Correio B

DO FERRO-VELHO A OBRA DE ARTE

Acumulador decora casa com sucatas e local vira 'ponto turístico' em Campo Grande

Militar aposentado demorou 29 anos para enfeitar a fachada de sua casa com sucatas e transformá-la em um mural artístico de ferro-velho

Continue lendo...

Casa decorada com sucatas chama atenção de quem passa pelo bairro Tiradentes, em Campo Grande.

Muros e telhados foram completamente cobertos por objetos inutilizáveis que formam uma verdadeira obra de arte na casa de um senhor que é apaixonado por acumular, reciclar, guardar e conservar coisas.

A casa é considerada como o uma espécie de “ponto turístico” das sucatas em Campo Grande.

Pneu de bicicleta, pneu de avião, pneu de carrinho de mão, madeiras, cabeceiras de cama, ventilador, bicicleta, barril, brinquedo, capacete, roda, ferro, cesta, quadro, plantas, micro-ondas, cadeira, latas, ventilador, hélice, para-choque, fogão, retrovisor, refletor, cerca, serpentina, panela, bola, fogão, quadro, violão, enxada, objetos de decoração, ferramentas e icontáveis outros objetos decoram muros, paredes e telhados da casa de esquina localizada na região leste da Capital.

Os objetos são inutilizáveis, mas em ótimo estado de conservação.

Militar reformado do Exército Brasileiro, Clarindo Gonçalves da Silva

Militar reformado do Exército Brasileiro, Clarindo Gonçalves da Silva, de 80 anos, é o dono da casa e o responsável por transformar a sucata em arte.

O idoso demorou 29 anos para enfeitar o muro de sua casa com sucatas e transformá-lo em um mural artístico de ferro-velho. Desde quando se aposentou no Exército Brasileiro, em 1995, decora sua casa por puro passatempo, lazer e recreação.

Vizinhos, curiosos e até políticos passam pela casa de seu Clarindo, tiram foto, se encantam e levam alguma coisinha para ele decorar sua residência. De 1995 a 2024, a cada semana, ele insere novos objetos inservíveis para se juntar aos outros milhares no muro. Segundo o idoso, o objetivo sempre foi chamar atenção de quem passa na rua.

“Eu decoro essa casa desde 1995, quando fui para a reserva [do Exército Brasileiro]. Comecei a colocar plantas, ferramentas antigas, pneus, canos, hélices, bicicletas e outras coisas, para chamar atenção do pessoal. Há 30 anos eu prego todas essas coisas na parede”, disse seu Clarindo.

Bandeira de Mato Grosso do Sul pintada e estampada no portão de elevação

“As pessoas sempre vem aqui e param para perguntar o que é, qual o significado e tiram muitas fotos. Já veio até político aqui, como o Nelsinho Trad e Marcelo Bluma”, completou.

Além da decoração, a bandeira de Mato Grosso do Sul é pintada e estampada no portão de elevação de sua casa. Segundo o idoso, ele a pintou como uma forma de homenagear o seu Estado do coração.

Por fim, questionado pela reportagem se já houve algum furto em seu mural artístico de sucatas, ele disse que sim e que teve que colocar serpentina em cima de alguns objetos para que o ladrão não leve.

Equipe de reportagem do Correio do Estado esteve na "Casa de Sucatas" na manhã desta sexta-feira (30) para conversar com o seu Clarindo e conhecer um pouco mais da história do lugar em que mora.

Confira a galeria de fotos:

HISTÓRIA DO BRASIL

Tiradentes: por que o dia 21 de abril é feriado nacional?

Data homenageia Joaquim José da Silva Xavier, militar e dentista amador, considerado um ícone da luta pela liberdade no Brasil

21/04/2026 11h30

Tiradentes, Joaquim José da Silva Xavier

Tiradentes, Joaquim José da Silva Xavier DIVULGAÇÃO

Continue Lendo...

Feriado de Tiradentes é celebrado anualmente em 21 de abril em todo o Brasil.

A data homenageia Joaquim José da Silva Xavier, militar e dentista amador, considerado um ícone da luta pela liberdade no Brasil. Ele foi preso, investigado e condenado à morte em 21 de abril de 1792.

Ele liderou a Inconfidência Mineira, movimento que pretendia acabar com o domínio colonial Português e instaurar uma república independente em Minas Gerais.

A Inconfidência Mineira ocorreu no final do século XVIII, em Minas Gerais, durante o período colonial brasileiro.

Militares, religiosos e intelectuais questionaram o domínio de Portugal sobre o Brasil, queriam a independência da região e implantar uma república. O movimento foi influenciado pelo Iluminismo e Independência dos Estados Unidos.

As queixas com o governo português envolviam a elevada carga de impostos (quinto sobre o ouro e ameaça da derrama).

A pressão econômica fez surgir ideais revolucionárias entre os colonos: eles pretendiam libertar Minas Gerais do domínio português e implantar uma república na região.

Mas, a pretensão foi descoberta antes de se concretizar, após Joaquim Silvério dos Reis denunciar o movimento, em troca do perdão pelas suas próprias dívidas.

Com isso, Tiradentes, líder do movimento, foi descoberto, investigado, preso e condenado à morte, por querer salvar parte do Brasil do domínio português. Ele foi enforcado em 21 de abril de 1792, no Largo da Lampadosa (atual Praça Tiradentes), no Rio de Janeiro.

O feriado representa a luta histórica pela liberdade e independência no Brasil, além de um momento de reflexão sobre as lutas por autonomia e construção da identidade nacional.

O Dia de Tiradentes não é apenas um dia de descanso, mas uma data que reforça valores importantes para a sociedade brasileira e convida à reflexão sobre cidadania e liberdade.

MEMÓRIA

Exposição inédita celebra os 126 anos de Lídia Baís

Catálogo original da única exposição realizada por Lídia Baís em vida será apresentado ao público; Casa Amarela terá programação ampliada na Semana dos Museus, que segue até maio com oficinas, sarau e exibição de documentários

21/04/2026 10h30

Tatiana De Conto e Guido Drummond, gestores do Museu de Arte Urbana Casa Amarela

Tatiana De Conto e Guido Drummond, gestores do Museu de Arte Urbana Casa Amarela Divulgação

Continue Lendo...

A memória artística e cultural  de Lídia Baís ganha novo fôlego em Campo Grande com a abertura do projeto Pontes Imaginárias: Lídia Baís e a Arte de Unir Mundos, realizado pela Casa Amarela. A iniciativa marca os 126 anos de nascimento da artista e integra a programação da Semana Nacional dos Museus, que neste ano propõe o tema “Museus unindo um mundo dividido”.

A abertura acontece amanhã, às 18h, com um dos destaques mais aguardados da programação: a apresentação pública do catálogo original da única exposição realizada por Lídia Baís em vida. Raro e carregado de simbolismo, o documento nunca havia sido exibido dessa forma ao público e revela não apenas a produção artística da pintora, mas também aspectos da cena cultural e das relações sociais de sua época.

A exposição segue aberta até o dia 23 de maio, consolidando uma proposta ousada dos organizadores: transformar a tradicional Semana dos Museus em um mês inteiro de atividades. A programação inclui oficinas, sarau, exibição de documentários e experiências sensíveis que dialogam com a obra e o legado da artista.

DOCUMENTO HISTÓRICO

O catálogo apresentado na abertura é considerado uma peça histórica. Embora não possua data precisa, estima-se que tenha sido produzido entre as décadas de 1930 e 1935 – período em que Lídia Baís já experimentava linguagens artísticas que destoavam dos padrões tradicionais.

Idealizadora do projeto, a arteterapeuta Tatiana De Conto destaca a importância do material. Segundo ela, o catálogo vai além de um simples registro expositivo.

"Trata-se de uma peça histórica, que nunca havia sido exibida dessa forma. Ela revela não apenas a produção artística da pintora, mas também registros da cena cultural e das relações que atravessavam aquele período”, afirma.

A proposta da exposição é justamente ampliar o olhar do público sobre a artista, conectando passado e presente. “O público encontra não apenas a estética de Lídia, encontra a história viva de Campo Grande em espelho – um espaço de reconhecimento interno e de conexão com aquilo que ainda busca nome”, completa Tatiana.

A ARTISTA

Nascida em 1900, Lídia Baís foi uma figura singular na história cultural de Mato Grosso do Sul. Filha de uma família tradicional, ela desafiou os padrões sociais do início do século 20 ao se dedicar intensamente à arte, à experimentação e à liberdade criativa.

Sua trajetória é marcada por deslocamentos físicos e simbólicos: entre a vida em Campo Grande, viagens, estudos e períodos de isolamento, a artista construiu uma obra que dialoga com questões existenciais, espirituais e subjetivas – temas pouco explorados na época.

Décadas depois, seu legado segue despertando interesse e novas interpretações. Parte desse resgate se deve ao trabalho de pesquisa de Tatiana De Conto, que há anos investiga a vida da artista. Em 2015, a pesquisadora levou aos palcos o espetáculo “Lídia Baís, Uma Mulher à Frente de Seu Tempo”, posteriormente transformado em livro lançado em 2023.

A obra, voltada ao público juvenil, busca preencher lacunas no ensino da história e cultura regional, apresentando a trajetória da artista de forma acessível e sensível.

ARTE COMO PONTE

A programação do projeto “Pontes Imaginárias” foi pensada para ir além da contemplação estética. A proposta é transformar o espaço expositivo em um ambiente de troca, escuta e criação.

Na noite de abertura, o público também poderá participar do sarau “Unindo Mundos”, que celebra o Dia do Arteterapeuta em parceria com a Associação de Arteterapia do Estado de Mato Grosso do Sul (Aatems).

Ao longo do mês de maio, nos dias 6, 13 e 20, serão realizadas oficinas de arteterapia ministradas por Tatiana De Conto. As atividades são baseadas no livro “Lídia Baís, uma mulher à frente de seu tempo” e utilizam processos criativos como ferramenta de expressão e elaboração emocional.

“A arteterapia utiliza processos criativos como forma de escuta e elaboração emocional. Nas oficinas, trabalhamos a partir da vida e da obra de Lídia para acessar questões internas, memória e identidade. São experiências que convidam à criação e ao encontro consigo e com o outro”, explica Tatiana.

As oficinas propõem diferentes linguagens, como escrita, costura e assemblagem – técnica que reúne objetos e materiais diversos – como caminhos para a construção simbólica e o autoconhecimento.

O encerramento da programação, no dia 23 de maio, contará com a exibição de documentários do projeto Histórias do Tombamento do Complexo Ferroviário, reforçando o diálogo entre arte, memória e território.

Tatiana De Conto e Guido Drummond, gestores do Museu de Arte Urbana Casa AmarelaCatálogo inédito com obras e informações sobre a vida de Lídia Baís será exposto na Casa Amarela - Divulgação

MUSEU VIVO

Desde 2017, a Casa Amarela atua como Museu de Arte Urbana (Muau), consolidando-se como um espaço cultural que ultrapassa os limites físicos tradicionais de um museu. Mais do que abrigar exposições, o local se posiciona como um território de experiências, encontros e construção de identidade coletiva.

Para o artista Guido Drummond, gestor do espaço ao lado de Tatiana, a ampliação da programação reflete a dimensão da obra de Lídia Baís.

“Nosso intuito é seguir por um mês com atividades que aprofundam o contato com o universo de Lídia. Tivemos a proposta ousada de estender a Semana dos Museus para um mês inteiro de programação, porque entendemos que uma semana seria muito pouco para trabalhar a vida da artista”, afirma.

Tatiana De Conto e Guido Drummond, gestores do Museu de Arte Urbana Casa Amarela

Serviço

Pontes Imaginárias: Lídia Baís e a Arte de Unir Mundos.

Casa Amarela – Rua dos Ferroviários, nº 118, Centro

Amanhã

Abertura da exposição – Catálogo de obras de Lídia Baís (18h)
Sarau “Unindo Mundos” – Dia do Arteterapeuta.

Dias 6, 13 e 20 de maio (quartas-feiras)

Oficina arteterapêutica Tempos do Feminino – Pontes em Lídia Baís.

23 de maio (sábado)

Exibição de documentários: Projeto Histórias do Tombamento do Complexo Ferroviário.

Informações e inscrições: Instagram @casa.amarela.muau ou WhatsApp (67) 9 9189-7034.
 

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).