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A cada 3 horas um médico sofre violência no trabalho, diz CFM

De 2013 a 2024, o Brasil registrou 38.092 boletins de ocorrência de violência contra médicos nos serviços de saúde públicos e privados

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De 2013 a 2024, o Brasil registrou 38.092 boletins de ocorrência de violência contra médicos nos serviços de saúde públicos e privados. Dados sugerem que são nove novos casos por dia, em média; um a cada três horas.

As informações, coletadas pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) junto às polícias civis das 27 federações via LAI (Lei de Acesso à Informação), foram apresentadas pelo conselho nesta terça-feira (22).

Os estados de São Paulo (18.406), Paraná (3.935) e Minas Gerais (3.617) são os que registram mais casos de violência contra médicos.

Com 3.993 registros, 2023 foi o ano mais violento para os médicos. Os dados de 2024 são parciais --o CFM não soube dizer até qual mês foi feita a análise.

O levantamento traz detalhes sobre o tipo de violência sofrida (a maior parte refere-se a ameaças, vias de fato, perturbação do trabalho, lesão corporal, furto, injúria, desacato, calúnia e difamação), o local (hospital, clínica, consultório, posto de saúde), sexo e a idade da vítima.

No estado de São Paulo, a média de idade dos médicos que sofreram violência nos estabelecimentos de saúde é de 42 anos. Dos registros, 45% foram contra médicas.

"Precisamos de uma ação efetiva para proteger os profissionais de saúde envolvidos na assistência, nosso maior patrimônio", diz Emmanuel Fortes Silveira Cavalcanti, presidente do CFM em exercício.

O estudo traz muitas lacunas devido à subnotificação de casos e à falta de padronização de dados desta natureza pelas 27 federações.

De acordo com o CFM, o Rio Grande do Norte não encaminhou as informações solicitadas. O Acre afirmou não ter os dados em sua base.

Milhares de casos de violência em estabelecimentos de saúde nos estados do Paraná, Mato Grosso e Rio de Janeiro deixaram de ser computados porque não havia confirmação do médico como vítima na maioria das ocorrências. A partir dos dados, o CFM fez uma estimativa mínima: um a cada dez casos envolvendo médico.

O Rio Grande do Sul não conseguiu filtrar os casos no estado e forneceu dados de violência contra médicos no geral --a mesma estimativa mínima foi feita.

Outros estados não possuem a série histórica inteira. Em Alagoas há números a partir de 2021; Amazonas, de 2019 em diante; Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte, Roraima, Sergipe e São Paulo estão sem dados de 2024; da Paraíba, só há informações dos dois últimos anos.

As 134 ocorrências registradas no Espírito Santo foram contabilizadas a partir de 2018. Os 117 casos do Tocantins referem-se aos últimos quatro anos. Em Rondônia, há apenas o total de registros de 2013 a 2024. Então, o número foi dividido igualmente.

O Piauí totaliza 241 boletins de ocorrência desta natureza, mas só traz dados de 2016 e de 2019 a 2024.

Falta de informações

Para Jeancarlo Cavalcante, terceiro vice-presidente do CFM, é lamentável que alguns estados não tenham esses registros policiais e que outros fazem apenas por estimativa, porque prejudica a formulação de políticas de combate à violência.

"Durante um tempo, fui presidente da Confederação Médica Ibero-Latino-Americana e já tinha conhecimento dessa realidade em outros países da América Latina. Esse trabalho do Conselho Federal de Medicina, de mapear a violência contra médicos, vai atrás de respostas. Por que que esses médicos são agredidos? É demora do atendimento? Algum problema na relação médico-paciente? A partir daí vamos buscar soluções. Só podemos agir sobre aquilo que conhecemos. Agora temos uma radiografia da violência contra médicos no Brasil", afirma Cavalcante.

A falta de integração de estatísticas policiais não é restrita ao Brasil. "Esse é um problema típico de um estado federal. Por exemplo, nos Estados Unidos há 18.600 polícias. Existem os mesmos problemas com o agravante de que cada estado tem um código penal diferente. E o Brasil tem, funcionando, 85 polícias, fora as guardas municipais", explica Renato Sérgio de Lima, diretor presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

"É típico de um estado federado ter essa dificuldade de coordenação, de integração, de nomenclaturas. Mas o fato de ser típico não significa que não precisa ter. Não isenta da responsabilidade de estabelecer parâmetros mínimos para você chamar do jeito que quiser determinadas situações, mas que em todos eles, de qualquer maneira, eu precise ter esse trabalho de conversão para números comuns que possam ser mensurados ", afirma o especialista.

O CFM defende que gestores do SUS (Sistema Único de Saúde) e da área de segurança pública adotem medidas efetivas para prevenir e combater à violência, sob pena de responsabilização de negligência com relação a situações desse tipo.

A entidade também reforça a necessidade de o Congresso Nacional aprovar leis para punir de forma severa quem comete atos de violência nas unidades de saúde, melhora da infraestrutura de atendimento na rede pública para reduzir a tensão nas unidades, além de campanhas com foco no respeito aos profissionais.

Apenas Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Pernambuco estão com a série histórica completa e sem problemas no levantamento. Os três somam 5.974 boletins de ocorrência de violência contra médicos, de 2013 a 2024.

O estudo também mostra que os hospitais e prontos-socorros (8.374), postos de saúde (3.319) e clínicas (3.151) foram os locais onde mais ocorreram agressões contra os médicos.

Segundo o CFM, o país possui 575.930 médicos ativos. Destes, 83.869 são registrados em mais de uma federação, o que aumenta a densidade de 2,81 para 3,07 profissionais por mil habitantes.

(Informações da Folhapress)

Brasil

Brasil cria política para ampliar produção de minerais críticos

O objetivo é estimular a pesquisa, extração e transformação de minerais críticos e estratégicos.

17/09/2026 07h30

Lei sancionada cria um Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam) com aporte de R$ 2 bilhões da União

Lei sancionada cria um Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam) com aporte de R$ 2 bilhões da União

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quarta-feira (16) a lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A lei prevê investimentos de até R$ 7 bilhões por meio de incentivos a projetos de processamento e transformação dos minerais. 

O objetivo é estimular a pesquisa, extração e transformação de minerais críticos e estratégicos.

“A mineração exige investimentos intensivos e ciclos produtivos que frequentemente chegam a 40 anos. Por isso, previsibilidade e estabilidade, especialmente a fiscal, são premissas indispensáveis para atrair investimento de longo prazo”, explicou Pablo Cesário, do Instituto Brasileiro de Mineração.

A lei sancionada hoje cria um Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam) com aporte de R$ 2 bilhões da União para garantir empreendimentos e atividades vinculados à produção de minerais críticos e estratégicos. O montante do fundo pode chegar a R$ 5 bilhões. O fundo somente poderá apoiar projetos considerados prioritários no âmbito da política.

O Ministro minas e energia, Alexandre Silveira, afirmou que a nova lei será importante para o Brasil conhecer melhor os recursos que tem. “O Brasil vai conhecer em profundidade seus recursos e preservar a capacidade de decisão sobre suas cadeias produtivas”, disse.

Ele explicou que o Serviço Geológico do Brasil terá um aumento de verba, de R$ 8 milhões para R$ 300 milhões, para investir em pesquisa para conhecimento do solo.

Soberania

Após a assinatura da lei, Lula defendeu o investimento na formação de novos profissionais para um mercado que promete se expandir. Lula convidou as universidades e institutos federais a participar da formação de novos cursos “para não ficarmos devendo a ninguém no mundo em preparação”.

O presidente destacou a importância em ter um mercado de mineração desenvolvido, com industrialização e tecnologia de refino e produção no Brasil. Em seguida, afirmou que existem “traidores da pátria” que quiseram vender, “a preço de banana, como fizeram com o minério de ferro”, minerais críticos em estado bruto para os Estados Unidos.

“Não permitiremos que a história se repita. Que os inimigos do Brasil entendam de uma vez por todas. Nossa soberania não está à venda. A riqueza do Brasil tem um único dono, o povo brasileiro”.

Lula também assinou o decreto que cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos. Caberá ao conselho a coordenação, planejamento e acompanhamento da política nacional. O conselho deverá propor políticas e ações públicas destinadas ao desenvolvimento das cadeias produtivas e minerais críticos e estratégicos.

Minerais Críticos

Os minerais críticos e terras raras são insumos indispensáveis para as indústrias de tecnologia, automobilística, defesa e para a concretização da transição energética.

Os minerais críticos são aqueles cujo suprimento pode envolver diferentes riscos de abastecimento: concentração geográfica da produção, dependência externa, instabilidade geopolítica, limitações tecnológicas, interrupção no fornecimento e dificuldade de substituição.

Terras raras são um grupo específico de minerais críticos. São 17 elementos químicos dispersos na natureza, o que dificulta a extração. Elas são essenciais para turbinas eólicas, smartphones, carros elétricos e sistemas de defesa.

Com cerca de 21 milhões de toneladas, a reserva brasileira de terras raras é a segunda maior já mapeada no mundo, ficando atrás apenas da China, que detém aproximadamente 44 milhões de toneladas. Porém, apenas cerca de 25% do território nacional foi mapeado, o que indica um enorme potencial ainda desconhecido.

A definição de quais minerais são estratégicos ou críticos depende de cada país. A lista também pode mudar conforme o tempo, de acordo com avanços tecnológicos, descobertas geológicas, mudanças geopolíticas e evolução da demanda. As terras raras, por sua vez, também podem ser consideradas minerais críticos ou estratégicos, dependendo do contexto.

transparência

STF deve decidir sobre investigação contra Moraes com sete votos

Devem votar os ministros, nesta ordem: Edson Fachin (relator), Flávio Dino, Cristiano Zanin, André Mendonça, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes

15/09/2026 14h05

Dois ministros já se declararam impedidos e o próprio Alexandre de Moraes não deve perticipar da votação

Dois ministros já se declararam impedidos e o próprio Alexandre de Moraes não deve perticipar da votação

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Com parte dos ministros envolvidos no caso Master, o Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir sobre a abertura de investigação de Alexandre de Moraes com apenas sete integrantes. No início da sessão desta terça-feira, 15, convocada para analisar as conversas de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, os ministros Kássio Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam impedidos. Além deles, o próprio Moraes não poderá se manifestar, já que é objeto de análise no julgamento.

Também há dúvidas sobre a participação de André Mendonça, já que a Corte vai analisar a nulidade do relatório da PF com as conversas de Moraes e Vorcaro, produzido após sua determinação. Moraes acusou Mendonça de abuso de autoridade e de viés político, mas esse julgamento foi marcado para a próxima quarta-feira, dia 23.

Devem votar os seguintes ministros, nesta ordem: Edson Fachin (relator), Flávio Dino, Cristiano Zanin, André Mendonça, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.

Mendonça e Fux já deram sinais de serem favoráveis à abertura de investigação, enquanto Dino e Gilmar indicaram contrariedade.

AJUDA EXTERNA

Depois de experimentar um período de cinco meses sob as sanções da Lei Magnitsky, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou, em sua defesa, que o relatório da Polícia Federal que destrincha sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro "é imprestável" e foi produzido com auxílio de "órgão externo, provavelmente estrangeiro".

O ministro disse que o relatório foi produzido "demonstrando clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026, ao tentar incriminar o juiz relator das ações julgadas pela Primeira Turma contra a organização criminosa que tentou dar um golpe de Estado no Brasil, abolindo o Estado Democrático de Direito". O STF define nesta terça-feira, 15, sobre a abertura de uma investigação contra Moraes.

Ele sugeriu que o documento foi plantado nos sistemas da PF. "Há, inclusive, a suspeita de que o providencial afastamento do diretor da PF (delegado Andrei Rodrigues), que estranhamente foi comemorado por autoridades estrangeiras, foi para que não pudesse averiguar a produção externa desse relatório", afirmou Moraes. Para o ministro, "não é demais relembrar as inúmeras pressões estrangeiras contra a Justiça brasileira e esse STF, inclusive com a cassação do visto de diversas autoridades e a aplicação da Lei Magnitski".

Alexandre de Moraes foi sancionado pelo governo Donald Trump em 30 de julho de 2025. Os EUA optaram pela aplicação da Lei Magnitsky, que pune estrangeiros por supostas violações de direitos humanos e restrições à liberdade de expressão. A medida incluiu o bloqueio de eventuais bens e restrições a transações financeiras nos Estados Unidos. Em 12 de dezembro de 2025, a administração trumpista retirou o ministro e sua mulher, Viviane Barci, da lista de sanções.

Em sua defesa de 44 páginas entregue à presidência do STF, Moraes afirmou que a quebra da "cadeia de custódia" permite a inserção de arquivos falsos, mensagens em "blocos de notas" e outras irregularidades, principalmente quando o material apreendido é enviado ao gabinete do magistrado relator sem a "observância de procedimentos mínimos de segurança".

O ministro reiterou a hipótese de acesso de terceiros ao arquivo, "possivelmente autoridades estrangeiras".

"O prazo de elaboração foi de 72 horas, impossível para aquele relatório, mas os metadados comprovam que o relato não foi produzido efetivamente pela Polícia Federal, mas sim por agentes externos - pela forma de produção, provavelmente estrangeiros, comprovando a tentativa de interferência estrangeira nas eleições brasileiras - que somente enviaram o resultado para a Polícia Federal", disse Moraes.

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