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Com apoio de ex-chefe do MPE de MS, Aras busca terceiro mandato na PGR

Na última terça-feira, Paulo Cesar dos Passos teve o nome aprovado e assim deve ficar mais dois anos no CNJ. Aprovação foi articulada por Aras

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Enquanto tenta ser reconduzido para um terceiro mandato, o procurador-geral da República, Augusto Aras, aumentou sua influência no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A manutenção de Aras no cargo é articulada pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) - a ideia é também defendida por petistas próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Por serem órgãos capazes de controlar e punir integrantes do Ministério Público e do Judiciário, o CNMP e o CNJ são sempre motivo de interesse para políticos.

Há, ainda, mais interesse agora porque os órgãos abriram duas inéditas devassas em todas as investigações e procedimentos realizados na Operação Lava Jato em Curitiba, em Porto Alegre e no Rio. Aras foi procurado, mas não se manifestou.

A investigação sobre a Lava Jato no CNJ foi também turbinada, no mês passado, com o compartilhamento de mensagens trocadas pelos procuradores e obtidas pelo hacker Walter Delgatti, preso na Operação Spoofing. Políticos veem essas investigações do CNMP e do CNJ como oportunidades de "limpar a biografia".

Recondução

Nesse cenário, Aras conseguiu articular no CNMP a aprovação de conselheiros simpáticos a seus posicionamentos. O grupo foi chancelado em sabatina da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na terça-feira passada. Se passarem no plenário da Casa, serão reconduzidos a novos mandatos de dois anos, a partir de 14 de dezembro:

Paulo Cezar dos Passos (do Ministério Público de Mato Grosso do Sul), Ângelo Fabiano Farias (do Ministério Público do Trabalho), Jaime Cassio Miranda (do Ministério Público Militar) e Antônio Edílio Magalhães (do Ministério Público Federal). Também avançou na CCJ a renovação do mandato de Moacyr Rey Filho (do Ministério Público do Distrito Federal), a partir de 13 de setembro.

Além desses cinco conselheiros, Aras também conseguiu a aprovação na CCJ de dois novos conselheiros do seu arco de alianças nos Ministérios Públicos estaduais. São eles: Fernando Comin (do Ministério Público de Santa Catarina) e Ivana Cei (do Ministério Público do Amapá).

Em quatro anos de mandato como procurador-geral da República e, consequentemente, como presidente do CNMP, Aras viabilizou punições a procuradores da Lava Jato em Curitiba, como Deltan Dallagnol e Diogo Castor de Mattos.

Também obteve a pena de demissão, convertida depois em suspensão por 30 dias, do coordenador da operação no Rio, Eduardo El-Hage.

Aliado

Em outra frente, Aras conseguiu antecipar a nomeação para um novo mandato no CNJ do promotor João Paulo Shoucair, do Ministério Público da Bahia, seu antigo aliado e ex-assessor em investigações criminais importantes como a Operação Faroeste.

O mandato de Shoucair no conselho só venceria em 20 de junho de 2024, porque ele tomou posse em junho de 2022. Juristas avaliam que essa nomeação antecipada viola o regimento interno do CNJ, que impõe que indicações sejam feitas a até 60 dias do término do mandato de cada conselheiro, e só depois de uma convocação pelo presidente do CNJ.

Com ajuda do Conselho Nacional dos Procuradores Gerais do Ministério Público (CNPG), Aras agiu para que fosse articulada uma eleição antecipada na qual Shoucair foi o mais votado para a vaga reservada aos Ministérios Públicos Estaduais no CNJ.

Com a eleição, Aras nomeou Shoucair para um novo mandato, válido entre 21 de junho de 2024 e 20 de junho de 2026. Ele também foi aprovado na CCJ do Senado na terça-feira.

A recondução de Shoucair antes do tempo gerou incômodo entre integrantes do Ministério Público Estadual, que consideraram "de fachada" o pedido de Aras para que os procuradores-gerais de Justiça dos Estados indicassem nomes para formar a lista tríplice que passa pela análise do chefe do Ministério Público.

Shoucair foi o mais votado da lista, porém causou estranhamento na categoria o fato de Aras ter feito a sua indicação ao Senado apenas duas horas após o fim da votação, sendo que o regulamento da eleição organizada pelo Conselho Nacional de Procuradores Gerais prevê cinco dias para os concorrentes mais votados encaminharem seus currículos para análise.

Lista

Além de Aras, outros quatro nomes estão na disputa pela indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a chefia do Ministério Público. A categoria definiu uma lista tríplice e se organiza para apresentá-la a Lula, em encontro que ainda não tem data para ocorrer, de acordo com a Secretaria de Comunicação da Presidência. O presidente, porém, não é obrigado a escolher um nome entre os votados pelos pares do Ministério Público.

Os indicativos, inclusive, são de que ele não seguirá a lista tríplice da classe. Em março deste ano, Lula declarou durante uma entrevista que a escolha será pessoal. Na segunda-feira passada, o líder Jaques Wagner afirmou que "não tem lista para a PGR, a decisão é do presidente Lula".

Ele também elogiou Aras, sinalizando que há possibilidade de recondução ao cargo. "Prestou importante serviço ao Brasil", disse o senador. Na véspera, no domingo, o procurador-geral foi às redes sociais dizer que agiu para "desestruturar as bases do lavajatismo".

O flerte entre Aras e o governo, no entanto, não começou nesta semana. Durante o julgamento da ação declaratória de inconstitucionalidade da Lei das Estatais, o procurador-geral mudou de posição para defender que membros de partidos políticos possam assumir cargos de chefias em empresas públicas - o que atende a um interesse do governo.

A Constituição coloca como critérios para ocupar a cadeira mais alta do Ministério Público Federal apenas a idade mínima de 35 anos e o ingresso na carreira. Cumpridos os dois requisitos, o presidente pode escolher qualquer membro do MPF para o cargo.

A lista tríplice, tradicionalmente organizada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), é uma reivindicação da categoria, que enxerga nela um caminho mais justo.

 

reflexos no bolso

Com guerra, aéreas registram gastos extras de R$ 5,2 bilhões

Após o reajuste de 1,9% anunciado pela Petrobras no último dia 1.º, o preço do QAV acumula alta de 49% desde o início da guerra, em fevereiro

08/08/2026 20h01

Por conta do aumento nos custos, maiores empresas aéreas receberam crédito especial de R$ 13,2 bilhões no fim de julho

Por conta do aumento nos custos, maiores empresas aéreas receberam crédito especial de R$ 13,2 bilhões no fim de julho

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As companhias aéreas brasileiras gastaram R$ 5,2 bilhões a mais do que o previsto com querosene de aviação (QAV) desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, em 28 de fevereiro, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), entidade fundada por Azul, Gol e Latam.

De acordo com a entidade, após o reajuste de 1,9% (ou R$ 0,09 por litro) anunciado pela Petrobras no último dia 1.º, o preço do QAV acumula alta de 49% desde o início da guerra, em fevereiro. Com o aumento, o combustível passou a responder por 39% dos custos das companhias aéreas brasileiras. Antes do conflito, essa participação era de 32%.

Segundo a Abear, a forte exposição ao mercado internacional de petróleo e derivados fez com que o preço do combustível praticamente dobrasse em maio na comparação com o período anterior à guerra.

Dados da associação mostram que as empresas tiveram um gasto adicional de cerca de R$ 1,6 bilhão apenas naquele mês. O valor equivale, por exemplo, ao custo de arrendamento de aproximadamente 830 aeronaves.

"Para se ter uma ideia, hoje temos em torno de 500 aviões voando no Brasil. O que pagamos a mais de combustível em maio já representa mais da metade do que gastamos com o leasing da frota atual. É exorbitante", afirmou, em junho, o presidente da Abear, Juliano Noman, durante audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados.

O preço do QAV é reajustado mensalmente pela Petrobras. Em julho, a estatal reduziu o valor do combustível em 14,2% (ou R$ 0,93 por litro), após três aumentos consecutivos. Ainda assim, os preços permanecem significativamente acima dos níveis registrados antes do início do conflito.

No fim de julho, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, anunciou a liberação de R$ 13,2 bilhões em crédito para as três maiores companhias aéreas do País e para a regional Abaeté. Desse total, R$ 8 bilhões serão destinados a capital de giro. A taxa de financiamento será de 4% ao ano.

"Estamos dando linhas de crédito para as aéreas atravessarem a guerra no Irã", afirmou Mercadante. Segundo ele, diferentemente de muitas concorrentes internacionais, as empresas brasileiras não receberam aportes diretos do governo nos últimos anos.

Pelo programa, Gol, Latam e Azul terão acesso a financiamentos de até R$ 2,6 bilhões cada uma, enquanto a Abaeté Táxi Aéreo poderá contratar até R$ 8 milhões.

Crise

A escalada do conflito no Oriente Médio elevou os temores de interrupções na oferta global de petróleo, especialmente devido à importância estratégica da região para o abastecimento mundial. O risco de restrições ao tráfego de navios no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no planeta, provocou uma disparada das cotações internacionais do barril nos últimos meses.

O aumento dos preços da energia tem efeitos que vão além do setor aéreo. Custos mais elevados de combustíveis tendem a pressionar a inflação global, encarecer o transporte de mercadorias e reduzir o ritmo de crescimento econômico em diversos países.

alerta máximo

Quase 300 mil se vacinaram contra o sarampo em SP em 5 dias

O Estado registrou 23 casos de sarampo, sendo 20 deles na capital. Na cidade de São Paulo, outros 207 casos seguem em investigação

08/08/2026 17h48

A campanha contra o sarampo segue até 1º de setembro em todas as UBSs de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo

A campanha contra o sarampo segue até 1º de setembro em todas as UBSs de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo

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Quase 300 mil pessoas se vacinaram contra o sarampo na cidade de São Paulo na primeira semana da Campanha Nacional de Multivacinação, segundo balanço divulgado neste sábado, 8, pela Secretaria Municipal da Saúde. De acordo com a pasta, entre os dias 3 e 7 de agosto, foram aplicadas 292.701 doses da tríplice viral em pessoas do público-alvo da campanha - indivíduos de 6 meses a 59 anos. O imunizante protege contra sarampo, caxumba e rubéola.

Somente na sexta-feira, 7, foram 84.632 doses da tríplice viral, além de 24.952 aplicações de outros imunizantes, o maior volume de aplicações desde o início da campanha, segundo a SMS.

O aumento de casos de sarampo em três municípios paulistas fez a Secretaria Estadual da Saúde e o Ministério da Saúde ampliarem a oferta da vacina para toda a população de São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos na faixa etária citada, independentemente da situação vacinal.

Até agora, o Estado registrou 23 casos de sarampo, sendo 20 deles na capital paulista, dois em São Bernardo e um em Guarulhos. Na cidade de São Paulo, outros 207 casos seguem em investigação, 203 foram descartados e não houve registro de óbitos. Em 2025, o município registrou dois casos importados da doença.

"A estratégia (de vacinação) tem como objetivo ampliar a cobertura vacinal, atualizar as cadernetas de vacinação e reduzir o risco de reintrodução da doença no País", disse a secretaria.

A confirmação de novos casos da doença na capital fez aumentar a procura pela dose de reforço nos postos de vacinação na sexta-feira, 7, com longas filas em ao menos 153 unidades, de acordo com levantamento feito pelo Estadão.

A campanha contra o sarampo segue até 1º de setembro em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) das três cidades. No dia 22 de agosto, um sábado, será realizado o Dia D de vacinação, com todos os serviços abertos excepcionalmente.

É possível consultar quais postos de vacinação têm o imunizante disponível em São Paulo e a situação das filas na plataforma "De Olho na Fila", da Prefeitura de São Paulo.

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