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Fiat Cronos Precision pode ter bom recheio tecnológico mesmo com câmbio manual

Fiat Cronos Precision pode ter bom recheio tecnológico mesmo com câmbio manual

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Nos últimos anos, a briga pela liderança no mercado automotivo nacional – tanto em vendas gerais quanto de modelos mais emplacado no país – tem se acirrado. A hegemonia da Volkswagen foi batida pela Fiat, que depois perdeu espaço para a Chevrolet. A marca norte-americana conseguiu se destacar quando renovou praticamente todo o seu portfólio, promovendo mudanças no design e na motorização de seus carros. Mais recentemente, foi a fabricante italiana quem adotou a mesma estratégia, trocando motores e apresentando ao mercado novas opções de automóveis em várias categorias. Nessa movimentação surgiu o Cronos, sedã criado na mesma plataforma adotada pelo também novo Argo, que tem um trunfo que pode fazer com que suas vendas cresçam gradativamente: bom desempenho e recheio tecnológico interessante. Prova disso é sua variante mais cara, a Precision, que pode sair das lojas bem completa, mesmo quando equipada com câmbio manual. Em geral, as montadoras obrigam a inclusão da transmissão automática nas configurações mais recheadas.

A versão Precision do Cronos já é bem generosa em itens de conforto mesmo sem contar com opcionais. Porém, a farta oferta de opcionais é capaz de manter o pedal da embreagem – algo que agrada condutores mais tradicionais ou que não confiam tanto nos câmbios que trocam as marchas automaticamente – sem que isso signifique ter de abrir mão de tecnologias mais modernas. Pode, por exemplo, receber quatro airbags e o sistema de chave presencial, que permite abertura e fechamento das portas e partida do motor através de botões.

Em relação à motorização, o Cronos Precision acabou se beneficiando por uma função que coube ao Argo, hatch do qual herdou as opções mais fortes de trem de força. Quando o hatch surgiu, veio para ocupar a lacuna deixada pelo extinto Punto, que apostava na esportividade nas versões T-Jet e Sporting. Para não fazer feio, a Fiat equipou o carro com o mesmo 1.8 que aparecia na variante Sporting do Punto, porém recalibrado para entregar 139 cv, ou seja, 7 cv a mais que antes, e apenas 12 a menos que os 151 cv entregues pelo turbinado Punto T-Jet. Com isso, o Cronos também garantiu sua dose de esportividade. O torque chega a 19,3 kgfm com etanol e a aceleração de zero a 100 km/h com câmbio manual de cinco marchas é de 9,2 segundos com o mesmo combustível, ou seja, 0,7 a menos que a marca conquistada pelo Cronos 1.8 com transmissão automática de seis velocidades.

Itens importantes de segurança também aparecem na lista do Cronos Precision manual sem que seja necessário pagá-los por fora. Como assistente de partida em subidas e controles dinâmicos de estabilidade e tração. As rodas têm 16 polegadas de série, mas podem chegar a 17 polegadas com um pacote que custa R$ 3.500 e contempla também bancos revestidos em couro e maçanetas e frisos das portas cromados. O preço aliás, não chega a ser baixo: o Cronos Precision começa em R$ 62.990 com câmbio manual – são R$ 7 mil a menos que a mesma versão com transmissão automática. Mas entre seus concorrentes diretos, é o único sedã compacto completo com o pedal de embreagem presente.

Ponto a ponto

Desempenho – O Fiat Cronos Precision se movimenta com uma agilidade que chama atenção. Arrancadas, retomadas e ultrapassagens são feitas de forma rápida e sem ter de necessariamente “esgoelar” o motor 1.8 litro de 139 cv que equipa a configuração topo de linha. A transmissão manual de cinco velocidades é suave e tem engates precisos e, apesar do torque máximo de 19,3 kgfm só aparecer em 3.750 giros, bem antes disso o sedã compacto já se mostra bastante disposto. Nota 9.

Estabilidade – A suspensão não chega a privilegiar a esportividade – e nem poderia, até por se tratar de um sedã compacto e familiar –, mas encara bem as curvas. Além disso, controle eletrônico de estabilidade é item de série na versão. Mas, de maneira geral, é bem difícil ver a tecnologia em funcionamento. O compacto consegue manter bem a aderência nas quatro rodas mesmo quando se exagera um pouco na direção. Nota 8.

Interatividade – Assim como no hatch Argo, esse é um aspecto bem funcional e até tecnológico no Cronos Precision, principalmente considerando-se a faixa de preço em que atua. Há comando vocal e uma tela “touch” de 7 polegadas situada no console central que parece um tablet inserido ali. Ela acessa a central multimídia, que interage com smartphones Android e iPhones. O volante é multifuncional e traz botões para informações de computador de bordo e som. Todos os comandos ficam bem posicionados e basta um contato rápido para aprender a mexer em tudo. Opcionalmente, a chave pode ser presencial, ou seja, pode estar no bolso na hora de abrir e fechar o carro ou dar a partida no motor. Nota 9.

Consumo – O Fiat Cronos não tem nenhuma versão registrada na tabela do InMetro. Segundo a Fiat, suas médias com motor 1.8 e câmbio manual são de 8,0/9,6 km/l com etanol no tanque na cidade/estrada e 11,6/13,8 km/l com gasolina, nas mesmas condições. Na avaliação, ele chegou até a render mais que isso. Mesmo assim, não é muito, considerando-se que se trata de um carro totalmente novo. Isso porque o motor já é antigo, apenas foi retrabalhado recentemente. Pelo menos, para momentos de engarrafamento, há sistema start/stop, que normalmente melhora os resultados nesse quesito. Nota 7.

Conforto – A suspensão absorve com eficácia as imperfeições do pavimento para os passageiros. Bancos têm boa ergonomia e acomodam bem o corpo. O isolamento acústico também merece elogios, já que só é possível escutar o motor quando se pisa bem fundo no acelerador. E, mesmo assim, não chega a incomodar tanto. Nota 8.

Tecnologia – O Cronos é construído sobre uma plataforma moderna, que utiliza aços especiais e tecnologia embarcada atualizada – é a mesma adotada no hatch Argo. O sedã traz recursos eletrônicos de auxílio dinâmico, como controle de tração e estabilidade, e conectividade com smartphones e tela de alta definição. No âmbito tecnológico, a maior decepção é ter um motor já antigo, embora com desempenho instigante. Nota 8.

Habitabilidade – O espaço interno é bom. Há espaço para as pernas no banco traseiro sem que isso dependa da boa vontade dos ocupantes da frente. Atrás, só mesmo as pessoas mais altas podem sentir algum aperto e, de forma geral, quatro passageiros viajam bem. O porta-malas carrega 525 litros, uma capacidade das melhores entre os três volumes concorrentes. Nota 8.

Acabamento – Este é um ponto no qual a Fiat vem se destacando cada vez mais em seus lançamentos. Todas as superfícies trazem materiais rígidos, mas com textura e revestimentos agradáveis e interessantes. Na faixa de preço em que atua, está entre os melhores nesse quesito. Opcionalmente, ainda é possível ter os bancos revestidos em couro ecológico – mas esse não era o caso da unidade avaliada. Nota 9.

Design – O desenho do Cronos segue uma lógica bem parecida com a adotada no Argo: mistura traços que exprimem certa robustez, mas não abre mão de linhas elegantes e modernas. A frente segue a assinatura digital da marca e traz grade encorpada e faróis afilados. Vincos e linhas de perfil bem marcados dão uma personalidade mais esportiva, que até combina com o trem de força adotado na versão Precision. A traseira traz o nome da marca em grafia avantajada e lanternas que invadem a tampa do porta-malas, porém menores que as adotadas no Argo. Nota 9.

Custo/benefício – O Fiat Cronos é um sedã novo, tecnológico e com uma lista de itens de série e de opcionais bem completa. Na faixa de preço em que atua, ele é sem dúvidas uma excelente opção, por contar com uma das melhores centrais multimídias entre os sedãs compactos e confortos como chave presencial. E isso na opção com transmissão manual, algo cada vez mais raro em versões de topo. Para motoristas mais puristas, que fazem questão do pedal de embreagem, mas desejam comodidades e tecnologias de variantes mais caras, o Cronos Precision manual é uma opção excelente entre os sedãs compactos. Nota 8.

Total – O Fiat Cronos Precision somou 83 pontos em 100 possíveis.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR

Conforto e desempenho

É comum entre alguns sedãs compactos as similaridades no design com os hatches dos quais derivam em suas devidas marcas. Com o Cronos, não é diferente. A proximidade de suas características visuais com o Argo – principalmente na dianteira – fazem com que o modelo, que foi lançado há poucos meses pela Fiat, não chame tanta atenção nas ruas. Mas a aparência charmosa e até um pouco esportiva da versão de topo Precision agrada e suas dimensões favorecem bastante a utilização nos grandes centros urbanos.

Por dentro, o bom acabamento é um chamariz. O Cronos Precision prova que não é necessário abusar de cromados para garantir um interior mais atraente. Os tons escuros adotados também criam uma atmosfera bastante interessante e agradável. Motoristas mais ligados à conectividade tendem a se impressionar com a tela de sete polegadas – que mais parece um tablet – presente na parte superior do console central. Além da alta definição – que faz uma grande diferença na hora de transmitir as imagens da câmera de ré opcional – e da visibilidade excelente, ela interage bem com smartphones e seu posicionamento elevado facilita a utilização.

O espaço é bom – o entre-eixos de 2,52 metros favorece o espaço para as pernas dos passageiros de trás – e há fartos porta-objetos para levar tudo que convém estar mais à mão do condutor. O porta-malas, de 525 litros, garante o transporte das compras de supermercado ou da bagagem familiar nas viagens de lazer. E os bancos – que só trazem revestimento em couro quando o comprador decide pagar mais caro pelo item – recebem bem seus ocupantes.

O motor é o mesmo 1.8 de 139 cv reengenheirado para o Jeep Renegade e a picape Toro, que também move as configurações de topo do Argo e entrega torque máximo de 19,3 kgfm quando abastecido com etanol. O propulsor consegue se destacar tanto no tráfego na cidade, com boas arrancadas e retomadas, como na estrada. Para as grandes metrópoles, onde se costuma pegar longos engarrafamentos, o sistema start/stop ajuda a diminuir o gasto de combustível e atua de maneira pouco incômoda, religando o motor de maneira suave. E a principal vantagem desta configuração é reunir itens de série e opcionais que, cada vez mais, se tornam restritos às variantes com transmissão automática. Uma característica capaz de atrair consumidores interessados nas modernidades, mas que ainda não se renderam ao comodismo das trocas automáticas de marchas.