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Cientistas tentam prever o futuro usando dados da internet

Cientistas tentam prever o futuro usando dados da internet

NEW YORK TIMES

25/10/2011 - 12h45
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Mais de 60 anos atrás, em sua série Fundação, o escritor de ficção científica Isaac Asimov inventou a psico-história, que combinava matemática e psicologia, para prever o futuro.

Hoje, os cientistas sociais tentam garimpar os vastos recursos da internet --pesquisas na web e mensagens do Twitter, postagens no Facebook e em blogs, pistas de localização digital geradas por bilhões de telefones celulares-- para fazer a mesma coisa.

Os pesquisadores mais otimistas acreditam que os "grandes dados" desses estoques vão revelar pela primeira vez as leis sociológicas do comportamento humano, permitindo que eles prevejam crises políticas, revoluções e outras formas de instabilidade.

"Este é um importante passo adiante", disse Thomas Malone, diretor do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). "Temos à disposição tipos de dados mais detalhados e mais ricos, assim como algoritmos de previsão, o que possibilita um tipo de previsão que antes era impensável."

O governo americano está demonstrando interesse. Neste verão, uma agência pouco conhecida --a Atividade de Projetos de Pesquisa Avançada de Inteligência, ou Iarpa na sigla em inglês, que faz parte do gabinete do diretor da inteligência nacional-- começou a procurar ideias de cientistas sociais acadêmicos e corporações sobre maneiras de se rastrear automaticamente a internet em 21 países latino-americanos atrás de "grandes dados".

O sistema de coleta de dados automático se concentrará em padrões de comunicação, consumo e movimento das populações. Ele vai usar dados publicamente acessíveis, que incluem pesquisas na web, entradas em blogs, fluxo de tráfego na internet, indicadores do mercado financeiro, webcams de trânsito e alterações em verbetes da Wikipédia

Ele pretende ser um sistema totalmente automatizado, um "olho para dados no céu" sem intervenção humana, segundo a proposta do programa. A pesquisa também exploraria a capacidade de prever epidemias e outros tipos de contaminação generalizada.

Para um crítico, o projeto evoca memórias de um programa do Pentágono pós-11 de Setembro para caçar potenciais ameaças, identificando padrões em acervos de dados públicos e privados.

"Por um lado é compreensível que um país queira rastrear coisas como o aparecimento de uma pandemia, mas devo me perguntar sobre a automatização total disso e o quê de produtivo sairá dele", disse David Price, que escreveu sobre cooperação entre cientistas sociais e agências de inteligência.

Um projeto semelhante da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa, ou Darpa, pretende identificar automaticamente redes sociais insurgentes no Afeganistão.

No ano passado, pesquisadores do HP Labs usaram dados do Twitter para prever com precisão as receitas de bilheterias de filmes de Hollywood. Em agosto, a Fundação Nacional de Ciências em Arlington, Virgínia, aprovou verbas para pesquisa usando mídias sociais como Twitter e Facebook para avaliar danos de terremotos.

"Os grandes dados permitem ir além da inferência e da importância estatística e avançar para análises mais significativas e precisas", disse Norman Nie, um desenvolvedor de instrumentos estatísticos para cientistas sociais.

Os cientistas sociais que operam com as agências de pesquisa afirmam que, no balanço, as novas tecnologias terão um efeito sobretudo positivo.

"O resultado será uma compreensão melhor do que acontece no mundo e como os governos locais estão lidando com a situação", disse Sandy Pentland, um cientista do Laboratório de Mídia do MIT. "Eu acho tudo isso muito esperançoso, mais que assustador, porque esta talvez seja a primeira oportunidade real de toda a humanidade ter transparência de governo."

Os defensores da privacidade se preocupam. "Essas técnicas têm dois lados", disse Marc Rotenberg, presidente do Centro de Informação de Privacidade Eletrônica em Washington. "Podem ser usadas com a mesma facilidade contra adversários políticos nos Estados Unidos e contra ameaças de países estrangeiros."

Mas Prabhakar Raghavan, diretor do Yahoo! Labs e especialista em obtenção de informação, notou que prever epidemias de gripe examinando buscas na web pela palavra "gripe" não melhorou significativamente a informação já existente sobre um surto.

Outros pesquisadores são mais otimistas. "Existe uma enorme quantidade de poder de previsão nesses dados", disse Albert-Laszlo Barabasi, um físico especializado em ciência de redes.

"Se eu tiver dados hora a hora de sua localização, posso prever com 93% de precisão onde você estará uma hora ou um dia depois." 

Tecnologia

Vivo abre crediário para vender celular

A operadora agora parcela em até 21 vezes as vendas de smartphones, acessórios e outros eletrônicos

05/04/2026 12h30

Loja da operadora VIVO

Loja da operadora VIVO Divulgação

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A Telefônica Brasil, dona da Vivo, está adotando um mecanismo de vendas que é um velho conhecido do varejo nacional, mas, até então, era pouco explorado no universo das telecomunicações: o crediário. A operadora agora parcela em até 21 vezes as vendas de smartphones, acessórios e outros eletrônicos (TVs, relógios, som, videogames e afins) nas suas lojas físicas e no aplicativo.

A medida tem como objetivo aumentar o volume e a variedade dos produtos vendidos, bem como ampliar o tíquete médio das vendas. Isso será possível atraindo os consumidores interessados em adquirir algum aparelho, mas que não têm cartão de crédito ou já esgotaram seu limite.

"Uma das maiores frustrações do consumidor é não ter crédito aprovado para fazer uma compra", diz o vice-presidente de inovação, Rodrigo Gruner. "Queremos permitir que o consumidor consiga comprar seu smartphone com a Vivo mesmo sem o cartão de crédito", complementa, citando que 95% das vendas dependem do cartão hoje em dia.

Quando um consumidor entrar na loja da Vivo, o vendedor já terá em mãos os seus limites de crédito pré-aprovados por meio da consulta do CPF ou número de telefone, aproveitando a base de dados de mais de 100 milhões de usuários da operadora. Com isso, poderá oferecer produtos que caibam no seu bolso.

A Vivo já tem uma receita líquida R$ 3,9 bilhões por ano com a venda de produtos na sua rede de 1,8 mil lojas e comércio eletrônico. Não é pouco. Trata-se de 13% do faturamento anual das Casas Bahia (R$ 29,2 bilhões) ou 10% da Magalu (R$ 38,7 bilhões), duas gigantes do varejo. Para 2026 em diante, a expectativa da operadora é ter um avanço "significativo" nas vendas graças à oferta do crediário, diz Gruner, que não abre metas de crescimento.

Segundo Gruner, será possível, inclusive, aproveitar a capilaridade da rede de lojas para abocanhar uma fatia do comércio das varejistas regionais - especialmente daquelas que estão sem caixa para manter um bom estoque de aparelhos. Em muitas cidades do interior, há poucas varejistas, e a loja da Vivo acaba sendo uma referência. "Esperamos aumentar nossa participação de mercado", frisa o vice-presidente.

No dia a dia, o crediário deve atender pessoas de menor renda a comprar o primeiro celular ou a trocar aparelhos defasados. Mas não só. A linha também deve servir para pessoas de maior poder aquisitivo interessadas em smartphones top de linha, cujos preços giram em torno de dois dígitos. "Muita gente não troca de aparelho por falta de crédito", cita Gruner.

No fim do dia, é esperado um estímulo para a renovação dos celulares. Hoje em dia, os consumidores trocam de aparelho a cada três anos, em média. No passado, esse giro acontecia em cerca de um ano e meio. "O ciclo de troca está mais longo", afirmou.

Fonte Nova

O crediário da operadora é baseado no seu braço de serviços financeiros, a Vivo Pay. A plataforma conta com recursos de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) subscrito pela Polígono Capital, uma joint venture do BTG Pactual com a Prisma. O Vivo Pay oferece empréstimo pessoal, antecipação de FGTS, consórcios, bem como seguros variados - aparelhos, vida e viagem. Desde o lançamento em 2020, já concedeu R$ 1,1 bilhão em crédito, gerando uma receita de R$ 488 milhões em 2025, alta de 5,9% perante 2024.

Assim, o crediário funcionará como uma nova fonte de receitas financeiras (os juros não são revelados), ao mesmo tempo em que ajudará a Vivo a vender produtos como seguros de aparelhos. "Hoje, 40% dos consumidores que adquirem um smartphone com a operadora também contratam seguro", conta Leandro Coelho, diretor do Vivo Pay.

Desde 2024, a Vivo recebeu do Banco Central (BC) licença para operar como Sociedade de Crédito Direto (SCD). Com isso, ficou autorizada a realizar operações de empréstimo e financiamento de forma direta, ou seja, sem a intermediação de um banco tradicional. Até então, a companhia contratava plataformas de terceiros, o chamado bank as a service.

Neste começo de ano, o Vivo Pay reabriu sua conta digital, que foi temporariamente suspensa para atualização da plataforma após a nova licença. Para os próximos meses, espera ampliar o portfólio de serviços e abrir linha de crédito para empresas.

Tecnologia

Os mitos tech que continuam vivos nas redes: "fechar apps poupa bateria" e outros clássicos

27/02/2026 14h10

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As redes sociais convertem qualquer "truque" tecnológico em verdade universal com uma facilidade espantosa. Um vídeo de 15 segundos com legendas grandes e um tom seguro pode soar mais convincente que uma explicação completa, e assim nascem os mitos: frases simples que parecem lógicas, mas que raramente se sustentam quando se olha o contexto. Em tecnologia, como na vida quotidiana, o que se viraliza nem sempre é o que funciona.

Curiosamente, o mecanismo assemelha-se a como se vendem certos atalhos digitais: sportsbook solution costumam apresentar-se como pacotes "prontos" que prometem acelerar processos complexos.

Nas redes passa o mesmo com os conselhos tech: um gesto rápido parece melhor que entender como opera o sistema. O problema é que o telemóvel não é uma liquidificadora: fechar coisas à toa ou tocar em ajustes sem saber pode acabar por piorar o desempenho.

Por que um mito tech se torna viral

Um mito tecnológico costuma ter três ingredientes: simplicidade, sensação de controlo e uma "prova" visual. A simplicidade tranquiliza ("faz isto e pronto"). A sensação de controlo agarra porque promete dominar um aparelho que às vezes se sente imprevisível. E a prova visual – uma barra de bateria que sobe, um telemóvel que "voa" depois do truque – remata a ilusão, ainda que seja um efeito temporário ou mesmo uma montagem.

Além disso, os algoritmos premiam o extremo. Uma mensagem moderada como "depende do modelo e do uso" não compete contra "isto está a drenar a tua bateria agora mesmo". A isso soma-se um detalhe: muitos telemóveis funcionam de forma diferente segundo a marca, a versão do sistema e até a antiguidade do dispositivo. O que uma pessoa mostra como "solução milagre" pode ser irrelevante para outra.

Cinco mitos que aparecem em quase todos os feeds

Não se trata de troçar, mas de reconhecê-los para não perder tempo (nem paciência) em hacks que não ajudam.
"Fechar apps poupa bateria" É o clássico número um. Em muitos casos, fechar apps o tempo todo não ajuda e pode até piorar o consumo: quando voltas a abri-las, o sistema deve carregá-las do zero. O mais útil costuma ser identificar a app que realmente está a consumir demais e rever permissões, atividade em segundo plano ou notificações excessivas.

"Mais brilho sempre significa mais gasto" Sim, o brilho influencia, mas não é o único fator nem sempre o principal. Se tens o ecrã alto e, além disso, mau sinal, GPS ativo, Bluetooth a procurar dispositivos e apps sincronizadas, o consumo dispara por várias frentes. Reduzir o brilho pode ajudar, mas não é o "botão secreto" que arranja tudo.

"O carregamento rápido estraga o telemóvel" Este mito alimenta-se do medo. O carregamento rápido gera mais calor, e o calor sim pode afetar a bateria com o tempo. Mas isso não significa que seja "mau" por definição. Pode carregar um pouco mais rápido porque reduz a atividade de rede, mas o efeito não é mágico. Se o carregador é lento ou o cabo está danificado, o modo avião não te salva. É um truque com um benefício limitado, que se vende como solução total.

"Apagar a cache diariamente faz o telemóvel mais rápido" Limpar a cache pode liberar espaço em alguns casos, mas fazê-lo de forma compulsiva não converte o telemóvel em novo. Muitas apps guardam cache para abrir mais rápido. Apagá-la diariamente pode provocar o efeito contrário: tempos de carregamento mais longos e mais consumo de dados.

O mito silencioso: "um ajuste serve para todos"

Este é o mais perigoso porque soa razoável. Mas um telemóvel de gama alta com bateria grande, uma versão recente do sistema e bom sinal não se comporta igual a um equipamento antigo com armazenamento quase cheio. Também influencia o uso: não é o mesmo alguém que só usa mensagens que quem edita vídeo ou joga online. Por isso, quando um criador diz "faz isto e dura-te o dobro", convém traduzir mentalmente: "a mim mudou-me algo no meu contexto". A tecnologia é menos de receitas universais e mais de diagnóstico básico.

Como desmentir um mito sem ficar como "sabichão"

Nas redes, corrigir com sarcasmo costuma gerar briga, não aprendizagem. Funciona melhor perguntar: "Em que modelo provaste?", "Que versão de sistema tens?", "Mediste com dados ou só sentiste?".Este tipo de questões reduz o volume da discussão e eleva a qualidade.Outra estratégia é trocar "isso é falso" por "isso pode ser verdade em alguns casos, mas não sempre". Os matizes não se viralizam, mas sim ajudam a que alguém não acabe por tocar em dez ajustes sem entender o que faz cada um.

Checklist rápido para não cair em hacks inúteis

Antes de copiar um truque, faz uma verificação curta:

  • O vídeo explica o contexto? Modelo, sistema, uso, condições (sinal, calor, apps).
  • Promete resultados extremos? Se soa demasiado perfeito, suspeita.
  • Mostra "antes e depois" real? Melhor se há medição (tempo, percentagem, consumo).
  • Pede-te para instalar algo estranho? Cuidado com apps que prometem "limpar", "acelerar" ou "otimizar" sem transparência.
  • Há uma alternativa simples? Reiniciar, atualizar, liberar espaço e rever bateria costuma dar mais que um "hack" viral.
     

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