Brasil

CENSO DEMOGRÁFICO

Agronegócio e mineração criam concentrações urbanas no interior

Estados da região Centro-Oeste tiveram crescimento populacional acima da média nacional ao longo da última década

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A expansão do agronegócio, em valor e espaço, pode ser a principal responsável pelo crescimento da população do Centro-Oeste acima da média nacional no Censo Demográfico 2022.

A lógica vale para outras atividades, como a mineração, que induzem o crescimento de algumas concentrações urbanas no interior do Brasil.

Este tipo de mudança não é novo, mas o fato de nove das 27 capitais terem registrado quedas na população pode indicar uma tendência de interiorização em algumas regiões do país. A população de Salvador, por exemplo, caiu 9,6% de 2010 a 2022.

Uma resposta definitiva, porém, ainda depende de novos estudos, além de uma análise completa dos dados do Censo -apenas uma parte da pesquisa foi divulgada na quarta (28).

Mais do que a busca por qualidade de vida ou questões culturais, oportunidades de trabalho é o grande vetor de mudança da população, segundo especialistas ouvidos pela reportagem. 

Com grandes empreendimentos vem o crescimento vertiginoso de cidades como Canaã dos Carajás, no Pará, cuja população quase triplicou entre 2010 e 2022.

A cidade tinha 26,7 mil habitantes em 2010. A partir da instalação, em 2016, do projeto de mineração de ferro S11D, da Vale, viu a população chegar a 77 mil habitantes no ano passado e registrar o maior PIB (Produto Interno Bruto) per capita do Brasil em 2020. A cidade está próxima de Marabá (260 km separam as duas), um polo regional no sul paraense.

No Centro-Oeste, a principal fronteira está em Mato Grosso, perto dos limites com a Amazônia, área de expansão da produção agropecuária.

"É muito mais lá do que em Mato Grosso do Sul, que já tem terras incorporadas. Aqui, o que mudou nos últimos 20 anos foi a expansão ao leste, na qual o gado foi substituído por eucalipto e oleaginosas como soja e milho", afirma Daniel Miranda, professor do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

"É um bolsão, são cidades como Três Lagoas, Água Clara, ali houve um incremento muito significativo de população, principalmente pessoas de Campo Grande (MS) que viajam pela região" diz o pesquisador. "E um crescimento tradicionalmente não necessariamente acompanhado por infraestrutura."

Segundo o pesquisador, o Centro-Oeste não é caracterizado, à exceção de Goiânia, por grandes centros urbanos. "Em grande medida, a qualidade de vida não acompanhou esse crescimento. O interior do MS, por exemplo, é precário, então acho difícil enxergar essa busca como motivo para migração."

Outra região em crescimento é Matopiba, formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, que é considerada uma das principais fronteiras de expansão agropecuária do país. O município de Luiz Eduardo Magalhães, considerado a capital extraoficial, cresceu 79,5% entre 2010 e 2022, chegando a 107 mil habitantes.

Além da criação de concentrações urbanas no interior por atividade produtiva, também há outros motivos que impulsionaram o crescimento de algumas cidades, ainda que em ritmos menores.

Segundo Raquel Dutra, demógrafa e professora da Universidade Federal do Paraná, algumas cidades que apresentaram crescimento de 3%, como Pontal do Paraná, no Sul, podem estar ligadas também a qualidade de vida, mais do que a atividades econômicas.

"É uma cidade com perfil turístico. Provavelmente devido ao preço dos imóveis [não tão elevados] e a migração de pessoas aposentadas para viverem no litoral."

Para José Marcos da Cunha, pesquisador no Núcleo de Estudos Populacionais da Unicamp, empreendimentos econômicos que provocam uma atração rápida de população caracterizam uma migração interna, mas ele critica a leitura de uma interiorização generalizada no país a partir dos dados do Censo.

"Ainda é muito relativo. Tem municípios como São Paulo crescendo pouco, e outros perdendo população. Mas vemos aqui [em SP] uma aglomeração que alguns pesquisadores chamam de macrometrópole, num raio de 150 km, com São Paulo, Campinas, ligadas de uma forma que não existia há 20 anos."
Para ele, é preciso fazer análises detalhadas, porque as regiões em torno das grandes capitais têm indicado outras formas de crescimento.
Há um potencial de redistribuição da população que precisa buscar um lugar para viver", diz Cunha. Para ele, esse movimento, diferente da migração em busca de trabalho, é associado ao mercado imobiliário --quem procura ofertas melhores para viver e continuar trabalhando em grandes concentrações urbanas.

No caso de São Paulo, além de quem procura moradia a um preço que pode pagar, há um movimento de ocupação de áreas tradicionalmente periféricas para construir

A preocupação de José Marcos é que direcionar esforços para o que seria uma desmetropolização do país poderia tirar o foco de problemas enfrentados por metrópoles, como a falta de moradia perto do trabalho e acesso a saneamento e saúde.

 

Brasil

Brasil cria política para ampliar produção de minerais críticos

O objetivo é estimular a pesquisa, extração e transformação de minerais críticos e estratégicos.

17/09/2026 07h30

Lei sancionada cria um Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam) com aporte de R$ 2 bilhões da União

Lei sancionada cria um Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam) com aporte de R$ 2 bilhões da União

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quarta-feira (16) a lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A lei prevê investimentos de até R$ 7 bilhões por meio de incentivos a projetos de processamento e transformação dos minerais. 

O objetivo é estimular a pesquisa, extração e transformação de minerais críticos e estratégicos.

“A mineração exige investimentos intensivos e ciclos produtivos que frequentemente chegam a 40 anos. Por isso, previsibilidade e estabilidade, especialmente a fiscal, são premissas indispensáveis para atrair investimento de longo prazo”, explicou Pablo Cesário, do Instituto Brasileiro de Mineração.

A lei sancionada hoje cria um Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam) com aporte de R$ 2 bilhões da União para garantir empreendimentos e atividades vinculados à produção de minerais críticos e estratégicos. O montante do fundo pode chegar a R$ 5 bilhões. O fundo somente poderá apoiar projetos considerados prioritários no âmbito da política.

O Ministro minas e energia, Alexandre Silveira, afirmou que a nova lei será importante para o Brasil conhecer melhor os recursos que tem. “O Brasil vai conhecer em profundidade seus recursos e preservar a capacidade de decisão sobre suas cadeias produtivas”, disse.

Ele explicou que o Serviço Geológico do Brasil terá um aumento de verba, de R$ 8 milhões para R$ 300 milhões, para investir em pesquisa para conhecimento do solo.

Soberania

Após a assinatura da lei, Lula defendeu o investimento na formação de novos profissionais para um mercado que promete se expandir. Lula convidou as universidades e institutos federais a participar da formação de novos cursos “para não ficarmos devendo a ninguém no mundo em preparação”.

O presidente destacou a importância em ter um mercado de mineração desenvolvido, com industrialização e tecnologia de refino e produção no Brasil. Em seguida, afirmou que existem “traidores da pátria” que quiseram vender, “a preço de banana, como fizeram com o minério de ferro”, minerais críticos em estado bruto para os Estados Unidos.

“Não permitiremos que a história se repita. Que os inimigos do Brasil entendam de uma vez por todas. Nossa soberania não está à venda. A riqueza do Brasil tem um único dono, o povo brasileiro”.

Lula também assinou o decreto que cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos. Caberá ao conselho a coordenação, planejamento e acompanhamento da política nacional. O conselho deverá propor políticas e ações públicas destinadas ao desenvolvimento das cadeias produtivas e minerais críticos e estratégicos.

Minerais Críticos

Os minerais críticos e terras raras são insumos indispensáveis para as indústrias de tecnologia, automobilística, defesa e para a concretização da transição energética.

Os minerais críticos são aqueles cujo suprimento pode envolver diferentes riscos de abastecimento: concentração geográfica da produção, dependência externa, instabilidade geopolítica, limitações tecnológicas, interrupção no fornecimento e dificuldade de substituição.

Terras raras são um grupo específico de minerais críticos. São 17 elementos químicos dispersos na natureza, o que dificulta a extração. Elas são essenciais para turbinas eólicas, smartphones, carros elétricos e sistemas de defesa.

Com cerca de 21 milhões de toneladas, a reserva brasileira de terras raras é a segunda maior já mapeada no mundo, ficando atrás apenas da China, que detém aproximadamente 44 milhões de toneladas. Porém, apenas cerca de 25% do território nacional foi mapeado, o que indica um enorme potencial ainda desconhecido.

A definição de quais minerais são estratégicos ou críticos depende de cada país. A lista também pode mudar conforme o tempo, de acordo com avanços tecnológicos, descobertas geológicas, mudanças geopolíticas e evolução da demanda. As terras raras, por sua vez, também podem ser consideradas minerais críticos ou estratégicos, dependendo do contexto.

transparência

STF deve decidir sobre investigação contra Moraes com sete votos

Devem votar os ministros, nesta ordem: Edson Fachin (relator), Flávio Dino, Cristiano Zanin, André Mendonça, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes

15/09/2026 14h05

Dois ministros já se declararam impedidos e o próprio Alexandre de Moraes não deve perticipar da votação

Dois ministros já se declararam impedidos e o próprio Alexandre de Moraes não deve perticipar da votação

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Com parte dos ministros envolvidos no caso Master, o Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir sobre a abertura de investigação de Alexandre de Moraes com apenas sete integrantes. No início da sessão desta terça-feira, 15, convocada para analisar as conversas de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, os ministros Kássio Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam impedidos. Além deles, o próprio Moraes não poderá se manifestar, já que é objeto de análise no julgamento.

Também há dúvidas sobre a participação de André Mendonça, já que a Corte vai analisar a nulidade do relatório da PF com as conversas de Moraes e Vorcaro, produzido após sua determinação. Moraes acusou Mendonça de abuso de autoridade e de viés político, mas esse julgamento foi marcado para a próxima quarta-feira, dia 23.

Devem votar os seguintes ministros, nesta ordem: Edson Fachin (relator), Flávio Dino, Cristiano Zanin, André Mendonça, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.

Mendonça e Fux já deram sinais de serem favoráveis à abertura de investigação, enquanto Dino e Gilmar indicaram contrariedade.

AJUDA EXTERNA

Depois de experimentar um período de cinco meses sob as sanções da Lei Magnitsky, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou, em sua defesa, que o relatório da Polícia Federal que destrincha sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro "é imprestável" e foi produzido com auxílio de "órgão externo, provavelmente estrangeiro".

O ministro disse que o relatório foi produzido "demonstrando clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026, ao tentar incriminar o juiz relator das ações julgadas pela Primeira Turma contra a organização criminosa que tentou dar um golpe de Estado no Brasil, abolindo o Estado Democrático de Direito". O STF define nesta terça-feira, 15, sobre a abertura de uma investigação contra Moraes.

Ele sugeriu que o documento foi plantado nos sistemas da PF. "Há, inclusive, a suspeita de que o providencial afastamento do diretor da PF (delegado Andrei Rodrigues), que estranhamente foi comemorado por autoridades estrangeiras, foi para que não pudesse averiguar a produção externa desse relatório", afirmou Moraes. Para o ministro, "não é demais relembrar as inúmeras pressões estrangeiras contra a Justiça brasileira e esse STF, inclusive com a cassação do visto de diversas autoridades e a aplicação da Lei Magnitski".

Alexandre de Moraes foi sancionado pelo governo Donald Trump em 30 de julho de 2025. Os EUA optaram pela aplicação da Lei Magnitsky, que pune estrangeiros por supostas violações de direitos humanos e restrições à liberdade de expressão. A medida incluiu o bloqueio de eventuais bens e restrições a transações financeiras nos Estados Unidos. Em 12 de dezembro de 2025, a administração trumpista retirou o ministro e sua mulher, Viviane Barci, da lista de sanções.

Em sua defesa de 44 páginas entregue à presidência do STF, Moraes afirmou que a quebra da "cadeia de custódia" permite a inserção de arquivos falsos, mensagens em "blocos de notas" e outras irregularidades, principalmente quando o material apreendido é enviado ao gabinete do magistrado relator sem a "observância de procedimentos mínimos de segurança".

O ministro reiterou a hipótese de acesso de terceiros ao arquivo, "possivelmente autoridades estrangeiras".

"O prazo de elaboração foi de 72 horas, impossível para aquele relatório, mas os metadados comprovam que o relato não foi produzido efetivamente pela Polícia Federal, mas sim por agentes externos - pela forma de produção, provavelmente estrangeiros, comprovando a tentativa de interferência estrangeira nas eleições brasileiras - que somente enviaram o resultado para a Polícia Federal", disse Moraes.

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