Política

força de prefeitos

Vander e Capitão Contar travam guerra silenciosa pelo segundo voto ao Senado

Diretor do IPR diz que transferência de votos é limitada, pois passa pelo alinhamento ideológico e a estrutura de campanha

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A ofensiva do deputado federal Vander Loubet (PT) para reunir o apoio ou a simpatia de cerca de 65 prefeitos de Mato Grosso do Sul tem um alvo político claro na disputa pelo Senado: avançar sobre o segundo voto de um eleitorado que, em boa parte, também está ao alcance do ex-deputado estadual Capitão Contar (PL).

É nesse terreno que os dois candidatos travam uma guerra silenciosa, com Vander tentando furar a barreira ideológica e chegar ao eleitor de centro e de direita por meio de prefeitos e lideranças municipais, enquanto Contar aposta justamente na identificação conservadora para evitar que o petista conquiste espaço nessa faixa do eleitorado.

Com duas vagas ao Senado em disputa, cada eleitor poderá votar em dois candidatos. É essa particularidade que abre caminho para Vander tentar convencer eleitores que dificilmente escolheriam um petista como primeira opção, mas poderiam incluí-lo no segundo voto por influência de prefeitos, vereadores e lideranças locais.

A estratégia, porém, tem limites, conforme análise feita pelo diretor do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa, para o Correio do Estado. Ele avaliou que o apoio de prefeitos não se converte automaticamente em votos e que o sucesso desse movimento dependerá de uma combinação de fatores. “Não é só o apoio que conta. É um conjunto de fatores”, afirmou.

Segundo Barbosa, o primeiro obstáculo aparece quando existe diferença ideológica entre quem pede o voto e o candidato beneficiado pela indicação. “Primeiro, esse apoio é condizente com a ideologia daquele prefeito, daquela liderança ou vereador? Por exemplo, não adianta um prefeito de direita pedir voto para um candidato de esquerda. Será que eles vão votar assim mesmo?”, questionou.

A análise toca diretamente no ponto mais sensível da estratégia de Vander, pois parte dos prefeitos que o petista afirma ter ao seu lado pertence a partidos e grupos políticos de centro ou de direita, justamente onde Capitão Contar encontra um eleitorado ideologicamente mais próximo.

Na prática, Vander tenta utilizar a influência municipal para atravessar essa fronteira política e se apresentar como uma alternativa de segundo voto mesmo entre eleitores que tenham outro candidato como preferência principal, enquanto Contar, por sua vez, depende de impedir que esse movimento ganhe força.

Ligado ao PL e identificado com a direita, ele tem vantagem natural entre eleitores que resistem ao PT. Se a identificação ideológica prevalecer sobre a indicação dos prefeitos, a rede de apoio construída por Vander poderá ter impacto menor do que o tamanho político da articulação sugere.

VOTO SECRETO

Para o diretor do IPR, a estrutura oferecida pelas lideranças municipais também será fundamental para medir a capacidade de Vander de transformar apoio político em voto. 

“Segundo, a questão de estrutura de campanha conta também, porque a taxa de transferência de apoio é muito restrita”, disse.

O prefeito pode oferecer palanque, abrir espaço entre vereadores, aproximar o candidato de lideranças comunitárias e facilitar sua entrada em determinados municípios. Isso, entretanto, não significa que conseguirá levar o eleitor junto. Nesse ponto, a polarização nacional pode favorecer Contar.

“O candidato que está pedindo voto tem que ter sintonia com o prefeito, porque a população também pensa a respeito. O Brasil está polarizado. Não adianta um prefeito que está bem avaliado pedir voto para um candidato se a população não está disposta a votar nele”, analisou.

Esse comportamento torna a disputa pelo segundo voto especialmente importante.

Vander não precisa necessariamente retirar do adversário um eleitor disposto a votar em Contar, mas precisa convencê-lo de que há espaço para incluir também o petista entre as duas escolhas disponíveis para o Senado. É aí que a força dos 65 prefeitos será colocada à prova.

REJEIÇÃO

Outro fator destacado pelo diretor do IPR é que a rejeição costuma se transferir com mais facilidade do que o apoio, pois, de acordo com ele, quando um candidato rejeitado pelo eleitor ataca um adversário, a reação pode beneficiar justamente o alvo dos ataques.

“A transferência de rejeição acontece muito mais fácil e rápido. Agora, a transferência de voto é mais difícil”, afirmou.

Isso significa que um prefeito popular não necessariamente consegue entregar seus eleitores a Vander, especialmente se parte deles tiver resistência ao PT. 

Por outro lado, o mesmo raciocínio vale para qualquer candidato que carregue níveis elevados de rejeição ou esteja associado a lideranças rejeitadas por determinado segmento do eleitorado.

Para Barbosa, portanto, o número de prefeitos alinhados a uma candidatura deve ser observado com cautela. “Conta? Conta, mas esse é um fator decisivo? Não é isso que a gente está vendo nas pesquisas”, afirmou.

A articulação de Vander revela uma tentativa de ampliar sua candidatura para além do eleitorado tradicional do PT.

Ao buscar prefeitos de diferentes partidos e grupos políticos, o deputado tenta construir uma candidatura menos dependente da esquerda e capaz de chegar aos eleitores que já tenham definido o primeiro voto para candidatos de direita ou de centro.

Esse eleitor é justamente uma peça importante também para Capitão Contar. Por isso, embora não exista um confronto aberto entre as duas campanhas, a disputa pelo segundo voto coloca Vander e Contar em choque direto: cada avanço do petista sobre o eleitorado conservador ou de centro pode significar menos espaço para o candidato do PL.

A dúvida é saber se os prefeitos terão força suficiente para produzir esse deslocamento. Para o diretor do IPR, serão as próximas pesquisas que mostrarão se o movimento anunciado pelas campanhas está alterando efetivamente o cenário eleitoral.

“A gente está acompanhando no cenário estadual que alguns candidatos estão falando que têm apoio de tantos prefeitos, tantos vereadores, tanta liderança. Mas, em pesquisa, a gente consegue avaliar se está realmente fazendo efeito ou se é apenas uma narrativa para tentar mostrar força política”, afirmou.

Barbosa ressalta que ainda existe espaço para mudanças até a votação. “Ainda tem 30 dias para as eleições e vamos ver essas mudanças”, concluiu. 

Assim, Vander entra na reta final apostando na capilaridade dos prefeitos para alcançar um eleitor que, ideologicamente, pode estar mais próximo de Contar. 

O candidato do PL, por sua vez, aposta que a polarização e a fidelidade do eleitorado de direita serão suficientes para conter essa ofensiva, porém, mais do que uma disputa por apoios políticos, a batalha entre os dois será para saber quem consegue ocupar a segunda linha da urna do eleitor.

Política

Toffoli suspende campanha digital de Renan Santos, repasses e participação em debate

Decisão foi tomada no processo que trata de eventuais irregularidades no registro de candidatura de Renan

31/08/2026 15h00

Renan Santos é candidato do Missão à presidência da República

Renan Santos é candidato do Missão à presidência da República Foto: Reprodução

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O ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu a realização de propaganda eleitoral na internet de Renan Santos, o candidato do Missão à presidência da República, bem como sustou repasses do Fundo Eleitoral à campanha, a realização de gastos com eventuais recursos já repassados e o direito de participar de debates em rádios, televisão, podcasts ou outros meios de comunicação.

As proibições se estendem também ao vice na chapa, Aroldo Medina Não há proibição à realização de campanha nas ruas. A decisão foi tomada no processo que trata de eventuais irregularidades no registro de candidatura de Renan. Ao fim das apurações, ele corre o risco de perder o registro e ficar fora da disputa.

Segundo o Toffoli, Renan deixou de comunicar no tempo indicado pro lei todas as contas que mantém em redes sociais. Essas informações devem ser prestadas no momento do registro, ou um dia após a criação de novos canais.

"A própria omissão de dados é indício de fraude á lei", escreveu o ministro. Segundo a decisão, 16 perfis em redes sociais foram informados 12 dias após o requerimento do registro da candidatura.

"Em simples consulta ao primeiro deles, que conta com 2,4 milhões de seguidores, constatei que o perfil veicula propaganda eleitoral, atrai recomendações de outros candidatos (que, portanto, igualmente não informaram os endereços à Justiça Eleitoral) e está sendo recomendado por esses candidatos", escreveu Toffoli.

"A omissão das informações devidas não é apenas uma falha formal no registro de candidatura, mas quebra de isonomia e risco de cometimento de ilícitos ainda mais graves", diz a decisão. "O candidato estava previamente ciente de que deveria informar os endereços e de que somente poderia utilizá-los na campanha após 48 horas de seu registro pelo Tribunal Superior Eleitoral. Violou frontalmente a obrigação", conclui.

O ministro notificou os provedores de internet para adotarem providências para preservar os conteúdos postados a partir de 7 de agosto. Também ordenou que, em até seis horas, "procedam á suspensão dos perfis e à sua exclusão dos sistemas de recomendação, sob pena de multa de R$ 10 mil por hora por perfil".

O ministro também ordenou que os provedores forneçam em 24 horas dados sobre postagens, impulsionamentos, recomendações e anúncios realizados nos perfis a partir de 7 de agosto. Em caso de descumprimento da ordem, a multa é de R$ 50 mil por dia.

Por fim, o ministro determinou que o candidato e o partido informem a data de criação de cada perfil e de início da utilização para fins de propaganda eleitoral, reportem a existência de quaisquer outros endereços eletrônicos de sites, blogs, redes sociais ou grupo de mensagens instantâneas.

A defesa de Renan também terá de explicar a violação à regra eleitoral no mesmo prazo. A depender da explicação, Renan ficará sujeito ao indeferimento do registro de candidatura.

Eleições 2026

Vander diz ter apoio de 65 prefeitos e avança sobre espaço de Contar

O número representa mais de 82% dos gestores municipais do Estado

31/08/2026 08h00

O deputado federal Vander Loubet (PT) reunido com 12 prefeitos da região do Cone Sul do Estado

O deputado federal Vander Loubet (PT) reunido com 12 prefeitos da região do Cone Sul do Estado Foto: Divulgação

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O deputado federal Vander Loubet (PT), candidato ao Senado, afirma já contar com o apoio ou a simpatia de cerca de 65 dos 79 prefeitos de Mato Grosso do Sul, principalmente como opção para o segundo voto ao Senado. 

O número representa mais de 82% dos gestores municipais do Estado e, se confirmado nas urnas, revela um avanço expressivo do petista sobre a base política que sustenta a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP).

Segundo Vander, parte desses prefeitos manifesta apoio de maneira mais explícita, enquanto outra prefere manter a posição reservada diante da atual conjuntura política. Por isso, o candidato evita divulgar nominalmente a relação dos gestores que estariam dispostos a trabalhar pelo seu nome nos municípios.

A estratégia, conforme relatado pelo parlamentar, é permitir que o apoio se manifeste principalmente nas bases, com a participação de vereadores, lideranças municipais e apoiadores, evitando criar constrangimentos políticos aos prefeitos que também possuem compromissos com outros integrantes da aliança governista.

O movimento atinge especialmente o espaço do ex-deputado estadual Capitão Contar (PL), candidato ao Senado apoiado oficialmente pela coligação de Riedel ao lado do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL). Na prática, alguns prefeitos ligados ao grupo governista já sinalizaram preferência pela dobradinha Azambuja e Vander para as duas vagas em disputa.

ALIADOS DECLARADOS

Entre aqueles que já tornaram público o apoio ao petista estão os prefeitos Nelson Cintra (PSDB), de Porto Murtinho, Juliano Ferro (PL), de Ivinhema, e Julio Buguelo (PSD), de Glória de Dourados.

Os três fazem parte de partidos inseridos na ampla aliança política em torno da candidatura de Riedel, mas optaram por apoiar Azambuja para uma das vagas e Vander para a outra, deixando Contar de fora de suas preferências para o Senado.

Em Porto Murtinho, a adesão de Nelson Cintra chamou a atenção porque superou inclusive diferenças políticas históricas. Nem a participação do PSDB na aliança governista nem a antiga rivalidade com o grupo do ex-governador Zeca do PT impediram a aproximação entre o tucano e Vander.

A ofensiva do petista sobre os prefeitos ganhou novo capítulo no sábado, durante uma reunião realizada em Tacuru com o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, prefeitos de 12 municípios.

Participaram da agenda gestores Elaine Aparecida Soligo (MDB), de Aral Moreira, Maria Lurdes Portugal (PL), de Caarapó, Niágara Kraievski (PP), de Coronel Sapucaia, Fabiana Maria Lorenci (PP), de Eldorado, Lídio Ledesma (PSDB), de Iguatemi, Thalles Henrique Tomazelli (PL), de Itaquiraí, Vitor da Cunha Rosa (PSDB), de Japorã, Gilson Marcos da Cruz (PSD), de Juti, Rosária de Fátima Ivantes Lucca Andrade (PSDB), de Mundo Novo, Heliomar Klabunde (MDB), de Paranhos, Erlon Fernando Possa Daneluz (PSDB), de Sete Quedas, Rogério de Souza Torquetti (PSDB), de Tacuru, Sérgio Diozebio Barbosa (MDB), de Amambai, e Rodrigo Massuo Sacuno (PL), de Naviraí.

A relação de Vander com os prefeitos da região também passa pela ampliação da atuação da Itaipu no Estado. Até 2023, a presença da Binacional estava praticamente restrita a Mundo Novo. Após articulações envolvendo Vander, a empresa e o governo federal.

“Foi para isso que trabalhamos: para abrir portas que antes estavam fechadas para Mato Grosso do Sul. Hoje temos uma região organizada, prefeitos unidos e novas possibilidades de investimento. No Senado, terei ainda mais força para fazer esse tipo de articulação e trazer resultados concretos para os municípios e para a população”, afirmou o deputado federal. 

CONTESTAÇÃO

Por meio de nota enviada à reportagem na tarde desta segunda-feira (30), a Prefeitura de Naviraí contestou a inclusão do prefeito Rodrigo Sacuno entre os gestores que teriam participado da agenda realizada no sábado (29), em Tacuru. 

A administração municipal informou que Sacuno não esteve no encontro e enviou representantes do município e, ainda conforme a nota, a reunião ocorreu a partir de convite oficial feito aos integrantes do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento da Região Sul de Mato Grosso do Sul (Conisul) para uma visita técnica ao Complexo Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos de Tacuru, com participação de representantes da Itaipu Binacional.

A administração de Naviraí ressaltou que o convite do Conisul definiu a atividade como uma agenda técnica, destinada à troca de experiências sobre gestão e destinação de resíduos sólidos entre os municípios consorciados. Por isso, afirma que a participação de representantes de Naviraí não deve ser interpretada como manifestação de apoio político ou eleitoral à candidatura de Vander Loubet (PT) ao Senado.

Confira abaixo a nota na íntegra:

PREFEITURA MUNICIPAL DE NAVIRAÍ – MS

Assessoria de Comunicação

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Naviraí/MS, 31 de agosto de 2026.

A Prefeitura Municipal de Naviraí, por meio da Assessoria de Comunicação, vem a público prestar esclarecimentos sobre informações veiculadas na matéria "Vander diz ter apoio de 65 prefeitos e avança sobre espaço de Contar", publicada pelo jornal Correio do Estado em 31/08/2026, que menciona o nome do prefeito Rodrigo Sacuno entre os gestores presentes a uma agenda realizada no município de Tacuru/MS, no dia 29 de agosto de 2026.

Esclarecemos que o prefeito Rodrigo Sacuno não esteve no evento e mandou representantes. Ademais, o referido encontro decorreu de convite oficial aos municípios integrantes do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento da Região Sul de Mato Grosso do Sul (CONISUL), para a Visita Técnica ao Complexo Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos de Tacuru/MS, com a presença de representantes da Itaipu Binacional.

O convite formal, subscrito pelo presidente do CONISUL, definiu expressamente o caráter técnico da agenda, voltada ao conhecimento das soluções adotadas pelo município de Tacuru na gestão e destinação de resíduos sólidos e à troca de experiências entre os municípios consorciados.

Tratou-se, portanto, de agenda de natureza técnica e institucional, vinculada à cooperação regional entre municípios consorciados, e não de ato de caráter político-partidário ou eleitoral.

A atual gestão reafirma seu compromisso com a transparência e com uma comunicação institucional pautada exclusivamente pelo interesse público, permanecendo à disposição da imprensa para esclarecimentos adicionais.

Assessoria de Comunicação
Prefeitura Municipal de Naviraí – MS

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