Política

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Voto religioso em Marina mostrou peso eleitoral do segmento

Voto religioso em Marina mostrou peso eleitoral do segmento

Redação

10/10/2010 - 01h20
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São Paulo

Durante a monarquia, Igreja e Estado estiveram oficialmente juntas. A Constituição da República, de 1891, instituiu a separação e eliminou muitos privilégios da Igreja. Não por muito tempo. Já na Constituinte de 1934, graças ao lobby da Liga Eleitoral Católica, muitos desses privilégios foram recuperados, como recursos públicos para escolas e hospitais pertencentes à Igreja, recorda o sociólogo Ricardo Mariano.
Até hoje, muito da influência buscada pela Igreja no governo e no Congresso é motivada por esses interesses mundanos, aponta Maria das Dores Campos Machado, pesquisadora da Universidade Federal do Rio: recursos do governo para suas entidades de assistência social. Isso porque, no Brasil, muito pouco dinheiro da iniciativa privada é destinado a essas obras, e o grosso vem mesmo do Estado. Concessões de rádio e TV também são febrilmente cobiçadas pelas igrejas, e trocadas por votações importantes para o governo no Congresso.
Os parlamentares religiosos votam sem alinhamento ideológico, de acordo com essas barganhas. Eles só agem como bancada quando há uma votação ligada a seus princípios morais, como aborto, por exemplo. De resto, “atuam como qualquer outro político, buscando poder e influência”, observa Maria das Dores, autora dos livros “Os Votos de Deus” e “Política e Religião”.
Os analistas acreditam que o voto em Marina Silva, do PV, no primeiro turno tenha servido para os religiosos mostrarem o seu peso eleitoral e assim impor suas agendas no segundo turno. Teria sido um voto estratégico, mais ou menos consciente.
Maria das Dores observa que as igrejas funcionam como formadoras de líderes, que lá aprendem a falar em público e a se articular politicamente, nas intensas disputas internas pelo poder. Para muitos pentecostais pobres, a igreja e o pastor são a principal fonte de informação. “Não é que eles façam tudo o que o pastor manda, mas é na igreja que se informam e formam sua opinião”. Inclusive sobre em quem votar.
A atuação política dos evangélicos é diferente na forma. Enquanto a Igreja Católica tem seus canais institucionalizados de interlocução com o governo e o Congresso, como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Nunciatura Apostólica do Vaticano, ambos com escritórios em Brasília, os evangélicos tiveram de formar bancadas no Congresso para se fazer ouvir. Se bem que a Igreja Católica incentiva leigos a se lançarem na política, e há até alguns padres que pediram licença para se candidatar também.

Partidarismo
Ao longo da história do Brasil, houve tentativas de “partidos cristãos”, mas nenhum chegou a ter expressão política. Na eleição de 2006, os evangélicos distribuíram-se por dez partidos diferentes. Com exceção dos partidos mais radicalmente de esquerda, como PSOL e PCO, todos os outros abrigam representantes religiosos, assegura Ricardo Mariano.
Entre 1989 e 1998, os evangélicos “demonizaram” Lula, recorda Mariano. O PT tinha dois defeitos graves do ponto de vista deles: ligação com a Igreja Católica, via Teologia da Libertação, e correntes comunistas, associadas a regimes ateus. Em 1989, espalharam-se versões de que Lula fecharia as igrejas. Boatos não são uma invenção da internet.
No segundo turno da eleição presidencial de 2002, o PSDB se mostrava enfraquecido pela primeira vez em oito anos. Lula estendeu a mão e os evangélicos, tendo à frente a Igreja Universal do Reino de Deus, aliaram-se ao antigo “demônio”. “Eles são muito pragmáticos”, avalia Cesar Romero Jacob. “Sempre ficam do lado da aliança vitoriosa”. Por trás da retórica religiosa, está a política sendo feita como sempre foi.
Ao lado dos interesses, tanto dos políticos que buscam o voto religioso quanto dos religiosos que buscam influência e poder, há o dado de realidade de que o Brasil é um País religioso, observa Maria das Dores. A importância dada aos temas religiosos nessa eleição é vista com espanto por muitos, mas na verdade esses temas sempre foram e continuam sendo caros aos brasileiros.

Parceria

Empréstimo de R$ 415 milhões para o Hospital Regional é aprovado pelo Senado

Resolução que valida a operação de crédito externo foi aprovada nesta quinta-feira (13)

13/08/2026 17h00

Resolução que valida a operação de crédito externo foi aprovada nesta quinta-feira (13)

Resolução que valida a operação de crédito externo foi aprovada nesta quinta-feira (13) Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O Senado aprovou o empréstimo de US$ 80 milhões (aproximadamente R$ 415 milhões), repasse entre Governo do Estado e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), destinados à parceria público-privada (PPP) do Hospital Regional. 

A resolução parlamentar que valida a operação de crédito externo foi aprovada nesta quinta-feira (13) pelo Plenário do Senado e segue à promulgação. 

O empréstimo conta com garantia da União, nos termos da mensagem da Presidência da República (MSF 48/2026) ratificada pelos senadores.

A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) confirmaram o cumprimento dos requisitos legais para a tomada dos recursos pelo governo do Estado.

Em seu relatório, a senadora Tereza Cristina (PP) argumentou que “o principal objetivo deve ser assegurar uma estrutura hospitalar adequada, serviços de qualidade e utilização eficiente dos recursos públicos, mantendo sempre a saúde e o interesse coletivo como referências centrais da iniciativa”.

Em maio o Governo do Estado assinou a concessão do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul à empresa Inova Saúde, subsidiária da Construcap CCPS Engenharia e Comércio, vencedora do leilão para comandar administrativamente o hospital através de parceria público-privada. Conforme o contrato, a empresa deve iniciar os serviços em janeiro de 2027. 

De acordo com Riedel, a decisão da privatização do Hospital foi motivada por experiências bem-sucedidas no Brasil e no mundo em gestão de hospitais públicos. O objetivo é oferecer serviço gratuito à população com recursos compatíveis ao orçamento estadual. 

"Este foi o melhor modelo encontrado que envolvesse a ampliação do hospital, a construção, a parte estrutural, física, modernização do hospital, não só do ponto de vista de equimaneto e da sua estrutura, mas do ponto de vista da gestão. Temos muita convicção de que essa mudança traria um resultado muito positivo e impactaria a saúde e no projeto da saúde de todo o estado", afirmou o governador à época. 

O leião da concessão aconteceu na sede da B3, em São Paulo e teve cinco interessadas. A Construcap ofereceu um deságio de 22% ao valor de referência definido para a contraprestação do Estado, que era de R$ 20,3 milhões, ofertando R$ 15,9 milhões, valor muito inferior ao dos quatro outros concorrentes do leilão.

O plano de implementação será feito em fases progressivas. Em janeiro do próximo ano a empresa assume serviços de apoio não assistenciais, como a hotelaria, limpeza, lavanderia, segurança, recepção e infraestrutura de TI. 

Após 20 meses, a Inovar assume a indústria farmacêutica, que é a compra de medicamentos. Um ano depois, a empresa assume a reforma e modernização do chamado "Bloco Velho", passando para as outras áreas após a conclusão, até a consolidação total da operação, com previsão de 56 meses.

"Isso quer dizer que a gente ainda vai conviver com um pedaço de responsabilidade do Estado, e por isso é uma operação assistida, até a operação plena ser consolidada, com parte da PPP. Mas visando sempre o melhor e a melhor eficiência para o cidadão", explicou o Dr. Vinícius Batistela. 

Saiba*

Hospital Regional de Mato Grosso do Sul é considerado o maior hospital de alta complexidade do Estado, atendendo mais de 1,5 milhão de pacientes por ano. A PPP será responsável por modernizar e expandir os serviços essenciais por um período de 30 anos. 

"Me tirem!"

'Mais louco do Brasil' diz que PL pode expulsá-lo após apoiar petista ao Senado

Prefeito rebateu candidata a deputada estadual que pediu saída dele da legenda

13/08/2026 14h15

Vander Loubet foi um dos escolhidos por Juliano Ferro ao Senado

Vander Loubet foi um dos escolhidos por Juliano Ferro ao Senado Foto: Montagem

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Após declarar apoio à candidatura do petista Vander Loubet ao Senado, Juliano Ferro (PL), prefeito de Ivinhema autointitulado "Mais louco do Brasil" disse que o partido pode expulsá-lo, mas que mesmo assim manterá apoio àqueles que sempre os ajudaram duranto a construção de seu mandato.

Na manhã desta quinta-feira (13), a candidata a deputada estadual Vivi Tobias (PL) foi até a sede estadual do partido, em Campo Grande, e protocolou um pedido de expulsão de Juliano Ferro por infidelidade partidária. 

Amplamente identificado com a ala bolsonarista, a declaração de apoio a Vander em detrimento da candidatura de Capitão Contar, do mesmo partido, não foi bem acolhida por grande parcela de seus eleitores, fato que provocou uma enxurrada de declarações negativas de sua própria base eleitoral.  

Em suas redes sociais, reiterou o apoio a Vander Loubet e disse que o petista é o único da esquerda que decidiu apoiar, mantendo assim apoio para Flávio Bolsonaro à presidência, Riedel para Governador, Mara Caseiro na disputa pela Câmara Federal, Zé Teixeira, candidato a deputado estadual e Reinaldo Azambuja, sua primeira escolha no Senado. 

"Eu não estou fazendo "desfidelidade (sic) partidária não, eu não sou candado a deputado estadual e nem federal, não sou candado a nada, eu sou prefeito. Se quiserem me tirar do partido, tirem!"

Na sequência, diz que a escolha por Vander se deu como uma espécie de gratidão ao fato do atual deputado federal auxiliá-lo com recursos federais. Tenho que apoiar quem ajudou a construir o mandato, quem hoje atende a "necessidade da população", falou. 

"E eu não vou pelo partido, vou pelas melhores propostas pelo nosso estado, eu vou por queles que me ajudaram a conduzir o meu mandato. Fui reeleito com 82%, então antes de falar de mim vai lá e pergunta em Ivinhema como que é o nosso mandato." No mesmo vídeo, diz que a candidatura do do outro candidato ao Senado pelo PL (Capitão Contar) não o convenceu. Além de Ferro, Júlio Buguelo (PSD), prefeito de Glória de Dourados também declarou apoio a Vander. 

No vídeo, alguns de seus seguidores o apoiam, ao passo que outros o chamam de "petista enrustido". 

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