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Bolsonaro fez descaso com preceitos éticos dos militares, diz MPM

Ministério Público Militar diz que o ex-presidente violou os princípios éticos de fidelidade à pátria e de lealdade, entre outros

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O Ministério Público Militar (MPM) afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro fez descaso com a ética militar ao se envolver na trama golpista que pretendia impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente da República. Segundo o órgão, o ex-presidente violou os princípios éticos de fidelidade à pátria e de lealdade, entre outros.

A conclusão faz parte da representação na qual o órgão pediu, nesta terça-feira (3), ao Superior Tribunal Militar (STM) a perda da patente do ex-presidente, que é capitão da reserva do Exército, e a consequente expulsão da força militar após a condenação a 27 anos e três meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Para defender a expulsão de Bolsonaro do Exército, o MPM citou as violações cometidas pelo ex-presidente. 

“Sem muito esforço, portanto, nota-se o descaso do ora representado Jair Messias Bolsonaro para com os preceitos éticos mais básicos previstos no art. 28 da Lei 6.880/1980 [Estatuto dos Militares]".

Segundo o MPM, a decisão do Supremo que condenou Bolsonaro e outros acusados pela tentativa de golpe de Estado demonstra a gravidade da conduta de militares que juraram respeitar a bandeira nacional.

"São incontroversas, como se verá a seguir, a gravidade dos delitos cometidos e a violação dos preceitos éticos militares que os representados outrora juraram voluntariamente respeitar perante a bandeira do Brasil, em intensidade que aponta para a declaração de indignidade e a consequente perda do posto e da patente que ostentam e da qual fizeram uso", sustentou o órgão.

Segundo o MPM,  Bolsonaro também violou as seguintes regras militares:

Dever de probidade e de proceder de maneira ilibada na vida pública ao “constituir e chefiar uma organização, com autoridades do Estado brasileiro, e valer-se da estrutura pública para alcançar objetivos inconstitucionais”;

Dignidade da pessoa humana ao “tentar conduzir o país a um novo período de exceção democrática”;
Cumprimento das leis e das ordens das autoridades competentes, já que “reiteradamente conchavava com os demais integrantes da organização o descumprimento da Constituição, que solenemente jurou defender, e dos comandos judiciais provindos da Suprema Corte e do Tribunal Superior Eleitoral;

Zelo pelo preparo moral – “a conduta do ora representado espelha um estado de imoralidade”;
Prática da camaradagem e do espírito de cooperação – “tendo em vista que a organização que liderava ocupou-se também de promover ataques a militares que não endossavam o movimento golpista”;

Discrição em suas atitudes, maneiras e em sua linguagem escrita e falada e observância das normas de boa educação – “tendo preferido chamar membros de outro Poder de canalhas, enquanto esbravejava ameaças e discursos de ódio ou mesmo insinuar, em reunião ministerial gravada, a prática de corrupção por ministros da Suprema Corte”;

Acatamento das autoridades civis – “organização liderada pelo ora representado buscava inverter a lógica constitucional da submissão do poder militar ao poder civil”;

Cumprimento dos deveres de cidadão – “Dentre os quais se destacam o de respeitar a Constituição, as leis e o resultado das eleições”.

Julgamento

Além de Bolsonaro, o MPM também pediu ao STM a perda da patente dos generais da reserva Augusto Heleno, Paulo Sergio Nogueira, Braga Netto e o almirante Almir Garnier. Todos foram condenados na ação penal da trama golpista.

Segundo a presidente do STM, ministra Maria Elisabeth Rocha (foto em destaque), o tribunal não tem prazo legal para julgar as ações.

Ontem, a presidente disse que vai pautar os processos para julgamento imediatamente após os relatores liberarem os casos para julgamento. De acordo com as regras internas do STM, ela só vota em caso de empate e sempre a favor do réu nas ações de perda do oficialato.   

RECORRÊNCIA

Geraldo Neto volta a negar feminicídio contra Gisele Alves em depoimento de 8h

Gisele, de 32 anos, foi baleada na manhã de 18 de fevereiro, no apartamento onde morava com PM Geraldo Neto, na Barra Funda, em São Paulo

12/10/2026 07h40

Perícia já comprovou que a policial não cometeu suicídio, mas seu ex-companheiro continua negando que seja autor do assassinato

Perícia já comprovou que a policial não cometeu suicídio, mas seu ex-companheiro continua negando que seja autor do assassinato

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Preso suspeito de feminicídio contra a soldado Gisele Alves, em fevereiro deste ano, o tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo Geraldo Neto voltou a negar à Justiça as acusações de ter atirado contra a ex-companheira. As declarações foram dadas durante uma audiência, mesmo um novo laudo complementar reforçar a tese de que Gisele não tirou a própria vida.

Em imagens exibidas pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo, 11, o policial afirmou ser inocente e disse que pretende provar que a morte da ex-companheira foi um suicídio. O interrogatório durou mais de oito horas e foi a última oportunidade para que ele apresentasse sua versão antes de a Justiça decidir se será levado a júri popular.

Gisele, de 32 anos, foi baleada na manhã de 18 de fevereiro, no apartamento onde morava com Geraldo Neto, na Barra Funda, em São Paulo. Os dois estavam sozinhos no imóvel. Segundo a perícia, o disparo que matou a soldado partiu da arma do tenente-coronel.

Desde o primeiro atendimento à ocorrência, Neto sustenta a versão de que Gisele tirou a própria vida. A hipótese, porém, é contestada por três laudos periciais, que descartam o suicídio. A conclusão do documento mais recente é de que seria impossível que a policial tivesse atirado contra a própria cabeça.

O que dizem as perícias

Um dos pontos contestados pelos peritos é a versão de Neto de que, após ouvir um barulho, saiu do banheiro e encontrou a companheira caída na sala. Segundo a reportagem, uma reprodução simulada indicou que uma árvore de Natal posicionada no ambiente encobria a visão do local onde Gisele estava.

O tenente-coronel afirmou que a árvore já não estava ao lado do sofá quando saiu do banheiro e acusou os investigadores de terem alterado sua posição para incriminá-lo. Imagens das câmeras corporais dos policiais militares que atenderam à ocorrência, no entanto, registraram a árvore intacta na sala.

Um bombeiro que socorreu Gisele também relatou ter visto a árvore no local. Ele afirmou ainda que não havia vestígios de água próximo ao banheiro, contradizendo a versão de Neto, que diz ter saído do banho após ouvir o suposto disparo feito pela soldado.

A reportagem também mostrou uma fotografia feita pelo bombeiro que registrou a posição da arma junto à mão da vítima, apoiada sobre a coxa. O socorrista disse ter estranhado a cena.

De acordo com a perícia, Gisele teria sido abordada por trás e imobilizada antes de receber um disparo à queima-roupa. Marcas no queixo da policial também foram citadas entre os elementos analisados.

Sangue foi encontrado no banheiro, em uma toalha e na bermuda de Neto. O tenente-coronel contestou as evidências e alega que a cena foi alterada por agentes que entraram no apartamento.

Mensagens indicam conflitos no relacionamento

A investigação também reuniu mensagens que indicam conflitos entre o casal. Gisele relatava a familiares e amigos que queria se separar porque considerava o companheiro possessivo e ciumento.

Em uma mensagem de áudio enviada 12 dias antes de morrer, a soldado afirmou que Neto havia colocado a mão em seu rosto durante uma discussão.

Questionado sobre a mensagem, o policial negou as acusações e disse acreditar que a ex-companheira teria criado a situação para incriminá-lo. Na versão do tenente-coronel, ela produzia as mensagens no celular dele e enviava a ela, simulando uma conversa de conteúdo tóxico para incriminá-lo.

Outras mensagens recuperadas do celular de Gisele mostram discussões sobre o relacionamento e a possibilidade de divórcio. Em uma delas, Neto teria escrito que tratava a mulher com a autoridade de um "macho alfa", esperando que ela fosse obediente e submissa.

Durante o interrogatório, ele também negou ter enviado parte das mensagens apresentadas na audiência. Ele confirmou, no entanto, ter enviado uma mensagem dizendo o "sexo" com Gisele "era caro", visto que ele sustentava os gastos da companheira.

Apesar de Gisele mencionar repetidamente a intenção de se separar, Neto afirmou que ela não desejava realmente o divórcio. Na audiência, o policial disse que ele próprio queria encerrar o relacionamento.

Defesa pede liberdade

A defesa de Geraldo Neto pediu à Justiça que ele responda ao processo em liberdade. O Ministério Público se manifestou contra a soltura, argumentando que o tenente-coronel poderia usar sua influência para comprometer o julgamento e interferir no depoimento de testemunhas.

O oficial permanece preso preventivamente. Em nota, a defesa afirmou confiar na impronúncia do acusado, decisão que impediria que ele fosse submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. Cabe agora à Justiça decidir se há elementos suficientes para que Neto seja levado a júri popular pelo feminicídio de Gisele.

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Pix ultrapassa 1 bilhão de chaves cadastradas no Brasil

Como uma mesma pessoa pode cadastrar mais de uma chave, o Pix reúne cerca de 170 milhões de clientes

10/10/2026 07h37

Pessoas físicas podem cadastrar até cinco chaves por conta, empresas podem registrar até 20

Pessoas físicas podem cadastrar até cinco chaves por conta, empresas podem registrar até 20

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O número de chaves Pix cadastradas no Brasil ultrapassou a marca de 1 bilhão em setembro, segundo dados do Banco Central (BC). Ao todo, o sistema contabilizava 1,008 bilhão de registros no dia 30, ante 998 milhões em agosto. O total representa um crescimento de aproximadamente 80 milhões de chaves desde o fim de 2025, quando havia 920 milhões.

O número de chaves, porém, não corresponde à quantidade de usuários do sistema. Como uma mesma pessoa pode cadastrar mais de uma chave, o Pix reúne cerca de 170 milhões de clientes, entre pessoas físicas e jurídicas. Isso significa uma média próxima de seis chaves por cliente, considerando os números aproximados.

Do total de registros, 956,7 milhões estavam vinculados a pessoas físicas e 51,2 milhões a empresas, conforme os dados do BC.

Mais da metade dos cadastros corresponde a chaves aleatórias, que permitem receber transferências sem precisar compartilhar informações pessoais, como Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), telefone ou e-mail.

Confira a distribuição por tipo de chave:

    Aleatórias: 526,8 milhões (52,3%);
    Celulares: 166,3 milhões (16,5%);
    CPF: 153,9 milhões (15,4%);
    E-mails: 144,6 milhões (14,3%).

Como funcionam

As chaves Pix são identificadores associados a uma conta bancária ou de pagamento e facilitam o envio e o recebimento de dinheiro. O usuário pode cadastrar CPF, Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), número de celular, endereço de e-mail ou uma chave aleatória gerada pela instituição financeira.

Pessoas físicas podem cadastrar até cinco chaves por conta, empresas podem registrar até 20. Cada chave só pode estar vinculada a uma conta por vez.

O cadastro e o gerenciamento são feitos pelo aplicativo ou internet banking da instituição financeira. A chave Pix, entretanto, não é obrigatória, também é possível realizar transferências utilizando os dados bancários do destinatário, além de recursos como Código QR.

Volume de transações

O avanço no número de chaves acompanha a utilização do Pix para transferências e pagamentos cotidianos. Em setembro, foram processadas 7,1 bilhões de transações pelo Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), do Banco Central, movimentando aproximadamente R$ 3,2 trilhões.

O SPI processa e liquida transferências entre diferentes instituições financeiras em tempo real. Operações realizadas entre clientes de uma mesma instituição podem ser liquidadas internamente, sem passar pelo sistema do BC.

Segurança dos cadastros

A chave aleatória permite receber valores sem divulgar diretamente dados pessoais. Ainda assim, os usuários devem conferir a identidade do destinatário antes de confirmar uma transferência.

Em novembro de 2025, o Banco Central informou que estudava mecanismos para permitir o bloqueio da criação de novas chaves não autorizadas, como medida adicional de prevenção a fraudes. 

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