Política

Eleições 2026

Vander diz ter apoio de 65 prefeitos e avança sobre espaço de Contar

O número representa mais de 82% dos gestores municipais do Estado

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O deputado federal Vander Loubet (PT), candidato ao Senado, afirma já contar com o apoio ou a simpatia de cerca de 65 dos 79 prefeitos de Mato Grosso do Sul, principalmente como opção para o segundo voto ao Senado. 

O número representa mais de 82% dos gestores municipais do Estado e, se confirmado nas urnas, revela um avanço expressivo do petista sobre a base política que sustenta a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP).

Segundo Vander, parte desses prefeitos manifesta apoio de maneira mais explícita, enquanto outra prefere manter a posição reservada diante da atual conjuntura política. Por isso, o candidato evita divulgar nominalmente a relação dos gestores que estariam dispostos a trabalhar pelo seu nome nos municípios.

A estratégia, conforme relatado pelo parlamentar, é permitir que o apoio se manifeste principalmente nas bases, com a participação de vereadores, lideranças municipais e apoiadores, evitando criar constrangimentos políticos aos prefeitos que também possuem compromissos com outros integrantes da aliança governista.

O movimento atinge especialmente o espaço do ex-deputado estadual Capitão Contar (PL), candidato ao Senado apoiado oficialmente pela coligação de Riedel ao lado do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL). Na prática, alguns prefeitos ligados ao grupo governista já sinalizaram preferência pela dobradinha Azambuja e Vander para as duas vagas em disputa.

ALIADOS DECLARADOS

Entre aqueles que já tornaram público o apoio ao petista estão os prefeitos Nelson Cintra (PSDB), de Porto Murtinho, Juliano Ferro (PL), de Ivinhema, e Julio Buguelo (PSD), de Glória de Dourados.

Os três fazem parte de partidos inseridos na ampla aliança política em torno da candidatura de Riedel, mas optaram por apoiar Azambuja para uma das vagas e Vander para a outra, deixando Contar de fora de suas preferências para o Senado.

Em Porto Murtinho, a adesão de Nelson Cintra chamou a atenção porque superou inclusive diferenças políticas históricas. Nem a participação do PSDB na aliança governista nem a antiga rivalidade com o grupo do ex-governador Zeca do PT impediram a aproximação entre o tucano e Vander.

A ofensiva do petista sobre os prefeitos ganhou novo capítulo no sábado, durante uma reunião realizada em Tacuru com o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, prefeitos de 12 municípios.

Participaram da agenda gestores Elaine Aparecida Soligo (MDB), de Aral Moreira, Maria Lurdes Portugal (PL), de Caarapó, Niágara Kraievski (PP), de Coronel Sapucaia, Fabiana Maria Lorenci (PP), de Eldorado, Lídio Ledesma (PSDB), de Iguatemi, Thalles Henrique Tomazelli (PL), de Itaquiraí, Vitor da Cunha Rosa (PSDB), de Japorã, Gilson Marcos da Cruz (PSD), de Juti, Rosária de Fátima Ivantes Lucca Andrade (PSDB), de Mundo Novo, Heliomar Klabunde (MDB), de Paranhos, Erlon Fernando Possa Daneluz (PSDB), de Sete Quedas, Rogério de Souza Torquetti (PSDB), de Tacuru, Sérgio Diozebio Barbosa (MDB), de Amambai, e Rodrigo Massuo Sacuno (PL), de Naviraí.

A relação de Vander com os prefeitos da região também passa pela ampliação da atuação da Itaipu no Estado. Até 2023, a presença da Binacional estava praticamente restrita a Mundo Novo. Após articulações envolvendo Vander, a empresa e o governo federal.

“Foi para isso que trabalhamos: para abrir portas que antes estavam fechadas para Mato Grosso do Sul. Hoje temos uma região organizada, prefeitos unidos e novas possibilidades de investimento. No Senado, terei ainda mais força para fazer esse tipo de articulação e trazer resultados concretos para os municípios e para a população”, afirmou o deputado federal. 

CONTESTAÇÃO

Por meio de nota enviada à reportagem na tarde desta segunda-feira (30), a Prefeitura de Naviraí contestou a inclusão do prefeito Rodrigo Sacuno entre os gestores que teriam participado da agenda realizada no sábado (29), em Tacuru. 

A administração municipal informou que Sacuno não esteve no encontro e enviou representantes do município e, ainda conforme a nota, a reunião ocorreu a partir de convite oficial feito aos integrantes do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento da Região Sul de Mato Grosso do Sul (Conisul) para uma visita técnica ao Complexo Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos de Tacuru, com participação de representantes da Itaipu Binacional.

A administração de Naviraí ressaltou que o convite do Conisul definiu a atividade como uma agenda técnica, destinada à troca de experiências sobre gestão e destinação de resíduos sólidos entre os municípios consorciados. Por isso, afirma que a participação de representantes de Naviraí não deve ser interpretada como manifestação de apoio político ou eleitoral à candidatura de Vander Loubet (PT) ao Senado.

Confira abaixo a nota na íntegra:

PREFEITURA MUNICIPAL DE NAVIRAÍ – MS

Assessoria de Comunicação

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Naviraí/MS, 31 de agosto de 2026.

A Prefeitura Municipal de Naviraí, por meio da Assessoria de Comunicação, vem a público prestar esclarecimentos sobre informações veiculadas na matéria "Vander diz ter apoio de 65 prefeitos e avança sobre espaço de Contar", publicada pelo jornal Correio do Estado em 31/08/2026, que menciona o nome do prefeito Rodrigo Sacuno entre os gestores presentes a uma agenda realizada no município de Tacuru/MS, no dia 29 de agosto de 2026.

Esclarecemos que o prefeito Rodrigo Sacuno não esteve no evento e mandou representantes. Ademais, o referido encontro decorreu de convite oficial aos municípios integrantes do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento da Região Sul de Mato Grosso do Sul (CONISUL), para a Visita Técnica ao Complexo Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos de Tacuru/MS, com a presença de representantes da Itaipu Binacional.

O convite formal, subscrito pelo presidente do CONISUL, definiu expressamente o caráter técnico da agenda, voltada ao conhecimento das soluções adotadas pelo município de Tacuru na gestão e destinação de resíduos sólidos e à troca de experiências entre os municípios consorciados.

Tratou-se, portanto, de agenda de natureza técnica e institucional, vinculada à cooperação regional entre municípios consorciados, e não de ato de caráter político-partidário ou eleitoral.

A atual gestão reafirma seu compromisso com a transparência e com uma comunicação institucional pautada exclusivamente pelo interesse público, permanecendo à disposição da imprensa para esclarecimentos adicionais.

Assessoria de Comunicação
Prefeitura Municipal de Naviraí – MS

LIBERDADE DE IMPRENSA

MPMS rechaça censura de Pollon ao Correio do Estado sobre "Dark Horse"

Promotor de Justiça afirma que publicações trataram de emendas e da atuação parlamentar e não da vida privada do deputado

15/09/2026 07h55

O deputado federal Marcos Pollon acionou o jornal na Justiça

O deputado federal Marcos Pollon acionou o jornal na Justiça Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) afirmou que as reportagens do Correio do Estado questionadas judicialmente pelo deputado federal Marcos Pollon (PL) abordaram fatos de interesse público relacionados ao exercício do mandato parlamentar, e não aspectos da vida privada do político.

O entendimento consta em manifestação assinada pelo promotor de Justiça Júlio Bilemjian Ribeiro no processo nº 0812381-50.2026.8.12.0110, que tramita na 10ª Vara do Juizado Especial Criminal de Campo Grande.

Pollon apresentou queixa-crime contra os jornalistas Eduardo Miranda e Alicia Miyashiro e contra o Correio do Estado. O deputado atribui aos acusados a suposta prática dos crimes de difamação e injúria, previstos nos artigos 139 e 140 do Código Penal. 

O deputado federal Marcos Pollon acionou o jornal na JustiçaFac-símile do parecer do promotor de Justiça Júlio Bilemjian Ribeiro - Foto: Reprodução

A ação questiona duas reportagens publicadas pelo jornal. A primeira, intitulada “Além de Daniel Vorcaro, deputado de MS também ajudou a ‘bancar’ filme sobre Bolsonaro”, foi divulgada no dia 13 de maio. A segunda, “ONG que recebeu repasse de Pollon é alvo de operação em SP”, foi publicada no dia 1º de junho.

Na queixa-crime, Pollon sustenta que as matérias apresentaram informações supostamente falsas, pejorativas e ofensivas à sua honra e reputação.

Ele também alega que os textos criaram uma associação indevida entre sua atuação política, a destinação de emendas federais e possíveis irregularidades envolvendo terceiros.

Para o MPMS, entretanto, os assuntos abordados nas reportagens estão diretamente vinculados às atribuições institucionais de Pollon como deputado federal.

“Observa-se da própria narrativa constante da queixa-crime que as alegadas ofensas não dizem respeito a aspectos da vida privada do querelante, mas sim a fatos diretamente relacionados ao exercício de seu mandato parlamentar federal”, afirmou o promotor.

Na manifestação, Júlio Bilemjian Ribeiro reforçou que as publicações discutiram a destinação de recursos provenientes de emendas parlamentares, a atuação política de Pollon e sua condição de deputado federal. Portanto, abordaram fatos ligados à atividade institucional do parlamentar e de interesse público.

O promotor, contudo, não analisou nessa manifestação se houve ou não difamação ou injúria. O parecer se concentra na definição do ramo do Poder Judiciário competente para processar e julgar a ação apresentada pelo deputado.

Segundo o MPMS, como as supostas ofensas apontadas por Pollon estão relacionadas ao exercício de uma função pública federal, o processo não deve permanecer na Justiça Estadual.

A continuidade da ação nesse ramo do Judiciário poderia provocar um vício de incompetência absoluta e resultar na anulação dos atos processuais.

O Ministério Público citou a Súmula 147 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo a qual compete à Justiça Federal processar e julgar crimes praticados contra funcionário público federal quando relacionados ao exercício da função.

Também foi mencionado um precedente do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), que reconheceu a competência federal para julgar crime contra a honra praticado por meio da imprensa contra um deputado federal.

“Não há como dissociar a pretensão deduzida da condição funcional ostentada pela vítima”, registrou Júlio Bilemjian Ribeiro.

Com esse entendimento, o MPMS pediu que a Justiça Estadual reconheça sua incompetência para analisar o processo e determine a redistribuição dos autos à Seção Judiciária da Justiça Federal de Mato Grosso do Sul. O pedido ainda precisa ser analisado pelo juiz responsável pela ação.

INVESTIGAÇÃO

O nome de Pollon aparece na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na quinta-feira para investigar suspeitas de desvios de emendas parlamentares.

Dino destacou que Pollon, eleito por Mato Grosso do Sul, destinou R$ 1 milhão a um projeto em São Paulo. 
Conforme o ministro, a situação revela “aparente desconformidade com a exigência de absoluta vinculação federativa” estabelecida pelo Supremo para a aplicação desses recursos.

A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal. Entre as entidades investigadas estão a Academia Nacional de Cultura, o Instituto Conhecer Brasil e a Go Up Entertainment, todos ligados à empresária Karina Ferreira da Gama.

O ministro determinou a suspensão das atividades da Academia Nacional de Cultura (ANC) e proibiu o deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor-executivo de “Dark Horse”, e outros 28 investigados de deixarem o País.

A investigação busca esclarecer o destino de recursos públicos que teriam circulado por entidades e empresas vinculadas entre si, algumas delas instaladas nos mesmos endereços.

A Controladoria-Geral da União também identificou situações consideradas atípicas na contratação de fornecedores localizados em outros estados.

A presença de Pollon na decisão decorre da indicação da emenda de R$ 1 milhão ao projeto paulista e da possível irregularidade na vinculação territorial do recurso. A citação, isoladamente, não comprova que o deputado tenha participado de eventual desvio.

SEM DESTINO

A emenda indicada por Pollon tinha como finalidade o financiamento do projeto audiovisual “Heróis Nacionais”, que seria executado pela ANC.

A ANC é presidida por Karina Ferreira da Gama, também ligada à Go Up Entertainment, produtora responsável por “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estrelado pelo ator norte-americano Jim Caviezel.

Os registros oficiais mostram que a verba indicada pelo deputado foi transferida ao governo de São Paulo. O recurso, porém, não chegou à Academia Nacional de Cultura, e o projeto audiovisual não foi executado.
Pollon declarou que, diante da inviabilidade da iniciativa, pediu ao governo paulista que o dinheiro fosse redirecionado ao Hospital de Amor de Barretos. 

Até o momento, entretanto, não há confirmação pública de que a instituição tenha recebido a verba.
Os sistemas oficiais consultados indicavam que o dinheiro permanecia sem execução e formalmente vinculado ao projeto cultural. 

O Correio do Estado procurou o Hospital de Amor para confirmar se houve o redirecionamento ou alguma comunicação oficial sobre a emenda e aguarda resposta.

Postura

STF: Dino comenta sobre exclusão de imprensa no plenário e diz que não foi consultado

Secretaria de comunicação do Supremo negou que haja pessoas convidadas

14/09/2026 22h00

Ministro Flávio Dino

Ministro Flávio Dino Foto: Gustavo Moreno/STF

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta segunda-feira, 14. que não foi consultado sobre a proibição para a imprensa acessar o plenário da Corte no julgamento desta terça-feira, 15, quando o Tribunal vai decidir se autoriza a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes em razão do seu suposto elo com o banqueiro Daniel Vorcaro.

O plenário será aberto apenas para pessoas que se credenciaram em link disponibilizado pelo Supremo e tiveram o credenciamento confirmado pelo cerimonial da Corte.

"O ministro Flávio Dino esclarece que não foi consultado sobre esse ponto e, caso consultado, se manifestaria a favor da presença dos jornalistas no plenário. Se estarão presentes centenas de pessoas, algumas inclusive 'convidadas', o ministro entende que não há razão para excluir os jornalistas", afirmou Dino em nota.

A secretaria de comunicação do Supremo negou que haja pessoas convidadas.

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