Cidades

habitação

Áreas da antiga ferrovia podem se tornar casas populares em oito cidades de MS

São 955 mil m² distribuídos entre os municípios e que estão em processo de incorporação ao programa Imóvel da Gente

Continue lendo...

A Superintendência do Patrimônio da União em Mato Grosso do Sul (SPU-MS) quer destinar 955 mil metros quadrados para a construção de moradias populares e regularização de ocupações, distribuídos em oito municípios do Estado, que são da extinta Rede Ferroviária Federal S. A. (RFFSA). 

Para viabilizar seu intuito, a autarquia pediu para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) retirar estas áreas – onde daria para construir cerca 3,8 mil moradias com terrenos de 250 m² – do processo de solução consensual da Rumo Malha Oeste (RMO) e adotar procedimentos administrativos que possibilitem a regularização fundiária.

A iniciativa surgiu após sugestão do deputado federal Vander Loubet (PT), que solicitou, em fevereiro deste ano, que a SPU-MS avaliasse a reclassificação dos bens operacionais pertencentes à União em Mato Grosso do Sul em não operacionais, para destiná-los ao programa Imóvel da Gente, do governo federal. 

Com o pedido, a superintendência fez o levantamento das áreas sem uso da RFFSA no Estado, apontando existirem nos municípios de Sidrolândia, Ponta Porã, Água Clara, Ribas do Rio Pardo, Campo Grande, Aquidauana, Maracaju e Corumbá, apresentando a situação fundiária de cada uma com detalhes sobre extensão, ocupação e procedimentos administrativos que podem ser adotados.

A maior gleba fica em Ponta Porã, com 361 mil m² ocupados por brasileiros e paraguaios, segundo informações extraoficiais da prefeitura, de acordo com a SPU-MS. 

O local foi sendo ocupado conforme a disposição de moradias e a inclusão de novas “ruas”, e a Procuradoria da República abriu um inquérito sobre a ocupação, em razão da inércia diante da crescente ocupação. 

O segundo maior terreno está em Corumbá. São 200 mil m² arrendados à concessionária da ferrovia Rumo Malha Oeste, localizados na Esplanada da Estação de Corumbá, que atualmente estão “sem utilização, evidenciando sua subutilização no centro da cidade”, conforme afirmação da SPU-MS à ANTT.

O imóvel não é ocupado irregularmente, em razão de um incêndio parcial em sua estrutura, “mas chama atenção pelo seu porte e localização”.

Em Aquidauana, são cerca de 81 mil m², localizados no centro da cidade, sem utilização. O local tem algumas benfeitorias em estado de ruína e prédios do antigo armazém estão sem cobertura. A área é extensa, circunda o estádio municipal e é contígua à estação de trem da cidade, que atualmente não tem uso público. 

A SPU-MS afirma no pleito encaminhado à ANTT que “as benfeitorias existentes não possuem um uso futuro efetivo em função de seu estado de decrepitude e abandono, e os custos de revitalização teriam um grande impacto no orçamento municipal, especialmente após o abandono pela concessionária da linha férrea. Este espaço poderia ser aproveitado como equipamento público e para a construção de unidades residenciais de interesse social”.

Em Campo Grande, são 68 mil m² divididos em dois terrenos. Um de 35 mil m², localizado na Estação Mário Dutra, no Bairro Vila Bordon, e outro de 33 mil m², que fica na Estação Manoel Brandão, no Bairro Rita Vieira. 

Este último é ocupado somente por famílias que usam as casas construídas pela ex-RFFSA, sem definição de arruamento, e a SPU-MS busca a regularização dos imóveis, com abertura de matrícula e destinação da área visando ao interesse público. 

Em Sidrolândia, são cerca de 149 mil m², na Esplanada de Sidrolândia, da ex-RFFSA. A gleba tem a faixa de domínio e a estação. O terreno começou a ser ocupado em 2017 e, hoje, conta com cerca de 150 famílias em moradias precárias e inseguras, mas também há residências com padrão de construção melhor, porém, todas classificadas como precárias pela SPU-MS.

Já em Maracaju são 60 mil m², intitulados como Lote 60 da Vila Juquita, conhecidos como Esplanada de Maracaju, da ex-RFFSA. O lote tem a faixa de domínio e a estação como integrantes e está em processo de ocupação irregular, com a construção de barracos e subdivisão em pequenos lotes. 

Na ocupação existem problemas de violência e intensa movimentação de usuários de entorpecentes, o que causa transtornos à vizinhança, constatou a SPU-MS. 

Outro município com área disponível é Água Clara. São 33 mil m² na gleba conhecida como Esplanada de Água Clara. Nesse local há “intensa ocupação, com casas próximas à linha férrea e sem definição de arruamento”, de acordo com a superintendência. 

A prefeitura já até procurou a autarquia para buscar ações que barrem as ocupações, porém, ela está legalmente impedida de promover qualquer ação de regularização ou desocupação.

E, por último, existe um terreno em Ribas do Rio Pardo, a Esplanada da Estação de Trem. A superintendência não divulgou o tamanho da área, ressaltando que “os lotes estão ocupados, contando com contrato de alienação e/ou locação no sistema SARP (administração dos imóveis da RFFSA); entretanto, podem estar ocupados por terceiros. Esses lotes faziam parte da antiga estrutura de moradia dos funcionários da ex-RFFSA”.

Com este levantamento, o superintendente do patrimônio da União em Mato Grosso do Sul, Tiago Botelho, solicitou providências à ANTT em março deste ano, para solucionar as pendências que impedem a inclusão no programa habitacional federal.

No mês passado, o processo teve andamento e, no dia 16 deste mês, Elisa Guedes Guerra, chefe de gabinete da Superintendência de Concessão da Infraestrutura da ANTT, solicitou à Gerência de Estudos e Projetos Ferroviários da autarquia que analise e dê um parecer, até o dia 30, sobre o pleito da SPU-MS que pede para desconsiderar “determinados imóveis irregulares situados no estado de Mato Grosso do Sul e pertencentes à extinta Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) em quaisquer iniciativas de licitação da Malha Oeste”. 

A reclassificação é importante por viabilizar a regularização fundiária dos imóveis. 

Saiba

Imóvel da Gente

O Programa de Democratização de Imóveis da União, conhecido também como programa Imóvel da Gente, é uma iniciativa do governo federal para direcionar imóveis sem uso ou ociosos para políticas públicas como habitação, educação, entre outros.

Assine o Correio do Estado

INTERIOR

Investigação contra cigarros contrabandeados resulta em mandado da PF

Agentes estiveram em imóvel no interior de Mato Grosso do Sul para cumprir busca e apreensão depois de 9 meses da investigação iniciar

11/04/2026 17h00

PF cumpre mandado de busca e apreensão em Sete Quedas

PF cumpre mandado de busca e apreensão em Sete Quedas Foto: Divulgação

Continue Lendo...

A Polícia Federal cumpriu, nesta sexta-feira (10), mandado de busca e apreensão no município de Sete Quedas contra o crime de contrabando de cigarros estrangeiros relacionado à uma apreensão feita em julho do ano passado que despertou a atenção da instituição.

De acordo com informações oficiais, o cumprimento do mandado foi em um imóvel na cidade do interior. Tudo começou há cerca de nove meses, quando agentes apreenderam 400 mil maços de cigarros de origem estrangeira transportados em conjunto veicular na rodovia MS-141, em Naviraí, e que estavam ocultos sob carga de resíduos recicláveis.

A ação da PF deflagrada na tarde desta sexta-feira resultou no confisco de aparelhos celulares, documentos e outros materiais que serão submetidos à análise forense para elucidação da participação de terceiros na empreitada criminosa.

Cigarros, contrabando & MS

Em Mato Grosso do Sul, a comercialização de cigarros contrabandeados do Paraguai é muito mais comum que no restante do Brasil, por conta da fronteira com o país vizinho.

Esse cenário faz com que, de 10 maços vendidos no Estado, 7 sejam de marcas ilegais, o que resulta em uma perda bilionária aos cofres do governo do Estado, que não recolhe o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) desses produtos.

Estimativa feita pelo Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), com base nos dados do Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec), mostra que, nos últimos seis anos, R$ 2,7 bilhões deixaram de ser arrecadados em Mato Grosso do Sul em razão da venda ilegal de cigarros contrabandeados.

Só em 2024, ainda de acordo com o FNCP, foram R$ 150 milhões perdidos em imposto que poderia ter sido cobrado.

Esse valor é alto porque o ICMS cobrado em Mato Grosso do Sul sobre o cigarro legal é de 30%. Essa política de impostos altos incidentes sobre esse tipo de produto é uma prática comum no País inteiro, como uma forma de desestimular que a população faça uso de um produto que comprovadamente faz mal à saúde.

Pelos dados do Ipec, no ano passado, 72% dos cigarros comercializados em todo o Estado tinham origem ilegal, porcentual que representa mais que o dobro do valor nacional, que foi de 32% em 2024.

Apesar de o valor ser alto, ele representa uma pequena queda em relação a 2023, quando esse mercado representava 74% das vendas de cigarro no Estado. E esse porcentual já chegou a ser de 85%, em 2019.

Matéria publicada em fevereiro deste ano pelo Correio do Estado mostrou que, de acordo com números da Polícia Federal, no ano passado, a corporação apreendeu R$ 87.771.190 em cigarros contrabandeados em Mato Grosso do Sul. As apreensões ocorreram nas cidades de Mundo Novo (6), Ponta Porã (5), Campo Grande (4) e Corumbá (1).

Assine o Correio do Estado

LEVANTAMENTO

PM soma mil chamados para intervir em casos de violência doméstica em MS

Atendimentos de emergência da instituição são realizados através do disque 190

11/04/2026 16h00

Delegacia da Mulher de Campo Grande, em parede com o distintivo da Polícia Civil

Delegacia da Mulher de Campo Grande, em parede com o distintivo da Polícia Civil Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Continue Lendo...

A Polícia Militar acumula mais de mil atendimentos de emergência para intervir imediatamente em casos de violência doméstica este ano, número que corresponde a aproximadamente 20% do número total de vítimas deste crime no estado em 2026, segundo dados oficiais da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS).

De acordo com o Monitor da Violência contra a Mulher, lançado no ano passado pelo Poder Judiciário em parceria com a Sejusp-MS, são 1.067 atendimentos de emergência oriundos do Disque 190 em casos de violência doméstica. Em suma, a Polícia Militar é acionada nestes casos para agir com a intervenção imediata, visando a proteção da vítima e o encaminhamento do agressor para as autoridades competentes.

Pegando o mesmo período analisado (janeiro, fevereiro, março e começo de abril) e comparando com anos anteriores (de 2017 até 2025), este ano fica atrás no quesito somente para 2022, 2023 e 2024, quando foi registrado uma média aproximada de mais de 500 atendimentos de emergência por mês.

Como era de se esperar, Campo Grande lidera a estatística entre os 79 municípios sul-mato-grossenses, com 535 chamadas de emergência, seguido por Dourados, com 80, e Três Lagoas, com 45.

Vale destacar que este levantamento não equivale a quantidade de ocorrências e vítimas totais de violência doméstica no estado em 2026. Neste quesito, Mato Grosso do Sul acumula 5.546 vítimas em 100 dias este ano, uma média de quase 55 mulheres por dia sofrendo algum tipo de violência, seja física, psicológica ou emocional.

Até o momento, 9 mulheres foram mortas em MS por parceiros ou familiares, o chamado feminicídio. O caso mais recente foi da subtenente Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, que foi encontrada morta na sala de casa, ainda fardada, com marca de tiro no pescoço. O namorado da vítima, de 50 anos, estava com a arma na mão. 

De acordo com as investigações, o casal se relacionava há um ano e quatro meses e morava na mesma casa há dois meses. O caso foi confirmado como feminicídio após a perícia descartar a possibilidade de suícidio, versão que Gilberto contou depois de ser apontado como o principal suspeito.

Nova lei

Agressores que colocarem em risco a vida de mulheres e crianças em casos de violência doméstica deverão usar tornozeleira eletrônica de forma imediata.

A medida está prevista na Lei 15.383/2026, sancionada sem vetos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada nesta sexta-feira (10) no Diário Oficial da União. A norma já está em vigor e também autoriza delegados a determinarem o monitoramento em cidades sem juiz, além de ampliar recursos públicos para aquisição dos equipamentos.

A nova legislação altera a dinâmica das medidas protetivas ao tornar obrigatória a adoção da tornozeleira sempre que houver risco à integridade física ou psicológica da vítima ou de seus dependentes. Antes, a Lei Maria da Penha previa o monitoramento eletrônico apenas como uma possibilidade.

Outro ponto central é a ampliação da atuação das autoridades policiais. Em municípios que não são sede de comarca, delegados passam a poder determinar o uso do dispositivo, devendo comunicar a decisão ao Judiciário em até 24 horas. Caberá ao juiz avaliar a manutenção da medida e informar o Ministério Público.

A lei também estabelece que a vítima deverá receber um dispositivo de alerta capaz de avisar, em tempo real, sobre a aproximação do agressor. O sistema utiliza geolocalização para monitorar o cumprimento das chamadas áreas de exclusão, permitindo resposta mais rápida das forças de segurança em caso de violação.

Além do monitoramento, a norma endurece as penalidades. O descumprimento de medidas protetivas, como violar o perímetro estabelecido ou danificar o equipamento, terá aumento de pena de um terço à metade, sobre a base atual de dois a cinco anos de reclusão, além de multa.

A legislação também reforça políticas públicas de prevenção. Campanhas de enfrentamento à violência contra a mulher deverão incluir orientações sobre procedimentos policiais, funcionamento das medidas protetivas e formas de evitar a revitimização.

Para garantir a aplicação das medidas, o texto amplia de 5% para 6% a destinação de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública voltados ao combate à violência contra a mulher. O financiamento poderá ser usado, inclusive, para compra e manutenção de tornozeleiras e dispositivos de alerta.

Outro avanço é a transformação em política permanente do programa de monitoramento eletrônico e acompanhamento de vítimas. A iniciativa prevê a entrega de dispositivos portáteis que emitem alertas automáticos tanto para a mulher quanto para a polícia mais próxima, caso o agressor descumpra as restrições impostas pela Justiça.

A lei tem origem no Projeto de Lei 2.942/2024, apresentado pelos deputados Marcos Tavares (PDT-RJ) e Fernanda Melchionna (PSol-RS). O foco principal da medida é fortalecer a prevenção e reduzir casos de feminicídio no país.

*Colaborou Alison Silva

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).