Política

Campo Grande

Vereador Jamal e outros três viram réus por suposto desvio de R$ 616 mil em contrato do Samu

Decisão foi proferida pelo juiz federal Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini

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A Justiça Federal recebeu a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e tornou réus o vereador Jamal Mohamed Salem (MDB), o ex-coordenador da Central Municipal de Compras e Licitação, Estevão Silva de Albuquerque, o ex-pregoeiro Mário Justiniano de Souza Filho, além do empresário e dono da HBR Medical Equipamentos Hospitalares, Rodolfo Pinheiro Holsback, por suposto envolvimento em um esquema de desvio de recursos públicos do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo a acusação, o prejuízo chega a R$ 616.316,66 em um contrato firmado para locação de equipamentos médicos destinados ao Samu. Os acusados responderão, em tese, pelo crime de peculato em concurso de pessoas e continuidade delitiva.

A decisão proferida nesta quinta-feira (23) é do juiz federal Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini, da 5ª Vara Federal de Campo Grande, que entendeu estarem presentes indícios suficientes de autoria e materialidade para a abertura da ação penal.  

De acordo com a denúncia do MPF, os fatos ocorreram entre 2014 e 2015, quando Jamal ocupava o cargo de secretário municipal de Saúde e ordenador de despesas da Prefeitura de Campo Grande. Também foram apontados como participantes do suposto esquema o então coordenador-geral do Samu, José Eduardo Cury, o superintendente de Gestão em Saúde Pública, Virgílio Gonçalves de Souza Júnior, e Roberto de Barros Lavarda, sócio da empresa HBR Medical Equipamentos Hospitalares Ltda. Estes, no entanto, não constam na decisão de recebimento da denúncia proferida pelo juízo.

Segundo o MPF, o grupo teria atuado de forma coordenada para direcionar o Pregão Presencial nº 262/2014, que deu origem ao Contrato nº 144/2015. A investigação sustenta que o processo licitatório foi utilizado apenas para dar aparência de legalidade a um acordo previamente firmado com a empresa HBR Medical, que teria sido beneficiada com valores superfaturados.

Ainda conforme a acusação, os orçamentos e cotações de preços teriam sido artificialmente elevados para aumentar o valor máximo aceitável da licitação. A denúncia afirma que a única empresa concorrente acabou desclassificada, permitindo a contratação da HBR Medical para a locação de seis aparelhos de ultrassom e dez conjuntos de eletrocardiogramas.

Na decisão, o magistrado afirmou que a denúncia apresenta descrição clara, cronológica e individualizada dos fatos, preenchendo os requisitos legais para a instauração da ação penal. O juiz destacou ainda que, em crimes de autoria coletiva ou de natureza predominantemente intelectual, a individualização detalhada das condutas pode ser mitigada diante da complexidade da suposta trama criminosa.

Com o recebimento da denúncia, os quatro réus deverão ser citados para apresentar resposta à acusação no prazo de dez dias. 

 

Publicação

Democracia está nas mãos do povo, não em palácios, diz Cármen Lúcia

Ministra do STF falou durante lançamento do seu livro em Paraty

24/07/2026 13h30

Ministra Carmen Lúcia

Ministra Carmen Lúcia Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

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“Está em nossas mãos a democracia, não está nos palácios, não está nos gabinetes”, declarou Cármen Lúcia, ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), durante evento de lançamento de seu livro Pela mão do povo — Democracia e voto no Brasil (editora Bazar do Tempo), nesta quinta-feira (23), durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty. 

Em coautoria com a cientista política Heloisa Starling e organização da historiadora Nayara Henriques Pinto, a obra percorre a história da democracia brasileira por meio das eleições, das leis e dos eleitores, refletindo sobre a construção da cidadania e do voto no país.

Cármen Lúcia participa também, nesta sexta-feira (24), da 10ª mesa do programa principal da Flip, com o tema Estado de sítio, estado de sido, estase, às 13h30. Haverá transmissão ao vivo pelo telão do Palco da Praça e pelo YouTube da Flip.

A pouco mais de dois meses das eleições, ela defendeu que o povo brasileiro valorize o que já conquistou, como o amplo direito ao voto. A ministra alertou, no entanto, que o voto não é a única forma de exercício democrático.

“Nem se imagine que o único dia que nós, sociedade, somos soberanos como povo, seja o dia da eleição. Todos os dias nós podemos fazer alguma coisa. Mas é preciso que a gente tenha este ânimo para fazer esta união que nos reúne como um povo”, disse a ministra durante o evento de lançamento do livro.

Questionada sobre contestações em relação à idoneidade das urnas eletrônicas, ela explicou que a urna passa por um processo de auditoria constante e que nunca foi comprovado nenhum tipo de equívoco nem erro.

“Eu não acredito mais que alguém em sã consciência tenha dúvida sobre a urna”, disse Cármen Lúcia. 

A ministra afirmou que o povo brasileiro já acolheu o modelo de votação pela urna eletrônica. “Eu sou cidadã brasileira, servidora pública brasileira e, principalmente, eu voto. Fui duas vezes presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Tenho, portanto, absoluta certeza da segurança, da higidez e da transparência do processo eleitoral com a urna eletrônica”, defendeu.

Movimento de resistência

Segundo a ministra, o mundo todo vive tempos muito difíceis de fragilização democrática.

“Há sempre aqueles que não gostam de democracia e não gostam da liberdade dos outros. Então nós temos realmente um movimento de resistência permanente [pela] democracia”, ressaltou.

Ela acrescentou, como diz o título do livro, que é pela mão do povo que se pode promover transformações. “Eu não espero que as senhoras e os senhores imaginem que sejam os poderes do Estado que façam um milagre transformador. O que transforma e o grande milagre é feito pela cidadania e eu já vi isso acontecer nas várias oportunidades em que o povo brasileiro se uniu”.

Ela citou a Lei Complementar 135/2010, conhecida como Lei da Ficha Limpa, que partiu da mobilização da população e chegou ao Congresso, onde foi aprovada.

“Na década de 90, [um indivíduo condenado e preso foi] eleito prefeito de uma cidade e governava de dentro da prisão e se dizia ‘foi o povo que escolheu’ e a lei brasileira propiciava.”

“O povo brasileiro - não um povo abstrato, não é um povo ícone -, um grupo de cidadãos e cidadãs saíram às ruas, colheram assinaturas, fizeram a proposta de lei”, destacou. “O povo não quer uma coisa, ele muda. É preciso ânimo para isso. E é preciso, portanto, para que a gente tenha ânimo democrático, que a gente não desanime civilmente.”

Direito e Literatura

A ministra mencionou que a palavra é o instrumento do direito e é também o instrumento da literatura. Além disso, segundo ela, a literatura e o direito “andaram casados sempre”.

“Isso nos leva talvez, com tanta frequência, a usarmos tanto a arte e arte literária como fonte de explicações. A gente não pode desconhecer Dostoiévski; O processo, de Kafka; O processo de Maurizius, de Jakob Wassermann, de jeito nenhum.”

O livro que mais carrega para os lugares que vai, segundo contou Cármen Lúcia, é o Romanceiro da Inconfidência, considerado uma obra-prima de Cecília Meireles, que aborda a história da Inconfidência Mineira, ocorrida em 1789. 

“O Romanceiro da Inconfidência narra muito melhor as passagens dos conjurados, nos faz pensar muito mais sobre sentença, sobre o papel dos juízes, do que muitas obras de história”, relatou.

Para a ministra, a arte é transgressora, é um espaço democrático que sinaliza se há uma democracia verdadeira. “Sem arte e cultura não se tem democracia”, enfatizou, utilizando a alegoria da construção de uma casa.

“Nós não construímos uma casa a partir do teto, nós construímos a partir da fundação. E o que dá a fundação da democracia brasileira é o povo. Democracia não é regime político só, nunca foi. Democracia é uma forma de viver com espaços de liberdade assegurada a todos”, defendeu.

Ela aponta ainda que a arte é o único espaço de transgressão permitido no estado de direito.

“Por isso é que ditador não gosta da arte, não gosta da arte que não se submeta a ele. Não é que não gosta da arte também não. Ele quer submeter, sujeitar a cultura. Querem uma cultura subordinada e a cultura é transgressora”, concluiu.

ARTICULAÇÕES

Mesmo com neutralidade nacional, Riedel vai apoiar Flávio Bolsonaro a presidente

Federação União Progressista libera alianças nos estados e a coligação com o PL em Mato Grosso do Sul está assegurada

24/07/2026 08h00

O governador Eduardo Riedel, a senadora Tereza Cristina e o ex-governador Reinaldo Azambuja

O governador Eduardo Riedel, a senadora Tereza Cristina e o ex-governador Reinaldo Azambuja Arquivo

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A decisão da cúpula nacional da Federação União Progressista, formada pelo PP e o União Brasil, de adotar uma posição de neutralidade na disputa pela Presidência da República nas eleições deste ano não vai alterar o cenário político em Mato Grosso do Sul.

No Estado, a aliança entre PP, União Brasil, PL, Republicanos e outras siglas será mantida. Em um gesto político de apoio ao projeto presidencial do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro, o governador Eduardo Riedel (PP) deverá, inclusive, reforçar esse alinhamento ao participar, amanhã, da convenção nacional do PL, em São Paulo (SP), que oficializará a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

Embora a federação tenha decidido retirar o apoio formal à candidatura de Flávio Bolsonaro no plano nacional, a executiva nacional liberou os diretórios estaduais para definirem suas alianças de acordo com a realidade política de cada unidade da Federação.

Em Mato Grosso do Sul, a presidente estadual do PP e da Federação União Progressista, senadora Tereza Cristina, assegurou ao Correio do Estado que a decisão não interfere nas articulações locais.

“A neutralidade da federação na disputa presidencial não altera os acordos já costurados em Mato Grosso do Sul. Não vai afetar em nada. Estaremos coligados com PL, Republicanos e outros mais no nosso estado”, declarou.

Tereza Cristina chegou a ser convidada para compor a chapa presidencial como candidata a vice-presidente, mas recusou o convite.

Conforme já informado pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, a decisão está relacionada, entre outros fatores, ao projeto político da senadora de disputar a presidência do Senado em 2027.

O presidente estadual do PL, ex-governador Reinaldo Azambuja, também reforçou à reportagem que, nos estados, os partidos estão livres para seguir ou não essa orientação de neutralidade na disputa pela Presidência da República.

“Não há uma vedação nos estados e até nacionalmente ainda não está batido o martelo. Muita coisa vai acontecer até o dia 15 de agosto, data final para o registro das candidaturas”, projetou, informando que viaja ainda hoje para São Paulo para participar, amanhã, do lançamento da candidatura de Flávio.

A posição da cúpula nacional da Federação União Progressista foi informada ao senador Flávio Bolsonaro após reunião da executiva nacional do PP, realizada na terça-feira, em Brasília (DF), com a participação de Tereza Cristina.

O encontro foi conduzido pelo presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira (PI), e reuniu outras lideranças nacionais, como os deputados federais Doutor Luizinho (RJ), Ricardo Barros (PR) e Eduardo da Fonte (PE).

Em São Paulo, assim como em Mato Grosso do Sul, a tendência é de apoio da federação à candidatura de Flávio Bolsonaro e à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Já na Paraíba o governador Lucas Ribeiro deverá manter alinhamento político com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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