação de custodiado do regime semiaberto para auxiliar nessa atividade?;
  4. Há supervisão direta de profissional de saúde habilitado durante o manuseio e a entrega dos medicamentos? Em caso afirmativo, detalhar como ocorre essa supervisão;
  5. Existe controle individualizado de dosagem, registro de entrega e conferência de medicamentos? Descrever o procedimento adotado;
  6. O Ministério da Justiça e Segurança Pública foi formalmente comunicado sobre a operacionalização desse procedimento? Em caso positivo, encaminhar cópia da comunicação;
  7. O procedimento adotado está em conformidade com as normas da Lei de Execução Penal, diretrizes do Sistema Único de Saúde aplicáveis ao sistema prisional e protocolos sanitários vigentes?; e
  8. Há auditoria ou fiscalização periódica quanto à regularidade desse processo? Informar qual órgão é responsável.

Evair pede à PGR a avaliação sobre a adequação formal e material sobre a existência de protocolos técnicos claros para armazenamento, fracionamento e distribuição de medicamentos; supervisão por profissionais de saúde habilitados; registro individualizado de dosagem; e mecanismos de controle que assegurem a integridade da assistência prestada.

"A relevância institucional do caso impõe cautela redobrada e transparência plena, não por privilégio pessoal, mas pela necessidade de preservação da responsabilidade objetiva do Estado na execução da pena e da confiança pública na regularidade dos atos praticados no sistema prisional", afirma o deputado autor dos requerimentos.

Evair também pediu "o máximo de cautela" no caso de Bolsonaro. "Em matéria de saúde e integridade física - sobretudo de quem ocupou o mais alto cargo da nação - o padrão não pode ser o mínimo necessário, mas o máximo de cautela", afirmou.

Os dois requerimentos foram aprovados em votação simbólica, sem contestação. Tradicionalmente, a Comissão de Segurança Pública é dominada por integrantes da bancada bala, bolsonarista, que possui ampla maioria no colegiado.
 

Política

Caso cão Orelha: deputado de MS assina pedido de CPI e pede investigação

Iniciativa é de autoria do deputado federal Delegado Bruno Lima (PP-SP)

10/02/2026 18h45

Cão Orelha

Cão Orelha Foto: Divulgação

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O deputado federal sul-mato-grossense Geraldo Resende (PSDB) assinou o pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que pretende investigar maus-tratos a animais e o uso de plataformas digitais para disseminação de violência a partir de caso ocorrido em Florianópolis com o cão Orelha. 

O requerimento de criação da CPI foi assinado nesta terça-feira (10) e tem como objetivo apurar a prática de atos de crueldade contra animais e as circunstâncias que envolveram a morte do animal, ocorrida em Florianópolis, no início de janeiro de 2026. A iniciativa é de autoria do deputado federal Delegado Bruno Lima (PP-SP).

O requerimento foi apresentado com base no artigo 58 da Constituição Federal e no Regimento Interno da Câmara dos Deputados e propõe investigação não apenas o caso específico do Cão Orelha, mas a incidência de violência contra animais no Brasil, incluindo a possível utilização de plataformas digitais para a propagação e o estímulo desse tipo de crime.

Para Geraldo Resende, a instalação da CPI representa uma resposta institucional necessária diante da gravidade dos fatos e da mobilização da sociedade. “A crueldade contra animais não é um fato isolado nem um problema menor. Trata-se de uma violência que afeta a ordem social, a saúde pública e evidencia falhas que precisam ser enfrentadas pelo Estado.”, afirmou.

O parlamentar destacou que a comissão tem como objetivo contribuir para o aprimoramento da legislação, o fortalecimento da fiscalização e a responsabilização dos envolvidos, além de estimular políticas preventivas que coíbam práticas de violência.

“Assinei o requerimento por entender que o Congresso tem o dever de apurar os fatos de forma rigorosa, propor soluções e fortalecer a proteção legal aos animais”, completou.

Outro eixo central da investigação será o debate sobre a responsabilidade das plataformas digitais na circulação de conteúdos violentos, sem que isso represente cerceamento à liberdade de expressão, buscando identificar medidas que inibam o uso desses meios para a propagação de práticas criminosas.

O caso

Orelha, como era conhecido pelos moradores da região da Praia Brava, vivia há cerca de dez anos no local, onde era cuidado pela comunidade.

No dia 5 de janeiro, o cão foi encontrado gravemente ferido e agonizando. Diante da gravidade dos ferimentos, o animal foi submetido à eutanásia em uma clínica veterinária.

No dia 16 de janeiro, a Polícia Civil de Santa Catarina passou a conduzir as investigações, que inicialmente apontaram quatro adolescentes como suspeitos das agressões.

O trabalho investigativo envolveu a análise de imagens de câmeras de segurança, depoimentos de moradores e o cumprimento de mandados, respeitando o sigilo legal dos procedimentos que envolvem adolescentes, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Ao final da investigação, a Polícia Civil solicitou a internação de um menor. Os outros três adolescentes inicialmente investigados foram descartados.

Além disso, três adultos ligados aos adolescentes foram indiciados por suspeita de coação a uma testemunha durante o andamento do inquérito. O procedimento foi concluído no dia 3 de fevereiro e encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina, que solicitou uma nova investigação devido a “lacunas” apresentadas na primeira investigação. 

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